quinta-feira, abril 14, 2022

TRIBO HIMBA

 


A tribo Himba, caracterizada pelos seus costumes ancestrais, ocupa hoje a região do deserto do Namibe.

Ontem no noticiário fui surpreendido pela notícia.

Uma destas mulheres, resolveu tirar a carta de condução, pediu que lhe dessem uma ambulância e, actualmente percorre toda a zona, ajudando e transportando para os hospitais, toda a gente que a ela recorre. 

Assim vestida, não renegando as suas raízes. É um ser humano raro.

quarta-feira, março 30, 2022

VATICANO

 


Cidade do Vaticano, 28 mar 2022 (Lusa) - O Papa Francisco inicia a partir de hoje reuniões com representantes dos indígenas canadianos inuítes, métis e primeiras nações, no âmbito de um pedido de perdão da Igreja Católica pelos abusos sofridos durante os processos de assimilação forçada.

O Papa Bento XVI já tinha pedido desculpa pelo ocorrido nas residências escolares estabelecidas pelo Canadá no final do século XIX dedicadas à população indígena e que funcionaram até 1997.

Mas a descoberta em 06 de junho dos restos mortais de 215 crianças, estudantes da Kamloops Indian Residential School, na província de British Columbia, reavivou a tragédia dos povos originários do Canadá e o seu pedido de justiça.

“Uma delegação de 32 anciãos indígenas, guardiões do conhecimento, sobreviventes de escolas residenciais e outros jovens ativistas chegou a Roma”, informou a Conferência Episcopal Canadiana que os acompanha.

Os encontros privados com o Papa ficam concluídos em 01 de abril com uma audiência no Palácio Apostólico, com a participação conjunta das delegações e da conferência episcopal canadiana durante a qual Francisco terá a oportunidade de dirigir-se a eles, informou hoje o Vaticano.

Esta reunião foi adiada devido à pandemia de covid-19, enquanto os indígenas pediram ao Papa que visitasse o Canadá para se desculpar oficialmente pelos horrores cometidos pela Igreja Católica.

Francisco já tinha manifestado a sua intenção de visitar o Canadá após o convite da conferência episcopal do país na sequência da descoberta de centenas de corpos indígenas numa instituição católica e embora não seja oficial, a viagem poderá ocorrer este ano.

O governo canadiano confiou a instituições católicas, anglicanas e protestantes a educação de crianças indígenas que foram retiradas de seus assentamentos, mesmo sem o consentimento de seus pais, e nesses internatos foram proibidos de usar o seu nome, a sua língua e as suas tradições.

Nesses centros, onde muitos deles estavam desnutridos e morreram de doenças, não receberam a mesma educação que as restantes crianças canadianas, mas receberam tarefas domésticas ou outros empregos.

Estima-se que entre 1890 e 1997 cerca de 150.000 crianças indígenas foram internadas à força em centenas de residências escolares e cerca de 4.000 morreram durante a sua permanência em residências escolares.

quinta-feira, março 24, 2022

sexta-feira, março 11, 2022

ANGÚSTIA

A frase mais comum hoje em dia, a propósito de tudo e de nada é: como é que isto é possível no século XXI?

A humanidade no seu todo, começou a "pensar" que este século era a panaceia para todos os males. Já tinhamos atingido um grau de civilização tal, que tudo havia de correr bem. Na verdade, esta ilusão vem do facto de ter surgido uma nova "ferramenta" que dá pelo nome de redes sociais. A partir desse momento, toda a gente tem opinião, sabemos tudo sobre a vida de cada um, o que comeu ao pequeno almoço, partilhamos todos os segredos da boa cozinha e das dietas milagrosas, tudo misturado com um bocadinho de religião, que fica sempre bem. É impossível não saber o aniversário de alguém, as intimidades das pessoas (nem sempre recomendáveis), criou-se uma nova raça de cientistas, os "influencers", e pasme-se toda a gente tem opiniões sobre tudo e todos.

Mas, tudo muda de figura, quando começamos a falar do que realmente importa, da cultura e da elevação como ser humano. Se perguntar quem foi Leonardo, ou Saramago, ou simplesmente António Nobre, corro o sério risco de ser apelidado de fascista e neonazi. Apenas porque é fácil mostrar que nas redes sociais, ao lado de alguma gente boa, pululam multidões infindáveis de imbecis.

A única idade de ouro da história da humanidade chama-se Renascença. Tentem falar com essa gente, dessa época. Tentem saber o que é que eles pensam dessa época. Nada. Mas perguntem-lhes pelas Kardashians e afins e terão conversa para várias horas.

Fico estarrecido, porque essas multidões votam para a formação de governos de países. Basta ver como os políticos de todos os partidos baixam o nível para atingir essas massas. O mundo actualmente tem governantes à medida desse povinho.

Experimentem colocar o mapa mundo e pedir aos ditos cujos que apontem os países que vocês forem dizendo. A maior parte da massa a que me refiro, não sabia onde ficava a Ucrania, em Janeiro de 2022. Apesar de falarem das republicas separatistas, do horror da guerra, dos seus motivos, uma boa percentagem continua a não ser capaz de apontar no mapa o sítio exacto da Ucrania. 

Se não acreditam no que eu digo, vejam este vídeo, e prometo que vale a pena assistir. E tremer de angústia. Homo sapiens, sempre! 




quarta-feira, março 09, 2022

A terrível hipocrisia da resposta do Ocidente aos refugiados (opinião)

 CNN , Opinião de Arwa Damon

 Nota do editor: Arwa Damon é a premiada correspondente internacional da CNN, geralmente sediada em Istambul, e presidente e cofundadora da instituição de beneficência INARA. As opiniões expressas neste comentário são da própria.



Vejo imagens paralelas nas inundações de humanidade que chegam até mim. Uma acontece mesmo à frente dos meus olhos, na fronteira Ucrânia-Polônia. Mãos grandes que agarram as pequeninas, pequenas cabeças apoiadas em ombros cansados, o zumbido constante das rodas das malas. Vejo rostos paralisados pelo choque, marcados pelas rugas do trauma que nunca irão desaparecer completamente. Os olhos vidrados em pura descrença, as mentes incapazes de compreender as vidas que deixaram para trás.

