terça-feira, junho 30, 2009

POR ESTE RIO ACIMA

Eles aí estão.
Começam a aparecer, com frases como "espírito de missão", vou devolver a "personaliddade à cidade", "está na hora da mudança",  blá, blá, blá.
Falo dos candidatos a autarcas. Olhando um pouco mais ao pormenor, constatamos que são os mesmos. Ou são recandidatos, ou estiveram em bons lugares aguardando o regresso, mas são sempre os mesmos. Aqueles que já mostraram à exaustão, que não sabem fazer nada na vida, senão ser maus autarcas.
Não partilho da ideia de que se não os posso matar, tenho que me juntar a eles. Verdadeiramente essa ideia só em si é abjecta.
Estou numa encruzilhada em que pela primeira vez me vejo a apelar à abstenção, na melhor das hipóteses.
Moro em Coimbra, cidade imobilizada desde que me lembro. Aqui não se passa nada.
Continuo aguardando teimosamente, que surja um independente, que não concorra por nenhum partido e que me apresente um programa pobre mas escorreito.
Aguardo que alguém me diga, algumas destas coisas:
- Coimbra, não tem uma sala de espectáculos digna desse nome. Temos que nos deslocar à F. da Foz para ver qualquer coisa. Bora lá, construir uma, sem atropelos de orçamento, sem roubos, limpa, honesta.
- Coimbra, não tem indústria. Coimbra tem uma Universidade caduca, fechada sobre si mesma, imobilista. Bora lá, fazer um esforço para atraír indústria e ligá-la à Universidade, numa parceria salutar para todos.
- Coimbra é um monte de betão desgovernado, ao sabor de interesses mais que subterrâneos. Bora lá, criar um grupo de conselheiros impolutos, independentes, sem partido, que sirvam de motor, para casas realmente verdes, para formas de energia alternativa, para criação de áreas de lazer, para conforto de todos os cidadãos.
- finalmente, bora lá dar un chuto, nestes mentecaptos todos que teimam em nos azucrinar a paciência nestas alturas.

Quando houver um candidato assim eu voto...e colaboro.
Abraços

GED

domingo, junho 28, 2009

"LÁ VAMOS CANTANDO E RINDO..."

Conta-se por piada e muita gente acha graça, vá-se lá saber porquê.
No tempo da Roma imperial, o gestor nomeado para a Peninsula Ibérica, ao fim de algum tempo pediu para ser substituido. A comparar com os gestores de hoje, o homem devia mesmo estar desesperado. Dizia ele, que neste cantinho, que depois se veio a tornar o nosso "querido Portugal", havia um povo estranho, que não se governava nem deixava governar.
Mudou alguma coisa, todo este tempo depois?
Em absoluto não!
Ninguém quer saber de nada, nem o povo, nem os governantes, estes apenas preocupados em servir os interesses próprios e os de quem está no mesmo barco com eles. A saúde, a justiça (lembram-se da Casa Pia, Fátima Felgueiras, Universidade Moderna e por aí adiante? E os bancos e gestores e administradores e outros doutores semelhantes, que conduzem o nosso país à podridão em que se encontra?), a educação ( a saga que tem sido a avaliação de professores, que afinal foi adiada, tendo-se começado para contento de todos a nivelar por baixo), a construção, as grandes e vãs obras públicas (TGV e aeroporto que governo e oposição usam a seu belprazer, com total desprezo pelos nossos dinheiros; quantos milhões já foram gastos em estudos e contra estudos?), o relacionamento com outros povos ( não foi possível até ao momento um relacionamento capaz com nenhuma das nossas ex-colónias, e seguramente por mais culpa nossa que deles), as grandes causas, nada funciona.
 O projecto de país deveria ser mudado, mas não vale a pena pensar em alternativas de governo. Só a ideia é penosa. A gente capaz não está nos partidos. Tenta sobreviver com dignidade e coragem
Apenas o futebol, acende a chama da grande maioria dos portugueses e mesmo esse sabemos nós como vai.
Imaginem, que de repente ninguém mais pagaria as suas dívidas, ao Estado, aos bancos, aos credores, etc. Nada aconteceria, claro. Da forma como a justiça funciona, estariamos todos mortos, antes de qualquer decisão.
Num país normal, estariam criadas as condições de mudança, pela violência se fosse preciso, aliás não seria caso inédito.
Mas, com esta massa crítica não vai ser possível mudar nada.
E, continuaremos todos os dias, a levantar-nos para mais um dia de pesadelo.
É este país de faz de conta que vamos deixar aos nossos filhos, se ainda for país, quando for a vez deles de tomarem conta dos seus destinos.

Um abraço
GED

sábado, junho 13, 2009

CIVILIZATION AT CROSSROADS

Periódicamente, há gente que vai avisando. Não deixem de pesquisar na NET, um programa de 2 horas que saíu em 02.06.09: Earth 2100

Um abraço
GED

segunda-feira, junho 08, 2009

UPRISING


A minha amiga Phwo, colocou hoje um "post", que aconselho visitar. Já o conhecia e penso o mesmo.
Ninguém deveria poder dormir.
No entanto, este problema é bem mais vasto. O problema da fome no mundo é em si mesmo uma vergonha para todos nós, ou pelo menos para alguns de nós. Não tenho ilusões. A procura de uma sociedade mais justa, perdeu-se algures na voragem desta globalização, que ao invés de nos juntar a todos, nos tem afastado cada vez mais. São frequentes as imagens de desperdícios, de alimentos deitados fora, apenas para se manterem os preços. E, quem o faz, tem consciência absoluta do que se passa, o que torna este crime contra a humanidade ainda mais ignóbil. Não é preciso escolher África para exemplificar. Pode-se encontrar o mesmo problema em qualquer continente.  O hiperconsumismo tem destas coisas, a par com imagens terríveis de fome que poderia ser fácilmente aliviada se os povos decidissem tomar os destinos nas próprias mãos.
Já não se pede uma sociedade mais justa. Apenas se pede que se pare para reflectir.
Sinto-me, sentimo-nos todos acho eu, um pouco perdidos no meio disto e não sabemos como sair.
Vive-se tranquilamente em democracia, como se esta fosse o resultado final e não o meio do caminho para um sistema melhor, mais igualitário, menos injusto. E, há por aí muita gente que não se coibe de dizer em tom jocoso, que a democracia é dos sistemas injustos, o mais justo. E ficam muito felizes por poderem dizer estas anedotas.
Poderá eventualmente ser, mas tenho a certeza que não é o fim do caminho. Os partidos políticos pensam o contrário, mas é fácil imaginar um mundo novo sem partidos. Ainda voltarei a este tema.

