Terça-feira, Novembro 24, 2009

A CRISE DA MEIA IDADE

Caro amigo.
O encontro das Docas serviu para nos conhecermos todos um pouco melhor. Não é único e já estamos a laborar no sentido de ter encontros regulares, nos diversos pontos do país.
Afinal estamos cada vez mais sózinhos, as aves mais novas já deixaram o ninho e este facto tem que ser encarado como a grande oportunidade das nossas vidas.
Agora é hora de gozar, claro com um olho em cada lado. Um para gozar e rever velhos e queridos amigos e o outro para ir vigiando os pardalitos. Vão precisar sempre de nós.
Sei-o por experiência.
De repente, sem que eu o quisesse, vi-me na posição de lider do clã, com todos os problemas para resolver.
Aqueles a quem eu habitualmente pedia ajuda, decidiram de repente ir-se embora e deixar-me assim sem jeito.
Mas o jeito mesmo, é sobreviver e é disso que se trata.
Manter-te-emos informado do que for acontecendo, meu velho e querido amigo.
Grande abraço
Henrique

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

ENCONTROS E DESENCONTROS

 Mas afinal, o que é que se passou?
Onde anda essa gente?
Para que serviu o encontro nas Docas?
Naturalmente, a ausência tem a ver com o início do novo ano lectivo que directa ou indirectamente mexe com as nossas vidas.
Para quem lecciona, um novo ano, novos alunos, pais e velhos problemas.
Para quem tem filhos, se pequenos, as preocupações não deixam de ser grandes:
- O novo ou novos professores, o deitar e levantar cedo, os velhos deveres ou os actuais trabalhos para casa…, enfim, uma série de preocupações e criação de novos ou retoma de velhos hábitos que, enquanto não o forem, causam transtornos e algum cansaço.
Para aqueles cujos filhos são mais “entradotes”, os problemas são outros:
- Terá escolhido bem o curso? Onde irá parar? Será que se vai dar bem longe de nós?
E, depois de colocados:
- Será que fica, ou ficam bem?
E o nosso trabalho? Bem, esse tem que ser encarado como algo de bom que nos aconteceu, porque senão…
E agora nós? Irra! Não é que estamos sozinhos? Só os dois e mais ninguém? Ninguém a interromper, a meter-se pelo meio…Afinal isso não deveria ser óptimo?
Há-de ser com certeza, mas, requer habituação! Enfim, algo mais para ocupar espaço nestas já pouco folgadas cabeças.
O raio dos dias passam a correr…os fins de semana…já são passado…haverá maneira de travar esta correria? De rentabilizar melhor os bocaditos de que dispomos para descanso e recarregar baterias?
Deve haver certamente!
Temos mas é de arranjar algo mais para ocupar a nossa atenção:
Ler uns bons livros, os blogues, escrever algo, e porque não nos Blogues, ouvir boa música e arranjar uns encontros com amigos, um jantar de vez em quando, a meio da semana ou no fim desta, de preferência sexta ou sábado, a título excepcional um almoço num ou noutro sábado, num sítio onde se possa realmente conviver e…sem horas, a não ser para o início!


Resumindo: Ainda estamos a acertar o ritmo que se impõe para este novo ano (lectivo), mas por favor não esqueçam que estamos quase a chegar ao Natal.
P.S. E as prometidas fotos?

Um abraço a todos

FMartaNeves

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

ULTIMA HORA - MAIS UM ABANDONO NO SCP



Desculpem, mas não resisti!


Quarta-feira, Novembro 04, 2009

UNIVERSOS PARALELOS

Para quem se interessa por ficção, estes termos soam familiares. Pode em teoria haver um número ilimitado de universos, encostados lado a lado, com pequenas ou grandes variações entre si.
Claro que nada disto está provado e por enquanto é mesmo uma questão de fé, acreditar na veracidade destas afirmações.
Algo de semelhante acontece com a vida. Há um sem número de maneiras de olhar para ela, com pequenas ou grandes variações, mesmo tratando-se do mesmo tema, no mesmo momento.É como se houvesse um número importante de observadores com diversos angulos de visão. Óbviamente, alguns desses angulos estão limitados, não deixando ver o quadro no seu conjunto, não permitindo ver mais longe.
E, pode ser-se muito feliz ou infeliz, perante a mesma situação, dependendo muitas vezes apenas, de se ter cristalizado no tempo, ou de se ter tido o empenho de andar para a frente, colocando-se no melhor angulo de visão.
Não há como evitar isto. Apenas se pode esperar, que entre as diferentes visões coexista uma grande dose de tolerância.

GED

Terça-feira, Novembro 03, 2009

PRIVILÉGIO (CADA UM TEM O SEU).
















Este homem, Fernando Dacosta, para meu espanto, acedeu de imediato a estar presente no nosso Encontro anual. Fez uma conferência memorável. Foi de facto um privilégio conhecê-lo e ouvi-lo.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

GRIPE A

Sem comentários. Saíu esta notícia. Cada um que se decida.

EUA recusam vacina para gripe A usada na Europa
por JOÃO CÉU E SILVA. Hoje ( Diário de Notícias).



A vacina que está a ser usada em Portugal contra a gripe A não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde dos que a tomam. Trata-se da Pandemrix, vacina aprovada pela Organização Mundial da Saúde e escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada em todos os Estados membros. E em relação à qual o Infarmed garante terem sido feitos todos os testes de qualidade.

No entanto, a Pandemrix está a provocar a recusa de muitas pessoas na Alemanha da sua utilização, dando como justificação o facto de os políticos e os funcionários públicos de topo serem preventivamente vacinados com uma outra. O presidente do Colégio Alemão dos Médicos de Família refere mesmo que os "potenciais riscos ultrapassam os benefícios" e, segundo Michael Kochen, este é um "teste em larga escala feito à população alemã" enquanto o Ministério da Saúde veio a público esclarecer que a Pandemrix não tem efeitos secundários mais graves que a vacina alternativa. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Klaus Schroeder, foram encomendadas 50 milhões de doses de Pandemrix e não de outro preparado, porque pode ser produzida quatro vezes mais rapidamente do que a Cevalpan. Refira-se que 22 Governos europeus já encomendaram 440 milhões de Pandemrix.

Em Portugal, membros dos grupos prioritários recusaram a vacinação, designadamente políticos e a classe médica. Ontem, o presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, considerou que a recusa de médicos e de outros profissionais de saúde deve ser aceite com "prudência e bom-senso" porque acha esta reserva "natural" quando se trata de profissionais que "estão mais envolvidos no meio; sabem mais do ponto de vista técnico/científico o que se passa e sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada".

Nos EUA, a Pandemrix não foi aprovada porque contém uma substância, o escaleno, que alegadamente provoca a alteração do sistema imunitário. Vários estudos ligaram os seus efeitos à síndrome da Guerra do Golfo porque terá sido utilizado como adjuvante na vacina do antrax (ler coluna ao lado). O que está em causa nesta vacina, segundo os seus detractores, são dois componentes que se encontram tanto na própria vacina como no adjuvante que lhe é adicionado para aumentar os efeitos.

Apesar de a vacina da GlaxoSmithKline (GSK) estar em conformidade com as regras europeias da Organização Mundial de Saúde (OMS), ela contém, segundo a informação que esteve no site da farmacêutica até ontem a meio do dia, cinco microgramas de tiomersal - na vacina - e 10, 69 miligramas de escaleno - no adjuvante -, cujos efeitos secundários são polémicos e considerados insuficientemente testados nos seres humanos. Estes dois produtos são necessários para potenciar os efeitos da vacina de modo a que a já gigantesca produção do medicamento satisfaça a procura em menos tempo de produção. O escaleno reduz o tempo da cultura de vírus inactivos e o tiomersal permite utilizar o sistema da multidose.

A preocupação da OMS perante os riscos das vacinas para a H1N1 é tão grande que responsabiliza as autoridades médicas nacionais para os alegados riscos e benefícios das vacinas disponíveis antes de as licenciarem, porque "quando vacinas pandémicas são administradas a tantos milhões de pessoas pode não ser possível identificar situações raras". Aconselha a monitorização intensa e comunicação imediata dessas situações e a troca a nível mundial desses dados.

A GSK, contactada pelo DN, considera que no caso do escaleno "não existem estudos conclusivos que permitam estabelecer relação entre causa e efeito" e confirma que a substância permite "com menos fazer mais" porque é um "amplificador de sinal". No caso do tiomersal, refere que "a pequena dose de mercúrio de 25 microgramas" não "induz malformações no sistema nervoso dos bebés nem ameaça o de-senvolvimento dos embriões" e que está muito abaixo do "limite aceitável para as grávidas de 60 kg, que é de 96 microgramas".

O Infarmed - a Autoridade Nacional do Medicamento - confirma que as duas substâncias encontram-se na Pandemrix, mas que "as afirmações sobre o tiomersal e o escaleno não são, de facto, nem correctas nem verdadeiras". Esclareceu ao DN que a vacina foi aprovada por "procedimento centralizado" - pela Agência Europeia do Medicamento - e que ficou homologada para todos os Estados membros.

O Infarmed informa, também, que "durante o processo de avaliação foram ponderados todos os aspectos relativos à qualidade, segurança e eficácia de um medicamento, sendo estabelecida uma relação benefício-risco. Na situação em apreço, o benefício foi considerado superior ao risco, razão pela qual a Agência Europeia emitiu uma posição favorável à autorização do medicamento".

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

SARAMAGO

É o nosso único Prémio Nobel incontestado.
Uma figura impar da nossa cultura e que ficará para sempre nos nossos livros de História, junto com outros grandes portugueses.
Gostar do que ele escreve já é outra coisa. Como em tudo na vida, há quem goste e quem não goste.
Nada de errado até aqui!
Eu pessoalmente gosto muito. Anos antes de ele ser premiado, li o Memorial do Convento e, nessa altura achei e disse-o, que era entre outras coisas, um dos mais belos romances de amor jamais escritos.
O que não é admissível e devia ser alvo de reparo, é que um qualquer vulgar português, ainda que com responsabilidades políticas, ouse dizer publicamente, que acha que o escritor, devia mudar de nacionalidade.
Este pequenote, vai ficar na história, apenas recente, como um grande idiota, capaz de baboseiras deste género.

Um abraço
GED

Sábado, Outubro 17, 2009

MÚSICA

A música rodeia-nos
Tudo o que temos de fazer
É saber ouvi-la
Sons de Bach flutuam no silêncio
Do outro lado da vidraça
Há ritmo e cor e música
Basta saber ouvi-la
Nos carros que passam
No coaxar de rãs
No andar felino de um gato
No som das estrelas
Basta saber ouvi-la
No ritmo diário dos girassóis
Na dança dos canaviais
No silêncio dos imbondeiros
Tudo o que temos de fazer
É saber ouvi-la
No mosquito que nos atordoa
Nas crianças rindo à nossa volta
No batuque, longe na noite
No transpirar ofegante das nuvens
Desfazendo-se em líquidos
Basta saber ouvi-la
No respirar de gente dormindo
No incessante ondular dos rios
Nos acordes de um violão
Algures, rompendo silêncios nocturnos
Na dança silenciosa dos amantes
Basta saber ouvi-la.

GED

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

O TAMANHO DAS ESTRELAS

De que tamanho são as estrelas
Que flutuam no azul profundo?
Muitas, a maior parte, são pequeninas
Retenho-as no concavo da mão
Outras, poucas, são imensas
Apenas me cabem na alma
Memórias de ternura e acalanto
Acompanham o meu caminho
Algumas não as vejo para lá do horizonte
Estão lá, pressinto-as
Brilhando em céus antigos
Ensaiando rumos meridiões
Aquecem-me o coração, aceleram o meu pulsar
Todas, todas, me cabem na íris
O tamanho varia cá dentro.


GED

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

ENCONTRO 2009


Caros Amigos.
Não, não queremos nem vamos parar.
Vamos uma vez mais estar juntos e aqui vai de novo o nosso convite, que esperamos sinceramente o aceitem. Contamos convosco, dando a todos os vossos amigos Cubalenses o prazer de partilharem da vossa amizade em mais este momento que se aproxima rapidamente.
É já no próximo dia 24 de Outubro de 2009.
A participação de todos é determinante para podermos ter um encontro inesquecível. Enviem as vossas inscrições o mais breve possível, pois o tempo escasseia, e necessitamos de fazer as ultimas confirmações com o Hotel da Quinta da Lagoa em Mira.
Apenas para aguçar o apetite, apresentamos-vos a banda que irá dar som e cor á noite da grande “farra”.
Mas, não ficamos por aqui. As surpresas vão continuar a ser Surpresas! Até lá.
Um grande abraço Cubalense

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

SOSSEGO

Agora estou sossegado.
Já temos Primeiro, PR e partidos de oposição.
Um país a sério, com tudo a que temos direito.
Claro está que há sempre mentes maldosas que acham que anda tudo sem saber o que fazer e, no entretanto vão criando falsas questões para entreter a populaça.
Nada mais errado a meu ver.
Podemos estar tranquilos.
Eu pelo menos estou, mas também é verdade que eu ainda acredito no Pai Natal.
Um abraço
GED

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

SARAS

Sara é nome de princesa.
Tenho duas na minha tribo. Uma pequenina, a mais nova de todos, que me trata por avô, mas que ainda não sabe o meu nome verdadeiro. No percurso da vida, fui perdendo o meu nome e hoje já não me chamo como me chamava antes. A minha neta mais velha, em pequenina, balbuciava o que conseguia e acabei por ser Caía. Ficou e hoje todos me tratam assim. Ela, sente-se orgulhosa do que aconteceu. Baptizou-me e não prescinde disso e eu também já não prescindo.
A outra Sara, surgiu na nossa tribo, tímida, assustada, com a nossa maneira de viver. Depressa descobriu que não havia razões para isso. Cresceu o mais rápido que pode. Envolveu-se em coragem e a última notícia que tive dela, foi para me dizer que se fosse preciso atravessava o Kalaari sózinha.
Tornou-se numa guerreira o que nos enche de orgulho. A vida espera por ambas e por todos os outros membros.
Espero que as armas que lhes demos sejam suficientes.

GED

REALMOÇO

Caríssimos.
Tudo a andar.
Sábado nas Docas, junto ao rio entre as 13.3o e as 14H.
Reconfirmem por favor, para aqui ou para o meu TM.
Até lá.
Um abraço
GED

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

ALMOÇO

Já há algumas confirmações.
Certas: Fernando Marta, José Lobo, eu, Maria de Lurdes, Karipande, Anabela Simões, Sampas e Canduxa.
Com muita vontade de vir, mas com alguns pequenos obstáculos que tentam desesperadamente fazer desaparecer: Cangonja, Kambuta e Sá Pinto.
Sem contacto até ao momento: Ruca.
À falta de melhor opinião, proponho encontro nas "Docas", junto ao rio, cerca das 14H.
E não, não há subsídios, mesmo que tirados do money das campanhas eleitorais. Cada um paga o seu, como qualquer vulgar português como nós, que ainda tem a felicidade de acreditar que o Pai Natal existe.
NOTA: para dar cor ao almoço, mandarei colocar um "outdoor" (vulgo cartaz de propaganda), dizendo que Coimbra não é Faro, mas que o lixo autárquico é o mesmo.
Um abraço
GED

Terça-feira, Setembro 08, 2009

CRISE, QUAL CRISE?

- 91 milhões para propaganda eleitoral?! Impensável! Inacreditável! Intragável!
E para quê? Para, entre muitas inutilidades, promessas falsas e intoxicação mental, engordar algumas contas bancárias (empresas de comunicação e peritos em gestão de imagem incluídos) e sobretudo dar livre curso ao mau gosto na "decoração" de ruas, estradas e rotundas com os hediondos, caros e gigantescos cartazes partidários, com caras de personagens que estamos fartos de conhecer, e veiculando mensagens da mais fina retórica "esclarecedora", do género "Faro é Faro" (esta é autêntica, faz parte de um cartaz). Lapidar!
- 91 milhões, pagos por todos nós! Mais de 500.000 desempregados num país quase terceiro mundista! Não há adjectivos suficientemente expressivos para qualificar tal verba e todo o circo montado. E ninguém reage nem se revolta. Recordo-me que, há alguns anos, o governo marroquino pretendeu aumentar o preço da carne. A população revoltou-se de tal forma que o preço da carne se manteve.
Deixo cair os braços, de desalento. Mas antes disso, envio um grande abraço a todos os amigos.
Maria de Lurdes

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

ALMOÇO

Regressei com vontade de fazer o tal almoço.
Dava-me jeito 19 de Setembro em Coimbra.
Grande abraço e digam de vossa justiça.
Henrique

Quinta-feira, Julho 30, 2009

FÉRIAS

Caros amigos.
Chegou o tempo de migrar para o sul, o sol, o sal.
Deixo-vos esta prenda.
Vale a pena ouvir, mas com auscultadores em stéreo e sentaditos de olhos fechados.
Vão por mim.
Um abraço
GE


http://www.youtube.com/watch?v=IUDTlvagjJA

Segunda-feira, Julho 27, 2009

20 ANOS

A direcção do Encontro pediu-me para publicar esta carta. Aqui vai.

Caros Amigos,

Mais um ano, mais um encontro!
Não será, temos a certeza, mais um...
Este ano comemoraremos o 20º “Encontro destes Encontros”....
Como não queremos deixar passar a data em branco, tudo faremos para vos proporcionar mais um fim-de-semana com todos, sem esquecermos todos aqueles que já contribuíram em tempo e trabalho para este evento.
Assim, esperamos que este ano seja mais um contributo para não deixar esmorecer esta iniciativa que serve, afinal, para relembrar tempos idos e ou mais recentes e todos aquele que, de uma forma ou de outra, sempre povoaram as nossa emoções.
Contamos convosco a 24 de Outubro de 09 no Hotel Quinta da Lagoa, em Mira.
Agradecemos que nos confirmem o mais breve possível as vossas inscrições, sendo a data limite 30 de Setembro, para os contactos abaixo:
Em anexo remetemos a respectivamente a folha de inscrição e programa de actividades

Um abraço Cubalense
Mimi, Lobo e Sousa

José Lobo Pires - Telm. – 91 9410968
Jose.lobo.pires@gmail.com

Mimi Peixoto - Telm. – 96 5876468
mcppeixoto@gmail.com

Manuel Sousa- Telm. – 96 0315802
mfsousa1@hotmail.com

As confirmações por CTT deverão ser dirigidas a:

José Lobo Pires
Rua Alexandre O’ Neill, n.º 11, 1º Esq.
2745-896 Tercena








Sábado, Julho 25, 2009

ANTÓNIO CARLOS SIMÕES

Hoje, um membro da minha equipe, voou para além das cordilheiras.
Mais que um membro da minha equipe, era um bom amigo. Trabalhamos juntos nos últimos 25 anos. Tivemos muitas aventuras, muitas bem sucedidas, a maioria, e outras muito poucas, nem por isso. Tanto nos bons como nos maus momentos estava lá.
Nestas alturas é de bom tom dizer bem de quem parte, mas neste caso particular não tenho que fazer nenhum esforço.
O meu amigo era mesmo uma boa alma.
A partir de hoje, sempre que à noite olharem para cima, verão mais uma candeia acesa no tecto do céu.

GED

Quinta-feira, Julho 23, 2009

PARA A SARA

ANDORINHAS



Embriago-me
No som das andorinhas tecendo voos
Velozes, alucinados
Sob o sol, no azul do céu
Rumo a sul
Aos beirais da minha casa.
Embalo-me nestes Setembros
De asas negras
Raios de luz riscando a noite
E o grande mar oceano
Na pressa de chegar.

Coimbra, Julho de 2009
GED

PROPOSTA

Vem aí Setembro, mês propício a encontros.
Deviamos fazer um almoço, todos nós que escrevemos neste blog.
Além do mais há gente que não se conhece fisicamente.
Vamos lá combinar datas.
Fico à espera.