A outra imagem sobrepôs-se na minha mente, criada pela enchente de memórias de quando fiz a cobertura da crise dos refugiados de 2015. Naquela época, multidões espremiam-se contra o arame farpado na fronteira Grécia-Macedónia. Uma mãe embalava o seu bebé debaixo de uma lona de plástico, à chuva. Um pai levantou no ar a sua filha febril e apática e disse: “Olhe para ela, olhe para o estado dela. Na Síria, ela era uma princesa.”

Atualmente, parece que o mundo acordou e finalmente percebeu quão implacável e assassino é o governo russo. Como se há anos os sírios não morressem com as mesmas bombas russas. Como se as inúmeras vozes sírias não implorassem ajuda ao mundo. Na altura, perguntaram-me: “Porque é que o mundo não se importa connosco?” Mas eu não poderia responder sem destroçá-los ainda mais. Como dizemos a alguém que a sua vida não faz parte de um cálculo geopolítico? Que no grande esquema dos mestres de marionetas, a vida deles não vale assim tanto?

Penosamente, estamos a ver que os refugiados são acolhidos seletivamente e os criminosos de guerra são punidos seletivamente. Não são apenas os média ocidentais que são tendenciosos; é todo o mundo ocidental. Ouço isso na retórica vinda de políticos, jornalistas e líderes globais. Retórica sobre como os ucranianos são um “povo próspero de classe média”, “a família da porta ao lado”, “civilizados”. Como se o que define um ser humano digno de ser salvo fosse identificado pela cor da sua pele, a língua que fala, a religião que pratica ou onde nasceu.

A verdade feia é que a nossa humanidade é superficial. E isso parte-me o coração.

Hoje, na Polónia, vejo a beleza do que pode acontecer quando os refugiados são acolhidos. Quando a bondade e a compaixão recebem aqueles que fogem das suas vidas. Quando centenas de voluntários esperam por autocarros atrás de autocarros com placas a oferecer viagens gratuitas e lugares quentes onde ficarem. Quando as forças de segurança do país anfitrião facilitam o movimento, providenciam informações e abrigo. Quando um estranho diz: “Está tudo bem, já está em segurança, o que posso fazer por si?”

Mais uma vez, volto ao que acontece quando os refugiados não são bem-vindos. Em 2015, nenhum dos restaurantes ou cafés à volta da estação de comboios de Budapeste, na Hungria, permitia a entrada de refugiados. Aqueles que fugiam foram reunidos como gado pelas forças de segurança até conseguirem romper as barreiras e fugir. Quilómetros e quilómetros de pessoas a andar a pé, à espera e a rezar para que alguém lhes mostrasse misericórdia. Na altura, havia muita retórica contra os refugiados por parte dos governos e das populações da Europa, envolta em receios de que o Daesh se infiltrasse, que aqueles na estrada eram “demasiado diferentes”. E sim, isso também foi durante o auge dos ataques do Daesh na Europa. Mas também foi durante o auge dos ataques do Daesh e de outros grupos terroristas na Síria, no Iraque, no Afeganistão e noutros locais.

No centro disto está a triste realidade de os refugiados sobre quem falei no passado serem do Médio Oriente, do Norte de África e do Afeganistão, e serem considerados “os outros” por muitos no mundo ocidental. E, por alguma razão, isso fazia com que ninguém se identificasse com a dor e o sofrimento deles. Eu disse ao mundo, na CNN, que os sírios são como qualquer outra pessoa; eles tinham sonhos, casas, uma sensação de segurança em que acreditavam. Eu senti que não estava a ter ressonância, que não estava a ser ouvida. Para a grande maioria de nosso público ocidental, eles continuaram a ser “os outros”.

Enquanto jornalista, pergunto-me muitas vezes se, de alguma forma, eu falhei naquela época. Como poderia ter contado as histórias de refugiados de forma a que o mundo se importasse? Carrego essa culpa comigo há anos, ainda hoje. Porque certamente haveria uma maneira de mostrar ao mundo ocidental - o mesmo mundo que agora está ao lado dos ucranianos - que os sírios, os iraquianos, os afegãos e outros povos que seguiram este mesmo caminho pela Europa, são exatamente como eles. Sou de ascendência árabe e americana, mas a minha aparência - pele clara, olhos verdes, cabelos louros - está tão fora do estereótipo árabe, que ninguém questiona o meu lugar. Vejo rostos sírios e iraquianos nos ucranianos. E sou levada de volta à Grécia, em 2015, quando uma senhora síria, idosa e elegante, a fugir para um lugar seguro, na lama, me agarrou no braço, o seu toque tão suave quanto o da minha avó.

Lembro-me que, nesse mesmo ano, uma mulher na Hungria nos pediu para não a filmarmos. Não porque estivesse preocupada com a segurança da família, ainda na Síria, mas porque não queria que a vissem humilhada, suja e sentada no chão.

Esta semana, olhei para as mulheres e crianças ucranianas que entravam nos autocarros que as esperavam, e senti-me tão aliviada por a história de refugiados delas ser tão diferente. Nem tudo foi mau. Testemunhei alguns momentos emocionantes em 2015. Pessoas na estrada que liga a Hungria à Áustria, paradas com carrinhos, comida e água para os refugiados. A pedirem desculpa pelo comportamento dos seus governos, dizendo: “Não somos todos assim.” E em pontos de encontro improvisados, os esforços locais acabaram por se juntar aos de instituições de beneficência maiores, para fornecerem abrigos básicos. Mas nada disso se compara ao que estou a ver aqui na Ucrânia e na Polónia.

Em todos os centros de realojamento de refugiados e passagens fronteiriças, há montanhas de roupas, bonecos de peluche, carrinhos de bebé e muito mais. Um sistema completo e um exército de voluntários, a trabalharem em conjunto para ajudar os ucranianos em fuga.

Lembro-me de quando a então chanceler alemã Angela Merkel disse que o seu país receberia um milhão de sírios. Os refugiados com quem eu estava na Hungria começaram a chorar de alegria; finalmente sentiam-se bem-vindos e não tratados como lixo indesejado. Mas, com o passar dos meses, a grande solução da Europa foi chegar a um acordo com a Turquia para fechar a rota dos migrantes, deixando num limbo os que já estavam no caminho.

Sete anos depois, muitos deles ainda estão nos mesmos campos e centros improvisados, as suas vidas estagnadas. Algumas crianças nascidas nos campos nunca conheceram um verdadeiro lar. É provável que muitos não saibam que os sírios ainda estão nestes campos improvisados.