Desperto lentamente desta abulia que me tem consumido. Os meus companheiros, parece também foram atacados pelo virus. Nem todos. A Mª de Lurdes, deixou aqui um retrato fiel do país cinzento em que nos tornamos. Apenas discordo levemente no que diz respeito ao futebol. É o maior espectáculo do mundo, embora alguns teimem em estragá-lo.

sexta-feira, maio 29, 2009

Da influência de uma letra na abulia de um povo

Trata-se naturalmente da letra F, que nos tem anestesiado ao longo de décadas. É elemento fulcral da trilogia fado, futebol e Fátima, pilares estruturantes do actual estado de espírito português. Acho todavia que se deve acrescentar duas outras palavras: fraqueza e força.
O fado tradicional é poesia, mas enroupada naquela vil tristeza que o poeta cantou, no fatalismo e resignação atávicos, que nos impedem de desenvolver as nossas inegáveis qualidades e potencialidades, as quais em geral nos granjeiam o respeito dos estrangeiros, quando as exercemos lá fora. O fado de Coimbra é excepção (não estou a ser sectária, visto ser natural de Lisboa), que canta amores e saudade (a propósito, o mito de que a palavra saudade só existe em português é desmentido, por exemplo, pela palavra alemã Sehnsucht, que até é mais expressiva). O carácter pungente do fado revela um fatalismo inibidor, uma disposição anímica de conformismo, uma atitude submissa, de aceitação passiva das ignomínias que nos caem em cima. Nem para fazer valer os direitos mais básicos (educação, justiça, saúde, emprego, maior apoio à infância e aos idosos, etc.), a que alguns chamam privilégios, nos fazem sair deste estado comatoso.
Quanto a Fátima, para além do que já se disse sobre a IC, repugna-me o suborno da divindade implícito no pagamento de promessas, aplacando-a através de sofrimento e de oferendas. Não pretendo com isto desdenhar da fé dos crentes, que nos deve merecer respeito, pelo lenitivo e consolo que representa. Voltando à IC, aí estão eles de novo a pedir desculpa pelos crimes nefandos perpetrados sobre 14.000 crianças em instituições religiosas na Irlanda, mas (coisa inqualificável!) exigindo o anonimato dos criminosos. Então condena-se quem pratica um aborto, ainda que por razões de saúde ou humanitárias, mas deixa-se livre do merecido castigo quem teria mais obrigação de uma conduta irrepreensível?
O futebol poderia ser um desporto belo, compreendendo-se alguns excessos, por entusiasmo, e até alguma trapaça (ai de mim, que digo eu?) para dar “cor” ao jogo. Pelo contrário, inúmeros factores fazem do futebol um antro sulfuroso, onde a beleza de um jogo bem jogado assume uma importância secundária. Custa-me engolir a alienação das massas ululantes, a boçalidade e a marginalidade de algumas claques, a corrupção que alegadamente grassa entre alguns dirigentes e a arbitragem, a impunidade dos negociatadores dos clubes, o unfair play das “estrelas” dos relvados. A mística do futebol tresanda, quanto a mim, a qualquer coisa de fétido.
O que se passa no futebol parece espelhar o que se passa no país em geral. E nós em tranquila letargia. Não vale a pena recordar os inúmeros casos escandalosos a decorrerem neste momento no país e que nos envergonham. O curioso é que é tudo “legal”, toda a gente está de consciência tranquila (será que têm alguma consciência?) Apetece emigrar para lá do sol posto, não ler mais jornais, fechar os olhos e os ouvidos a toda a informação veiculada pelos media, abdicando do direito à indignação. Que fraqueza é esta que nos tolhe, a nós que já fomos grandes, dividimos o mundo em dois em Tordesilhas, deixámos vestígios em muitas e distantes paragens, imprimimos uma marca cultural em povos espalhados pelo mundo, a incomensurável coragem revelada aquando dos descobrimentos não foi, seguramente, fogacho ocasional. Ainda recentemente, a tenacidade e determinação dos nossos imigrantes são indicadores de que a alma lusa não é débil, tem muita força. Somos um povo excepcional, que até fez uma revolução sem sangue. Então porquê o estado letárgico em que nos afundamos? Quando lançaremos mão dessa força de vontade de outrora, agora que temos três belas oportunidades?
Tolhe pesado grilhão: escuridão.
Garra desesperada, determinada, rasga trevas: clarão.
Trabalho. Motivação.
Assimetrias: mais não!
Maria de Lurdes

sexta-feira, maio 22, 2009

TERRAMOTO

Hoje, cerca das 21 horas, houve um terramoto de grande magnitude na escala de Richter, com epicentro na TVI.
Já em intervenções anteriores, tenho expressado a minha náusea, devido aos noticiários de sexta-feira, comandados pela nossa inefável MMG e, com a ajuda daquele senhor que não se percebe bem o que diz.
Hoje o Bastonário da Ordem dos Advogados, cilindrou a dita senhora.
Politicamente incorrecto?
Claro, totalmente.
Mas que soube bem, a mim e a mais uns milhares de portugueses, soube.
Vai haver consequências?
Espero fervorosamente que sim. Os sistemas reguladores da Comunicação Social, não vão poder continuar a fingir que nada se passa.
Viva o politicamente incorrecto.
Hasta la victoria.

GED

quarta-feira, maio 20, 2009

NOITES

Escorrem-me noites
Por entre os dedos das minhas mãos
Consigo reter algumas estrelas solitárias
Luz para os meus passos
Um de cada vez, por entre silêncios
Marcando areias ainda quentes
Cadência pausada, feliz
No rumo do dia que amanhece.

GED

segunda-feira, maio 18, 2009

PAÍS CINZENTO

O nosso estimado "grilo falante", MRS, do alto da sua altíssima posição, proclamou a todos os mortais presentes e mesmo a alguns defuntos ausentes, que achava que o Presidente da Republica, não devia fazer ironia, ainda mais com casos sérios. Não interessa para o caso, o caso em questão. Pode ser qualquer coisa.
Mas viajar permanentemente no "políticamente correcto" cansa. Deve cansar o próprio ou os próprios e cansa seguramente, quem tem que ouvir isto diáriamente, vindo de "grilitos sussurrantes", em todos os canais de televisão.
Dir-me-ão, que feche o aparelho e pronto. Nada disso. Se o fizer, entram-me em casa de qualquer outro modo. São piores do que sarna.