Um abraço
GED

Terça-feira, Julho 21, 2009

CONVERSA DESFIADA

Hoje recebi um recado da minha nora, directamente da Baía Azul:
"Não anda a escrever muito no blog sobre Angola, está a falhar meu irmão :p . já para não falar da poesia que não escreve hà 2 meses!"

É verdade. Vou falar mais o quê da minha terra? De como eu gosto dela toda a gente já sabe. Das saudades imensas? Também toda a gente já sabe.Da lingua? Dessa sim , quando já a minha nora me trata por meu camba. A lingua portuguesa é uma lingua mestiça e tem sido nessa mestiçagem da lusofonia que se tem tornado mais rica, mais colorida. Que se danem os puristas.

A propósito desta riqueza, hoje vinha a ouvir como habitualmente a TSF. Dizia um fulano, que a gripe associada à crise, iria trazer fortes quedas no mercado das agências de viagens. Por isso estavam já a apostar no mercado "incoming", mais que nos projectos "outgoing". E tinham até inventado os "weekends gift".
Apenas me apraz dizer, com a nossa riquissima lingua: "this is a merdouing way of comunication".

Abraços
GED

Quinta-feira, Julho 16, 2009

POR ESTE RIO ACIMA....

O Snr. Alberto, cacique da Madeira, tem algumas peculiaridades.
Gosta de nos extorquir dinheiro aos milhões, debita regularmente ameaças independentistas, e com mais regularidade ainda, diz patetices.
No primeiro caso, nunca foi explicado aos portugueses, de forma clara, como são gastos os nossos dinheiros.
Às ameaças independentistas, eu pessoalmente digo que sim. Fiquem lá com a Madeira e deixem de nos aborrecer.
Quanto às patetices, nunca pertenci ao grupo de portugueses que as acham divertidas. Irritam-me profundamente e só num estado democráticamente aleijado, elas podem persistir.
Agora a coisa ficou mais séria. Já não se trata de uma patetice pura e dura. Afirmar aos quatro ventos, que na próxima revisão constitucional se vai pedir que o partido comunista passe de novo à clandestinidade, já não é patetice. É um insulto a todos nós e deveria ser tratado como tal. Acresce o facto inquietante, de que o partido do dito snr., acha que não é tempo de se pronunciar sobre a matéria, quando o que se pedia num país civilizado era um imediato e rotundo não.
Não tarda nada, vão pedir a proibição de todos os blogs, que não estejam de acordo com a idiotice reinante. E, não é caso inédito.

Um abraço
GED

Segunda-feira, Julho 06, 2009

A VIDA É BELA.!

Uma crise que se preze deve obedecer a certas regras.
Então, esta mega crise que assola o planeta, deveria por obrigação redobrada obedecer às mesmas regras.
Uma crise que se preze, deve trazer consigo pelo menos uma multidão de famintos, de gente, muita gente no limiar da miséria, pedintes aos milhares, um ou outro suicida entre os ricaços a quem a vida correu mal.
Mas já não há crises como deve ser.
Hoje o estádio do Real de Madrid, vai ter cerca de 70.000 pessoas (?), para verem chegar o Cristiano Ronaldo.
Entradas pagas claro, e não tão baratas como isso.
É o Zé povinho que vai?
Claro que é, mas nesse zé povinho hão-de estar milhares de pessoas muito bem instaladas na vida, a aproveitar o momento para se encostarem mais um bocadito ao poder.
Crise?
Qual crise?

Um abraço
GED

Sexta-feira, Julho 03, 2009

PALAVRAS...

América. Madof. 6 meses. Denúncia, prisão, julgamento, condenação. Democracia. Confiança.

Portugal. Freeport, Casa Pia, BPP, SLN, etc, etc. Denúncia. Uma prisão. Blá, blá, blá.

Um abraço
GED

Terça-feira, Junho 30, 2009

POR ESTE RIO ACIMA

Eles aí estão.
Começam a aparecer, com frases como "espírito de missão", vou devolver a "personaliddade à cidade", "está na hora da mudança",  blá, blá, blá.
Falo dos candidatos a autarcas. Olhando um pouco mais ao pormenor, constatamos que são os mesmos. Ou são recandidatos, ou estiveram em bons lugares aguardando o regresso, mas são sempre os mesmos. Aqueles que já mostraram à exaustão, que não sabem fazer nada na vida, senão ser maus autarcas.
Não partilho da ideia de que se não os posso matar, tenho que me juntar a eles. Verdadeiramente essa ideia só em si é abjecta.
Estou numa encruzilhada em que pela primeira vez me vejo a apelar à abstenção, na melhor das hipóteses.
Moro em Coimbra, cidade imobilizada desde que me lembro. Aqui não se passa nada.
Continuo aguardando teimosamente, que surja um independente, que não concorra por nenhum partido e que me apresente um programa pobre mas escorreito.
Aguardo que alguém me diga, algumas destas coisas:
- Coimbra, não tem uma sala de espectáculos digna desse nome. Temos que nos deslocar à F. da Foz para ver qualquer coisa. Bora lá, construir uma, sem atropelos de orçamento, sem roubos, limpa, honesta.
- Coimbra, não tem indústria. Coimbra tem uma Universidade caduca, fechada sobre si mesma, imobilista. Bora lá, fazer um esforço para atraír indústria e ligá-la à Universidade, numa parceria salutar para todos.
- Coimbra é um monte de betão desgovernado, ao sabor de interesses mais que subterrâneos. Bora lá, criar um grupo de conselheiros impolutos, independentes, sem partido, que sirvam de motor, para casas realmente verdes, para formas de energia alternativa, para criação de áreas de lazer, para conforto de todos os cidadãos.
- finalmente, bora lá dar un chuto, nestes mentecaptos todos que teimam em nos azucrinar a paciência nestas alturas.

Quando houver um candidato assim eu voto...e colaboro.
Abraços

GED

Domingo, Junho 28, 2009

"LÁ VAMOS CANTANDO E RINDO..."

Conta-se por piada e muita gente acha graça, vá-se lá saber porquê.
No tempo da Roma imperial, o gestor nomeado para a Peninsula Ibérica, ao fim de algum tempo pediu para ser substituido. A comparar com os gestores de hoje, o homem devia mesmo estar desesperado. Dizia ele, que neste cantinho, que depois se veio a tornar o nosso "querido Portugal", havia um povo estranho, que não se governava nem deixava governar.
Mudou alguma coisa, todo este tempo depois?
Em absoluto não!
Ninguém quer saber de nada, nem o povo, nem os governantes, estes apenas preocupados em servir os interesses próprios e os de quem está no mesmo barco com eles. A saúde, a justiça (lembram-se da Casa Pia, Fátima Felgueiras, Universidade Moderna e por aí adiante? E os bancos e gestores e administradores e outros doutores semelhantes, que conduzem o nosso país à podridão em que se encontra?), a educação ( a saga que tem sido a avaliação de professores, que afinal foi adiada, tendo-se começado para contento de todos a nivelar por baixo), a construção, as grandes e vãs obras públicas (TGV e aeroporto que governo e oposição usam a seu belprazer, com total desprezo pelos nossos dinheiros; quantos milhões já foram gastos em estudos e contra estudos?), o relacionamento com outros povos ( não foi possível até ao momento um relacionamento capaz com nenhuma das nossas ex-colónias, e seguramente por mais culpa nossa que deles), as grandes causas, nada funciona.
 O projecto de país deveria ser mudado, mas não vale a pena pensar em alternativas de governo. Só a ideia é penosa. A gente capaz não está nos partidos. Tenta sobreviver com dignidade e coragem
Apenas o futebol, acende a chama da grande maioria dos portugueses e mesmo esse sabemos nós como vai.
Imaginem, que de repente ninguém mais pagaria as suas dívidas, ao Estado, aos bancos, aos credores, etc. Nada aconteceria, claro. Da forma como a justiça funciona, estariamos todos mortos, antes de qualquer decisão.
Num país normal, estariam criadas as condições de mudança, pela violência se fosse preciso, aliás não seria caso inédito.
Mas, com esta massa crítica não vai ser possível mudar nada.
E, continuaremos todos os dias, a levantar-nos para mais um dia de pesadelo.
É este país de faz de conta que vamos deixar aos nossos filhos, se ainda for país, quando for a vez deles de tomarem conta dos seus destinos.

Um abraço
GED

Sábado, Junho 13, 2009

CIVILIZATION AT CROSSROADS

Periódicamente, há gente que vai avisando. Não deixem de pesquisar na NET, um programa de 2 horas que saíu em 02.06.09: Earth 2100

Um abraço
GED

Segunda-feira, Junho 08, 2009

UPRISING


A minha amiga Phwo, colocou hoje um "post", que aconselho visitar. Já o conhecia e penso o mesmo.
Ninguém deveria poder dormir.
No entanto, este problema é bem mais vasto. O problema da fome no mundo é em si mesmo uma vergonha para todos nós, ou pelo menos para alguns de nós. Não tenho ilusões. A procura de uma sociedade mais justa, perdeu-se algures na voragem desta globalização, que ao invés de nos juntar a todos, nos tem afastado cada vez mais. São frequentes as imagens de desperdícios, de alimentos deitados fora, apenas para se manterem os preços. E, quem o faz, tem consciência absoluta do que se passa, o que torna este crime contra a humanidade ainda mais ignóbil. Não é preciso escolher África para exemplificar. Pode-se encontrar o mesmo problema em qualquer continente.  O hiperconsumismo tem destas coisas, a par com imagens terríveis de fome que poderia ser fácilmente aliviada se os povos decidissem tomar os destinos nas próprias mãos.
Já não se pede uma sociedade mais justa. Apenas se pede que se pare para reflectir.
Sinto-me, sentimo-nos todos acho eu, um pouco perdidos no meio disto e não sabemos como sair.
Vive-se tranquilamente em democracia, como se esta fosse o resultado final e não o meio do caminho para um sistema melhor, mais igualitário, menos injusto. E, há por aí muita gente que não se coibe de dizer em tom jocoso, que a democracia é dos sistemas injustos, o mais justo. E ficam muito felizes por poderem dizer estas anedotas.
Poderá eventualmente ser, mas tenho a certeza que não é o fim do caminho. Os partidos políticos pensam o contrário, mas é fácil imaginar um mundo novo sem partidos. Ainda voltarei a este tema.

Desperto lentamente desta abulia que me tem consumido. Os meus companheiros, parece também foram atacados pelo virus. Nem todos. A Mª de Lurdes, deixou aqui um retrato fiel do país cinzento em que nos tornamos. Apenas discordo levemente no que diz respeito ao futebol. É o maior espectáculo do mundo, embora alguns teimem em estragá-lo.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Da influência de uma letra na abulia de um povo

Trata-se naturalmente da letra F, que nos tem anestesiado ao longo de décadas. É elemento fulcral da trilogia fado, futebol e Fátima, pilares estruturantes do actual estado de espírito português. Acho todavia que se deve acrescentar duas outras palavras: fraqueza e força.
O fado tradicional é poesia, mas enroupada naquela vil tristeza que o poeta cantou, no fatalismo e resignação atávicos, que nos impedem de desenvolver as nossas inegáveis qualidades e potencialidades, as quais em geral nos granjeiam o respeito dos estrangeiros, quando as exercemos lá fora. O fado de Coimbra é excepção (não estou a ser sectária, visto ser natural de Lisboa), que canta amores e saudade (a propósito, o mito de que a palavra saudade só existe em português é desmentido, por exemplo, pela palavra alemã Sehnsucht, que até é mais expressiva). O carácter pungente do fado revela um fatalismo inibidor, uma disposição anímica de conformismo, uma atitude submissa, de aceitação passiva das ignomínias que nos caem em cima. Nem para fazer valer os direitos mais básicos (educação, justiça, saúde, emprego, maior apoio à infância e aos idosos, etc.), a que alguns chamam privilégios, nos fazem sair deste estado comatoso.
Quanto a Fátima, para além do que já se disse sobre a IC, repugna-me o suborno da divindade implícito no pagamento de promessas, aplacando-a através de sofrimento e de oferendas. Não pretendo com isto desdenhar da fé dos crentes, que nos deve merecer respeito, pelo lenitivo e consolo que representa. Voltando à IC, aí estão eles de novo a pedir desculpa pelos crimes nefandos perpetrados sobre 14.000 crianças em instituições religiosas na Irlanda, mas (coisa inqualificável!) exigindo o anonimato dos criminosos. Então condena-se quem pratica um aborto, ainda que por razões de saúde ou humanitárias, mas deixa-se livre do merecido castigo quem teria mais obrigação de uma conduta irrepreensível?
O futebol poderia ser um desporto belo, compreendendo-se alguns excessos, por entusiasmo, e até alguma trapaça (ai de mim, que digo eu?) para dar “cor” ao jogo. Pelo contrário, inúmeros factores fazem do futebol um antro sulfuroso, onde a beleza de um jogo bem jogado assume uma importância secundária. Custa-me engolir a alienação das massas ululantes, a boçalidade e a marginalidade de algumas claques, a corrupção que alegadamente grassa entre alguns dirigentes e a arbitragem, a impunidade dos negociatadores dos clubes, o unfair play das “estrelas” dos relvados. A mística do futebol tresanda, quanto a mim, a qualquer coisa de fétido.
O que se passa no futebol parece espelhar o que se passa no país em geral. E nós em tranquila letargia. Não vale a pena recordar os inúmeros casos escandalosos a decorrerem neste momento no país e que nos envergonham. O curioso é que é tudo “legal”, toda a gente está de consciência tranquila (será que têm alguma consciência?) Apetece emigrar para lá do sol posto, não ler mais jornais, fechar os olhos e os ouvidos a toda a informação veiculada pelos media, abdicando do direito à indignação. Que fraqueza é esta que nos tolhe, a nós que já fomos grandes, dividimos o mundo em dois em Tordesilhas, deixámos vestígios em muitas e distantes paragens, imprimimos uma marca cultural em povos espalhados pelo mundo, a incomensurável coragem revelada aquando dos descobrimentos não foi, seguramente, fogacho ocasional. Ainda recentemente, a tenacidade e determinação dos nossos imigrantes são indicadores de que a alma lusa não é débil, tem muita força. Somos um povo excepcional, que até fez uma revolução sem sangue. Então porquê o estado letárgico em que nos afundamos? Quando lançaremos mão dessa força de vontade de outrora, agora que temos três belas oportunidades?
Tolhe pesado grilhão: escuridão.
Garra desesperada, determinada, rasga trevas: clarão.
Trabalho. Motivação.
Assimetrias: mais não!
Maria de Lurdes

Sexta-feira, Maio 22, 2009

TERRAMOTO

Hoje, cerca das 21 horas, houve um terramoto de grande magnitude na escala de Richter, com epicentro na TVI.
Já em intervenções anteriores, tenho expressado a minha náusea, devido aos noticiários de sexta-feira, comandados pela nossa inefável MMG e, com a ajuda daquele senhor que não se percebe bem o que diz.
Hoje o Bastonário da Ordem dos Advogados, cilindrou a dita senhora.
Politicamente incorrecto?
Claro, totalmente.
Mas que soube bem, a mim e a mais uns milhares de portugueses, soube.
Vai haver consequências?
Espero fervorosamente que sim. Os sistemas reguladores da Comunicação Social, não vão poder continuar a fingir que nada se passa.
Viva o politicamente incorrecto.
Hasta la victoria.

GED

Quarta-feira, Maio 20, 2009

NOITES

Escorrem-me noites
Por entre os dedos das minhas mãos
Consigo reter algumas estrelas solitárias
Luz para os meus passos
Um de cada vez, por entre silêncios
Marcando areias ainda quentes
Cadência pausada, feliz
No rumo do dia que amanhece.

GED

Terça-feira, Maio 19, 2009

HÁ MUITO TEMPO QUE NÃO VOS DIZIA COM FLORES!!


BANHO DE BELEZA

HÁ QUEM PAGUE!

Segunda-feira, Maio 18, 2009

PAÍS CINZENTO

O nosso estimado "grilo falante", MRS, do alto da sua altíssima posição, proclamou a todos os mortais presentes e mesmo a alguns defuntos ausentes, que achava que o Presidente da Republica, não devia fazer ironia, ainda mais com casos sérios. Não interessa para o caso, o caso em questão. Pode ser qualquer coisa.
Mas viajar permanentemente no "políticamente correcto" cansa. Deve cansar o próprio ou os próprios e cansa seguramente, quem tem que ouvir isto diáriamente, vindo de "grilitos sussurrantes", em todos os canais de televisão.
Dir-me-ão, que feche o aparelho e pronto. Nada disso. Se o fizer, entram-me em casa de qualquer outro modo. São piores do que sarna.

Os preservativos e a escola. Ora aí está uma novidade, pouco agradável para muçulmanos e cristãos. Já os judeus estão de acordo. Ainda cheguei a pensar que iriamos resolver o problema da faixa de Gaza e arredores, mas nem nisto estão de acordo.
Quanto à igreja mantem-se igual a si prória. Intemporalmente imóvel.
Cristãos e muçulmanos estão juntos neste caso. Sexo público só depois do casamento. As "porcarias e outras devassidões", são permitidas, mas só no aconchego do anonimato.
Chegou-se ao ponto de haver quem negue o holocausto. À igreja já pouco lhe falta para vir negar a existência de Sida e outros males sexualmente transmissíveis. A gravidez indesejada também está resolvida. Sei de fonte segura que a igreja, vai abrir mão de toda a sua vasta riqueza, para apoiar todas as jovens grávidas, em todo o mundo, que engravidaram pelos mais diversos motivos, menos pelo certo.

GED

Sexta-feira, Maio 08, 2009

CIRCO

Ontem, foi noticiado, que os nossos deputados se tinham debruçado sobre o tema, de sim ou não aos animais no circo.
Não me ri.
Fiquei apenas roxo de indignação e de tristeza.
Indignação, porque vejo o meu dinheiro a esvair-se em coisas vãs.
Tristeza por saber aquilo que cá dentro já sabia.
Estamos a ser governados por gente totalmente incapaz. Quem chega a este ponto e, estou a falar, não de pessoas singulares, mas de partidos, mostra à exaustão que não tem causas, nem balizas, nem objectivos, nem nada.
Tanta coisa por resolver, de importância para todos nós e, os gringos vão ao circo.
Eu dou uma sugestão, já que é também com o meu dinheiro que são régiamente pagos: acabem lá com os animais no circo e já agora no zoológico e, com os canários nas gaiolas. Acabem com isso tudo e depois com as jaulas e os circos vazios, metam lá essa gente para nosso gozo pessoal.

GED

JANELAS PARA O MUNDO




Domingo, Maio 03, 2009

ABRIL E MAIO

Henrique, finalmente adquiri o equipamento informático que me permite reentrar neste sereno espaço e como atravessamos estes dois meses especiais, aqui vai:


ABRIL E MAIO

Respirei Abril
Recriando o que não ri
E pressenti o perfil.

Chorarei por Maio,
Sou chão, no doce perdão
Situo-me e não saio.

A chuva continua
E solta a pura (qual seta)
Esperança da Lua.

As comemorações
E as flores são dois amores
E têm recordações.

Pedaços dos meses
Férteis, curtos e agradáveis
Ao esquecê-los mil vezes.

Um abraço.