Eu comparo essas memórias com o que está a acontecer no mundo inteiro, atualmente, com tantas nações a declarar que todos os refugiados ucranianos são bem-vindos. Vejo países ocidentais a oferecer vistos de residência de um ano a esses refugiados, autorizações de trabalho e trânsito livre para outros países.

Vejo como as potências ocidentais e outras expressam indignação face ao que se passa na Ucrânia, os mesmos países que, na melhor das hipóteses, falaram da boca para fora quando se tratou da Síria, e os outros que simplesmente ficaram calados. Vejo país após país, ocidentais e outros, unidos para pressionar a Rússia, a aplicar sanções mais duras do que nunca. Vejo empresas de cartões de crédito a negar o seu uso na Rússia, companhias aéreas a interromper serviços e os produtos a serem boicotados. Não importa de onde sejam, as emoções dos refugiados são muito parecidas: a incapacidade de compreender como a sua realidade se alterou de forma tão repentina e violenta, e a culpa dos sobreviventes que assola aqueles que fugiram, mesmo que para salvar os seus filhos, mesmo que, racionalmente, fosse a única opção.

Cada guerra é diferente, os seus contornos traçados por poderes maiores que o indivíduo e pela ganância e crueldade da geopolítica. Mas o sofrimento das pessoas apanhadas no braço de ferro continua a ser a mesma. A agonia de perceber que não só o seu país já não é seguro, como pode até deixar de existir. Aldeias e cidades onde os pezinhos corriam e brincavam à apanhada, estão agora reduzidas a escombros. As cozinhas e salas onde as famílias se reuniam para as refeições e os casais discutiam, foram transformadas em cinzas. As cabeças entre as mãos, os ombros a tremer, as almas a gritar.

Esse sofrimento é universal. Como deve ser a reação a ele.

 

quarta-feira, fevereiro 23, 2022

segunda-feira, fevereiro 21, 2022

PROVÉRBIO AFRICANO

 


A UNIÃO DO REBANHO FAZ O LEÃO DEITAR-SE COM FOME

segunda-feira, fevereiro 07, 2022

MÃES


No Canadá foram recentemente queimados em várias escolas, livros do Tintim e Asterix por alegadas ofensas contra indigenas.

Os livros de Mark Twain foram modificados, para retirar a palavra nigger.

Recentemente também, uma francesa estudante na Escola de Artes em Paris, fez-se fotografar toda sorridente, após vandalizar monumentos em Lisboa.

Menos recentemente, todos nos lembramos da destruição dos Budas pelos radicais islâmicos.

Estes fenómenos parecem estar relacionados com a tentativa de criar uma sociedade neutra, abúlica, cinzenta. Sem homens e mulheres. Sem gays e heteros. Sem gente de diferentes raças e credos. Sem homens e mulheres. Sem inteligentes nem idiotas, tudo medido e reduzido ao mesmo nível. Camões e Zé Cabra, tudo no mesmo saco.Também o mesmo acontece com as emoções. 

Surge agora um "estudo" ( esta gente baseia-se sempre em estudos), que afirma que o melhor para o equilibrio da sociedade é erradicar a palavra mãe e substitui-la por pessoa lactante. Então e o pai fica como? Pessoa ejaculante? E a tia? Pessoa lactante consanguínea? E quem não conseguir ser lactante? É abatida? E quem não quiser ser lactante? E quem não quiser continuar a ouvir estes filhos........, faz o quê?

A história da humanidade é o que é. Com erros, paixões, afectos, decisões acertadas, guerras, racismo, xenofobia, amor, solidariedade. Estes indigentes querem eliminar tudo, o holocausto nunca existiu, nenhuma guerra o foi, Camões, Pessoa, Saramago, são todos iguais. Este é um assunto muito sério, com consequências imprevisíveis se o deixarmos evoluir. Principalmente os humanos, mas também os animais, baseiam a sua vida em afectos os mais diversos. E esta gentalha tem vindo a tentar eliminar esses afectos porquê? Gente mal parida, metida a besta? Uma nova forma suicidária de viver em sociedade? Tudo vestido de cinzento, trabalho das nove às cinco, sexo de 23 em 23 dias e só durante um quarto de hora? E sem tocar nas estimadas glandulas lactantes. LGBTQIA passa a ser  LGBTQIAPLPEMM?

Há quem diga que os idiotas vão tomar conta do mundo. Não pela capacidade, mas pela quantidade. Porque são muitos e reproduzem-se. De 23 em 23 dias por suposto.

Estamos ainda a tempo de combater este fenómeno. Longe de ser uma moda do momento, a amplitude deste fenómeno a nível global, tende a torná-lo extremamente perigoso, mesmo em termos de sobrevivência da sociedade tal como a conhecemos. A grande diferença entre os tempos anteriores e os tempos actuais, reside no facto de que estes indigentes mentais, têm acesso às redes sociais e portanto podem ampliar mil vezes qualquer idiotice que inventem, e sempre haverá quem receba a mensagem. E não vale a pena enganar-nos. Esta multidão é constituida por radicais (se as tuas ideias não têm conteudo para criar movimento, vamos impô-las pela força. Também de um "estudo recente"), que não vão ter nenhum problema em acabar connosco. Acredito que se deixarmos estas situações evoluir, mais tarde temos de partir para as formas clássicas de luta, como única maneira de sobreviver.

No entretanto não podemos continuar a chamar esta gente de idiotas. Segundo o ponto de vista deles não se atinje a neutralidade por esse caminho, podendo ainda serem vitimas de bullying na escola. Proponho o nome de microcefalos mamantes ( um estudo realizado, de grande credibilidade científica provou isso), além do mais porque creio que ficarão felizes com isso.  

E a minha mãe, todas as mães do mundo fiquem descansadas porque continuarão a ser as melhores mães do mundo.

quinta-feira, janeiro 27, 2022

DIREITOS HUMANOS

O EUA têm 245 anos de existência como país habitado por colonizadores. Mil anos antes, já o mundo civilizado se estendia por toda a Europa e Ásia.

Nos finais do século XIX, o ambiente era o que sabemos. Os grandes bandidos que nos habituamos a ver na tela mascarados de heróis ( Jesse James, Billy The Kid, Wyatt Earp, etc), pululavam em gangues por todo o território. Em pleno século XX, surgiu outro tipo de banditismo, o mais conhecido Al Capone.

Neste entretanto, entre a independência e os dias de hoje, houve a grande corrida ao ouro com as consequências conhecidas, uma guerra norte-sul para abolir a escravatura, e o extermínio da nação India.