Os preservativos e a escola. Ora aí está uma novidade, pouco agradável para muçulmanos e cristãos. Já os judeus estão de acordo. Ainda cheguei a pensar que iriamos resolver o problema da faixa de Gaza e arredores, mas nem nisto estão de acordo.
Quanto à igreja mantem-se igual a si prória. Intemporalmente imóvel.
Cristãos e muçulmanos estão juntos neste caso. Sexo público só depois do casamento. As "porcarias e outras devassidões", são permitidas, mas só no aconchego do anonimato.
Chegou-se ao ponto de haver quem negue o holocausto. À igreja já pouco lhe falta para vir negar a existência de Sida e outros males sexualmente transmissíveis. A gravidez indesejada também está resolvida. Sei de fonte segura que a igreja, vai abrir mão de toda a sua vasta riqueza, para apoiar todas as jovens grávidas, em todo o mundo, que engravidaram pelos mais diversos motivos, menos pelo certo.

GED

sexta-feira, maio 08, 2009

CIRCO

Ontem, foi noticiado, que os nossos deputados se tinham debruçado sobre o tema, de sim ou não aos animais no circo.
Não me ri.
Fiquei apenas roxo de indignação e de tristeza.
Indignação, porque vejo o meu dinheiro a esvair-se em coisas vãs.
Tristeza por saber aquilo que cá dentro já sabia.
Estamos a ser governados por gente totalmente incapaz. Quem chega a este ponto e, estou a falar, não de pessoas singulares, mas de partidos, mostra à exaustão que não tem causas, nem balizas, nem objectivos, nem nada.
Tanta coisa por resolver, de importância para todos nós e, os gringos vão ao circo.
Eu dou uma sugestão, já que é também com o meu dinheiro que são régiamente pagos: acabem lá com os animais no circo e já agora no zoológico e, com os canários nas gaiolas. Acabem com isso tudo e depois com as jaulas e os circos vazios, metam lá essa gente para nosso gozo pessoal.

GED

JANELAS PARA O MUNDO




domingo, maio 03, 2009

ABRIL E MAIO

Henrique, finalmente adquiri o equipamento informático que me permite reentrar neste sereno espaço e como atravessamos estes dois meses especiais, aqui vai:


ABRIL E MAIO

Respirei Abril
Recriando o que não ri
E pressenti o perfil.

Chorarei por Maio,
Sou chão, no doce perdão
Situo-me e não saio.

A chuva continua
E solta a pura (qual seta)
Esperança da Lua.

As comemorações
E as flores são dois amores
E têm recordações.

Pedaços dos meses
Férteis, curtos e agradáveis
Ao esquecê-los mil vezes.

Um abraço.


NOTA: meu querido amigo. Pensei que te tinhas ido embora, sem mais aquelas. Finalmente regressaste a esta tertúlia, que por sinal anda animada. Vai passando por aqui. Tenho ido ao teu blog...mas népias. um grande poeta de férias?
Grande abraço
Henrique

quarta-feira, abril 29, 2009

GRIPE

Qual é a diferença entre diabetes, HTA, hipercolesterolémia, enfarte do miocárdio, AVC, cancro, etc, e gripe, neste caso suína?
Há muitas! Cada uma mata que se farta e, muito mais que a gripe. Há uma confusão estabelecida. Durante o inverno, toda a gente diz que tem ou teve gripe, quando na maioria das vezes nada disso aconteceu. Tiveram vulgares processos inflamatórios que nada têm a ver com gripe
A gripe, processo virusal, pode matar e mata todos os anos bastante gente, aqui, no México, no Nepal, etc.
O que neste caso diferencia esta gripe é o ardor irresponsável dos noticiários nacionais, amplamente demonstrado anteriormente na famosa gripe das aves. Com o caso Freeport em declínio, esta gripe vem mesmo a calhar. Ontem um apresentador de telejornal, dizia com ar muito sério que este virus era mortal. Nada menos do que isso.
Não acredito há muito tempo, que haja orgãos reguladores internos da comunicação social, que tragam responsabilidade ao que se diz, como não acredito que quem dê as notícias se prepare cuidadosamente para o que vai fazer.
Os resultados rápidamente estarão à vista, mas nessa altura ninguém noticiará nada. Falo da quantidade de dinheiro dispendido em máscaras e medicamentos, amplamente veiculados por estes senhores. Falo das campanhas publicitárias e de sensibilização da população, que óbviamente devem ser feitas de modo responsável. Falo também do pandemónio, do desperdício de tempo e do cansaço, que vai acontecer, com os serviços de urgência invadidos por gente em pânico, porque espirrou ou teve uma febricula. Estas contas ninguém as fará, mas todos as pagaremos.
Aposto, que os próximos noticiários darão conta do mau desempenho das urgências e dos seus trabalhadores, incapazes de darem conta do afluxo de gente que há-de vir.
A propósito: tanto quanto se sabe no meio, esta gripe não é particularmente mais virulenta que outras que por aí já andaram.
É caso para dizer que este é já "O triunfo dos porcos".
GED

terça-feira, abril 28, 2009

PRIMEIRO DE MAIO




Hoje recuperei sem contar, estas fotos.
Foi uma grande emoção.
1º de maio de 1979 ( RPA ).
Um abraço

GED

COISAS DE ABRIL II

Abril,
águas mil.
25 de Abril,
cravos mil vezes mil.

Se então alguém me falasse
em malmequeres
só de bem-querer,
não seria utopia.
Eu teria acreditado;
subscreveria,
com alegria,
em euforia.

Dia memorável.
Vivi-o em Coimbra,
pela rádio,
pela televisão.
Emoção.
Exaltação!

Mas...
anos volvidos
manto de desilusão:
cravos emurchecidos,
esmagados;
sonhos postergados,
espezinhados,
por uns malvados,
sem contemplação.
Que desilusão!

Não mais amanhãs que cantam;
antes desencantam.
Hipocrisia.
Iniquidades.
Mal-feitorias.
Aleivosia.
Podridão.

Dizem que a esperança
é a última a morrer.
Será?
Oxalá!

Maria de Lurdes

sábado, abril 25, 2009

COISAS DE ABRIL

Ontem o CDS-PP e o seu inefável lider, beneficiaram de tudo o que Abril nos trouxe.
Em declaração pública, manifestaram-se violentamente contra a progressão na carreira de Otelo Saraiva de Carvalho.
Abril, dá-lhes o direito de dizer todas as aleivosias que entenderem, sem que nenhum mal lhes advenha disso.
Como já disse, a História é cruel. Otelo faz parte da história de Portugal, sempre fará. Será sempre um dos capitães de Abril. Cometeu erros no percurso e pagou por eles.
Mas na essência, lutou para que em liberdade, até diatribes do género fossem possíveis.
Deveriam estar-lhe agradecidos, mas a ideologia fascizante que professam, não os deixa ver nem adiante, nem para trás.
Nos compêndios de história, actuais e futuros, o nome de Otelo estará sempre, junto com todos os companheiros que nos ajudaram a libertar da tirania fascista.
Paulo Portas, ficará enterrado no anonimato perpétuo.
E, é isso que ele nunca conseguirá compreender.