NOTA: meu querido amigo. Pensei que te tinhas ido embora, sem mais aquelas. Finalmente regressaste a esta tertúlia, que por sinal anda animada. Vai passando por aqui. Tenho ido ao teu blog...mas népias. um grande poeta de férias?
Grande abraço
Henrique

Quarta-feira, Abril 29, 2009

GRIPE

Qual é a diferença entre diabetes, HTA, hipercolesterolémia, enfarte do miocárdio, AVC, cancro, etc, e gripe, neste caso suína?
Há muitas! Cada uma mata que se farta e, muito mais que a gripe. Há uma confusão estabelecida. Durante o inverno, toda a gente diz que tem ou teve gripe, quando na maioria das vezes nada disso aconteceu. Tiveram vulgares processos inflamatórios que nada têm a ver com gripe
A gripe, processo virusal, pode matar e mata todos os anos bastante gente, aqui, no México, no Nepal, etc.
O que neste caso diferencia esta gripe é o ardor irresponsável dos noticiários nacionais, amplamente demonstrado anteriormente na famosa gripe das aves. Com o caso Freeport em declínio, esta gripe vem mesmo a calhar. Ontem um apresentador de telejornal, dizia com ar muito sério que este virus era mortal. Nada menos do que isso.
Não acredito há muito tempo, que haja orgãos reguladores internos da comunicação social, que tragam responsabilidade ao que se diz, como não acredito que quem dê as notícias se prepare cuidadosamente para o que vai fazer.
Os resultados rápidamente estarão à vista, mas nessa altura ninguém noticiará nada. Falo da quantidade de dinheiro dispendido em máscaras e medicamentos, amplamente veiculados por estes senhores. Falo das campanhas publicitárias e de sensibilização da população, que óbviamente devem ser feitas de modo responsável. Falo também do pandemónio, do desperdício de tempo e do cansaço, que vai acontecer, com os serviços de urgência invadidos por gente em pânico, porque espirrou ou teve uma febricula. Estas contas ninguém as fará, mas todos as pagaremos.
Aposto, que os próximos noticiários darão conta do mau desempenho das urgências e dos seus trabalhadores, incapazes de darem conta do afluxo de gente que há-de vir.
A propósito: tanto quanto se sabe no meio, esta gripe não é particularmente mais virulenta que outras que por aí já andaram.
É caso para dizer que este é já "O triunfo dos porcos".
GED

Terça-feira, Abril 28, 2009

PRIMEIRO DE MAIO




Hoje recuperei sem contar, estas fotos.
Foi uma grande emoção.
1º de maio de 1979 ( RPA ).
Um abraço

GED

COISAS DE ABRIL II

Abril,
águas mil.
25 de Abril,
cravos mil vezes mil.

Se então alguém me falasse
em malmequeres
só de bem-querer,
não seria utopia.
Eu teria acreditado;
subscreveria,
com alegria,
em euforia.

Dia memorável.
Vivi-o em Coimbra,
pela rádio,
pela televisão.
Emoção.
Exaltação!

Mas...
anos volvidos
manto de desilusão:
cravos emurchecidos,
esmagados;
sonhos postergados,
espezinhados,
por uns malvados,
sem contemplação.
Que desilusão!

Não mais amanhãs que cantam;
antes desencantam.
Hipocrisia.
Iniquidades.
Mal-feitorias.
Aleivosia.
Podridão.

Dizem que a esperança
é a última a morrer.
Será?
Oxalá!

Maria de Lurdes

Sábado, Abril 25, 2009

COISAS DE ABRIL

Ontem o CDS-PP e o seu inefável lider, beneficiaram de tudo o que Abril nos trouxe.
Em declaração pública, manifestaram-se violentamente contra a progressão na carreira de Otelo Saraiva de Carvalho.
Abril, dá-lhes o direito de dizer todas as aleivosias que entenderem, sem que nenhum mal lhes advenha disso.
Como já disse, a História é cruel. Otelo faz parte da história de Portugal, sempre fará. Será sempre um dos capitães de Abril. Cometeu erros no percurso e pagou por eles.
Mas na essência, lutou para que em liberdade, até diatribes do género fossem possíveis.
Deveriam estar-lhe agradecidos, mas a ideologia fascizante que professam, não os deixa ver nem adiante, nem para trás.
Nos compêndios de história, actuais e futuros, o nome de Otelo estará sempre, junto com todos os companheiros que nos ajudaram a libertar da tirania fascista.
Paulo Portas, ficará enterrado no anonimato perpétuo.
E, é isso que ele nunca conseguirá compreender.

GED

Sexta-feira, Abril 24, 2009

ABRIL E EU

Sou dado a estas coisas.
Acredito em almas gémeas, em transmissões de pensamento, e coisas congéneres. Por isso, hoje pasmei quando vi o post no blog do Manel. Tinha pensado, que hoje quando chegasse a casa, faria um texto do género. E, digo do género porque ao ler o dele, achei que era excelente, que estou totalmente de acordo, ou quase, o que é raro, e que jamais conseguiria fazer nada tão bem feito.
Depois destas premissas aqui vai.
Em 1974, estava longe de estar amadurecido para estas questões, mesmo tendo em conta que vivi toda a crise académica activamente e do lado certo da barricada.
O 25 de Abril, não me apanhou de surpresa, já o pressentia nas conversas que tinhamos. Depois, foram vários anos de muita luta, de alegria contagiante, em que a palavra de ordem, era de que tudo era possível. No entanto ao contrário do Manel, continuo a manter aquilo que ele chama de romantismo.
Consigo olhar para trás e fundamentalmente olhar para a frente e sentir que tudo valeu a pena e que tudo valerá a pena sempre. Continuo com a firme convicção de que estarei sempre pronto para intervir e para voltar a ser ingénuamente feliz se for caso disso. Olhando em redor, não há nada que não repetisse. O tempo que passei em Angola, em plena revolução, foram dos mais felizes e simultâneamente dos mais duros da minha vida.
Faço minhas as palavras de um Capitão de Abril: aqueles anos já ninguém mos pode tirar!
Tudo isto, é apenas um intervalo que vai passar certamente. Posso olhar com um olhar maduro e crítico para tudo o que se passa, mas continuo a sentir que isto é efémero e que um dia tudo voltará a ser possível.
A História é cruel, no sentido em que o que aconteceu já não pode ser modificado. Os países do nosso país, estão aí, dando passos, muitos errados, mas caminhando para o futuro deles e também o nosso.
Podia ter sido melhor?
Absolutamente.
Provávelmente, a única diferença que me separa do Manel, é que eu sou um optimista. Tento tirar da vida aquilo que ela tem de melhor para me oferecer. O Manel é um eterno pessimista, sempre vendo o lado pior das coisas. Mas que é um dos meus grandes amigos e a minha alma gémea, lá isso é.
Ainda que renegue o "Che", ou tudo o que aconteceu e tem vindo a acontecer em Cuba.
Não mudei uma linha ao meu pensamento político de base. Muitas coisas, discordei violentamente. Deste lado da barricada, cometeram-se também erros tremendos. No entanto, a amizade, a solidariedade, a luta contra a marginalidade, a correcção dos enormes desvios sociais, a igualdade de oportunidades, continuam incólumes na base do meu pensamento.
Continuo a pensar que malmequeres, só de bem-querer, ainda que a Maria de Lurdes pense nisso como uma utopia.
25 de Abril, sempre.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

HAIKAI SEVEN

Para o Manel

Um raio de luz
Esta terra que te vê
Projectado lá

Para o Henrique

Um raio de luz
Aconteceu em Abril
Reflectido lá

Para todos

Águas de Abril
Correndo para o mar
Passando por lá

Fernando Marta

Terça-feira, Abril 21, 2009

TANKA

Vôos felizes
Saudades tamanhas
Até um dia...

Estendem suas mãos
Surgem novas estrelas

Anabela Simões

SEDUÇÃO DA COR


A Sofia mais uma vez nos surpreende. Desta vez seduz-nos no jogo de cores.

SEDUÇÃO DA COR


SEDUÇÃO DA COR


SEDUÇÃO DA COR


Segunda-feira, Abril 20, 2009

HAIKAIS

De repente, toda a gente desatou a fazer haikais.
E, sempre a um nível muito alto.
Desculpa lá Fernando, mas vão para a página da frente.
Amanhã terás que aturar a Maria de Lurdes, a dizer-te e com razão, que tens talento para dar e... vender. E, eu estou totalmente de acordo. A propósito, alguém viu o Manuel "Sampas"?
Grande abraço.

Henrique

Aconteceu cá
Desabrochar em Abril
Dar fruto por lá

Calor de Abril
Esta terra que te viu
Crescendo por lá

SAUDADE

Não há nada a fazer.
Não mais do que ontem ou do que amanhã.
Mas hoje por força das circunstâncias, é mais doloroso, custa mais.
A saudade cola-se com mais força.
Acredito que voa feliz nos ventos diferentes.
Mas, faz-me uma falta terrível. Falta uma parte de mim.

GED

ANIVERSÁRIO

Regularmente acontece-me fazer anos. Uma vez por ano para ser mais exacto.
É um tema desinteressante, mas não é por isso que o trago aqui.
Acontece sempre que os meus amigos, me telefonam, oferecem sempre alguma coisa e, no final sinto-me sempre constrangido.
Acontece que nunca me lembro de quem faz anos. Sinto-me sempre em falta.
Resta-me dizer que têm que me aceitar assim, com todas estas imperfeições. No entanto, lembro-me deles todos, todos os dias. Caminham comigo e posso citar Vinicius: sem eles a minha vida seria intolerável. Não me lembrar do aniversário deles é uma falta menor.
Este ano, entre outras coisas uma grande amiga ofereceu-me este haikai.
Partilho-o com vocês.
Tempo de calor
Rasgam-se as entranhas
Teu nascimento
GED

Sábado, Abril 11, 2009

REGRESSO

Acabaram-se as curtas férias. Estou de regresso.
Ao longo desta semana, aproveitei para pôr a leitura em dia. Ao fim de cada tarde, depois de ter esquiado, sentava-me na sala de estar do hotel e ia lendo o que levei. À minha frente, tinha uma grande vidraça que me mostrava a Serra Nevada coberta de neve. Um espectáculo magnífico!
Anteontem, estava a ler um livro recomendado pelo Hamilton: Desmedida (crónicas do Brasil) do Ruy Duarte de Carvalho. Já o tinha há bastante tempo, mas só agora consegui começar a lê-lo. Já sabia que era denso e tenho-me entretido com coisas mais leves.
De repente tudo fez sentido. Tinha a serra à minha frente, ouvia no ipod trechos do Out of África e lia um livro que versa as relações antigas entre o Brasil, Portugal e Angola.
E de repente, o meu mundo fez sentido. Deixei de ver a Serra Nevada. À minha frente estavam anharas sem fim. E, vi zebras correndo desenfreadamente em direcção às montanhas distantes.
Deixo-vos aqui o trecho do livro que estava a ler na altura. Aconselho-vos a comprá-lo se se interessam por estes temas. Dele já li outro livro magnífico: Vou lá visitar pastores.

A África, para homens de cultura ocidental do tempo de Burton, é uma reserva de horrores e de insalubridades, um continente maldito, teatro do horror absoluto e de uma estupenda selvajaria originária... E é a pátria do sangue poluído, amaldiçoado e negro, dos descendentes de Cam, filho de Noé. Se embriagou Noé, e adormeceu, descomposto dentro de sua tenda. E seu filho Cam o viu assim e falou disso, a rir, a Sem e a Japhet, seus irmãos mais velhos. Os quais se muniram então de um pano e entraram na tenda às arrecuas, para cobrir sem ofendê-la, a nudez do pai. Depois de acordar e de vir a saber como se tinha comportado Cam, seu filho benjamim, Noé amaldiçoou-lhe a descendência: será servidora e escura. É a partir daqui, parece, que as interpretações talmúdicas e as tradições judaicas associam a cor negra à servidão imposta à descendência de Cam. ... E a partir daqui viraria ensaio... Desde o século dezoito que a identificação dos filhos de Cam aos povos negros se tinha tornado uma espécie de evidência capaz de justificar a escravidão e a evangelização ao mesmo tempo. Mas, reconsidera-se ao longo do século dezanove, a exegese da bíblia ao mesmo tempo que começam a ter lugar as especulações e as observações dos exploradores que visitam África. Ao monogenismo bíblico substitui-se um poligenismo científico que exclui os povos negros da linhagem noémica e favorece o embranquecimento de Cam. Os três filhos de Noé passam a representar três ramos da raça branca. Os povos negros escapariam assim às origens iniciais. Alarga-se o fosso entre brancos e negros. Para a expansão ocidental é impossível admitir uma qualquer civilização negra e é reconsiderada uma ascendência asiática para os egipcios.... É instaurada uma distinção fundamental entre populações africanas absolutamente negroides e não inteiramente negroides...

E por aí adiante. Acreditem ou não, só muito mais tarde a igreja (sempre a igreja), lançou um decreto papal, afirmando que os indios do Brasil afinal eram seres humanos!

Fiquem bem.
Um abraço
GED

Quarta-feira, Abril 01, 2009

FÉRIAS

Faltam dois penosos e longos dias. Durante dez dias não estarei por aqui.
Durante dez dias, mandarei às urtigas, os jornais, as notícias, a igreja, os dislates que vão correndo pelos noticiários, a Casa Pia e similares, a crise (?). Apenas levarei comigo os amigos (as) e os skis. Para os pobres mortais que não vão ter este privilégio, fica aquele abraço e a certeza de que voltaremos a encontrar-nos em breve.
No entretanto, vão-se divertindo como puderem.

NOTA: enviaram-me um email fantástico. Uma estação de televisão, resolveu, percorrer mundo e contactar cantores de rua. Fez um programa com eles tocando em simultâneo, cada um nos seus países. O resultado é absolutamente fantástico.
Fica o "site", como a minha despedida: CANTORES DE RUA

GED

Quinta-feira, Março 26, 2009

O PESO DE ALGUMAS PALAVRAS

Os amigos são assim. Mandam-nos notícias que são importantes.
Vejam esta em http://diariodaafrica.blogspot.com/2009/03/oracao-de-sapiencia.html



Quarta-feira, Março 25, 2009

PAPA?

A igreja, tem sido recorrentemente desde tempos imemoriais, um travão ao desenvolvimento das sociedades. Basta lembrar a Idade Média, a Inquisição, as Navegações.
Basta lembrar, quantos pedidos de desculpa tiveram que fazer nos últimos tempos.
Nem Leonardo escapou.
No século XXI, seria de esperar que tivessem aprendido a respeitar, pelo menos os ideais do seu Criador. São 2100 anos caramba!!
Nada disso.
Esta visita a Angola, mostrou a verdadeira face desta igreja, retrograda e incapaz.
Em dois dias fez mais pela SIDA, do que a própria SIDA tem feito.
Deviam ser feitas as contas a quanta gente vai morrer, se acreditar no que lhes foi dito.
E, quando daqui a algum tempo, vierem pedir desculpa por esse erro, claramente lhes devia ser dito, que fossem para o diabo que os carregue.

GED

Sexta-feira, Março 20, 2009

HAIKAI

Dia de sol
Trovoada e relâmpagos no céu
Terra natal.

A Anabela apaixonou-se por esta forma de poesia.
Presenteou-me (nos) com este, lindíssimo.

GED

OPINIÕES II

Eu quero escrever esta carta. Para que seja perceptivel, é preciso ler mais abaixo o "post" OPINIÕES e ver o comentário.
Primeiro, quero mostrar todo o meu orgulho por ter amigos assim. Daqueles com quem a gente pode discordar, sem beliscar a amizade profunda que nos liga.
Depois, quero discordar concordando.
Claro, que sou fã de Borges. Claro que sou fã da boa literatura europeia, mas fico por aqui.
Falando dos escritores de expressão lusófona, apenas me cabe dizer, que não retratam de todo apenas a literatura regional. O que mais me encanta neles, e aí começa a discórdia, é o seu lado onírico, mágico, imaginativo, jovem, sem fronteiras. Que os coloca ao lado de um Sepulveda por exemplo.
Comparar Mozart com Tom Jobim ou com os Beatles? Absolutamente.
Dentro do tempo julgado conveniente, estarão no mesmo estatuto.
Daqui por 500 anos, todos se lembrarão de Mozart, mas também se lembrarão de Jobim e dos Beatles, como se lembrarão de todas as obras intemporais.
Como se lembrarão de Eça de Saramago, de Luandino.
Embrulha...mas desta vez um enorme abraço de amizade.

GED

Quinta-feira, Março 19, 2009

SEM MARGENS

Poema sem margens
Transbordando alucinações
Pirilampos indecisos
Boiando na noite
Silêncio das pedras ainda quentes
Vapores, flutuando madrugadas.
Lágrimas de chuva
Na pele nua
Olhos azuis brilhando desejos
Em cada estrela do céu
Ritmo frenético do louvadeus
Sismando passos firmes
Encharco-me de tardes
Malmequeres só de bem querer
Rios deslizando bagres
De cor púrpura
Virgens parindo ternuras
Pairam no ar borboletas azuis
Chão estremecido de calores
Loucos cultivando sonhos
Olhares distantes da demência
Raios de luar
Cravados no chão adiante
Crianças felizes abraçando confortos
Sem margens.

GED

Quarta-feira, Março 18, 2009

BLOG

Um conselho.
Recomendo vivamente, que cada um tenha o seu, mesmo que seja para debitar patetices como diz a Pwo.
Rápidamente transforma-se num amigo de confidências, as mais diversas, que nos ouve sempre que queremos, mesmo que a ausência seja longa, que nos permite opinar com direito de resposta.
Traz na correnteza, um número enorme de amigos, alguns que já julgavamos perdidos, outros que nem sabiamos que eram nossos amigos. Conheci novos, daqueles que não quero perder.
É inacreditável, a quantidade de gente interessante que se encontra.
É um instrumento de solidariedade como já pude comprovar.
Não passo tanto tempo aqui como desejaria, mas o tempo dispendido traz-me sempre um enorme prazer.
Um conselho.
Construam o vosso próprio blog.
Um abraço
GED

Segunda-feira, Março 16, 2009

OPINIÕES

Há algum tempo, ofereci a dois grandes amigos meus, dois livros do Ondjaki.
A um deles perguntei-lhe o que tinha achado. Vale aqui dizer, que estamos profundamente em desacordo em muitas coisas... como é hábito entre grandes amigos.
Do alto do seu urbanismo profundamente europeu, respondeu-me que achou bonito, mas ainda muito imaturo, quando comparado com os grandes e vetustos ( o adjectivo é meu) escritores europeus.
Claro, não posso estar mais em desacordo. Comprei o último livro do Ondjaki, sobre poesia.
Não resisto a deixar-lhe aqui, um pequeno fragmento.
                    
Tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
Certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento.
Não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
Era de difícil manejo - mas funcionava.

Grande abraço
GED

Quarta-feira, Março 04, 2009

ANGOLA

O João e a Sara piraram-se para uma vida nova.
A Sara, em estado de choque, parece que já recuperou. Nem podia ser de outra maneira. O Lobito é uma cidade fantástica e aos poucos vai aprender a gostar de lá estar. Vai conhecer a praia morena, o velho liceu junto à praia, o porta-aviões, o Sombrero, a Caotinha, a Baía Azul e, espero eu, as anharas sem fim que vão dar ao Cubal. Nunca viu um imbondeiro senão em fotografias.
Está na altura de travar conhecimento com eles!
Pode ser que dentro em breve falemos todos a mesma lingua.
Pode ser que em Novembro eu lhes vá mostrar coisas de que nem sequer suspeitam.
Pode ser...
Henrique

Segunda-feira, Março 02, 2009

HAIKAI II ( PARA O MANUEL)

Um raio de sol
Luzia no concavo das mãos
Ventos diferentes.