Na actualidade e apesar da guerra fratricida, os problemas raciais, estão mais exacerbados que nunca.

E é este país, com estes antecedentes, que decidiu tomar conta do mundo e explicar a todos nós o que é a democracia, e armar-se em arauto mundial dos direitos humanos.

Mais do que isso. Nos últimos 100 anos tentou à força fazê-lo no país dos outros. Coreia, Vietnam, Somália, Síria, Iraque, Líbia, Afeganistão e por aí adiante. Sem nenhum resultado visível a não ser a fuga desenfreada de todos esses sítios, deixando um rasto de destruição para quem lá vive.

Parece que agora vão ter que parar. A opinião pública local, os milhares de mortes inúteis do seu próprio povo, e a explosiva situação económica, são condimentos que os vão levar a entreter-se entre eles por bastante tempo. Felizmente


quarta-feira, janeiro 26, 2022

PARIDADE DE GÉNERO


Desengane-se quem achar que eu sou a favor da paridade de género. Desengane-se também quem achar que eu sou a favor das mulheres.

De facto, a minha opinião é um pouco mais rude que o trivial que se publica de forma insana, 24 horas por dia. Perante uma oportunidade, apenas defendo com unhas e dentes que quem a agarrar, o faça por mérito, por se o melhor, seja de que sexo for. Sem desculpas. Sem necessidade de ter tido um curso de especialização na área.

Sou educado com as mulheres, tanto quanto sou com os homens. Nem mais nem menos.

Por isso me custa e combato ferozmente, qualquer ser que pense o contrário, qualquer que seja o seu lado da barricada. Nos dias que correm, ver mulheres se autopromovendo em nome da paridade de género, tratando de arranjar uma comitiva de apoio e bajulação nas redes sociais, criando movimentos que na esmagadora maioria não dizem nada, só encerram o circulo de bajulação contínua, apenas me diz que esses grupos estão a fazer coisas que prejudicam violentamente a sociedade em que se inserem e diminuem aquilo que de bom existe na igualdade de géneros.

Houve um tempo, há um tempo, haverá um tempo, em que mulheres, homens, raças, credos,  batalham por direitos, liberdades, igualdades, fraternidades. Sempre haverá alguém suficientemente atrasado defendendo outras posições. E essa é que é a batalha de todos nós em conjunto, livres de qualquer forma de autopromoção e muito menos de bajuladores. Esses ao primeiro sinal de perigo, desaparecem e deixam até de nos conhecer.



segunda-feira, dezembro 13, 2021

ALICE


 


Alice palmilha a vida na berma de todas as estradas

Escolhendo pedras por onde passa

Marcas silenciosas do seu ir e vir

Que só ela reconhece e não desvenda

Entre esse chão e as nuvens vagabundas

Há um mundo desatento, ruidoso, caótico

Que Alice conhece profundamente de conversas tidas

Com os pardais, andorinhas e principalmente beija flores

E o seu passo é firme, largo, com destino certo

Sem companhia, apenas ela e o mundo

Incessantemente costurando o futuro que sonhou

Apenas construir uma casa na montanha mais alta

Junto ao céu, com raízes profundas no grande oceano

Com pedras, nuvens, céu, e muito, muito mar. 

quarta-feira, dezembro 01, 2021

À LUPA




O que é que diferencia o Sars Cov-2 dos restantes vírus?

A sua letalidade? O seu nível de contágio? As redes sociais e a exaustão noticiária mundial?

Pessoalmente acho que o principal problema reside exactamente no que os países e as grandes multinacionais do ramo querem que ele seja. O volume de negócios e os montantes envolvidos são apetitosos para quem se dedica à tarefa de enfrentar esta crise.

Os governos na generalidade estão reféns das redes sociais e da opinião pública, mas de facto nenhum país vai conseguir aguentar do ponto de vista económico, mais nenhuma situação de encerramento ao exterior, de medidas de calamidade pública e de restrições ao seu normal funcionamento.

Este vírus como todos os outros veio para ficar, com um comportamento similar a todos os outros, e vamos ter de conviver serenamente com ele, sem pânico.

Ao compararmos com outros vírus e doenças, o que encontramos?

“A ameaça da gripe pandêmica está sempre presente”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “O risco contínuo de um novo vírus da influenza transmitindo de animais para humanos e potencialmente causando uma pandemia é real. A questão não é se teremos outra pandemia, mas quando. Precisamos estar vigilantes e preparados – o custo de um grande surto de gripe superará em muito o preço da prevenção”. A influenza continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública do mundo. A cada ano, no mundo, estima-se que haja um bilhão de casos, dos quais de três a cinco milhões são casos graves, resultando em 290 mil a 650 mil mortes por doenças respiratórias relacionadas à influenza. A OMS recomenda a vacinação anual contra a gripe como a maneira mais eficaz de preveni-la. A vacinação é especialmente importante para as pessoas com maior risco de complicações graves causadas pela influenza e para os profissionais de saúde.

Segundo o relatório anual do Programa Global Contra a Malária da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado esta segunda-feira (30.11), poderá haver entre 19 mil e 100 mil mortes adicionais causadas pela malária. Isto se deve ao facto de a pandemia da Covid-19 ter interrompido entre 10% e 50% dos tratamentos daquela doença. "Morrerão mais pessoas [em África] de malária do que de Covid-19 até ao final de 2020", afirmou Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África. 

Os novos dados mostram que a prevalência do VIH a nível mundial, ou seja, a percentagem de pessoas que vive com o VIH, estabilizou e que o número de novas infecções também diminuiu, graças, em parte, a programas de combate ao VIH realizados a nível mundial. Para além dos 33,2 milhões de pessoas que se calcula estarem a viver com o VIH em 2007, registaram-se 2,5 casos de novas infecções e 2,1 milhões de pessoas morreram em consequência da SIDA.  Mas, com mais de 6 800 novas infecções e mais de 5 700 mortes todos os dias devido à SIDA, temos de intensificar os nossos esforços, a fim de reduzir significativamente o impacto da SIDA a nível mundial".

E agora, qual é a nossa posição em relação ao Sars-Cov2? E apenas mostrei três exemplos de doenças que são contagiosas, graves e potencialmente letais.