GED

sexta-feira, abril 24, 2009

ABRIL E EU

Sou dado a estas coisas.
Acredito em almas gémeas, em transmissões de pensamento, e coisas congéneres. Por isso, hoje pasmei quando vi o post no blog do Manel. Tinha pensado, que hoje quando chegasse a casa, faria um texto do género. E, digo do género porque ao ler o dele, achei que era excelente, que estou totalmente de acordo, ou quase, o que é raro, e que jamais conseguiria fazer nada tão bem feito.
Depois destas premissas aqui vai.
Em 1974, estava longe de estar amadurecido para estas questões, mesmo tendo em conta que vivi toda a crise académica activamente e do lado certo da barricada.
O 25 de Abril, não me apanhou de surpresa, já o pressentia nas conversas que tinhamos. Depois, foram vários anos de muita luta, de alegria contagiante, em que a palavra de ordem, era de que tudo era possível. No entanto ao contrário do Manel, continuo a manter aquilo que ele chama de romantismo.
Consigo olhar para trás e fundamentalmente olhar para a frente e sentir que tudo valeu a pena e que tudo valerá a pena sempre. Continuo com a firme convicção de que estarei sempre pronto para intervir e para voltar a ser ingénuamente feliz se for caso disso. Olhando em redor, não há nada que não repetisse. O tempo que passei em Angola, em plena revolução, foram dos mais felizes e simultâneamente dos mais duros da minha vida.
Faço minhas as palavras de um Capitão de Abril: aqueles anos já ninguém mos pode tirar!
Tudo isto, é apenas um intervalo que vai passar certamente. Posso olhar com um olhar maduro e crítico para tudo o que se passa, mas continuo a sentir que isto é efémero e que um dia tudo voltará a ser possível.
A História é cruel, no sentido em que o que aconteceu já não pode ser modificado. Os países do nosso país, estão aí, dando passos, muitos errados, mas caminhando para o futuro deles e também o nosso.
Podia ter sido melhor?
Absolutamente.
Provávelmente, a única diferença que me separa do Manel, é que eu sou um optimista. Tento tirar da vida aquilo que ela tem de melhor para me oferecer. O Manel é um eterno pessimista, sempre vendo o lado pior das coisas. Mas que é um dos meus grandes amigos e a minha alma gémea, lá isso é.
Ainda que renegue o "Che", ou tudo o que aconteceu e tem vindo a acontecer em Cuba.
Não mudei uma linha ao meu pensamento político de base. Muitas coisas, discordei violentamente. Deste lado da barricada, cometeram-se também erros tremendos. No entanto, a amizade, a solidariedade, a luta contra a marginalidade, a correcção dos enormes desvios sociais, a igualdade de oportunidades, continuam incólumes na base do meu pensamento.
Continuo a pensar que malmequeres, só de bem-querer, ainda que a Maria de Lurdes pense nisso como uma utopia.
25 de Abril, sempre.

quinta-feira, abril 23, 2009

HAIKAI SEVEN

Para o Manel

Um raio de luz
Esta terra que te vê
Projectado lá

Para o Henrique

Um raio de luz
Aconteceu em Abril
Reflectido lá

Para todos

Águas de Abril
Correndo para o mar
Passando por lá

Fernando Marta

terça-feira, abril 21, 2009

TANKA

Vôos felizes
Saudades tamanhas
Até um dia...

Estendem suas mãos
Surgem novas estrelas

Anabela Simões

SEDUÇÃO DA COR


A Sofia mais uma vez nos surpreende. Desta vez seduz-nos no jogo de cores.

SEDUÇÃO DA COR


SEDUÇÃO DA COR


SEDUÇÃO DA COR


segunda-feira, abril 20, 2009

HAIKAIS

De repente, toda a gente desatou a fazer haikais.
E, sempre a um nível muito alto.
Desculpa lá Fernando, mas vão para a página da frente.
Amanhã terás que aturar a Maria de Lurdes, a dizer-te e com razão, que tens talento para dar e... vender. E, eu estou totalmente de acordo. A propósito, alguém viu o Manuel "Sampas"?
Grande abraço.

Henrique

Aconteceu cá
Desabrochar em Abril
Dar fruto por lá

Calor de Abril
Esta terra que te viu
Crescendo por lá

SAUDADE

Não há nada a fazer.
Não mais do que ontem ou do que amanhã.
Mas hoje por força das circunstâncias, é mais doloroso, custa mais.
A saudade cola-se com mais força.
Acredito que voa feliz nos ventos diferentes.
Mas, faz-me uma falta terrível. Falta uma parte de mim.

GED

ANIVERSÁRIO

Regularmente acontece-me fazer anos. Uma vez por ano para ser mais exacto.
É um tema desinteressante, mas não é por isso que o trago aqui.
Acontece sempre que os meus amigos, me telefonam, oferecem sempre alguma coisa e, no final sinto-me sempre constrangido.
Acontece que nunca me lembro de quem faz anos. Sinto-me sempre em falta.
Resta-me dizer que têm que me aceitar assim, com todas estas imperfeições. No entanto, lembro-me deles todos, todos os dias. Caminham comigo e posso citar Vinicius: sem eles a minha vida seria intolerável. Não me lembrar do aniversário deles é uma falta menor.
Este ano, entre outras coisas uma grande amiga ofereceu-me este haikai.
Partilho-o com vocês.
Tempo de calor
Rasgam-se as entranhas
Teu nascimento
GED

sábado, abril 11, 2009

REGRESSO

Acabaram-se as curtas férias. Estou de regresso.
Ao longo desta semana, aproveitei para pôr a leitura em dia. Ao fim de cada tarde, depois de ter esquiado, sentava-me na sala de estar do hotel e ia lendo o que levei. À minha frente, tinha uma grande vidraça que me mostrava a Serra Nevada coberta de neve. Um espectáculo magnífico!
Anteontem, estava a ler um livro recomendado pelo Hamilton: Desmedida (crónicas do Brasil) do Ruy Duarte de Carvalho. Já o tinha há bastante tempo, mas só agora consegui começar a lê-lo. Já sabia que era denso e tenho-me entretido com coisas mais leves.
De repente tudo fez sentido. Tinha a serra à minha frente, ouvia no ipod trechos do Out of África e lia um livro que versa as relações antigas entre o Brasil, Portugal e Angola.
E de repente, o meu mundo fez sentido. Deixei de ver a Serra Nevada. À minha frente estavam anharas sem fim. E, vi zebras correndo desenfreadamente em direcção às montanhas distantes.
Deixo-vos aqui o trecho do livro que estava a ler na altura. Aconselho-vos a comprá-lo se se interessam por estes temas. Dele já li outro livro magnífico: Vou lá visitar pastores.