GED

DIETAS E OUTRAS LOUCURAS

A minha profissão coloca-me diáriamente, na linha da frente de um combate desigual.
Ter que convencer a pessoa que está à minha frente, de que o seu excessivo estado ponderal, deriva na maior parte das vezes de uma alimentação altamente incorrecta, associada a um desprezo nacional pelo desporto que seja realizado fora do sofá.
Este grupo de doentes é um manancial inesgotável, para todos os aldrabões fazedores de dietas, e para todos os que tentam vender alimentos "linha zero".
Tirando óbviamente as obesidades mórbidas e aquelas associadas aos genes familiares, todas as outras derivam de desvios comportamentais tão em voga hoje em dia.
E, afinal é fácil.
Ninguém tem de deixar de comer seja o que for. Deve é fazê-lo nas doses devidas, proporcionais entre si.
E, também óbviamente, quem ingere calorias, tem que as gastar.
Divirtam-se e mexam-se.
GED

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

SAUDADE

Saudade

Saudade tamanha que sinto

Saudade donde não estou

Já com saudade não minto

Com saudade eu me vou

Com saudade quem não vem

Saudade também se tem

Também saudade de alguém

Saudade do que não vem

E saudade quem não tem

Saudade daqueles que vão

Saudade dos outros que não

Com a saudade cravada

Bem funda no coração


FMartaNeves

24 Fev 2009

Sábado, Fevereiro 21, 2009

SAUDADE

Saudade!
Só a palavra é estranha. Bem portuguesa dizem todos. Homesickness é a melhor aproximação que conheço.
Tão estranha e perigosa, que amigos meus, como a Anabela, tendem a rejeitá-la, sem o conseguirem como se viu.
Saudades de casa, do meu país. Não me tira o sono, mas permanece latejando sem que muitas vezes dê por isso.
É doentio?
Claro que não. Doentio é deixar-se envolver por saudades que não têm a ver com saudade.
O que sinto falta mesmo, é do calor, da espuma traçando alinhavos na areia, da água quente do grande mar, do espaço sem fim, dos silêncios absolutos, do céu cravejado de luzes. E esta saudade alimenta-me.
As outras "saudades", não estão na minha maneira de ser.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

SAUDADE

Olá amigo

Existem amigos que estão perto, outros longe, outros no pensamento e outros no coração.
Aceitei este convite muito honrada, feito por um amigo de longa data e que para mim tem quase todas estas componentes, excepto a de estar longe.
O meu grande problema é o engenho e a arte...
Pensei um pouco e resolvi escrever sobre "Saudade", sem nostalgias mas sim com alegrias e boas recordações.
Costumo dizer que não sou saudosista e que gosto de viver o presente o melhor possível , sonhando por vezes com o futuro e recordando o passado sem tristezas.
Passaram tantos anos em que nos afastámos a memória começa a trair-nos.
Já vos tinha encontrado (através de um amigo comum cubalense) e tinha-vos perdido.
Reencontrei-vos neste mundo virtual e com toda a felicidade vou-vos seguindo (ainda com muita timidez), não muito própria da minha maneira de ser africana.
Pergunto-me o que me levou a procurar tudo o que está relacionado com o Cubal e convosco, e que todos os dias me leva a saber notícias vossas.
E descobri: é SAUDADE, palavra que normalmente rejeito.
Obrigada Henrique por tudo o que nos tens dado.

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

O TEMPO QUE SONHO E SINTO /DO CACIMBO DISTANTE

Finais de Junho

Dia lindo, de sol.

Claridade sem igual

...Lindo dia...

Há muito não via

Fresco, sem frio.

Ventinho de ar seco

Respiro fundo,

Neste lado do mundo

...Longe do Cubal...

Ai que saudade...

E, de repente

Um arrepio

Mas não de frio

Sinto-me ausente

Algo distante...

Entrando no Estio...

Um calafrio!

De tanta ausência?

Tanta distância...

...É a saudade...

Há qualquer coisa no ar...

Que me faz lembrar...

Vou aproveitar.

Aproveitar o momento,

Fechar os olhos

Sentir o vento

Sonhar...

...E voar...

E viver!

Viver e esquecer

Viver com este ar

Viver a sonhar

Neste local

Do meu Portugal

...tão distante...

Adiante!

Mas esquecer...

Acreditem, não minto,

Isto que eu sinto...

Sinto a ausência

Sinto a distância

Sinto um vazio...

Sinto-me flutuar...

Se pudesse voar...

...Naquele céu planar...

É tanta a saudade...

É mesmo verdade

Que sinto este tempo

Este tempo de Estio

Nem quente nem frio

Que sinto este tempo

O Tempo do Cacimbo...

Com um nó na garganta

O tempo que sinto...

Sinto, mas afinal...

...Não no Cubal...

Sinto-me perdido

Algo ferido...

Aquela terra distante

Sempre presente

A África ausente

Na África Austral

Que vontade tanta

De estar...

De voar...

De sonhar...

De respirar...

...No Cubal.

Valongo/Porto, 12-Fev-2009 (Um daqueles dias “parecendo verão...quase”, depois de uns intermináveis dias de chuva…, da tal, de faz de conta. Inverno cá, Estio lá. Lá com chuva, muita e forte chuva, daquela, da outra e muito sol... Cá, ouvindo os Guns N Roses- Live and let die - de Paul McCartney- uma daquelas músicas…).

FMartaNeves

NOTA: como se pode ver, pelos dois "posts", de dois amigos, o blog só pode mesmo, ficar mais rico.
Um abraço
GED

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

PLANETA REDONDO

A vida dá voltas e mais voltas sobre si própria. Como o nosso planeta. E, a cada esquina temos alguma coisa que sempre nos surpreende.
Hoje vim a saber por portas e janelas escondidas, que alguém no Lobito, se dá ao trabalho de ler o meu blog. Chama-se Arnaldo, não o conheço, mas vou conhecer de certeza. Anda nos mesmos circulos que eu e os amigos são comuns. É mais um para acrescentar a essa pequena lista.
Como é que soube?
Isso é outra história para contar num futuro próximo de viva voz.
Pena é que não deixe comentários.
Um abraço

Henrique

Domingo, Fevereiro 01, 2009

GLORIOSO

E se Mantorras, não tivesse tido as lesões que teve?
Ontem, no jogo foi perceptível o entusiasmo do público quando Mantorras entrou. Esta empatia, tem a ver com tudo o que não é habitual. A entrega total e a humildade com que o nosso angolano sempre se apresenta, ao contrário de tantas outras "estrelas" que conhecemos.
O posicionamento na área, a rotação perfeita tirando do caminho o defesa e depois o remate certeiro, limpo, para as malhas.
Mantorras e o seu percurso, fazem-me lembrar uma frase dita, creio que por Sofia de Melo Breyner: Nunca choraremos bastante ao ver o gesto criador ser impedido!
Ontem também vi a notícia de Eusébio prestando homenagem a Lev Yachine, visivelmente comovido.
Todos os amantes do futebol se lembrarão do famoso golo que Eusébio marcou. Todos nos lembramos também, do abraço fraterno e do pedido de desculpas que se seguiu. Mais do que o melhor guarda-redes do mundo, para Eusébio tratava-se de um idolo merecedor de todo o respeito.
Cada vez o futebol tem menos disto. Desta grandeza que faz com que eu e muitos milhões continuemos a achar que é o melhor desporto do mundo.

GED

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

PLANETA TERRA

"Qualquer homem como eu tem quatro avós.
Esses quatro, por força, dezasseis.
Sessenta e quatro a estes contareis
em só três gerações que expomos nós ( ... ).
Se um homem dá tanto cabedal,
dos descendentes seus, que farão mil?
Uma província?
Todo o Portugal? (*)
Por esta conta, amigo, ou nobre ou vil,
sempre és parente do Marquês de Tal,
e também do porteiro Afonso Gil."

(*) No caso das nossas famílias: "o planeta Terra?

Alguém por piada, mandou-me este email, há alguns meses.
Não liguei muito, mas a verdade é que de vez em quando estas palavras me vinham à cabeça!
Se contarmos com as infindáveis gerações e respectivas permutas, acabamos por ser todos família. Palestinianos, israelitas, afegãos, americanos, chineses, russos, africanos e por aí adiante.
O conhecimento absoluto do genoma humano irá dizer-nos isso.
Preciso de realçar a estupidez e o caos em que estamos mergulhados, inutimente?
GED

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

RETRATAÇÃO

Pousava aqui e ali,
O meu querido amigo.
Anda, vem lá para aqui,
Vem ter connosco, comigo.
Que se passa? Diz! Amigo.
O que se passa contigo?
Sei agora o motivo…
Estavas a ensaiar o voo,
P'ra voar de vez um dia.
Estavas tu a ensaiar…
Voar…nunca mais voltar.
E a gente, não sabia…

Fernando Marta

Nota: este belíssimo poema, que me toca tão profundamente, foi-me enviado por um amigo de longa data, dos tempos do Kaparandanda. Agradeço-lhe.

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

MUKANDA

Embaciados, ardem-me os olhos
De tanto que já viram
Ainda me servem os sapatos
Com que reinvento o chão
Um dia deixarei de dançar
As danças há muito aprendidas
Mas não hoje
Atrevo-me em novos passos
No eterno baile da vida
O meu rumo é sempre sul
O primeiro chão que pisei
Onde estão os meus imbondeiros
Areias douradas e o mar azul
Desembrulho os meus sonhos
Neste tempo longo de esperar
Revejo tantos quartos vazios
Na casa da minha vida
Um dia deixarei de dançar
Em cima da linha do horizonte
Mas não hoje
Tempo de kissanges e batuques
De saltar e levantar poeira
Arrastar amigos nesta vertigem
Aprender mais uma vez a viver
Sem anunciar preconceitos
Apenas a minha caixa de madeira
Cheia de todos os meus sonhos
Um dia deixarei de dançar
Esta eterna valsa entre continentes
Mas não hoje

GED

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

CONVITE

A Pwo envia este convite, que eu como outros amigos desejamos publicitar o mais possível.
Caros amig@s
Convido-vos a estar presentes no lançamento do meu livro "Para uma História da Dança em Angola: Entre a Escola e a Companhia - Um Percurso Pedagógico", que terá lugar na Casa de Angola (Travessa da Fábrica das Sedas, nº 7 - Entre o Largo do Rato e a Mãe de Água), na cidade de Lisboa, no dia 15 de Janeiro, pelas 18.30H.
A apresentação estará a cargo da escritora angolana Ana Paula Tavares.
Um abraço esperando vê-los lá.
Ana Clara

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

FAIXA DE GAZA

Começou muito mal o Ano Novo.
Não gosto particularmente mais dos árabes que dos judeus. Ambos têm uma história que não me atrai para nenhum dos lados.
Para além de ser preocupante, que morram pessoas dos dois lados, que apenas são cidadãos comuns vivendo no local errado há outras preocupações que são enormes sinais de alarme.
Israel tem agenda temporal. Parece que tem que terminar isto antes da tomada de posse do novo presidente americano. Por outro lado calha bem agora que estão em ano de eleições. Que coisa melhor se pode mostrar aos compatriotas? O governo preocupa-se com eles!
Verdadeiramente alarmante é o facto da Liga Árabe não conseguir chegar a um acordo.
Alarmante, é o facto da famosa União Europeia se perder em declarações vazias dos vários dirigentes, sem que se vislumbre um rumo que ponha fim ao conflito.
Alarmante, é o facto da ONU não conseguir o mínimo consenso para terminar imediatamente este conflito.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

BOAS FESTAS

Alguns amigos, vêm aqui visitar-me regularmente.
Para esses especialmente e, para todos os outros que aqui passam, deixo os votos de um bom Natal.
O Ano Novo, esse será o que cada um quiser.
Por mim, quero continuar a ser feliz, e quero que todos o sejam.
Um abraço
Henrique

THE MOST EXPENSIVE CITIES IN THE WORLD

Africa
Some of the most expensive locations in the world for expatriates are in Africa with Luanda (Angola), and Libreville (Gabon) featuring in the top 10. Maseru, Lesotho, remains the cheapest location in the survey and is one of 7 African locations in the bottom 10 globally including Durban (236) and Gaborone (Botswana) (235) where the weakness of the Rand and Pula, respectively, have contributed to low cost of living.

For expatriates, particularly those paying with US dollars, Angola’s capital Luanda is the most expensive city in the world. The cost of living for those hankering after imported food rather than local produce is higher in this African metropolis than in Tokyo, Paris or London. ECA International, which carried out the research, explained that its cost of living survey compared a basket of 128 consumer goods and services commonly purchased by expatriates in over 370 locations worldwide. “Certain items and brands typically purchased by expatriates, can be very expensive in a location such as Luanda where they are not readily available locally.”

Methodology
The research for ECA’s 2008 survey was conducted in March 2008 and is based on a basket of goods and services most commonly purchased by western expatriates. The basket does NOT include items such as accommodation, utility costs, school fees or motoring costs. ECA International is the world’s largest association for human resources (HR) professionals. It was set up in 1971 and includes among its partners companies such as Deutsche Bank, Robert Bosch, Fujitsu Services, Heineken, Philips und Rolls-Royce. The organisation provides remuneration advice and data for internationally operating companies.

http://www.citymayors.com
http://www.citymayors.com/statistics/expensive-cities-intro.html#Anchor-Research-47857

Segunda-feira, Novembro 24, 2008

DE ONDE EU VENHO...

Muitos amigos meus, referem-se a si próprios como Muanhas, Mucubais, etc, consoante a região onde nasceram e viveram.
Fazem-no com um enorme carinho, claro está, mas eu não penso assim.
Corre-me nas veias sangue fenício por parte do meu pai, e sangue de todas as tribos que ocuparam o norte de França por parte da minha mãe.
Esse é o meu património genético.
Depois, por força de circunstâncias, os meus pais ofereceram-me a maior prenda de todas as que recebi até hoje. Deram-me uma Pátria.
E, é isso que eu sou apenas. Um angolano. Sem margem para dúvidas.

GED

Domingo, Novembro 09, 2008

OBAMA

CHICAGO, IL, 04.11.2008

Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.

É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença. É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.

Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia. Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América. Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.

O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta. Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama. Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.

E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites. Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.

E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.

Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir. Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.

Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.

Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.

Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.

Esta vitória é vossa.

E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.

Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.

Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.

Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.

O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.

Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.

Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.

Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.

Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.

Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.

Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.

Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.

Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.

Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.

Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.

São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.

Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.

E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.

E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.

Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.

É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.

Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.

E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.

Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.

Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.

Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.

Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.

Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.

Sim, podemos.

América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?

Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

MAGALHÃES

Há já algum tempo, aqui referi num texto chamado "one laptop per child", a enorme importância de toda a gente saber mexer num computador e fundamentalmente, ter acesso ao maior instrumento de conhecimento alguma vez inventado pelo Homem.
Não sou particularmente amigo do nosso Primeiro, nem sequer concordo com ele em muitos aspectos, não sou do partido dele.
No entanto, ao contrário de muita gente que goza, vocifera, se opõe, critica, estou completamente com ele no que diz respeito ao Magalhães.
Nunca ninguém o tinha feito em Portugal, apesar de não ser inédito.
A próxima geração já vai mostrar os efeitos dessa medida. Só por isso ficará na História de Portugal.
Os outros, que gozam, se opõem, vociferam, criticam, daqui a 6 meses já ninguém sabe quem são.
Um abraço
GED

Segunda-feira, Outubro 27, 2008

FIM DE SEMANA

Hoje, eu devia estar feliz.
O Glorioso ganhou, o Porto perdeu e o Sporting empatou.
Estou feliz, mas não tanto como devia.
O Benfica jogou mal, os mercenários da equipe mostraram mais uma vez não ter raça. Mentalmente são muito fracos e qualquer pequeno abanão os desiquilibra.
São as nossas "estrelas".
As mesmas que vão representar não sei bem o quê na selecção luso-brasileira.

Quinta-feira, Outubro 09, 2008

PRÉMIO NOBEL

Hoje a meio do dia, um pseudo-intelectual, perguntou-me se eu já sabia quem tinha ganho o Nobel da literatura.
Respondi-lhe que sim, mas que desconhecia por completo o senhor.
Se fosse padre tinha-me excomungado naquele momento.
Na altura apeteceu-me dizer-lhe alguma coisa. No entanto preferi o silêncio e distanciei-me.
Apetecia-me perguntar, que sabia ele de Jorge Luis Borges, ou de Sepulveda ou de Ondjaki, ou de Ana Paula Tavares, ou de Herberto Helder ou... se sabia que escritor tinha recusado recentemente o prémio Camões.
Apetecia-me vê-lo a estrebuchar na sua ignorância de uma cultura balofa.
Só não o fiz porque achei que era muita humilhação e porque sei que costuma ler o meu blog.

Um abraço
GED

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

SOFIA

Segunda-feira, Setembro 22, 2008

BRANQUEAMENTO

De há alguns meses para cá, ouve-se falar constantemente nos noticiários, em conversas de algumas elites intelectuais, nos telejornais e mesmo em conversas de alguns governantes.
Estou a falar de "carjacking", "homejacking", motojacking", e mais alguns "jackings" que não vale a pena referir.
Posso estar a ser ignorante, estou a sê-lo com certeza pois o meu inglês é um pouco limitado, mas creio que estão a falar de roubos de carros, de casas de motas.
Se é isso então por que é que estão a dizê-lo em inglês?
Soa melhor?
Dá o ar de que somos menos ignorantes como povo?
O roubo e o atropelo dos cidadãos, ficam com um ar mais limpo?
Fica bem nas festas da sociedade?
Este fenómeno do branqueamento e abrilhantamento das situações já não é novo. Aquela ideia abstrusa de chamar os bois pelos nomes parece ser caduca.
Senão vejamos.
Antigamente nos colégios, liceus, hospitais, repartições, empresas, etc, havia empregados de limpeza e, verdadeiramente era isso que faziam. Se alguém limpa alguma coisa, por que raio é que não é um empregado de limpeza?
Envergonhados de serem empregados (!!!), passaram a chamar-se auxiliares de acção.
Verdadeiramente o meu merceeiro é também um auxiliar de acção polivalente.
Ajuda-me a mim e a muitos outros profissionais a sermos mais eficazes nas respectivas áreas.
O que mais iremos branquear nesta estúpida viagem de algumas cabeças, que acham que avançamos alguma coisa só por mudar os nomes?
E o nosso orgulho como povo?
E aquela treta de que a minha pátria é a minha lingua?
E onde é que ficamos naquela outra treta dos CPLP, se já nem a lingua portuguesa queremos?
Os angolanos alteram a lingua portuguesa, mas na maior parte das vezes enriquecem-na. Porque a alteram em português. Se não nos orgulharmos da nossa lingua, então o que é que fica?
Há verdadeiramente em Portugal um "languagejacking" e ninguém se preocupa em prender, ou pelo menos identificar os culpados.

GED

Segunda-feira, Setembro 08, 2008

M. P....

Eu não queria escrever isto, mas obrigaram-me.
O meu M venceu as eleições nas 18 provincias de Angola.
Já fiz a festa e celebrei com os amigos.
A luta continua.
Aquele abraço

GED

Domingo, Setembro 07, 2008

ASAS

Irremediavelmente, elevo-me em voos
Como qualquer ave, aliás
Cresceram-me asas durante a noite
Definitivamente
Renego o destino da pedra
Permanentemente presa ao chão
Ausência de sonhos de ver mais longe
Voo acima das cordilheiras
Sem pressas, planando no calor
Desafio sapos e salamandras
Rastejando vidas inquietas, limitadas
Distancio-me
Viajo para onde o mar encontra a terra
Se conseguir tocar no horizonte
Estarei perto do fim da minha viagem

GED

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

AGOSTO

E como estamos em tempo de descanso e divertimento, deixo-vos este "puzzle" par montarem.
Um abraço

GED





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PARA TODOS OS AMIGOS



No último livro que comprei do Mia Couto, vinha um postal dentro para mandar a um amigo.
Achei pouco e, assim aqui vai para todos vocês.

LIMPEZA ÉTNICA




O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.

"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

Há alguns dias atrás tinha-me referido a este tema. Não resisto a colocar aqui este texto de um dos nossos jornalistas mais sérios. Afinal, não estou sózinho no "politicamente incorrecto". Ainda bem!

GED

Quarta-feira, Julho 30, 2008

UNITED COLORS

No outro dia, foi-me apresentado um casal, durante uma amena reunião de amigos.
Ela branca e ele negro.
Aproveitei logo para perguntar: onde é que nasceu?
Já me estava a ver a falar do que mais gosto, da minha terra, de Angola.
Disse-me: nasci nos Açores.
Disse-lhe eu: porra, isto está tudo de pernas para o ar. Eu sou branco e sou angolano, você é negro e nasceu nos Açores.

Faz sentido, continuar a haver basbaques que sejam racistas?