A lucidez, manda que as pessoas se vacinem, que usem máscara e tenham cuidados de higiene, não só por causa do Covid, mas por causa de tudo o que é virus.


segunda-feira, novembro 29, 2021

"GERAÇÃO RASCA"


Desde 1969, que a minha preferência partidária se mantém a mesma. E manter-se-á no futuro. Posso dizer com absoluta convicção que não sou, nunca fui e nunca serei simpatizante do PSD.

Rui Rio venceu a luta interna e terminou com a carreira política de Rangel. Tudo em ordem, portanto?

Nem por isso. A começar por Rangel e seguindo-se os apaniguados do costume, começaram a surgir as opiniões bastante idiotas destes senhores.

A melhor delas todas veio do próprio Rangel, logo seguida pelos seus fervorosos adeptos: "parabéns a Rui Rio, vou regressar ao meu lugarzinho do Parlamento Europeu, e parabéns ao PSD que agora tem finalmente um lider legitimado" .

Mas afinal Rui Rio era presidente do PSD de forma ilegítima? E o PSD sabia disso? Precisava de ser legitimado?

Na verdade, cansa ver a mesma manobra política repetida à exaustão. Vamos lá deixar este palhaço, governar este PSD entre eleições e na hora certa vai para a rua e surge um novo messias.

Estamos a viver tempos difíceis. Há gente, muita gente mentalmente alcoólica, que se propõe tomar conta dos destinos de um país, e não é só cá. Os exemplos abundam: Boris Johnson, Biden (que já anunciou que se vai recandidatar, se na altura ainda se lembrar), o inefável Venturinha que faria de Portugal uma sucursal da Alemanha nazi, Stoltemberg que cada vez que fala diz asneiras, Marta Temido que de uma assentada criou milhares de inimigos, que não esquecerão dê ela as desculpas que der.

Isto vai mudar, tem de mudar. As pessoas capazes têm de conseguir dar a cara e acabar com a influência das redes sociais, tão do agrado destes medíocres. A única coisa que me apetece dizer-lhes é que vão dar banho ao cão.

segunda-feira, novembro 15, 2021

terça-feira, novembro 09, 2021

segunda-feira, novembro 08, 2021

ENGANOS

 


Esta foto apareceu com o título "consequências das alterações climáticas"

Pede-se muito pouco aos jornalistas hoje em dia. Mas pelo menos deve exigir-se que não digam asneiras. Tiraram a carteira como? Que exigências lhes são pedidas? Que cultura geral é avaliada.
Companheiros escribas, as alterações climáticas poderão até ser ampliadas por esta situação, mas a isto chama-se poluição. Lixo puro e duro. E encantem-se porque não foram porcos nem outras espécies não racionais. Fomos, somos todos nós que depois disto vamos fazer manifestações de protesto para o COP 26.
Façam a vossa parte.


sexta-feira, novembro 05, 2021

QUERIDA EUROPA

( O peso dos impostos e contribuições sociais na economia portuguesa subiu para 35.4%. Apesar de ter atingido o valor mais alto desde 1995, a carga fiscal em portugal continua a ser inferior à média europeia)



A sociedade europeia caminha com passadas largas para a sua destruição.

Os orçamentos dos estados são sempre deficitários, e a dívida aumenta sistemáticamente.

Por outro lado, ou se calhar por causa disso, a pressão fiscal é alucinante. Paga-se imposto por tudo. Quem lá vive sabe que as cartas das finanças são quase diárias. Sobre as classes médias e mais desfavorecidas, claro. As empresas com todas as suas deduções e mordomias estatais quase não pagam impostos. E mesmo assim, quando o lucro diminui deslocalizam-se e vão escravizar outros povos. A invenção de novos impostos é feita quase diáriamente. Até já se paga um IMI diferente e mais pesado se a nossa casa estiver mais virada ao sol que as outras. Virá o dia em que teremos que pagar para respirar. Ou não.

Acresce a isto que há funcionários publicos  a mais, um emprego em cada cinco. Ineficientes, sempre em greve para obter mais e mais.

É o neoliberalismo no seu melhor, em rota de colisão. Vai explodir e toda a gente sabe disso.

TOO GOOD TO GO


Básicamente é uma segunda oportunidade para os restos de comida nos restaurantes.

Começou em 2015 na Dinamarca e actualmente estende-se a 17 países e quase cem milhões de refeições salvas por ano.

Colateralmente há uma diminuição de emissão de 250 mil toneladas de Co2.

Não há de facto o perigo de fome no mundo por escassez de alimentos. O que há é enormes desperdícios, que finalmente começam a ser orientados e partilhados.

quarta-feira, novembro 03, 2021

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


Ainda tenho reservas sobre tudo o que diga repeito a aquecimento global, destinos catastróficos, extinção das espécies, etc.

De um lado temos ambientalistas, ONG´s e afins, cientistas, proclamando o fim do mundo, na maior parte das vezes dogmáticos, atirando com o aumento de 2 graus centigrados para tudo quanto é lado.

Do outro lado da barricada há também muito boa gente, afirmando que tudo isto se trata de mais um ciclo de aquecimento / arrefecimento do planeta. Na verdade o aquecimento global é uma hipotese fornecida por modelos teóricos baseando-se em relações primárias que anunciam um aumento de temperatura, nem sempre confirmado. São numerosas as contradiçoes entre as previsões e os factos climáticos observados directamente. A ignorância destas distorções flagrantes constitui uma impostura cientifica. Nos anos 70 verificou-se um desvio climático que os modelos não previram. Traduziu-se sobretudo pela violência e irregularidade do tempo e foi provocado pela modificação do modo de circulação geral da atmosfera. O problema fundamental não é prever o clima em 2100. Deve-se antes determinar as causas deste desiquilibrio recente. O que predomina no debate actual e o falseia é que as alterações climáticas são um tema da climatologia, tratadas como se fossem do ambiente. Em anexo ao da poluição, que tem sido um excelente alibi moral. ( Marcel Leroux )

E é este o ponto da situação actual, agravado pelas constantes lutas e trocas de mimos entre os dois exércitos. Mas, há uma ideia base comum a todos, virtualmente a todos os cientistas, pseudo-cientistas, pessoas comuns, ambientalistas. Independentemente de qual facção tenha razão, temos que fazer muito mais para não agravar as condições ambientais. Ainda que este seja um ciclo natural, não pode nem deve ser sobrecarregado com a nossa imbecil maneira de viver. Portanto parece que de uma forma ou outra estamos todos de acordo e não basta preservar as florestas e os mangais. Pode até servir de bandeira mas é totalmente insuficiente. 