A África, para homens de cultura ocidental do tempo de Burton, é uma reserva de horrores e de insalubridades, um continente maldito, teatro do horror absoluto e de uma estupenda selvajaria originária... E é a pátria do sangue poluído, amaldiçoado e negro, dos descendentes de Cam, filho de Noé. Se embriagou Noé, e adormeceu, descomposto dentro de sua tenda. E seu filho Cam o viu assim e falou disso, a rir, a Sem e a Japhet, seus irmãos mais velhos. Os quais se muniram então de um pano e entraram na tenda às arrecuas, para cobrir sem ofendê-la, a nudez do pai. Depois de acordar e de vir a saber como se tinha comportado Cam, seu filho benjamim, Noé amaldiçoou-lhe a descendência: será servidora e escura. É a partir daqui, parece, que as interpretações talmúdicas e as tradições judaicas associam a cor negra à servidão imposta à descendência de Cam. ... E a partir daqui viraria ensaio... Desde o século dezoito que a identificação dos filhos de Cam aos povos negros se tinha tornado uma espécie de evidência capaz de justificar a escravidão e a evangelização ao mesmo tempo. Mas, reconsidera-se ao longo do século dezanove, a exegese da bíblia ao mesmo tempo que começam a ter lugar as especulações e as observações dos exploradores que visitam África. Ao monogenismo bíblico substitui-se um poligenismo científico que exclui os povos negros da linhagem noémica e favorece o embranquecimento de Cam. Os três filhos de Noé passam a representar três ramos da raça branca. Os povos negros escapariam assim às origens iniciais. Alarga-se o fosso entre brancos e negros. Para a expansão ocidental é impossível admitir uma qualquer civilização negra e é reconsiderada uma ascendência asiática para os egipcios.... É instaurada uma distinção fundamental entre populações africanas absolutamente negroides e não inteiramente negroides...

E por aí adiante. Acreditem ou não, só muito mais tarde a igreja (sempre a igreja), lançou um decreto papal, afirmando que os indios do Brasil afinal eram seres humanos!

Fiquem bem.
Um abraço
GED

quarta-feira, abril 01, 2009

FÉRIAS

Faltam dois penosos e longos dias. Durante dez dias não estarei por aqui.
Durante dez dias, mandarei às urtigas, os jornais, as notícias, a igreja, os dislates que vão correndo pelos noticiários, a Casa Pia e similares, a crise (?). Apenas levarei comigo os amigos (as) e os skis. Para os pobres mortais que não vão ter este privilégio, fica aquele abraço e a certeza de que voltaremos a encontrar-nos em breve.
No entretanto, vão-se divertindo como puderem.

NOTA: enviaram-me um email fantástico. Uma estação de televisão, resolveu, percorrer mundo e contactar cantores de rua. Fez um programa com eles tocando em simultâneo, cada um nos seus países. O resultado é absolutamente fantástico.
Fica o "site", como a minha despedida: CANTORES DE RUA

GED

quinta-feira, março 26, 2009

O PESO DE ALGUMAS PALAVRAS

Os amigos são assim. Mandam-nos notícias que são importantes.
Vejam esta em http://diariodaafrica.blogspot.com/2009/03/oracao-de-sapiencia.html



quarta-feira, março 25, 2009

PAPA?

A igreja, tem sido recorrentemente desde tempos imemoriais, um travão ao desenvolvimento das sociedades. Basta lembrar a Idade Média, a Inquisição, as Navegações.
Basta lembrar, quantos pedidos de desculpa tiveram que fazer nos últimos tempos.
Nem Leonardo escapou.
No século XXI, seria de esperar que tivessem aprendido a respeitar, pelo menos os ideais do seu Criador. São 2100 anos caramba!!
Nada disso.
Esta visita a Angola, mostrou a verdadeira face desta igreja, retrograda e incapaz.
Em dois dias fez mais pela SIDA, do que a própria SIDA tem feito.
Deviam ser feitas as contas a quanta gente vai morrer, se acreditar no que lhes foi dito.
E, quando daqui a algum tempo, vierem pedir desculpa por esse erro, claramente lhes devia ser dito, que fossem para o diabo que os carregue.

GED

sexta-feira, março 20, 2009

HAIKAI

Dia de sol
Trovoada e relâmpagos no céu
Terra natal.

A Anabela apaixonou-se por esta forma de poesia.
Presenteou-me (nos) com este, lindíssimo.

GED

OPINIÕES II

Eu quero escrever esta carta. Para que seja perceptivel, é preciso ler mais abaixo o "post" OPINIÕES e ver o comentário.
Primeiro, quero mostrar todo o meu orgulho por ter amigos assim. Daqueles com quem a gente pode discordar, sem beliscar a amizade profunda que nos liga.
Depois, quero discordar concordando.
Claro, que sou fã de Borges. Claro que sou fã da boa literatura europeia, mas fico por aqui.
Falando dos escritores de expressão lusófona, apenas me cabe dizer, que não retratam de todo apenas a literatura regional. O que mais me encanta neles, e aí começa a discórdia, é o seu lado onírico, mágico, imaginativo, jovem, sem fronteiras. Que os coloca ao lado de um Sepulveda por exemplo.
Comparar Mozart com Tom Jobim ou com os Beatles? Absolutamente.
Dentro do tempo julgado conveniente, estarão no mesmo estatuto.
Daqui por 500 anos, todos se lembrarão de Mozart, mas também se lembrarão de Jobim e dos Beatles, como se lembrarão de todas as obras intemporais.
Como se lembrarão de Eça de Saramago, de Luandino.
Embrulha...mas desta vez um enorme abraço de amizade.

GED

quinta-feira, março 19, 2009

SEM MARGENS

Poema sem margens
Transbordando alucinações
Pirilampos indecisos
Boiando na noite
Silêncio das pedras ainda quentes
Vapores, flutuando madrugadas.
Lágrimas de chuva
Na pele nua
Olhos azuis brilhando desejos
Em cada estrela do céu
Ritmo frenético do louvadeus
Sismando passos firmes
Encharco-me de tardes
Malmequeres só de bem querer
Rios deslizando bagres
De cor púrpura
Virgens parindo ternuras
Pairam no ar borboletas azuis
Chão estremecido de calores
Loucos cultivando sonhos
Olhares distantes da demência
Raios de luar
Cravados no chão adiante
Crianças felizes abraçando confortos
Sem margens.