GED

Segunda-feira, Julho 28, 2008

O PODER

O poder, o grande poder, dizem que corrompe.
Provávelmente sim. A tentação de o utilizar em benefício prório é demasiado grande para a maioria dos seres humanos. No entanto, o grande poder também dá homens como Senghor ou Mandela, Bolivar ou Guevara (eu já sei...).
Há no entanto outro tipo de poder. Pequenino, suburbano, de bairro, local, de condomínio ou da organização das festas da aldeia. E aqui é sempre a mesma coisa. Quem o detem não tem habitualmente capacidade de liderança. Chegou lá não interessa saber como.
Mas no final esse poder é quase sempre deselegante, mesquinho, boçal. Aproveitado muitas vezes para resolver diferendos antigos, não se cuidando de perceber que este poder, é quase sempre curto, provisório.
Rápidamente o caçador passa a presa.
Esta verdade simples, parece não ter seguidores, já que o mesmo erro se comete vezes sem conta e sempre da mesma forma.
É como se esta gente já nascesse com um qualquer gene deformado.
GED

Quarta-feira, Julho 23, 2008

OPINIÕES

No Diário de Coimbra de ontem, a propósito da futura inauguração dos transplantes pulmonares em Coimbra, vinham as opiniões que podem consultar na imagem que aqui deixo.
Sei, já o disse à exaustão, que estamos no tempo do políticamente correcto, do oportunismo, do carreirismo e de outros "ismos", que não têm nada a ver com outros mais antigos "ismos".
De uma assentada, aproveita-se o momento e dá-se a facadita em quem já faz este tipo de terapêutica em Portugal.
Eu, se fosse ministro, não gostaria nada de ver o meu nome associado a tais dislates.

GED

Quarta-feira, Julho 16, 2008

POLITÍCAMENTE INCORRECTO

Eu sei, eu sei!
Os amigos dirão que finalmente vejo a luz. Os que não gostam de mim assim tanto, dirão que finalmente estou a mudar de perfil político. Sempre soubemos que um dia ele mudaria, dirão.
A propósito de quê, isto?
A propósito, de eu não mudar nunca, de ser honesto nas minhas análises e de fundamentalmente ser políticamente incorrecto. Por isso não dependo de ninguém para o meu posto de trabalho e de vida. Apenas tenho que o merecer todos os dias.
Vamos lá então ao que importa.
Ao contrário de todos (?) os jornalistas, a maioria dos políticos e de todos os presidentes de camaras, eu olho para os ciganos sem me pôr de cócoras cada vez que eles vão reinvindicar algo de forma agressiva e em grupo.
Estamos a falar de um grupo profundamente racista, já que qualquer tentativa para os incorporar na sociedade falha. Não se misturam e vivem permanentemente à margem da lei e dos usos e costumes. Porque cargas de água há-de a sociedade arcar com a marginalidade deles?
Porque havemos nós de lhes dar bairros de habitação social, se eles podem muito bem trabalhar e não o fazem?
São colectivamente inteligentes: não pagam impostos, vivem marginalmente o que significa que não pagam casa água e luz. Utilizam os bens públicos em beneficio próprio e sempre que necessitam de algo, reinvindicam mais que a população em geral.
São inteligentes: encostam os políticos à parede, sabendo que os mesmos se vão deixar encostar.
Usam os meios de comunicação, conforme lhes dá mais jeito.
Acabo, como comecei.
Eu sou políticamente incorrecto e estou-me nas tintas para os ciganos, como estou para qualquer marginal. Se não estão bem mudem-se. Deixem de incomodar quem trabalha. Quanto aos políticos políticamente correcto, não voto neles. Sei que não vale de nada, mas dá-me gozo.
Pelo menos nesta questão estou de acordo com o Marquês de Pombal.
GED

Sexta-feira, Julho 04, 2008

O VÓMITO

Espectáculo diário na TVI, que dá pelo nome de Telejornal à hora de jantar.
Hoje liderado por Manuela M. Guedes, com o seu inenarrável comentador Vasco P. Valente.
A última intervenção deste senhor, versou sobre a libertação de Ingrid Betancourt, as FRAC (palavras dele), a Colombia, os camponeses, etc.
Do que se conseguiu perceber, deu para ver, que o senhor não percebe patavina do que está a dizer.
Maldita entidade reguladora, que nunca está quando é preciso!

GED

Segunda-feira, Junho 23, 2008

ZIMBABWE

A história de África está cheia de acontecimentos destes.
Convenhamos que não é inédito o que se está a passar no Zimbabwe. Claro, que em muitas outras latitudes, o cenário é o mesmo e provávelmente pelas mesmas razões.
Candidatos a ditadores e, ditadores consumados há-os por todo o lado. Localmente todos conhecemos os "ditadorzinhos" que nos cercam. Parece um mal inerente ao ser humano.
Mas não é.
É apenas fruto da ignorância do povo e da cobardia desses mesmos ditadores, incapazes de controlar o destino do seu país e o seu próprio destino. Aposto que o ditador Mugabe vai ter um triste fim.
Vale nesta altura, relembrar a diferença.
Homens como Senghor ou Mandela, recordam-nos que a verdadeira força reside no facto de a sabermos partilhar com equidade.


GED

Sábado, Junho 14, 2008

AMIGOS DE ALEX


As saudades já eram demais, todos sentimos isso.
O Jaime, decidiu um almoço. Não falhamos.
Com amigos assim não pode haver falhas.
O próximo fica por minha conta.

GED

Quarta-feira, Junho 11, 2008

CIDADANIA

Poucos povos em todo o planeta, usam plenamente os seus direitos e deveres de cidadania.
Os dedos de uma mão sobram para os enumerar. É de facto uma questão de educação e de avanço civilizacional, e como sabemos, a maior parte dos povos ainda está longe de atingir esse limiar.
Por isso, não é de estranhar todo este confronto em volta dos combustíveis, da sua falta, do seu preço, e claro está, na hora do desespero é este governo que não presta.
Como sempre é uma atitude imediatista, de reacção acéfala a um problema que começou há muito tempo.
Está toda a gente de acordo, que nada disto teria acontecido, se os EUA tivessem entrado Iraque adentro, limpado o sebo ao Sadam, colocado novos governantes e, toda a gente de lá se calasse. Claro que nada disso aconteceu, o petróleo não começou a jorrar como era esperado, o dólar foi-se indo abaixo das canetas, o orçamento previsto para a operação disparou dúzias de vezes e, estamos na situação actual.
Na altura, não vi um único camionista, médico, pedreiro, artista, dentista, metalúrgico, engenheiro, professor, político, etc, etc, manifestar-se sériamente contra.
Pois é, a cidadania tem destas coisas. É preciso trancar a casa antes que a arrombem. Só que dá trabalho, é preciso ter cultura e estar a par das coisas, nomeadamente da história, para não nos deixarmos enganar.
Afinal, ainda estamos todos vivos, os da geração do Vietnam.

Quarta-feira, Junho 04, 2008

REGRESSO

Há mais de um mês, que não escrevo nada!
E continuo neste marasmo de não me apetecer escrever. Provávelmente há várias causas para isso. O meu país vive numa modorra que não prenuncia nada de bom. O sol, que tanta falta me faz, este ano teima em esconder-se por trás de nuvens ameaçadoras, escuras e persistentes.
Mas, verdadeiramente tem-me feito bem este descanso.
Detenho-me nos blogues dos amigos, com tempo para os saborear. Organizo as fotografias de tempos idos, actuais e, imagino as futuras.
Volta e meia telefono-lhes para matar saudades.
Organizo cuidadosamente a minha próxima ida ao hemisfério sul. Vou entrar pelo Botswana, visitar o delta do Okavango e depois subir África acima até Luanda. Pelo caminho, um enorme punhado de sítios e paisagens que finalmente a minha mulher vai conhecer, vencidos os medos dos paludismos, mosquitos, crocodilos, leões, cobras, etc.
Sei que este interregno não vai durar muito. Mas, tem-me sabido bem.
Virá brevemente o tempo de pegar na velha caixa de madeira vazia e enchê-la de novas letras ( perdoa amiga, por usar palavras tuas).
GED

Quinta-feira, Maio 01, 2008

EDUARDO WHITE

Requerimento de um cidadão desiludido consigo mesmo.
Por Eduardo White.

Ilustríssima Senhora Vida

Distinta,

Quero um poço fundo para morrer. Um poço fundíssimo onde morto eu não me possa rever. Um poço escuro, Ilustríssima senhora, um poço que arda entre o silêncio e a escuridão, um poço que doa só de nos vermos na sua vertigem, um poço que abra as vísceras terrenas da solidão. Quero um poço fundo, um fundo poço para morrer e não outro poço que seja este em que me estou a perder. Longo, obtuso, fantasmagórico, com chamas que queimem, que subam aos olhos de quem me queira reaver.

Um poço por favor, é tudo o que estou a pedir-lhe, é tudo o que eu pretendo ter, um poço onde morra intranquilo como me condenou a viver. Porra que quero um poço, é tão difícil um poço onde a morte me possa merecer? Então dê-me, com urgência, com a veemência concreta de um ódio qualquer, mas que seja puro e mau e perverso e tenha lanças que me trespassem a barriga e me partam em absoluto a minha espinha dorsal.

Eu quero um fundo, um poço fundíssimo, um poço escuro para que possa morrer tão perfeito e completamente como nunca assim pude viver. Porra, um poço. E isso custa dar-me sem pedir-lhe deferimento? Custa tanto autorizar o que a faz rir? Senhora minha e Ilustríssima, um poço bem mais fundo que o seu, bem mais escuro, bem mais vertiginoso, bem mais lamacento que o corpo com que a ele me vou atirar. Um poço, Digníssima, onde morto eu não a oiça nem falar nem tão pouco doer-se de respirar. Um poço que seja talqualmente este fosso de onde lhe requeiro isto e onde a vida, depois que demitida, seja em si um sólido quisto.

Atenciosamente

Um baixíssimo cidadão

Eduardo White

(Para quem não conhece Eduardo White, faça o favor de pesquisar e de ler tudo o que está publicado. Poeta maior da língua portuguesa )

GED


Terça-feira, Abril 29, 2008

NOTÍCIAS DE ANGOLA

Recebi esta notícia sob a forma de email, enviado pelo Karipande a quem agradeço.

Coreógrafa defende reformulação do sistema de ensino no país
29/04/2008

A coreógrafa Ana Clara Guerra Marques defendeu sábado, em Luanda, a necessidade de se rever o sistema de ensino da modalidade artística da dança, com o intuito de a tirar da fase de estagnação em que se encontra actualmente e impulsionar a sua evolução e divulgação.

A propósito do estado actual da dança em Angola, a coreógrafa avança que, apesar de não estar na «estaca zero», se não se rever as metodologias de ensino das danças, tornando-o mais eficaz, haverá muitos problemas, tendo em conta a evolução que se vem registando a nível mundial. Não obstante «o grande esforço» feito pelos profissionais que leccionam na Escola Nacional de Dança, adianta, há muito caminho por andar, exigindo mudanças nos métodos de ensino empregues actualmente, por, no seu entender, já não irem de encontro com as inovações que se aplicam no mundo moderno das danças.

«Se queremos ver evoluções na dança, temos que mudar muita coisa no processo de ensinamento. Temos que nos adequar aos novos métodos modernos, fazendo com que os bailarinos e coreógrafos aprendam cada vez mais e façam cada vez mais coisas novas e boas para a dança», defendeu.

Reconhece existir muito por se fazer. «Não estamos na estaca zero, mas acho que se não se rever a forma de ensino das danças vamos ter muitos problemas. Há que preparar artistas, bailarinos, coreógrafos para mudar a imagem actual e isto só se conseguirá através de um ensino eficaz», disse.

Segundo a coreógrafa, o grande entrave à evolução e maior projecção da dança em Angola prende-se com o facto de se dar pouca atenção às danças tradicionais e populares, um facto que, no seu entender, faz com que se coloque de lado a cultura tradicional do país.

«Não podemos olhar simplesmente para as danças modernas, há que dar-se espaço e tempo ao tradicional, um elemento essencial para a afirmação dos angolanos, da identidade nacional. Temos potencialidades em todos os sentidos, nesta altura é apenas necessário que se dê maior atenção ao que temos dentro da nossa cultura», realça.

Sem formação não haverá pessoas para pensar e desta forma evoluir, fazendo e dando à dança a abrangência que ela precisa e que tem nos outros países, sustenta. «Já vão os tempos em que as pessoas que fizeram história na dança em Angola se preocupavam com a formação artística, procurando maior evolução, não só individual como também colectiva, fazendo com que a dança tivesse maior visibilidade no país e no estrangeiro», apontou.

«É muito importante o aspecto formativo, porque sem formação não temos profissionais, não temos pessoas para pensar e reflectir sobre os problemas da dança. É necessário que se aprenda outros itens para que se possa praticá-la sem problemas».

Considera que muitos grupos desapareceram ou estão em vias de desaparecer pelo facto de os seus responsáveis e integrantes não terem dado grande importância à vertente formativa. Angola possui uma Escola Nacional de Dança, instituição adstrita ao Instituto Nacional de Formação Artística do Ministério da Cultura.

Fonte: JA

Sexta-feira, Abril 25, 2008

PORTUGAL....NO SEU MELHOR

Ontem na SICNotícias, António José Teixeira dizia o seguinte, a propósito da novela PSD: "O PSD, corre o risco de ser um partido muito dividido nos próximos tempos"!
Ele que me desculpe mas não posso estar mais em desacordo. Apenas porque, já está dividido há muito tempo. Neste momento está em desagregação acelerada. Dificilmente um partido qualquer que ele seja resiste a Barroso, Santana, M. Mendes e L. F. Menezes.
O primeiro fugiu e está num sítio em que o controlam devidamente. O segundo foi o que se viu. O terceiro deve estar a ter imerecidas férias praticando bodyboard o seu desporto favorito. O último assim como veio foi.
Agora perfilam-se vários candidatos e um morto-vivo. E, já há muita gente a tomar posições para derreter o que falta.
É no mínimo falta de decoro, para com o povo português que não merecia isto. A cereja em cima do bolo é este regresso de S. Lopes. O homem de facto não se enxerga.
A verdade é que continuamos sem uma oposição capaz. Assim não há democracia que resista.
Termino dizendo que eu não sou do PSD, nem de lá perto.

Sábado, Abril 19, 2008

Pinturas rupestres da Tchitandalucúa - Benguela


Desde do alvores do chamado Paleolítico Superior na Europa ou a Later Stone Age na África Austral que o homem deixa marcas da sua passagem. Da passagem cultural, melhor dizendo, das suas construções ideológicas, da sua concepção do mundo que o rodeia, ou simplesmente das suas expetactivas económicas.
Em 73 numa das nossas deslocações aos locais de interesse arqueológico, chegou-nos a informação, na JAAE de Benguela, que um senhor, o Sr. Rosa, conhecia um lugar onde havia umas pinturas estranhas perto da Chimalavera ( reserva natural).

O nosso professor, arregalou os seus olhos e, o prestável senhor logo se prontificou a levar-nos ao local. Lá fomos.
Percorremos a corta-mato uma dúzia de Kms por terras secas cheias de bissapas - unha de gato, chegamos ao lugar chamado de tchitandalucúa, onde não se via viva alma. Sem possibilidades de prosseguir com o Land-rover apeamo-nos. Logo debaixo dos nossos pés reparamos que o chão estava pejado de lascas de sílex, de quatrtzo que identificamos ter sido obra humana.
Uma série de pontas de seta, lâminas, raspadores clássicos, enfim uma panóplia nunca vista. Tínhamos descoberto talvez a maior jazida ao ar livre que tive oportunidade ( e o nosso professor) de conhecer, de material trabalhado segundo a técnica de Levalois. Saltámos todos de júbilo.
Como se fazia tarde, o Sr. Rosa logo nos apressou, dizendo que ainda tínhamos que percorrer, a pé, pela mulola, umas centenas de metros para chegar às pinturas.
O rio seco tinha cavado num sedimento cinzento, uma espécie de kenyon com uma dezena de metros de profundidade e com meia dúzia de metros de largura. Finalmente, já com necessidade de beber umas litradas de água, deparámo-nos com uma espécie de gruta cavada pela erosão da mulola, com duas entradas, perfuradas na rocha sedimentar (siltstone) com uma câmara não mais de 4X3 e com dois de altura máxima.
Ao fundo e quase no tecto, tinha então sido pintado três conjuntos de pinturas a branco. Uma com dois pares de linhas circulares concêntricas com linhas transversais orientadas para o centro da figura; outra com apenas um par e com uma linha cruzada ao centro e finalmente um outro conjunto com figuração antropomórfica e zoomorfa associadas, que parecia claramente tratar-se de um cavaleiro.
Apesar dos círculos concêntricos serem comuns na arte rupestre de todo o mundo, parecendo estar relacionada com a visão do cosmos, já a do "cavaleiro", em Angola é inédita.
De imediato pensamos que se tratava da representação de um europeu ( é claro sempre a visão europeista). Mas depois passado uns anos, pensei que bem que poderia ser de um bantu montando um "boi cavalo", que é usado por exemplo, entre os Kwanyamas ou pelos Mdombes.
Pelo estado da tinta branca é bem possível ter sido pintada há umas centenas de anos ( esperamos que os nossos arqueólogos de Benguela já tenham feito análises à tinta e tenham já datações) mas seguramente depois do século XIII, altura em que terão chegado os bantu ao local, a fazer fé que se trata de um homem e um animal. ( ou serão dois homens um deitado sendo massacrado por outro?)
Quanto aos autores, será ainda mais difícil. Terão sido os artesãos das peças líticas? se assim for, terão sido provavelmente os antepassados dos Vassekeles ou dos Cuíssis. Os mdombes? embora eu não tivesse visto nada neles semelhante, no seu artesantato, que lembre os círculos concêntricos.
Infelizmente, não pudemos continuar as pesquisas.
Mas trata-se das únicas pinturas rupestres localizadas mais a ocidente em toda Angola ( até agora, que saibamos). Para comemorar e tirar o pó das gargantas, fomos todos jantar ao Salvado da Baía Farta, e o menu foi invariavelmente caranguejos e muita cerveja.
As fotos foram tiradas pelo Professor Vitor de O. Jorge na única visita que efectuamos e estão publicadas no jornal " Província de Angola" de 1974 ( não tenho mês e dia apontados) incluídas num artigo de que fui co-autor.




Sexta-feira, Abril 18, 2008

CHEGA!

Para mim chega!
Tirei férias sabáticas do meu país e do meu clube.
O Benfica perdeu com os lagartos. Bateu no fundo.
E eu não acredito em coincidências. Só vejo à minha volta Luises Filipes. Se são Vieira ou Meneses pouco importa.
Estou de férias.
Um abraço

GED

Segunda-feira, Abril 14, 2008

A IDADE DO FERRO NA TERRA DO GED

Dedico este texto ao meu colega de Liceu e de Faculdade: Luis Pais Pinto um gandense, já falecido, meu amigo e camarada, fundador do Museu Nacional de Arqueologia de Benguela. Tentou em vão fazer com que regressássemos, para prosseguirmos os estudos arqueológicos.



Apeteceu-me deambular pela História dos povos da região do planalto da Ganda. Ali, entre as serranias do Epale, Hondio a leste o vale do Catumbela junto às comunas de Alto Catumbela e Babaera a Norte, a serra da Chimboa a Oeste e a bacia hidrográfica do Cubal da Hanha a Sul, a população espraia-se em pequenos quimbos. Enquadram-se no grupo dos Ovimbundo, e designam-se por M'Gandas. Como noutros Bantu, as comunidades distinguem-se umas das outras por se agruparem políticamente a uma linhagem, quer dizer, dizem-se pertencentes a um descendente de um soba, ou seja, pertencem a um mesmo soba como na antiga Europa.
As bibliotecas vivas ( os sekulos ) não sabem quantas gerações passaram desde que ali se instalaram ( os estudos mais refinados sobre a tradição oral, permitem chegar a cerca de 400 anos atrás ) pelo que a investigação sobre história local tenha que se rodear de uma série de técnicas para descodificar os sinais do tempo dados pela oralidade, posto que ele, o tempo, não tem o mesmo significado e duração, como entre nós. Por exemplo. quando falam "Ame onekulo sekulo Cahanla" ( eu sou neto do avô Cahanla ) não sabemos se o sujeito referido na frase é o seu avô, ou bisavô, tetravô, ou por aí fora... O tal Caála ou Cahanla pode ter morrido num período de tempo: 100, 200 ou 20 anos. Porém... todos eles dizem que o tal soba veio de outro sítio, sejam eles M'Gandas ou Bailundos ou Seles e se fixou com a sua gente ali.
Esta "amostra" de problemas metodológicos alongar-se-ia, o que não é o objectivo deste post.
Apenas quis dar uma ideia do que se nos depara quando pretendemos pesquisar qualquer facto, sem o recurso à arqueologia.