Lembremos apenas alguns dos problemas: produção de quantidades incomensuráveis de metano a partir da criação superintensiva de gados. Colateralmente o abate das floresta tem pouco a ver com madeireiros. Serve apenas para ter terreno para plantações imensas de soja para alimentar esses gados. E que dizer dos lençóis freáticos contaminados pelos supermatadouros desse mesmo gado? E que tal resolver a pesca intensiva de arrasto de fundo, ou de redes de malhas proibidas. E quanto ao cultivo intensivo de peixe? E quanto aos carros eléctricos? Alguém já explicou que no final das contas não se ganha quase nada em termos de poluição? E quanto aos milhões de aviões que habitam os nossos céus permanentemente, descarregando excesso de Co2 a cada segundo que passa? E quanto ao uso descontrolado do "streaming"? E quanto ao redimensionamento das cidades onde vivemos? E quanto aos plásticos e lixos descontrolados? E quanto à distribuição equitativa de água e energias alternativas? Por esta pequena amostra dos problemas, se percebe que o nosso estilo de vida tem de mudar radicalmente, mesmo em termos alimentares. 

E aqui surge o conceito de desenvolvimento sustentável: Crescimento sustentável, é básicamente atender e melhorar as necessidades da actual geração sem comprometer as necessidades das gerações futuras. É uma política de equilibrio, que permite não esgotar os recursos. Fácil de dizer.

Tenho ouvido muitos debates e quase todos muito pobres, parcelares com visões enviesadas e domésticas dos problemas. Ontem vi um desses programas. Prácticamente só disseram trivialidades, mas alguém lançou uma ideia genial, e é assim que o mundo pula e avança. Nenhum governo vai conseguir resolver os problemas se não tiver a população envolvida activamente, e portanto como princípio deve-se fazer um esforço nesse sentido. Mas o melhor mesmo era que os ministérios da educação por esse mundo fora, tornassem obrigatório curricularmente e no ensino médio, 100 horas anuais de trabalho comunitário. Que melhor maneira de olhar para as desigualdades sociais e todos os problemas subjacentes. E a malta nova é voluntariosa, dedicada. Na verdade eles são o nosso futuro, se lhes dermos oportunidade disso.

Porque não vamos poder esperar pelos acordos de Paris, ou pelo COP 26 ou seja lá pelo que for. 


sexta-feira, outubro 29, 2021

quinta-feira, outubro 28, 2021

COSTURAR FUTUROS

 



Há sonhos e projectos, os mais diversos

Que não merecem o exilio

Que não merecem a infelicidade calada do esquecimento

Devia ser possível costurar os seus futuros

Cerzi-los com a linha do horizonte

Poupá-los à humilhação de um qualquer purgatório.

 

quarta-feira, outubro 27, 2021

terça-feira, outubro 26, 2021

Paulina Chiziane vence Prémio Camões 2021


Há quem nasça, vá para a escola, liceu, universidade. Há quem nasça e não tenha nada disso.
Há quem nasça, vá para a escola, liceu, universidade, e não tenha o menor talento. Há quem nasça e teime em aprender a ler sabe-se lá como, e a sua força de vontade e o seu incomensurável talento fazem o resto.
Paulina Chiziane, moçambicana, merece muito o Prémio Camões 2021.

quarta-feira, outubro 13, 2021

ALICERCES DO MUNDO

 


Neste planeta, publica-se um livro a cada dois minutos, 30 livros por hora, 720 por dia, 21600 por mês, 259.200 por ano.

Há uma impossibilidade física para qualquer cidadão, ainda que leia incessantemente, de abarcar todo o conhecimento produzido. Há portanto uma ignorância massiva em relação ao que a humanidade produz.

Pior do que isso, não há como reverter tal problema. Pessoalmente, contento-me com a pequena parte que me toca. Talvez assim, consiga colocar uma pequenina pedra nos alicerces do mundo.

quinta-feira, outubro 07, 2021

LAMBARENA

 




A música é uma fusão de Bach e música tradicional africana (arranjada por Pierre Akendengue e Hughes de Courson).
Não é a maior obra prima da música, mas na minha opinião faz parte do top ten. Tal como todas as obras inesquecíveis, daqui a quinhentos anos continuará a ser maravilhosa.

quarta-feira, outubro 06, 2021

"ICONOCLASTAS" E IGNORANTES


Esta imbecil, de seu nome Leila Lakel, parisiense, estudante da Escola de Artes, resolveu visitar Portugal com o fim aparentemente único de vandalizar o Padrão dos Descobrimentos. Conseguiu fazer-se notada. Fica para a História como mais um pedaço de lixo para varrer para debaixo do tapete.

Dois excertos do extraordinário livro de Irene Valejo, "O infinito num junco", para esclarecer os ignorantes que acham que queimar livros ou alterá-los, para que sejam mais políticamente correctos, vai alterar o curso da História. De uma assentada mostram a sua imperdoável ignorância, e a sua estrutura mental profundamente racista. Explodir os Budas, alterar obras primas, incendiar bibliotecas, querer danificar os monumentos dos Descobrimentos, é um acto ciclíco ao longo da História quase sempre alicercados em ignorantes, bárbaros a quem a cultura não diz nada e mostra-nos que há ainda um longo caminho a percorrer. 

"Falemos por um momento de si, que lê estas linhas. Neste momento, com o livro aberto entre mãos, dedica-se a uma actividade misteriosa e inquietante, embora o hábito o impeça de se surpreender com aquilo que faz. Pense bem. Está em silêncio, a percorrer com o olhar filas de letras que fazem sentido para si e lhe comunicam ideias independentes do mundo que o rodeia neste momento. Retirou-se, para dizê-lo de alguma forma, para uma divisão interior onde lhe falam pessoas ausentes, fantasmas visíveis apenas para si e onde o tempo passa ao ritmo do seu interesse ou entendimento. Criou uma realidade paralela, uma realidade que só depende de si. Você pode, em qualquer momento, afastar os olhos destes parágrafos e voltar a participar na acção e no movimento do mundo exterior. Mas, entretanto, permanece à margem, onde escolheu estar. Há uma aura quase mágica em tudo isso." 