GED

quarta-feira, março 18, 2009

BLOG

Um conselho.
Recomendo vivamente, que cada um tenha o seu, mesmo que seja para debitar patetices como diz a Pwo.
Rápidamente transforma-se num amigo de confidências, as mais diversas, que nos ouve sempre que queremos, mesmo que a ausência seja longa, que nos permite opinar com direito de resposta.
Traz na correnteza, um número enorme de amigos, alguns que já julgavamos perdidos, outros que nem sabiamos que eram nossos amigos. Conheci novos, daqueles que não quero perder.
É inacreditável, a quantidade de gente interessante que se encontra.
É um instrumento de solidariedade como já pude comprovar.
Não passo tanto tempo aqui como desejaria, mas o tempo dispendido traz-me sempre um enorme prazer.
Um conselho.
Construam o vosso próprio blog.
Um abraço
GED

segunda-feira, março 16, 2009

OPINIÕES

Há algum tempo, ofereci a dois grandes amigos meus, dois livros do Ondjaki.
A um deles perguntei-lhe o que tinha achado. Vale aqui dizer, que estamos profundamente em desacordo em muitas coisas... como é hábito entre grandes amigos.
Do alto do seu urbanismo profundamente europeu, respondeu-me que achou bonito, mas ainda muito imaturo, quando comparado com os grandes e vetustos ( o adjectivo é meu) escritores europeus.
Claro, não posso estar mais em desacordo. Comprei o último livro do Ondjaki, sobre poesia.
Não resisto a deixar-lhe aqui, um pequeno fragmento.
                    
Tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
Certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento.
Não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
Era de difícil manejo - mas funcionava.

Grande abraço
GED

quarta-feira, março 04, 2009

ANGOLA

O João e a Sara piraram-se para uma vida nova.
A Sara, em estado de choque, parece que já recuperou. Nem podia ser de outra maneira. O Lobito é uma cidade fantástica e aos poucos vai aprender a gostar de lá estar. Vai conhecer a praia morena, o velho liceu junto à praia, o porta-aviões, o Sombrero, a Caotinha, a Baía Azul e, espero eu, as anharas sem fim que vão dar ao Cubal. Nunca viu um imbondeiro senão em fotografias.
Está na altura de travar conhecimento com eles!
Pode ser que dentro em breve falemos todos a mesma lingua.
Pode ser que em Novembro eu lhes vá mostrar coisas de que nem sequer suspeitam.
Pode ser...
Henrique

segunda-feira, março 02, 2009

HAIKAI II ( PARA O MANUEL)

Um raio de sol
Luzia no concavo das mãos
Ventos diferentes.

GED

DIETAS E OUTRAS LOUCURAS

A minha profissão coloca-me diáriamente, na linha da frente de um combate desigual.
Ter que convencer a pessoa que está à minha frente, de que o seu excessivo estado ponderal, deriva na maior parte das vezes de uma alimentação altamente incorrecta, associada a um desprezo nacional pelo desporto que seja realizado fora do sofá.
Este grupo de doentes é um manancial inesgotável, para todos os aldrabões fazedores de dietas, e para todos os que tentam vender alimentos "linha zero".
Tirando óbviamente as obesidades mórbidas e aquelas associadas aos genes familiares, todas as outras derivam de desvios comportamentais tão em voga hoje em dia.
E, afinal é fácil.
Ninguém tem de deixar de comer seja o que for. Deve é fazê-lo nas doses devidas, proporcionais entre si.
E, também óbviamente, quem ingere calorias, tem que as gastar.
Divirtam-se e mexam-se.
GED

terça-feira, fevereiro 24, 2009

SAUDADE

Saudade

Saudade tamanha que sinto

Saudade donde não estou

Já com saudade não minto

Com saudade eu me vou

Com saudade quem não vem

Saudade também se tem

Também saudade de alguém

Saudade do que não vem

E saudade quem não tem

Saudade daqueles que vão

Saudade dos outros que não

Com a saudade cravada

Bem funda no coração


FMartaNeves

24 Fev 2009

sábado, fevereiro 21, 2009

SAUDADE

Saudade!
Só a palavra é estranha. Bem portuguesa dizem todos. Homesickness é a melhor aproximação que conheço.
Tão estranha e perigosa, que amigos meus, como a Anabela, tendem a rejeitá-la, sem o conseguirem como se viu.
Saudades de casa, do meu país. Não me tira o sono, mas permanece latejando sem que muitas vezes dê por isso.
É doentio?
Claro que não. Doentio é deixar-se envolver por saudades que não têm a ver com saudade.
O que sinto falta mesmo, é do calor, da espuma traçando alinhavos na areia, da água quente do grande mar, do espaço sem fim, dos silêncios absolutos, do céu cravejado de luzes. E esta saudade alimenta-me.
As outras "saudades", não estão na minha maneira de ser.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

SAUDADE

Olá amigo

Existem amigos que estão perto, outros longe, outros no pensamento e outros no coração.
Aceitei este convite muito honrada, feito por um amigo de longa data e que para mim tem quase todas estas componentes, excepto a de estar longe.
O meu grande problema é o engenho e a arte...
Pensei um pouco e resolvi escrever sobre "Saudade", sem nostalgias mas sim com alegrias e boas recordações.
Costumo dizer que não sou saudosista e que gosto de viver o presente o melhor possível , sonhando por vezes com o futuro e recordando o passado sem tristezas.
Passaram tantos anos em que nos afastámos a memória começa a trair-nos.
Já vos tinha encontrado (através de um amigo comum cubalense) e tinha-vos perdido.
Reencontrei-vos neste mundo virtual e com toda a felicidade vou-vos seguindo (ainda com muita timidez), não muito própria da minha maneira de ser africana.
Pergunto-me o que me levou a procurar tudo o que está relacionado com o Cubal e convosco, e que todos os dias me leva a saber notícias vossas.
E descobri: é SAUDADE, palavra que normalmente rejeito.
Obrigada Henrique por tudo o que nos tens dado.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O TEMPO QUE SONHO E SINTO /DO CACIMBO DISTANTE

Finais de Junho

Dia lindo, de sol.

Claridade sem igual

...Lindo dia...

Há muito não via

Fresco, sem frio.

Ventinho de ar seco

Respiro fundo,

Neste lado do mundo

...Longe do Cubal...

Ai que saudade...

E, de repente

Um arrepio

Mas não de frio

Sinto-me ausente

Algo distante...

Entrando no Estio...

Um calafrio!

De tanta ausência?

Tanta distância...

...É a saudade...

Há qualquer coisa no ar...

Que me faz lembrar...

Vou aproveitar.

Aproveitar o momento,

Fechar os olhos

Sentir o vento

Sonhar...

...E voar...