Localização das estações de Quitavava e Pumbala na carta militar


Regressando à origem da população nesta região, ( vejam na carta os lugares). O que os livros diziam ( há 30 e mais anos que não se publica nada de etnologia e arqueologia sobre esta região, penso eu, como dizem os angolanos "através" da guerra) os M'Gandas chegaram por altura do séc. XVII à região e que esta era ocupada pelos M'Dombes e pelos Vassekeles ( ou Mukankalas ).
Aqueles pressionados pelas invasões dos Jagas, segundo uns, pelos Portugueses comandados pelo governador Bento Banha Cardoso e os seus capitães do mato no início do séc. XVII (1611), fizeram deslocar os povos que habitavam o planalto da Quibala, da Cela para Sul, vindo a atravessar o rio Catumbela e instalando-se nas duas margens. Um grupo deslocou-se mais para o planalto abrigado da Ganda ( na minha opinião esta tese da pressão portuguesa, não parece ter muita ou nenhuma consistência porque não descobrimos nenhuma evidência cultural disso).
Os historiadores Childs, e Hauenstein por outro lado, evidenciam que dentro dos Ovimbundo, os M'Gandas e os Hanha chegaram ao Alto Catumbela, Babaera e por aí fora, no início do séc. XVII, vindos de nordeste, fixando-se os Hanha a sudoeste da Ganda ( Cubal da Hanha ) e os M'Ganda no local onde os conhecemos, embora nada nos digam se vieram do Leste ou do Norte.
Bem... não sabemos sem outros estudos, precisar a origem ( nem os próprios M'gandas sabem ) sem a arqueologia. Até lá é só: "diz-se que...". Ainda dentro deste estado de coisas, o pouco que a arqueologia nos pode dizer é o seguinte:




Foto: Serra do Hondio - Equipa de prospecção da UL - 1973. Foto Ana Sá Pinto


A região foi palco de grandes "macas" entre os clãs Ovimbundo (Huambos, Negolas de Caconda, Hanha, Balombos...) e entre estes e os Ganguelas, Jagas (os célebres Jagas de Caconda a Velha conhecidos dos portugueses) Nyanecas de Quilengues e da Huíla.
Porquê?... Essas guerras são provadas pela fortíssima necessidade de fortificar as povoações, ao ponto de permanecerem em zonas quase inacessíveis como a serra do Hondio (que eu tive, com os meus colegas, a oportunidade de visitar e verificar a complexidade das construções) e as cidadelas fortificadas da Quitavava (Pedreira) descoberta pelo Padre Rocha e a Pumbala (Pedra do Elefante). Essas construções e os objectos neles encontrados, provam um grau de tecnologia avançado idênticas às grandes construções da Zambia e Zimbabue.



Foto: A Quitavava ou Pedreira. Foto em www.cpires.com/alto_catumbela.html

A aldeia foi construída no plateau da montanha granítica e toda a sua extensão. (sem querer estar a dizer que os M'Gandas ou os seus antecessores tivessem vindo dali) e de uma forte organização social (não se governa mais de 1500 ou mais pessoas da Quitavava, se assegura a sua defesa e abastecimentos, sem uma elevada capacidade de administração).







Nas fotos: Escavações da cabana 1 e 2 da Quitavava. Equipa da UL. Julho de 1973. Foto de V.O. Jorge



Foto de artefactos. Ponta de seta em ferro e bordo cerâmico da Quitavava. fotos em www.cpires.com/alto_catumbela.html

A Quitavava e Pumbala, convêm esclarecer, são dois "inselberg" de granito (elevações que sobressaem do planalto como se fosse uma mama) com cerca de 100 metros no primeiro caso e no segundo uns 300 metros em relação ao solo, situados de cada lado do rio Catumbela. No topo foram construídas cerca de 500 cubatas em média no primeiro caso e nos locais de mais fácil acesso foram construídos alguns panos de muralha com pedra vã aparelhada que serviam de sustentação das terras e teriam provávelmente uma paliçada. No primeiro dos montes foi feito um trabalho de escavação de duas cabanas e foi feito o levantamento preliminar de outras, em toda a sua extensão. No segundo apenas uma prospecção com recolha de artefactos para contextualizar o estudo que a equipa a que pertencemos da Universidade de Luanda (Cursos de Letras do Lubango) realizou em Julho de 1973. Nela foram registados uma centena de alicerces de cubatas feitas em pedra, seguindo a mesma técnica do que na Quitavava.



Foto: Abrigo com pinturas rupestres da Serra do Hondio. Julho de 1973. Foto de Dr. V.O. Jorge

A serra do Hondio, quanto a mim o local de maior interesse arqueológico, pelo facto de possuír um abrigo granítico de grandes dimensões com pinturas rupestres semelhantes em importância às de Caninghiri, é igualmente um povoado fortificado absolutamente inédito, à espera de estudos de enormes proporções pela sua extensão.No Hondio, indicado pelo gandense Sr. Joaquim Ferreira Júnior que bem conhecia estes locais, os habitantes souberam construír vários níveis de muralha seguindo as cotas do terreno, formando socalcos suportados por pedra aparelhada. Foram também descobertas grandes quantidades de escória de ferro, resultante de fundição local.



Pumbala. Foto 1: vista do Inselberg Pumbala ("pedra do elefante"), à esquerda, com a serra da Chimboa ao fundo. Foto em www.cpires.com/alto_catumbela.html



Foto 2: Prospecção da UL em Julho de 1973. Vê-se em segundo plano os restos da muralha no rebordo do plateaux. Para terem uma ideia da altura, reparem na árvore em último plano no meio de um arimbo. Trata-se de um mutiate com cerca de 15 metros de altura. Foto de V.O. Jorge

Outra estação importante foi o abrigo 1 da Ganda (distante uns seis Kms, mas com uma diferença de cotas de cerca de 300 m) e foi o único local que mereceu três campanhas de escavações, (não completadas desde 1971 a 1973) e que revelou, entre outras coisas vários artefactos da Idade do Ferro, um forno (cremos que completo) de siderurgia de grandes proporções e que deve ter estado activo umas dezenas de anos, a avaliar pela quantidade de escórias.





Foto: Março de 1973. Abrigo 1 da Ganda. Escavações realizadas pela equipa coordenada pelo Dr. Vitor Oliveira Jorge, nosso Professor de Pré-História. No sentido longitudinal, vê-se a vala de sondagem realizada pelo Boaventura Santos, nosso colega, sob a direcção do Dr. Vitor Gonçalves, um ano antes. No sentido transversal a vala sondagem realizada por nós. Foto de V.O. Jorge

Este abrigo natural é um recôvado num soco granítico com uns 12 metros de boca e uns 3 de altura (em relação aos sedimentos actuais). Serviu de oficina de fundição e o nível onde se situava a calha por onde escoava o ferro derretido, ficava a cerca de um metro abaixo do nível actual. Este facto sem que haja datação pelo C14, permite arriscar que foi construído há mais de duzentos anos e seria contemporâneo, pela semelhança na cerâmica e noutros artefactos, das outras estações citadas.



Na foto: Início da desmontagem dos sectores W da vala Q1, Q2 e Q3. Foi no Q2, onde tebho o pé que se encontrou a 1m, a calha de vasamento do forno de fundição. No quadrado em primeiro plano, também a 1m foi encontrado um esqueleto (pés e pernas) humano. Vêm-se para além de mim a Ana e de costas a Olívia. Foto de V.O. Jorge

Voltando à problemática da História da terra. No local (1973 a 1975) não houve uma só pessoa da população dos mais velhos, que nos dissesse, que alguém lhes tinha contado, que havia aldeias no Hondio ou em cima das pedras da Babaera e Alto Catumbela. Isso parece indicar (até que possamos datar os vestígios que saíram das escavações, através da análise dos isótopos de carbono e termoluminescência) que, pelo menos as fortificações foram abandonadas há mais de cento e cinquenta anos.



Foto: Um algaraviz em barro refractário. Trata-se de uma peça que encaixa no forno e serve de ligação entre o fole e a câmara de fundição. Foto de V.O. Jorge


Os três locais onde se encontraram aldeias montadas em Inselbergs ou serras do vale da Ganda ou do planalto do Alto-Catumbela- Babaera já citados, situam-se numa rota usada pelas caravanas que faziam circular mercadorias do interior do Bié para Benguela e Catumbela, conhecida e explorada desde os primórdios do séc. XVII. Primeiro pelas caravanas de escravos, depois pelas caravanas de cera, do marfim e finalmente de borracha.



Planta do Abrigo 1 com a localização das valas de sondagem em Susana Jorge

Esse facto pode estar na origem dos ataques de exércitos de sobados do interior do Huambo, na tentativa de controlar o tráfego e em consequência da necessidade de defesa dos M'Gandas, daqueles, ou das incursões dos bandos armados pelos funantes, ou mesmo dos portugueses de Benguela (S. Filipe para não confundir com Porto Amboím). A verdade é que o facto de descobrirmos no alto da Pumbala (Pedra do Elefante) na Quitavava, no Hondio (menos) e no Abrigo1 da Ganda, quantidades substanciais de escória de ferro, algaravizes (tubos de argila refractária) e de fornos de fundição de ferro (neste caso no abrigo 1 da Ganda), que demonstram a grande capacidade logística de guerra dos povos aí instalados. Subir uns trezentos metros de altura por pedra lisa quase na vertical, carregando minério, água e alimentos para alimentar umas dezenas de famílias (no caso da Quitavava e Pumbala) só era possível com uma excelente capacidade de organização.
A ocupação do planalto pelos portugueses, só foi possível na segunda metade do séc. XX quando a população passou a considerar vantajoso os negócios ou o emprego na construção do Caminho de Ferro de Benguela e na plantação de eucaliptos para alimentar as locomotivas, já na década de vinte.

Conclusão: Os M'Gandas tal qual os conhecemos, das duas uma: ou são efectivamente anteriores à fundação de Benguela e permaneceram no local até à sua ocidentalização e "pacificação" no início do sec. XX, ou vieram depois de outro povo lá ter estado, que falta averiguar, (seriam os M'Dombes) que entretanto teve que migrar dali. Uma coisa parece ter aceitação de todos: os Hanha pelo seu modo de vida (com mais gado e vivendo mais à volta dele) são os mais antigos na bacia do Bonga, do Cubal da Hanha, mas não devem estar relacionados com as construções amuralhadas. Os M'Ganda vieram depois e devem tê-los submetido, implantando a sua cultura tradicional, mais ligada à agricultura de massambala e menos ao gado e salvo prova em contrário, seriam os habitantes de tais fortificações.
A finalizar: Muito há a fazer para estudar a região e neste caso, só com uma equipa envolvendo várias disciplinas desde a arqueologia até à linguística, como dizia o nosso professor Vitor Jorge há 34 anos atrás. Até lá...só bocas.

Bibliografia: Jorge, Vitor O. "Estudos Arqueológicos na Região da Ganda, Museu de Arqueologia dos Cursos de Letras da UL. Sá da Bandeira (Lubango) 1974.

Jorge, Susana O. "Vasos Cerâmicos do Abrigo 1 da Ganda. Guimarâes, 1976

www.cpires.com/alto_catumbela.html


Este texto foi publicado pelo meu amigo Sá Pinto. A necessidade de o formatar retirou-lhe o nome. É um texto extraordinário e ainda bem que decidiu partilhá-lo connosco.
Um abraço e mais uma vez obrigado.

Sábado, Abril 12, 2008

PARABÉNS

O autor deste espaço celebra hoje a sua chegada a este planeta fantástico (que ficou mais rico com a sua presença). Que o dia seja lindo com as cores e os sons africanos. Um abraço.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Amuralhados do Jau - Huíla


Os amuralhados do Jau rodeavam uma porção de uma cornija que dava para um vale com cerca de 1,5Km aproximadamente ( do lado direito da fotografia) escavado por uma ribeira. Foi construído com uma planta mais ou menos elíptica com cerca de 200m no eixo maior e uns 50m pelo eixo menor. Compõe-se de duas linhas de muralha assentes em duas cotas do terreno separadas por uns dez metros. A linha exterior tinha provavelmente dois metros de altura (visível do lado direito) e a do interior cerca de 3m. A comunicação entre uma e outra linha era feito por um espaço em que uma das "abas" se alonga em relação à outra, protegendo assim a entrada. ( visível na foto em primeiro plano) O muro era formado por lagetas de calcário dolomítico cortadas no próprio local. Eram colocadas com inclinação de cerca 30º para o interior da parede de forma a dar firmeza à construção. ( reparar na figura em primeiro plano)

O segundo pano de muralhas era "perfurado" por vigias ( algumas delas de perfil triangular) construídas distando cada uma três ou quatro metros, nuns casos noutras a mais ou menos um metro. ( na foto, abaixo do autor)

Este pormenor arquitectónico a poucos cm do chão, faz suspeitar que se destinava provavelmente à colocação de uma peça de artilharia de pequeno calibre, ou serviria para lançar setas com os arqueiros ajoelhados. Relativamente à cronologia, de acordo com


o que apuramos de um conjunto de inquirições aos sobas da região, teriam sido usadas nas guerras entre Nhanyecas e Kwanyamas durante o princípio do século XIX embora tudo leva a crer que teriam sido construídas bem antes.
O padre Carlos Esterman também as situa no século XIX, presumindo que tivessem sido também usadas nas campanhas de João de Almeida. Pelo facto de não ser evidente a construção de cabanas com base em pedra ou à maneira Muhuíla ( a arqueologia dar-nos-ía essa informação) leva a pensar que seria uma ocupação temporária, enquanto durasse a campanha militar. Infelizmente não foi possível fazer escavações para recolha de artefactos in sito e sobretudo, ossos ou carvões, que permitissem datação por carbono catorze ( foram, contudo, recolhido alguma cerâmica com colo fragmentos de cerâmica com colo decorado com caneluras, vulgares da cultura bantu). Sem tais documentos não é possível indicar se o período de utilização fora longo ou curto e quais os seus construtores/utilizadores. Os sobas não disseram, ou não quiseram dizer, se tinha sido gente Muhuíla ou Ganguela.
As escavações do local, bem como o do Ossi, eram um dos muitos projectos que a equipa de estudos arqueológicos dos Cursos de Letras da Universidade de Luanda tinha em carteira em 1974/75.


O autor, a Ana e o filho do Professor David Birminghan, junto à linha descendente da segunda fila de muralha.





Muhuíla casada ( a secção de cone ao pescoço, simboliza o dote em cabeças de gado ) provavelmente descendente dos construtores do amuralhado. (foto do museu da Huíla)

Segunda-feira, Abril 07, 2008

ACORDO ORTOGRÁFICO

Muito se tem falado deste acordo.
Muitos são violentamente contra e muitos são violentamente a favor.
Verdadeiramente, nem de um lado nem de outro os argumentos são suficientemente válidos para serem ouvidos.
Pessoalmente, sou contra tudo isto. Para quê um acordo?
O português nasceu em Portugal e como todas as linguas vivas, tem-se modificado ao longo dos séculos, sofrendo alterações de acordo com a nossa vontade.
O mesmo acontece com as outras formas de português, falado na pátria lusófona. Então porque não deixar o nosso e os outros "portugueses" evoluir livremente. Não se hão-de modificar tanto que não nos entendamos.
O argumento de que por exemplo em Angola, os miúdos lêm por livros brasileiros e de que a maior livraria de Luanda é brasileira não tem razão de ser. Estudei por livros espanhois, italianos, ingleses e ninguém, nem eu, pareceu preocupar-se com isso.
Além do mais, se há preocupação, tem a ver com a ineficácia dos sucessivos governos, na ajuda livreira a esses países e no esquecimento crónico de abrir boas livrarias portuguesas nos nossos países irmãos.
Aparentemente, parece que queremos salvar a lingua portuguesa da forma mais fácil. Encostando-nos ao Brasil!
E, ainda por cima a língua portuguesa não precisa de ser salva.

GED

Domingo, Abril 06, 2008

NOTÍCIAS DO MEU PAÍS

Sob o título " Contra o colonialismo de Lisboa", no Público de hoje, dizia-se o seguinte:
... Drumond, deputado regional e assumido membro do movimento separatista Flama que perpetrou dezenas de atentados bombistas no pós-25 de Abril, defendeu ontem que a Madeira deveria declarar unilateralmente a indepêndencia caso a proposta de revisão constitucional que o PSD-M vai apresentar em 2010 não tenha o sucesso pretendido.
"Se unilateralmente, abusivamente, autoritáriamente, os vermelhuscos nos disserem que não temos mais autonomia nessa revisão, Jardim ameaçou que "isto não fica assim" e "podemos ter aqui uma situação muito grave". Se tal acontecer, não somos nós que estamos a pôr em causa a coesão nacional. Os separatistas são essa gente de Lisboa, nomeadamente o PS e o PCP, que nos têm perseguido ao longo destes anos.

Ora aqui está, uma óptima oportunidade de fazer um referendo no Continente, para saber se estamos interessados no problema.
Por mim, "bora lá" dar a independência à Madeira.


GED

Quarta-feira, Março 12, 2008

CUNENE

Claro que estive no Cunene, com o meu (nosso) amigo Nani.
Uma verdadeira enciclopédia no que diz respeito ao conhecimento do terreno e suas plantas.
Uma agitação interior, que chega a ser comovente.
Apenas um desejo: estar nos matos, e um dia morrer aí.
Na solidão e na largura daquela zona, consegui compreender o que me tentou sempre dizer.
Como ele, alimentei-me dos silêncios absolutos, que aquelas matas encerram.
Há muito que não via céus tão cheios de estrelas. Sem qualquer poluição a interpor-se. Vi constelações há muito esquecidas.
Só não consegui ver os elefantes, embora tenha tentado.


GED

Domingo, Março 09, 2008

REGRESSO



Aos meus amigos, que me deram recados, apenas posso dizer que fiquem descansados. Entreguei-os pessoalmente.

Ao fim de alguns dias de lá estar alguém me perguntou: afinal, como achas o país?
Acho-o melhor. Não vou discutir as graves distorções sociais, a corrupção e todos os problemas inerentes. Também não vou fingir que ao fim de quinze dias sou um "expert". Conto apenas o que vi. Por onde andei, vi um país virado do avesso em obras de reconstrução. A rede viária está a caminho de ficar boa. O movimento de mercadorias é tremendo. Não vi pessoalmente, mas as fotos que me mostraram do Huambo em reconstrução, são increditáveis. Vão lá e vejam.
Não fui ao Cubal, pois não tive nem tempo nem oportunidade, mas estou como o meu amigo Manel, que me pediu várias coisas, mas que não trouxesse nada do Cubal, invocando que o Cubal estava todo no seu coração, sem qualquer falha.
Andei pelos matos, fui ao Lubango e ao Cunene profundo. Por picadas exactamente iguais às de antigamente. Aí estive com amigos e trataram-me como um princípe. O Cunene é de uma beleza inacreditável. O que me impressionou mais foi o silêncio. Total e absoluto. Nunca tinha experimentado nada assim. Andei na peugada dos elefantes, sem nunca lhes ter posto a vista em cima. A cereja em cima do bolo, foram as tremendas chuvadas só possíveis em África. Nuvens negras e muito gordas, despejando-se num ritmo alucinado.
Conheci novos amigos. Em Luanda pude finalmente dar corpo, voz e principalmente olhar a pensamentos que já conhecia.
Regresso, com data já marcada para voltar. Combinei com os meus amigos, regressar ao Cunene e passar uns dias num dos últimos paraísos da terra. Ali mesmo ao lado, no Botswana, num lugar mítico chamado delta do Okavango.