" No caso da antiga Jugoslávia, arrasar o passado era uma finalidade de ódio étnico. Desde 1992 até ao fim da guerra, 188 bibliotecas e arquivos sofreram ataques. Um melancólico relatório da Comissão de Especialistas das Nações Unidas estabeleceu que na ex-Jugoslávia houve uma « destruição intencional de bens culturais que não se pode justificar por necessidade militar». Juan Goytisolo, que viajou à capital bósnia respondendo ao chamamento de Susan Sontag, escreveu no seu caderno de Sarajevo: « Quando a Biblioteca ardeu, fruto do ódio estéril dos lançadores de misseis foi pior do que a morte. A raiva e a dor daqueles instantes perseguir-me-ão até ao tumulo. O objectivo dos sitiadores - varrer a substância histórica desta terra para montar sobre ela um templo de patranhas, lendas e mitos - feriu-nos profundamente.»

terça-feira, outubro 05, 2021

TINTIM E ASTERIX



No Canadá, foram queimados em diversas escolas, livros do Tintim e Asterix por alegadas ofensas contra indigenas.

Tal como a palavra "nigger", foi retirada dos livros de Mark Twain.

Eu não chamaria a esta gente de iconoclastas, quando são apenas o máximo da burrice humana metidos a intelectuais. Não compreendem que a História é o que é, com todos os seus erros e virtudes e a vã tentativa de apagar esses erros, ainda os torna mais visíveis.

Que diria Leonard Cohen se fosse vivo? Provávelmente não diria nada e pediria para mudar de nacionalidade, já que se sentiria envergonhado de ser canadiano.

Vivemos tempos miseráveis, em que o que conta é a visibilidade mediática a qualquer preço, e em que as redes sociais exibem a real quantidade de idiotas por esse mundo fora, porque não é só no Canadá que as coisas acontecem e não é só agora. A Biblioteca de Alexandria foi destruida pelas mesmas razões. Ao longo dos séculos isto foi acontecendo recorrentemente, apenas com menos visibilidade do que agora.

A ignorancia e a burrice, actualmente e de forma progressiva, tem vindo a tornar-se moda e um modo de estar na vida muito conceituado. Até quando?

quinta-feira, setembro 30, 2021

NÃO SEI

 


Não sei onde pára João Rendeiro, foragido da justiça portuguesa, condenado a vários anos de prisão.

Não sei o que leva este foragido, a dizer nas redes sociais que se sente indignado, depois de ter sido indiciado, julgado e condenado por vários crimes, após ter esgotado todos os recursos que utilizou dentro do que a lei prevê.

Não sei o que leva o advogado dele a dizer que o dito foragido, saíu livremente do país e que não cometeu qualquer crime.

Não sei a quantas anda a justiça portuguesa, que apesar dos indícios não impediu a fuga.

Sei, que espero fervorosamente que ele seja apanhado e extraditado, e que no regresso lhe seja agravada a pena.


quarta-feira, setembro 22, 2021

A VERDADE NUA E CRUA






É uma fábula o que tu nos contaste

Disse com desprezo o pastor paul (tribo do Senegal)

-Sim, respondeu o caçador de crocodilos

Mas uma fábula que todo o mundo repete parece muito com a verdade. 

VIDA




Algumas das minhas paixões têm a ver com cinema e música e livros.

Da minha vida, retenho filmes que me tocaram: Platoon, Star Wars, Blade Runner, Apocalipse Now, todos os filmes com Tom Hanks. À procura de Forrester com o lendário Sean Connery. Por razões interiores aquele de mais gosto chama-se Sleepless in Seatle.

Muitos mais fariam parte da lista, apenas evoco aqueles que me tocaram mais profundamente.

Quanto à música é outra história. Eu acho que como para todos a minha vida teve fases: muito jovem, adolescência, idade adulta, e nessas diferentes fases fui gostando de coisas diferentes.

Mas o que ficou para sempre, independentemente das fases?

Roberto Carlos o eterno rei. Chico Buarque, Caetano Veloso. Purple Rain a melhor música jamais escrita.

Toda a obra dos Beatles, com destaque para o maior albúm da história da música: Sgt. Pepper.

Wish you were here dos Pink Floyd. 

Sérgio Godinho e Rui Veloso. Concerto de Colónia de Keith Jarret. Al di Meola,  Paco de Lucia, John Mc Laughlin. Santana, Buena Vista Social Club, Mercedes de Sosa, Brigada Vitor Jara.

Clair de lune de Debussy. 

Sem livros a minha vida seria muito pobre. Sem o Memorial do Convento, ou os cem anos de solidão. Sem Pablo Neruda, Chico Buarque, Alejo Carpentier, Eça. Sem Agostinho Neto, Joaquim Pessoa., Luandino Vieira. Sem o Infinito num junco de Irene Valejo tudo seria diferente.

Tanto no cinema, como na música, como nos livros, há um mundo infinito povoado de estrelas. Apenas me referi aqueles que me tocaram para sempre. E sei, que me esqueci de muitos mais. 





quarta-feira, setembro 15, 2021

OVNIS


Toda a vida, foi para mim ponto assente, que há vida inteligente lá fora. Sem questionar.

Quando tinha vinte anos, eu e um companheiro, assistimos ao que nos parecia um ovni sobre as nossas cabeças. Ficará para sempre a dúvida, uma vez que na altura não havia telemoveis.

O que me deixa perplexo é a enorme quantidade gente que posta fotografias e vídeos de encontros mais ou menos imediatos. Há séries de televisão com cientistas conceituados, que interpretam todos esses vídeos. Estudam profundamente esta questão, vão aos lugares em todo o planeta, fazem extrapolações com locais como Stonehenge, Avesbury, a área 51, etc, e até ao momento não conseguiram dar uma resposta cabal.

O que me deixa ainda mais perplexo, é que havendo milhões de filmagens e fotografias por esse mundo fora, aliadas a uma tecnologia de imagem muito avançada, ninguém até ao momento mostrou com nitidez, preto no branco o que esses objectos são. Apenas imagens difusas permanentemente questionáveis.