E viver!

Viver e esquecer

Viver com este ar

Viver a sonhar

Neste local

Do meu Portugal

...tão distante...

Adiante!

Mas esquecer...

Acreditem, não minto,

Isto que eu sinto...

Sinto a ausência

Sinto a distância

Sinto um vazio...

Sinto-me flutuar...

Se pudesse voar...

...Naquele céu planar...

É tanta a saudade...

É mesmo verdade

Que sinto este tempo

Este tempo de Estio

Nem quente nem frio

Que sinto este tempo

O Tempo do Cacimbo...

Com um nó na garganta

O tempo que sinto...

Sinto, mas afinal...

...Não no Cubal...

Sinto-me perdido

Algo ferido...

Aquela terra distante

Sempre presente

A África ausente

Na África Austral

Que vontade tanta

De estar...

De voar...

De sonhar...

De respirar...

...No Cubal.

Valongo/Porto, 12-Fev-2009 (Um daqueles dias “parecendo verão...quase”, depois de uns intermináveis dias de chuva…, da tal, de faz de conta. Inverno cá, Estio lá. Lá com chuva, muita e forte chuva, daquela, da outra e muito sol... Cá, ouvindo os Guns N Roses- Live and let die - de Paul McCartney- uma daquelas músicas…).

FMartaNeves

NOTA: como se pode ver, pelos dois "posts", de dois amigos, o blog só pode mesmo, ficar mais rico.
Um abraço
GED

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

PLANETA REDONDO

A vida dá voltas e mais voltas sobre si própria. Como o nosso planeta. E, a cada esquina temos alguma coisa que sempre nos surpreende.
Hoje vim a saber por portas e janelas escondidas, que alguém no Lobito, se dá ao trabalho de ler o meu blog. Chama-se Arnaldo, não o conheço, mas vou conhecer de certeza. Anda nos mesmos circulos que eu e os amigos são comuns. É mais um para acrescentar a essa pequena lista.
Como é que soube?
Isso é outra história para contar num futuro próximo de viva voz.
Pena é que não deixe comentários.
Um abraço

Henrique

domingo, fevereiro 01, 2009

GLORIOSO

E se Mantorras, não tivesse tido as lesões que teve?
Ontem, no jogo foi perceptível o entusiasmo do público quando Mantorras entrou. Esta empatia, tem a ver com tudo o que não é habitual. A entrega total e a humildade com que o nosso angolano sempre se apresenta, ao contrário de tantas outras "estrelas" que conhecemos.
O posicionamento na área, a rotação perfeita tirando do caminho o defesa e depois o remate certeiro, limpo, para as malhas.
Mantorras e o seu percurso, fazem-me lembrar uma frase dita, creio que por Sofia de Melo Breyner: Nunca choraremos bastante ao ver o gesto criador ser impedido!
Ontem também vi a notícia de Eusébio prestando homenagem a Lev Yachine, visivelmente comovido.
Todos os amantes do futebol se lembrarão do famoso golo que Eusébio marcou. Todos nos lembramos também, do abraço fraterno e do pedido de desculpas que se seguiu. Mais do que o melhor guarda-redes do mundo, para Eusébio tratava-se de um idolo merecedor de todo o respeito.
Cada vez o futebol tem menos disto. Desta grandeza que faz com que eu e muitos milhões continuemos a achar que é o melhor desporto do mundo.

GED

segunda-feira, janeiro 26, 2009

PLANETA TERRA

"Qualquer homem como eu tem quatro avós.
Esses quatro, por força, dezasseis.
Sessenta e quatro a estes contareis
em só três gerações que expomos nós ( ... ).
Se um homem dá tanto cabedal,
dos descendentes seus, que farão mil?
Uma província?
Todo o Portugal? (*)
Por esta conta, amigo, ou nobre ou vil,
sempre és parente do Marquês de Tal,
e também do porteiro Afonso Gil."

(*) No caso das nossas famílias: "o planeta Terra?

Alguém por piada, mandou-me este email, há alguns meses.
Não liguei muito, mas a verdade é que de vez em quando estas palavras me vinham à cabeça!
Se contarmos com as infindáveis gerações e respectivas permutas, acabamos por ser todos família. Palestinianos, israelitas, afegãos, americanos, chineses, russos, africanos e por aí adiante.
O conhecimento absoluto do genoma humano irá dizer-nos isso.
Preciso de realçar a estupidez e o caos em que estamos mergulhados, inutimente?
GED

terça-feira, janeiro 20, 2009

RETRATAÇÃO

Pousava aqui e ali,
O meu querido amigo.
Anda, vem lá para aqui,
Vem ter connosco, comigo.
Que se passa? Diz! Amigo.
O que se passa contigo?
Sei agora o motivo…
Estavas a ensaiar o voo,
P'ra voar de vez um dia.
Estavas tu a ensaiar…
Voar…nunca mais voltar.
E a gente, não sabia…

Fernando Marta

Nota: este belíssimo poema, que me toca tão profundamente, foi-me enviado por um amigo de longa data, dos tempos do Kaparandanda. Agradeço-lhe.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

MUKANDA

Embaciados, ardem-me os olhos
De tanto que já viram
Ainda me servem os sapatos
Com que reinvento o chão
Um dia deixarei de dançar
As danças há muito aprendidas
Mas não hoje
Atrevo-me em novos passos
No eterno baile da vida
O meu rumo é sempre sul
O primeiro chão que pisei
Onde estão os meus imbondeiros
Areias douradas e o mar azul
Desembrulho os meus sonhos
Neste tempo longo de esperar
Revejo tantos quartos vazios
Na casa da minha vida
Um dia deixarei de dançar
Em cima da linha do horizonte
Mas não hoje
Tempo de kissanges e batuques
De saltar e levantar poeira
Arrastar amigos nesta vertigem
Aprender mais uma vez a viver
Sem anunciar preconceitos
Apenas a minha caixa de madeira
Cheia de todos os meus sonhos
Um dia deixarei de dançar
Esta eterna valsa entre continentes
Mas não hoje