GED

Red Velvet Mite

Henrique,
Pelas saudades e boas recordações que nos trazem, permite-me ampliar o nosso amigo Red Velvet Mite.
Porque as suas origens são pouco conhecidas, aqui fica um complemento:
Velvet MitePhylum: Arthropoda / Subphyum: Chelicerata / Class: Arachnida / Subclass: Acari / Superorder: Acariformes / Order: Actinedida / Suborder: Parasitengona / Superfamily:Trombidioidea / Family: Trombidiidae (Velvet Mites)
.
A presença do Veludo vermelho é extremamente importante para o meio ambiente. São parte de uma comunidade de artrópodes do solo que é crítica em termos de taxas de decomposição em florestas e na manutenção da estrutura de todo o ecossistema. Alimentam-se de insectos, fungos e bactérias, estimulando a decomposição do processo.
.
Continuamos a aguardar, com expectativa, as tuas histórias da viagem à Terra Amada!
Abraço
Ruca

Quarta-feira, Março 05, 2008

REGRESSO


Regressei!
Amanhã darei conta de tudo.
No entretanto, há quanto tempo, não vêm um bichinho destes ?
Um abraço

GED

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

PARTIDA

Partidaaaaaaaaaaaaaa!
Tantas vezes ouvi este grito, nas noites em que o combóio mala estacionava por breves momentos na estação do Cubal.
Amanhã, vou-me para a minha terra.
Estou ansioso. Sei que vou estar feliz durante alguns dias.
A todos os amigos que ficam, apenas posso desejar que fiquem bem.
Todos os recados serão dados.
Todas as respostas serão trazidas, para mais um ano de ansiedade pelo regresso.
Um abraço e até daqui a três semanas.

GED

Sábado, Fevereiro 02, 2008

REABILITAR

Henrique, como está perto a partida desejo-te boa viagem e como vais visitar o interior da Nação leva-me estes versos:

REABILITAR


Rio grande de nome Jombo separando
O Bié de Malange que precisam de comunicar
Pois as «gentes» fartaram-se da guerra. Lembrando
Luquembo, Catembo e Quirima para amplificar
O que sai da terra, agora sem voz de comando,
Com suor e tremenda vontade para exemplificar
O querer indómito dum povo que lutou até à morte
Porque quis simplesmente mudar a sua sorte.

Ingredientes vorazes para se reabilitar:
Água abundante, solo (e subsolo) pujante,
Gente boa que já não quer ser militar
Para ultrapassar a vazia luta doidejante
Que colocou irmãos sem poderem anoitar.

Pontes e estradas rasgando o Rio Jombo
Carregando frutas de sabores divinais,
Transportando cantares no velho machimbombo,
Testemunho válido de gastos valores doutrinais,
Que embora esquecidos, já não são um biombo
Para a evolução alegre e sadia das tribais
Tradições que farão parte da reabilitação
Lenta, dura e segura do interior da Nação.

kambuta

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

A LUTA CONTINUA...

Hoje fui fazer a inspecção do meu carro.
O senhor que me atendeu, fez a vistoria e no fim com ar pesaroso disse-me:
- não posso considerar o seu veículo apto, porque os coletes não estão homologados.
Desculpe, disse eu. Comprei-os numa loja da especialidade e garantiram-me que estavam.
Respondeu-me: pois...

Nota: lá o convenci a dar o carro como apto, com a promessa de que iria dali comprar os novos coletes!

GED

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

EUROPA, QUERIDA EUROPA...

Fui à DGV renovar a carta de condução.
Deram-me uma guia para poder conduzir e, lá dizia que só era válida em território nacional.
Perguntei: território nacional considera espaço europeu sem fronteiras, um país de Lisboa até quase aos Urais?
Responderam-me: não. Nacional, mas nacional mesmo!!! Só cá dentro.
Ok, disse eu. Dentro de dias vou para o estrangeiro, mais concretamente Espanha. Podem passar-me uma guia para conduzir em terras estranhas?
Responderam-me: não. A única entidade que o pode fazer é o Automóvel Clube de Portugal!!!
Disse eu: como assim? Essa entidade é privada.
Responderam-me: pois...
Fui ao ACP. Lá disseram-me, que devia ter lá ido renovar a carta de condução porque só demorava três dias. Como assim? disse eu. Na DGV só me entregam a carta dentro de dois meses.
Resposta: pois...

GED

Domingo, Janeiro 20, 2008

INFORMAÇÃO

A Pwo pediu para divulgar e, quando um amigo pede...


Caros amigos,
Em anexo vão informações sobre um ciclo de cinema dedicado ao realizador Jorge António, a ter lugar no Centro Cultural Português, em Luanda, entre 21 e 25 de Janeiro, pelas 18.00 Horas.
A entrada é livre e a vossa presença será um prazer.
Quem tem blogs que se sinta livre para divulgar
(Ver aqui: http://www.ica-ip.pt/detalhe.aspx?newsid=145 )
Um abraço
A. C.

Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

CHUVA


Essa fotografia fez-me ir buscar um poema que há muito não lia.
Cacei-o em jeito de rima com a imagem.
Penso que fazia falta lá na terra, onde Janeiro não é muito de chover. Quando chovia era o alívio... com 35 graus, como de costume, as primeiras pingas deixavam-nos respirar e o nossos sentidos abriam-se aos cheiros balsâmicos da terra. Brotavam os veludos e os sapos iniciavam os seus cânticos que nos embalavam a noite.
É um poema bem velho de uma pessoa que deixou raízes em Benguela.

"Chove.
E a trovoada
É um batuque incessante,
uma estranha batucada.

Os raios são setas de fogo
que misteriosamente, em tom de guerra,
espíritos do mal lançam da altura
para incendiar a Terra.

O vento
Ora violento, ora brando,
o vento é o cazumbi dos cazumbis
-o Deus do mar, do rio e da floresta -
que vai cantando e dançando,
em tragicómica festa,
o seu coro de mil vozes,
os seus bailados febris.

As nuvens negras são virgens tontas,
quais almas do outro mundo,
errando como sonâmbulas
pelo céu negro e profundo...
é a chuva, constante e forte,
é o pranto (parece eterno)
dos deuses negros que a Morte
sacrificou no Inferno."

Geraldo Bessa Victor 1917

Um abraço Henrique. Espero que o poema cure.
Jorge Sá Pinto.

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

NUVENS


Hoje sinto-me assim. A saudade roendo-me a alma. Queria que fosse uma chuva tropical e que depoi o sol irrompesse glorioso. Mas não, é mesmo inverno, frio, cinzento


GED

RESPOSTA

Meu amigo.

O recado está dado. Vou cumpri-lo na integra, aliás já está meio cumprido.
Apaixonei-me há muito, sem remédio nem retorno.
Tenho gritado tanto quanto posso, para dizer que o futuro daquela terra já é, e que o que está para trás aí deve ficar.
Tudo o resto cumprirei fielmente.
Para além disso vou ao Kalaari.
Quero encher-me de silêncios, ver estrelas há muito esquecidas e estar com um homem que fala com os ventos.
Quanto a Benguela, a minha querida Benguela, também eu cresci lá. Já combinei.
Saio do aeroporto e vou directamente para a praia morena. Fazes lá ideia do que essa praia tem para me contar!
Sempre que ouço o Let's Twist Again, vejo a praia morena e muito mais que não te vou contar aqui.
As contas desse rosário, dir-te-ei um dia de viva voz e sem testemunhas.
Um grande abraço e a minha profunda emoção pelo enriquecimento que tu e todos os outros amigos trazem a este blog.

GED

LEVA-ME UM RECADO

Henrique, sei que em breve vais até à terra que me viu nascer. Então, se fizeres esse favor:


LEVA-ME UM RECADO


Estranhará o bútio-vespeiro se lhe pedir
O favor de comigo se identificar
Num recado que gostaria de transmitir
Pois anda retido no peito e a mistificar
Uma ausência há muito esquecida. Ouvir
O que tenho para dizer sem calcificar
É o primeiro passo que a pobre ave
Terá que suportar, apesar de não ser grave.

Então peço-te que quando arribares
Em Quibaxe digas à terra que me viu nascer
Que tens um prazer inofensivo se surribares
Aquele solo vermelho que o café faz renascer
Em ciclos biológicos renovantes e se estribares
Naquela frondosa vegetação, ao alvorecer,
Arranca uma colorida e cheirosa folha,
Põem-na no bico e dá-me, pois é a minha escolha.

No teu voo para Sul poisa no Cuito
(A antiga Silva Porto) com a graciosidade
Que este pedaço de terreno merece e se o periquito
Que era meu ainda lá estiver, sem facciosidade
Abraça-o por mim sem outro intuito
Que não o agradecer-lhe a companhia na ociosidade
Do quintal em que partilhámos mangueiras
E mamoeiros no meio da tantas goiabeiras.

Quando te virares para o mar da corrente
Fria que equilibra a força dos ventos e marés,
Escolhe a Benguela do meu crescimento em torrente
Que me ensinou a andar no meios dos larés
Evitando os simuladores que na extracorrente
Atraíam a miudagem para os enormes jacarés
Vestidos de homens audazes e sem escrúpulos,
Mas que felizmente não tinham discípulos.

Ao sobrevoares Luanda refreia o entusiasmo,
Mergulha devagar na baía azul e serena
Espreguiçando as asas e repete o diplasiasmo
Altruísta que açambarca aquela morena
Encostada ao coqueiro que é um pleonasmo
Da beleza tropical na antítese da gangrena.
Não demores porque ainda te vais apaixonar
E enfeitiçado nunca mais a queres abandonar.

E quando o teu regresso estiver eminente,
Grita-lhes bem alto um recado de confiança
No futuro, pois Povo que ultrapassou tão evidente
Martírio com tanta persistência e esperança
Não precisa de lembrar o passado impertinente.
Mistura-te no meio da multidão e qual criança
Estouvada, dança e pula no meio dos charcos
Que contêm a vida renascida em múltiplos arcos.

kambuta

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

TRATADO DE LISBOA

Os portugueses, ainda acreditam no Pai Natal!!!
Ainda acreditam que as promessas eleitorais são para cumprir.
Ainda acreditam que não têm que fazer nada, para que as coisas mudem.
Ainda acreditam que se votarem de quatro em quatro anos, estão em pleno regime democrático.
Muitos portugueses ainda acreditam, a maioria talvez.
O povo de Anadia, já não acredita assim tanto e, vamos ver o que vai acontecer.
O povo português ainda é muito crédulo, tão crédulo que o nosso Primeiro, se sente à vontade para vir dizer que não há referendo, porque o Tratado Europeu anterior e o actual Tratado de Lisboa são coisas completamente diferentes e, a promessa feita foi em relação ao Tratado anterior.
Além de ser muito crédulo, o povo português ainda por cima, leva com uma rodada de burro em cima.
Viva a democracia lusa.
GED

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

SÁ PINTO

Amigo

O que vou deixar aqui, em jeito de abertura, de agradecimento também, não é muito. É um soltar de dentro.

Tem a ver com o dia 4 de Janeiro. Há muitos anos foi o dia que fumei um charuto, um "cohibas" e bebi um trago de uma garrafa de champanhe da Ukrânia que me trouxe o meu amigo, vizinho e confidente, Shahen Mnassakanian. Era assim o costume, dizia ele, chorando como eu nunca vi. Junto com ele tinham vindo os meus colegas, meus amigos e companheiros de muitas viagens: José António e Orestes Pimienta.

Depois de termos passado juntos a passagem de ano daquele longínquo 82, vieram quando eram 8:00h naquele velho hospital de nome Simão Mendes. Tinha nascido mais um guineense, desta vez fruto de um internacionalista, como eu me intitulava, nascido no Lobito e uma portuguesa, ainda mais internacionalista, mais angolana do que da Figueira da Foz.

Era a segunda vez que eu experimentava aquela alegria incontida. Um rapaz ( como dizia o Orestes, de cojones negros!) deste vez, como convinha a quem já tinha uma rapariga, nascida na Ganda e registada no Lubango e batizada em Benguela.

Quis o destino a este jovem, a quem demos um nome guineense, não lhe ser favorável. Nem a nós que o perdemos. Também em Bissau, no Simão Mendes, a escassas dezenas de metros do local onde nascera, um ano e meio depois, tendo junto a nós os mesmos amigos, chorando desta vez de dor: Shahen, José António, Orestes mas desta vez juntava-se-lhes Alex, Dulce Borges minha amiga e chefe e o meu colega e vizinho Djawara.

Precisava escrever isto hoje. Amanhã não teria o mesmo significado. Aqui no sítio deste amigo do Cubal.

Um abraço Henrique. Desculpa ter abusado.


Caro Sá Pinto: não há qualquer abuso, esta é a tua casa. Obrigado pela partilha de coisas tão intimas.
Um abraço
GED

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

O MEU PAÍS

Um amigo meu, diz que o que faz mal não é o que se come entre o Natal e o Ano Novo. O que faz verdadeiramente mal é o que se come entre o Ano Novo e o Natal.
Vem isto a propósito das tão faladas, badaladas, mediatizadas operações de Natal e Ano Novo, para diminuir a mortalidade nas estradas.
No fim, com um ar jovial ou pesaroso vêm dizer-nos que morreu menos ou mais gente ( um ou dois), nas estradas durante este período. Os dados desde o início que estão inquinados, pois dos feridos graves ninguém mais ouvirá falar, mas não é disso que aqui se trata.
Vão ao nosso dinheiro, gastam milhões a preparar as ditas operações, dizem umas quantas coisas na televisão, durante meia dúzia de dias andam por aí e, o resto do ano é o que se vê.
Aquilo que deveria ser o trabalho normal, diário, disciplinador dos condutores em Portugal, torna-se motivo pontual para apresentar serviço.
É como se todo o povo português que trabalha, decidisse fazer os mínimos durante todo o ano e, nestas alturas vir mostrar mais um pouco de serviço.
A única coisa que eu ainda não entendo, tem a ver com o facto de ninguém protestar pelo actual estado de coisas. Há comissões de utentes para tudo, até para pagar menos portagens. Mas, ninguém se incomoda com este desaforo.
Não se preocupem, que para o ano há mais. E se este ano morreram dezasseis, verão que no próximo ano, ou são quinze ou são dezassete.

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

NATAL


"O Natal não anda perdido por aí".
Obrigado, amigo Kambuta por lembrares isso.
Para todos os meus amigos, para todos aqueles que têm a infinita paciência de passarem por aqui, desejo um bom Natal.
Não se esqueçam que vem aí um Ano novinho em folha para utilizarmos como nos aprouver.
Pela minha parte desejo que sejam felizes.

Um abraço
GED

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

A MINHA TERRA

Já fiz muitos poemas à minha terra. Neste blog, a esmagadora maioria dos poemas são originais, escritos pelos respectivos autores que têm a fidalguia de os publicar aqui. Por isso, o poema que vou partilhar com vocês, e que constitui uma excepção às regras que impus, não foi escrito por mim nem por nenhum de vós.
Apenas gostaria de o ter escrito. Foi-me enviado por um grande amigo e, tocou-me bem fundo.

Quando te disse
que era da terra selvagem
do vento azul
e das praias morenas...
do arco-iris das mil cores
do sol com fruta madura
e das madrugadas serenas...

das cubatas e musseques
das palmeiras com dendém
das picadas com poeira
da mandioca e fuba também...

das mangas e fruta pinha
do vermelho do café
dos maboques e tamarindos
dos cocos, do ai u'é...

das praças no chão estendidas
com missangas de mil cores
os panos do Congo e os kimonos
os aromas, os odores...

dos chinelos no chão quente
do andar descontraido
da cerveja ao fim de tarde
com o sol adormecido...

dos merenges e do batuque
dos muquixes e dos mupungos
ds imbondeiros e das gajajas
da macanha e dos maiungos.

da cana doce e do mamão
da papaia e do cajú...

tu sorriste e sussurraste
'Sou da mesma terra que tu!'

Ana Paula Lavado
in ' Um beijo sem nome' do livro 'Vozes ao Vento'

Sábado, Dezembro 15, 2007

Homenagem ao Mestre Oscar Niemeyer

Caro Henrique,
Honrando o convite, gostaria de homenagear o grande Mestre da Arquitectura mundial, que faz hoje 100 anos . Para o efeito, relembro este poema e desenho do próprio, que demonstra bem a sua admirável personalidade.
























Poema da Curva
Não é o ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e
sensual. A curva que encontro nas
montanhas do meu país, no curso sinuoso
dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo
da mulher amada.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.

Oscar Niemeyer (Fevereiro de 1988)

Já vos tinha dito antes. A generation next, mostra as suas garras e logo com um peso pesado, Oscar Niemeyer. Nem sabem como isso nos faz felizes. A mensagem foi bem passada e, agora já podemos ficar sossegados.
Ruca, um grande abraço e obrigado.
GED

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

EQUÍVOCOS

Henrique, aproveitando o desejar, a ti e aos que visitam este blog, um Santo Natal, aqui deixo escrito alguns:

EQUÍVOCOS DE NATAL


Celebrar com alegria e vontade
O nascimento do filho de Deus
Não está ao alcance dos camafeus
Que zunem este canto de crueldade.

Os que ignoram o conhecimento
De tais Divindades sentem bem
A dificuldade, sem ressentimento,
Em participar nesta festa do Além.

Para quem está preso e confinado
Ao castigo, merecido ou não, o Natal
Não é certamente por ele apreciado
E louvado da mesma maneira afinal.

Os que, por razões várias, não têm
Nem querem abrigo, o presépio
Que admiram é o que os mantém
A lutar para nada terem e sem pio.

Aqueles que não pediram, mas cuja
Saúde se vem aos poucos deteriorando,
A festa é de certeza muito mais sabuja
E incompleta dos que se vão alegrando.

Para a catraiada que nunca teve
Um presente, passado ou futuro
E que a existência é um alto muro
Íngreme no ódio que se manteve.

Para os que fabricaram estereótipos,
Esta Quadra tem um sabor especial
E contrariando o espírito de Natal
Só vêm lucros opulentos e atípicos.

Para os que usam a eterna esperança
Como bandeira ineficaz e invisível,
É uma catarse de tremenda confiança
Defendendo erradamente o previsível.

É mais fácil partilhar o vácuo
Esvaziado do que uma mesa farta
Mantendo o falseado «Status Quo»,
Trocando carinhos através duma carta.

Unem-se famílias na hipocrisia
Do ano inteiro, esbanjando gestos
Que mancham a estupenda alegria
Que vai morrendo, ficando de rastos.

Para os que se esqueceram de lutar
Colectivamente é acto individual
De aborrecimento bem descomunal
Tendo algo, para em comum, festejar.

Ah Natal, meu recordado Natal,
Os que te inventaram não mediram
As consequências e não exigiram
Que te mantivesses sempre divinal.

Tu, que deixaste de ouvir as preces
Do Senhor e os canticos sem sentido,
Tem calma, sossega e não te apresses
Pois o Natal não anda por aí perdido.

kambuta

um abraço

Kambuta: estás em tua casa. Só fico mais rico, ficamos todos, com a tua participação.
Um abraço
GED

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

REFERENDO - SIM, NÃO, TALVEZ, NUNCA!!!

Hoje ouvi declarações de um lente, Professor Doutor, luminária, vate da nossa sociedade, sobre o famoso referendo.
Dizia o senhor que referendo nunca, pois as matérias do novo Tratado de Lisboa eram tão complexas que não eram acessíveis a gente culta, quanto mais ao povo.
Este argumento exibido à exaustão, é do mais reaccionário que tenho ouvido e colocam-se de imediato várias questões que com toda a certeza continuarão sem resposta.