Acredito que haverá qualquer razão para isso, mas acredito muito mais que há vida lá fora.

terça-feira, setembro 07, 2021

DIAS CINZENTOS

 

Não gosto de dias madrugando cinzentos

Nem de ausências inesperadas

Não gosto de perder tempo

Nem de conversas inacabadas

Não  gosto  de noites sem estrelas

Sem rumo, sem brilho, sem nada

 

Gosto de caminhantes decididos

De um quarto longe do mundo

Gosto da pedra estalando ao sol

E de amores incondicionais, sem fundo

quarta-feira, setembro 01, 2021

MÁSCARAS

 

A epidemia de Covid, se alguma coisa teve de positivo, foi a oportunidade de podermos fazer um salto civilizacional. Na verdade, é preciso entender porque é que este ano prácticamente não houve surtos de gripe. Apenas pelo uso reiterado e continuado da máscara facial.
Os povos orientais há muito que a utilizam por rotina e por consideração por quem os rodeia.
Finda esta pandemia, seria de enorme ajuda continuar a usá-la sempre que necessário, mesmo que seja uma simples gripe. Este é verdadeiramente um passo colectivo, do interesse de todos nós.

quinta-feira, agosto 26, 2021

TEM DIAS SEMEADOS

 



 

Tem dias semeados no meio de todos os outros

Diferentes, sente-se o coração bater compassado

E as palavras gravam-se no silêncio impiedoso das pedras

Fáceis, sensuais, tomando o jeito da criação

Cada dia desses vale pela vida inteira e mais além

Onde as auroras boreais dançam nos confins do céu

Somos verdadeiramente nós e somos os outros

Num tempo de compartilhar as viagens da vida

Realmente conhecer o presente e sonhar adiante

Sem medo porque não há infinito sem linha de horizonte

E  as estrelas não têm peso, meros vagalumes pulsando

Tem dias semeados no meio de todos os outros

Tão diferentes, que os alicerces da vida, se aprumam

Enterrados firmemente no solo de todas as primaveras

 

 

 

 

terça-feira, agosto 17, 2021

O PAÍS DOS HOMENS LIVRES


Pomposamente assim se intitulam os habitantes dos EUA. Seria bom se fosse verdade e se o "american way of life" fosse algo do qual se pudessem orgulhar.

Quem lá vive não tem qualquer apoio em termos sociais. Não estuda se não tiver dinheiro ou alguma bolsa para o efeito.

Em matéria de assistência na doença, não tem da parte do estado qualquer ajuda. Ou tem seguros bem volumosos, ou vai parar a um hospital de indigentes. Há alguns anos, durante uma conferência (já não me lembro sobre o quê), fui visitar a Cleveland Clinic. Um verdadeiro luxo tanto em termos de atendimento, como em termos tecnológicos. No mesmo dia fomos brindados com uma visita ao hospital dos Veteranos. Foi difícil de acreditar que estava no mesmo país. O hospital em causa, nem no terceiro mundo estaria bem.

Não se percebe, pelo menos para um europeu, que a única tentativa de criar algo que se assemelhasse a um Serviço Nacional de Saúde (Obamacare), tenha fracassado até aos dias de hoje.

Todos sabemos, até porque isso é retratado à exaustão em inúmeros filmes, que os pais têm que ter um excelente seguro dentário, e que têm de poupar para enviar os filhos para a faculdade.

Todos sabemos dos milhões de desempregados que existem, num número tendencialmente progressivo, na “maior economia do mundo”.

Também todos sabemos, que a indústria, tecnologia e o conhecimento no geral é feito através de gente não americana que vem das mais diversas partes do mundo.

A única coisa genuinamente americana, é a insensatez de acharem que têm que policiar o mundo, inventando guerras “de libertação”, atrás de guerras, “oferecendo” democracias em países que não são o seu . É preciso alimentar a indústria militar. Aquilo que não dizem é que nunca ganharam qualquer guerra. Uma apenas. Coreia, Vietnam, Síria, Líbia, Afeganistão, Somália, Iraque. Nem mesmo em Cuba conseguiram qualquer resultado com as constantes sanções aplicadas. Do confronto com a América Latina, até ao momento ganharam apenas mais inimigos. Onde foram, saíram sempre pela porta baixa sem nenhum orgulho, além daquele de terem destruído aquilo que não lhes pertence.

E, nem sequer a “guerra” contra os carteis de droga, tem mostrado resultados positivos. Literalmente é o país onde o consumo de drogas é mais alto.

Em tempo de direitos humanos, porque é que ninguém fala do extermínio da Nação India? E da guerra norte-sul, que ainda hoje continua mais viva que nunca? Em pleno século XXI, as diferentes raças que lá vivem, enfrentam problemas sérios de direitos e de segurança.

Que moral tem essa gente, para se atrever a intrometer-se na vida de outros povos? Poderão sentir-se livres, mas é estranho para quem está do lado de fora, e como dizia Amália, que estranha forma de vida.

sexta-feira, agosto 13, 2021

PERNAS PARA QUE TE QUERO. GOOD MORNING VIETNAM


Numa altura em que os talibãs já conquistaram pelo menos dez províncias afegãs e se aproximam da capital, Cabul, 
a embaixada norte-americana no Afeganistão está a instar os seus cidadãos para que abandonem “imediatamente” o país, aconselhando a “utilização das opções de voo comercial disponíveis” e a não dependerem de voos realizados pelo Governo dos Estados Unidos.

Em comunicado publicado esta quinta-feira, a embaixada apela aos norte-americanos que não puderem comprar um bilhete de avião ou que estejam a aguardar por um visto de imigrante para um cônjuge ou filho menor para que contactem os diplomatas dos EUA no país a fim de obterem “um empréstimo de repatriação”. A embaixada refere ainda que, devido à crescente violência e ameaças que levaram a uma redução de pessoal, a sua capacidade para assistir os cidadãos residentes no país do Médio Oriente é “extremamente limitada”.

Quem se lembra do filme da fuga dos americanos no Vietnam? Isto é apenas mais do mesmo. Mais uma guerra que não conseguiram ganhar, independentemente do mal que causaram ao povo afegão.

quarta-feira, agosto 11, 2021

DELÍRIO

 



No fim da terra

Existem espantos e alucinações sem nome

Uma lamina de ar atravessa o espaço

Quando a madrugada explode nos teus olhos

E depois se perde numa estrada deserta

Junto a mim, na berma da terra

A estrada de leite preenche os céus em redor

Conto e observo as estrelas que contam para mim

Enquanto uma estrela cadente me cai aos pés

No vazio, já com um pé para lá da berma

Sinto estalar os ossos de uma antiga estrela

Enquanto tu te aninhas assustada nos meus braços

Quando os cavalos do tempo passam à desfilada

Deliberadamente atravesso o vazio  para lá da berma

No horizonte há sóis jorrando enormes cascatas de luz

Grito de espanto e murmuro “dá-me a mão, anda comigo”

Que esta viagem só consigo fazê-la contigo.