Afinal o referendo fazia ou não fazia parte do pacote eleitoral do partido no Governo?
Claro que fazia, mas só durante o período eleitoral, aliás, como muitas outras coisas.

Afinal, vamos ser governados por leis tão complexas que só uma “elite” as entende?
Parece-me demasiado perigoso, envolver-me por decisão destas luminárias, em algo que não conheço e, que certamente vai influenciar todo o meu modo de vida.

Quando um médico tem que fazer uma intervenção complexa num doente, não está obrigado por lei a explicar-lhe o mais claramente possível tudo o que vai fazer e tudo o que dessa intervenção pode advir?
E um pedreiro que me faça obras em casa? Não tem que me explicar direitinho o que vai fazer e quanto custa para eu poder decidir?
Por que motivo estes “gringos” podem actuar livremente em nome de todos nós?
Por que motivo, não dispendem algum do seu precioso tempo a explicar-nos o Tratado de Lisboa, como se todos fossemos loiros e burros?

Pois é. Estamos entregues a um destino que só parece estar nas nossas mãos, quando esta quantidade de gente nos vem pedir votos. E, não se iludam, isto passa-se com qualquer partido.

A minha questão final é: até quando vamos aguentar isto?
GED

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

CIMEIRA EUROPA - ÁFRICA

Delegações de oitenta países e representantes das Comissões da União Africana (UA) e da União Europeia (UE) reuniram-se hoje no Egipto, onde aprovaram um comunicado final e ouviram a Declaração de Lisboa, que será apresentada na Cimeira UE/África.O encontro que se realizou em Charm el-Cheikh, no Egipto, foi a última reunião ministerial antes da Cimeira de Lisboa, tendo os trabalhos sido abertos pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e pelo seu homólogo de Egipto, Ahmed Abdul Geid Luí Michel, bem como pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana e pelo comissário da União Africana pelos Assuntos Económicos, Maxwell Mkwezalamba.

..."A Cimeira UE/África, que reúne a União Europeia e a União Africana, oferece-nos uma oportunidade única para, em conjunto, enfrentar os desafios actuais dos nossos continentes, no ano em que celebramos o 50º aniversário da integração europeia e o 50º aniversário do início da independência de África", ...

..."Unimo-nos no reconhecimento das lições e experiências do passado mas também na certeza de que o nosso futuro comum requer uma abordagem audaciosa que nos permita enfrentar com confiança as exigências do mundo global"...

..."ultrapassando a tradicional relação de doador-recebedor, empreendendo uma estratégia de parceria política, construída na base de valores, preocupações e desafios comuns"...

..."Neste contexto, os ministros e chefes da delegação realçaram a relação histórica entre os dois continentes e a necessidade de continuar a desenvolver e reforçar a parceria entre a África e a UE, baseada nos princípios do diálogo construtivo e respeito mútuo", ...
A minha mãe tinha um comentário para este tipo de discurso, quando nós os filhos tentavamos arranjar alguma desculpa evasiva quando as coisas não corriam bem: "isso é conversa para boi dormir. Conta a verdade."
Hoje, reconheço-lhe toda a razão do mundo. Como diria Jô Soares: " eu não sou palhaço, mas estão me fazendo". Até quando?
GED

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

CONVIDADO DA SEMANA

A Sofia brinda-nos com mais um dos seus quadros. Este feito para uma publicação de um livro em Espanha. Só resta agradecer-lhe.

GED

CIMEIRA EUROPA- ÁFRICA

Vai acontecer dentro em breve. Com Mugabe, óbviamente, o que como princípio não é saudável.
A globalização tem destas coisas. Entendimentos com base estritamente económica, pondo o humanismo de lado. Aliás, falar em humanismo hoje em dia, faz de nós gente obsoleta, retrograda, parada no tempo. Felizmente, tenho a certeza de que com o tempo, a humanidade voltará aos carris. Vai é demorar muito tempo e entretanto gerar problemas sociais tremendos e agudizar os já existentes.
Esta cimeira, começa mal, vai correr mal e terminar pior.
Na agenda préviamente anunciada, não há espaço aparentemente para uma única palavra sobre o drama do Darfur. Provávelmente porque aquela região do globo não tem nada de interessante do ponto de vista económico.
Convida-se Marrocos que não pertence à Organização de Estados Africanos, mas não se convida a República Árabe Sarauhi, que por acaso pertence. Escuso de invocar as possíveis razões para isso.
Vamos ter cá o actual dono do Zimbabwe, mas aposto que ninguém comentará o que se passa naquele país.
Quando se fala em economia, petróleo, recursos naturais, etc, que se lixe o humanismo.
Vai correr mal, ainda que no fim digam que foi um sucesso.
Fiquem bem.

GED

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

LOCALIZAÇÃO

Frequentemente, de tanto me ouvir falar, há amigos que me perguntam onde é o Cubal.
Pacientemente, coloco as coisas no seu devido lugar.
Respondo que é um local situado a 12 graus de latitude sul e 12 graus de longitude oeste. E. pronto.
Mas, na verdade não é bem assim.
O Cubal, verdadeiramente situa-se dentro de mim, dentro de todos nós, novos e velhos, homens e mulheres e miúdos, brancos, negros e mulatos, que vivem actualmente ou que já viveram lá e, que tiveram a sorte de beber daquelas águas.
Suave veneno, que marca a fogo as almas de todos nós. Outros poderão dizer o mesmo das suas terras, mas verdadeiramente Cubal só há este. Real, virtual, mas vivendo para sempre em cada um de nós, fazendo-se presente em todas as horas das nossas vidas.
E, garantidamente não vai haver quem me desminta.
Um abraço
GED

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

SINAIS DO TEMPO

Como qualquer português, de vez em quando sou dado a coisas estranhas.
Como estamos perto do fim do ano e, aproxima-se um ano novinho em folha para podermos estragar à vontade, resolvi mentalmente rever o que aconteceu nos últimos tempos. Pasmei!
Não aconteceu nada.
Do julgamento da Casa Pia, nunca mais ouvi falar.
Do apito dourado, sabe-se lá o que aconteceu.
Fátima Felgueiras? Já ouvi este nome em qualquer lado.
Mentalmente também, ocorreu-me espontâneamente uma frase do Jô Soares, de quem não sou particular apreciador: "eu não sou palhaço, mas estão-me fazendo"!
Tenham um bom ano. Estraguem-no à vontade.

GED

DESAFIO SOBRE A ÉTICA

Mais um amigo, neste caso amiga, que me/nos brinda com o que escreve. Fico devedor.
Um abraço
GED

Um convite não se recusa, e principalmente quando vem de alguém que aprendemos a respeitar.
Obrigada Henrique.

Fiquei uns dias a pensar sobre o que escrever e dei comigo a revolver velhos escritos.
Assim, resolvi repescar um texto que há muito havia escrito e transpô-lo para "este tempo" em que, como administradora de um fórum, procuro pôr em prática o meu pensamento sobre o que entendo dever ser um comportamento ético e as regras de convivência nesse e noutro tipo de espaços na net.

Para isso, me socorri das palavras de meu amigo Frei Betto, num belíssimo texto com o título em epígrafe.

"... foi Maquiavel quem sugeriu aos poderosos o princípio de que 'o fim justifica os meios'. Em seu famoso livro, O Príncipe, ele aconselha: "... e nas ações de todos os homens, e máxime dos príncipes, quando não há indicação à qual apelar, se olha o fim. Faça, pois, o príncipe por vencer e defender o Estado: os meios serão sempre considerados honrosos e por todos louvados..." (Frei Betto)

Percebo que para muitos um fórum é um espaço de encontro, de diversão, para outros, ainda, um espaço em que não deveria haver lugar para divergência de opiniões... como se todos devessem ser bitolados para pensar do mesmo modo, de forma a que não ocorressem discussões. A minha opinião é que um fórum deve ser um espaço plural... isto é, o espaço do "matar saudades", do encontro, da diversão, mas também de debate, de cultura, sempre com respeito pelas opiniões contrárias. No entanto, pensar e debater, com respeito e tolerância, talvez não seja o corolário que se segue na maioria dos casos.
Por outro lado, sabemos que "cada um é como cada qual" e, por isso, difícil é gerar consensos entre todos. Mesmo assim, a sã convivência, na divergência, é possível se nos esforçarmos.

"... Quando se lança mão de irregularidades, de difamações, de trambiques, de fato se está perpetuando a velha sociedade opressora em nome de ideais libertários..." (idem)

"... A vida social exige autolimitação de nossos impulsos, controle de nosso instinto, seleção de nossos valores e opções que sempre implicam renúncias. Não se pode escolher isto sem renunciar àquilo. Em suma, aos poucos, se forja em nós o comportamento ético." (idem)

A ninguém deve passar despercebido quão frequentemente nos depararmos com esta falta de sentido de "autolimitação dos nossos impulsos"! Alguns espaços na net são exemplos paradigmáticos em relação a esta afirmação.

Um fórum de discussão, apesar de ser um espaço virtual, é o espelho do nosso comportamento diário. E, provavelmente, não há quem, nas situações do dia a dia, não controle os seus instintos. As pessoas não agem por instinto e têm liberdade de escolha... No caso vertente, a escolha entre o responder e não responder... a escolha de ler ou não as intervenções de membros que, à partida, podem não ser do seu agrado... a escolha de se mostrar ou não tolerante...

Congratulo-me que no fórum que administro este "ideal" de participação venha sendo praticado. E porque é sempre dia de esperança, transcrevo o que um amigo, nessa altura, deixou:

"Canta, canta e canta!
Mata a mudez do conformado
Canta a plena alma a rebeldia
desassossega o menino sossegado
e diz-lhe que da noite se faz dia."

Maló de Abreu

Terça-feira, Novembro 27, 2007

INVERNO

Hoje estava um frio de morte.
Vesti-me a preceito, camisa, camisola, casacão, calças grossas e sapatos a condizer.
Fiquei extremamente desconfortável.
Pus os meus óculos de sol, que uso todo o ano, retendo a sensação de que o inverno ainda não tinha totalmente chegado.
Com enorme tristeza, guardei as t' shirts e toda a leve roupa de verão.
E, ainda há gente que tem a lata de me dizer que gosta mais do inverno.
O que vale é que em Fevereiro, vou em busca do sol.
Aguenta aí Angola, que eu estou a chegar.

GED

Terça-feira, Novembro 20, 2007

CONTOS VELHOS, RUMOS NOVOS




Nestas coisas de andarmos com tralhas às costas, vão-se perdendo muitas coisas, menos as lembranças, ou como se diz em Angola, a "lembradura".

Acontece que aqui há muitos anos, em 1981 eu fui ao Kuito, na missão de reunir com os clubes e associações desportivas, para a construção do primeiro documento legislativo sobre a carta desportiva de Angola, e a lei das associações desportivas, entrei numa loja que era a mais "compostinha" do conjunto de lojas de um prédio, que era o orgulho dos habitantes do Silva Porto colonial, e que passou a ser o emblema mais marcante da ferocidade da guerra desencadeada pela UNITA em 1992. Essa loja era "compostinha" porque efectivamente não vendia nada que pudesse ser utilizado pela população local; De facto esta loja pertencia à CDA (Companhia de Discos de Angola), uma fábrica de discos que existia em Silva Porto, e que salvo erro pertencia à Valentim de Carvalho. Entrei, e fiquei maravilhado com o que por ali vi, o que comprei, e o que tive pena de não ter dinheiro para comprar. Convirá esclarecer que na Angola daquele tempo, se não andássemos com dinheiro atrás de nós, não podíamos comprar nada, e nem o vulgar cheque era possível trocar (Em muitas dependencias do BPA nem o cheque visado em Luanda era aceite).

Foi uma das lojas mais fascinantes que vi em Angola depois da independencia, e aí para além dos Kiezos, Carlos Lamartine, Rui Mingas, Jorge Manuel, Elias, conseguia ter verdadeiras preciosidades, que só me apetecia comprar essa loja, que em tempos se chamou Auto-Reparadora do Bié. Entre vários discos avultavam discos do tipo Luis Aguillé do "Quando Sali de Cuba", o Gabriel Cardoso e a sua "Ericeira", o "Adeus Guiné", o "Kanimambo" do Tudela, para já nem recuar um pouco mais, senão chegaria às musicas preferidas por um topógrafo, que à frente de uma enorme manifestação, desafiou o governo português para pagar as compensações da descolonização (eheheh). Posso mesmo dizer que comprei lá um disco do meu querido e saudoso amigo, companheiro de tantas noites, o Mário Simões, que nunca vi vender em lado algum.

Podia continuar a falar dessa loja, e dos discos que por lá havia, mas o que aconteceu foi que encontrei um disco de José Afonso "Traz outro amigo também", e perguntei ao Laurindo (ex-jogador do Belenenses e Futebol Clube do Porto), que era na altura o delegado da Secretaria de Estado de Educação Física e Desportos, se sabia quem acompanhava o Zeca à viola? Ele dessabia, assim como todos os outros que por ali estavam a aguardar o início da reunião, inclusive o comissário municipal do Chinguar, terra donde o Carlos Correia, vulgarmente conhecido pelo Bóris (pela sua semelhança com Bóris Karloff, segundo Orlando Ferreira Rodrigues, que se assume como seu padrinho de alcunha) era natural.

O Bóris, andou pelo conjunto do Orfeon Académico de Coimbra, depois numa efémera passagem pelos Álamos e depois pelo conjunto académico Hi-Fi. O Bóris teve como companheiro até 1970, o viola-ritmo, Luis Filipe Colaço, um homem de Luanda, que foi durante muitos anos director do Instituto Nacional de Estatística em Angola. O Bóris e Luis Filipe Colaço, foram os violas do José Afonso no disco já mencionado , como tinham sido nos "Contos Velhos, Rumos Novos". Para além disso o Colaço ainda participou nos arranjos do disco de Adriano Correia de Oliveira, o "Canto e as Armas", uma verdadeira pedrada no charco na musica portuguesa, pois o bom do Adriano resolveu dar a voz a um livro proibido pela censura, de um Alegre que clamava por liberdade directamente de Argel, nos negros anos do fascismo em Portugal e colónias.

Resolvi trazer aqui este episódio do Kuito, para poder falar-vos de dois angolanos, profissionais enormes em áreas que nada tem a ver com a musica, mas que fazem parte de um movimento importante da musica de intervenção, e simultaneamente participantes em conjuntos que marcaram o rock português na sua fase pré-histórica.

"Álamos" surgem em 1963, quando José Cid (o próprio, o das "favas com chouriço") decide largar o conjunto do Orfeon Académico para fundar os Babies. Da primeira fase, fazem parte o Daniel Proença de Carvalho (guitarra), o Rui Ressureição (piano) e o Luis Filipe Colaço (guitarra).Em 1968, os Álamos com a saída do Proença de Carvalho (o tal advogado de ca$$os difíceis), à formação anterior junta-se o Carlos Correia (Bóris), o José António Pereira (bateria),José Luis Veloso (guitarra-baixo) e António José Albuquerque (órgão). Quando em 1970 se dá a fuga de Portugal de Luis Filipe Colaço, os Álamos acabam e dão origem com o Bóris e o Ressureição ao Conjunto Universitário Hi-Fi, com a voz feminina da Ana Maria.

Espero ter-vos feito recordar, aos que sabiam deste episódio do muito que se fez por angolanos na Coimbra dos anos 60, e aos que desconheciam que comecem a procurar o "Stop that game", que é o album de referencia dos Álamos.

Mais um amigo que se junta e nos brinda com mais um alicerce, na história das nossas vidas.
Fico-lhe agradecido e devedor.
Um abraço
GED

Sábado, Novembro 17, 2007

BLOGUE DO CUBAL

De repente recebo um email.
Alguém da "generation next", me diz que está a fazer um blogue do Cubal e precisa de ajuda para o desenvolver.
Só podemos estar orgulhosos e, ajudar.
Chama-se Ruca e é filho do Raúl e da Júlia.
Fica assinalado aqui nos meus links, como o blogue do Ruca.
Estou para ajudar e vocês não se estiquem, como é costume!!!
Um abraço
Henrique

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

NOTÍCIAS DE LÁ

Vem com atraso, mas é para divulgar.

09/11/2007

O Ministério da Cultura (Mincult) procede hoje, durante uma gala a realizar-se no Cine Tropical, em Luanda, a entrega dos prémios das diversas categorias da edição 2007 do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

Na disciplina de literatura foi atribuído o prémio à escritora Paula Tavares, pela sua obra poética "Canta o sonho de mulheres feridas e humilhadas", investigação em ciências humanas e sociais coube a António Fernandes da Costa, com "Roturas estruturais do português" e nas artes plásticas foi atribuído, à título póstumo, ao escultor e pintor Rui de Matos.

Na categoria de teatro foi premiado o grupo Horizonte Nzinga Nbandi, cinema e áudio visual à equipa do programa da Televisão Pública de Angola "Conversas no Quintal", enquanto que na disciplina de música foi contemplado o artista e compositor Elias dia Kimuezo.

O grupo Bismas das Acácias, da província de Benguela, venceu na categoria de dança.

CONVIDADO DA SEMANA - SOFIA ÁLVARES


O convite à Sofia terminou nesta magnífica aguarela, que lhe agradeço do fundo do coração.
Espero, esperamos outras. Não resisto à tentação de lhe mostrar o que poderia ser o original.
Um abraço.

GED




Domingo, Novembro 11, 2007

PARABÉNS POVO ANGOLANO

Que as festas do 32º ano com Nação Independente sejam lindas até de madrugada e que os sacrifícios do passado sirvam de exemplo para o vosso futuro. Um abraço de solidariedade.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

CONVIDADO DA SEMANA - PHWO - NO COMMENTS

Os meus amigos, não precisam de "drafts" nem de prazos. É com enorme carinho que os recebo aqui, agradecendo a todos a enorme gentileza de participarem.
Um abraço

GED

Há convites que não se podem levar a sério; há outros que não chegam a sê-lo; há uns mais discretos, outros menos, havendo ainda os convites para a dança. E quando chega a vez destes... acabam-se, para mim, as possibilidades de equacionar quaisquer outros.
Porém... aqui estou eu a aceitar o gentil convite do Henrique para escrever no seu blog, o que faço com muito gosto.
Ultrapassada a questão das formalidades, aparece logo outro dilema: sobre o que falar ou comentar, já que por aqui, em Angola, quase tudo usa a legenda "no comments".
Da baía de Luanda que está a ser submetida a aterros brutais para a “requalificação” da marginal, por exemplo? Talvez…
“Ao que parece” trata-se de uma obra pública, mas o cidadão não é informado, pelo que se permite especular à vontade, tentando desafiar a imaginação até aos limites.
“Parece” que a obra é privada pelo que ninguém tem nada a ver (ou a haver?) com os milhares de palmeiras importadas de Miami para a sua decoração (até porque são árvores “exóticas” não existentes em Angola). Mas… o que lucra um privado em investir no alargamento da marginal de duas para seis faixas de rodagem? No comments.
Consta que um projecto chumbado pela sociedade civil há alguns anos está de novo a tomar forma. Deixaram-nos poisar (a nós) e agora lá paira novamente a possibilidade de se fazerem umas ilhas no meio da baía de Luanda, com prédios e respectivo entourage de luxo (quadra para helicópteros também?). Comentários? No.
Fala-se que os clubes Náutico (Nun'Álvares) e Naval vão ser "partidos" e que um Museu de Arte Contemporânea vai ser edificado na ponta da ilha. Salitre? Nível freático das águas? Humidade? Nada que a tecnologia não resolva, seja a que preço for. A Barracuda já está no chão. “Dizem que” por casos em tribunal não resolvidos. Nada a comentar. Ninguém sabe, ou viu quem foi. De noite estava, mas já não amanheceu lá.
E pronto. Com esta dose de água (neste caso, de areia na Baía) que se está a meter, em nome do progresso, me despeço, desculpando-me por qualquer "coisinha”.
O ex-líbris da cidade de Luanda está a ser violado publicamente e… no comments.

Pwo