GED

quarta-feira, janeiro 07, 2009

CONVITE

A Pwo envia este convite, que eu como outros amigos desejamos publicitar o mais possível.
Caros amig@s
Convido-vos a estar presentes no lançamento do meu livro "Para uma História da Dança em Angola: Entre a Escola e a Companhia - Um Percurso Pedagógico", que terá lugar na Casa de Angola (Travessa da Fábrica das Sedas, nº 7 - Entre o Largo do Rato e a Mãe de Água), na cidade de Lisboa, no dia 15 de Janeiro, pelas 18.30H.
A apresentação estará a cargo da escritora angolana Ana Paula Tavares.
Um abraço esperando vê-los lá.
Ana Clara

terça-feira, janeiro 06, 2009

FAIXA DE GAZA

Começou muito mal o Ano Novo.
Não gosto particularmente mais dos árabes que dos judeus. Ambos têm uma história que não me atrai para nenhum dos lados.
Para além de ser preocupante, que morram pessoas dos dois lados, que apenas são cidadãos comuns vivendo no local errado há outras preocupações que são enormes sinais de alarme.
Israel tem agenda temporal. Parece que tem que terminar isto antes da tomada de posse do novo presidente americano. Por outro lado calha bem agora que estão em ano de eleições. Que coisa melhor se pode mostrar aos compatriotas? O governo preocupa-se com eles!
Verdadeiramente alarmante é o facto da Liga Árabe não conseguir chegar a um acordo.
Alarmante, é o facto da famosa União Europeia se perder em declarações vazias dos vários dirigentes, sem que se vislumbre um rumo que ponha fim ao conflito.
Alarmante, é o facto da ONU não conseguir o mínimo consenso para terminar imediatamente este conflito.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

BOAS FESTAS

Alguns amigos, vêm aqui visitar-me regularmente.
Para esses especialmente e, para todos os outros que aqui passam, deixo os votos de um bom Natal.
O Ano Novo, esse será o que cada um quiser.
Por mim, quero continuar a ser feliz, e quero que todos o sejam.
Um abraço
Henrique

THE MOST EXPENSIVE CITIES IN THE WORLD

Africa
Some of the most expensive locations in the world for expatriates are in Africa with Luanda (Angola), and Libreville (Gabon) featuring in the top 10. Maseru, Lesotho, remains the cheapest location in the survey and is one of 7 African locations in the bottom 10 globally including Durban (236) and Gaborone (Botswana) (235) where the weakness of the Rand and Pula, respectively, have contributed to low cost of living.

For expatriates, particularly those paying with US dollars, Angola’s capital Luanda is the most expensive city in the world. The cost of living for those hankering after imported food rather than local produce is higher in this African metropolis than in Tokyo, Paris or London. ECA International, which carried out the research, explained that its cost of living survey compared a basket of 128 consumer goods and services commonly purchased by expatriates in over 370 locations worldwide. “Certain items and brands typically purchased by expatriates, can be very expensive in a location such as Luanda where they are not readily available locally.”

Methodology
The research for ECA’s 2008 survey was conducted in March 2008 and is based on a basket of goods and services most commonly purchased by western expatriates. The basket does NOT include items such as accommodation, utility costs, school fees or motoring costs. ECA International is the world’s largest association for human resources (HR) professionals. It was set up in 1971 and includes among its partners companies such as Deutsche Bank, Robert Bosch, Fujitsu Services, Heineken, Philips und Rolls-Royce. The organisation provides remuneration advice and data for internationally operating companies.

http://www.citymayors.com
http://www.citymayors.com/statistics/expensive-cities-intro.html#Anchor-Research-47857

segunda-feira, novembro 24, 2008

DE ONDE EU VENHO...

Muitos amigos meus, referem-se a si próprios como Muanhas, Mucubais, etc, consoante a região onde nasceram e viveram.
Fazem-no com um enorme carinho, claro está, mas eu não penso assim.
Corre-me nas veias sangue fenício por parte do meu pai, e sangue de todas as tribos que ocuparam o norte de França por parte da minha mãe.
Esse é o meu património genético.
Depois, por força de circunstâncias, os meus pais ofereceram-me a maior prenda de todas as que recebi até hoje. Deram-me uma Pátria.
E, é isso que eu sou apenas. Um angolano. Sem margem para dúvidas.

GED

domingo, novembro 09, 2008

OBAMA

CHICAGO, IL, 04.11.2008

Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.

É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença. É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.

Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia. Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América. Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.

O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta. Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama. Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.

E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites. Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.

E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.

Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir. Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.

Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.

Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.

Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.

Esta vitória é vossa.

E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.

Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.

Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.

Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.

O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.

Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.

Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.

Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.

Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.

Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.

Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.

Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.

Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.

Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.

Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.

São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.

Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.

E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.

E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.

Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.

É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.

Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.

E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.

Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.

Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.

Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.

Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.

Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.

Sim, podemos.

América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?

Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.

segunda-feira, novembro 03, 2008

MAGALHÃES

Há já algum tempo, aqui referi num texto chamado "one laptop per child", a enorme importância de toda a gente saber mexer num computador e fundamentalmente, ter acesso ao maior instrumento de conhecimento alguma vez inventado pelo Homem.
Não sou particularmente amigo do nosso Primeiro, nem sequer concordo com ele em muitos aspectos, não sou do partido dele.
No entanto, ao contrário de muita gente que goza, vocifera, se opõe, critica, estou completamente com ele no que diz respeito ao Magalhães.
Nunca ninguém o tinha feito em Portugal, apesar de não ser inédito.
A próxima geração já vai mostrar os efeitos dessa medida. Só por isso ficará na História de Portugal.
Os outros, que gozam, se opõem, vociferam, criticam, daqui a 6 meses já ninguém sabe quem são.
Um abraço
GED

segunda-feira, outubro 27, 2008

FIM DE SEMANA

Hoje, eu devia estar feliz.
O Glorioso ganhou, o Porto perdeu e o Sporting empatou.
Estou feliz, mas não tanto como devia.
O Benfica jogou mal, os mercenários da equipe mostraram mais uma vez não ter raça. Mentalmente são muito fracos e qualquer pequeno abanão os desiquilibra.
São as nossas "estrelas".
As mesmas que vão representar não sei bem o quê na selecção luso-brasileira.

quinta-feira, outubro 09, 2008

PRÉMIO NOBEL

Hoje a meio do dia, um pseudo-intelectual, perguntou-me se eu já sabia quem tinha ganho o Nobel da literatura.
Respondi-lhe que sim, mas que desconhecia por completo o senhor.
Se fosse padre tinha-me excomungado naquele momento.
Na altura apeteceu-me dizer-lhe alguma coisa. No entanto preferi o silêncio e distanciei-me.
Apetecia-me perguntar, que sabia ele de Jorge Luis Borges, ou de Sepulveda ou de Ondjaki, ou de Ana Paula Tavares, ou de Herberto Helder ou... se sabia que escritor tinha recusado recentemente o prémio Camões.
Apetecia-me vê-lo a estrebuchar na sua ignorância de uma cultura balofa.
Só não o fiz porque achei que era muita humilhação e porque sei que costuma ler o meu blog.

Um abraço
GED

segunda-feira, setembro 22, 2008

BRANQUEAMENTO

De há alguns meses para cá, ouve-se falar constantemente nos noticiários, em conversas de algumas elites intelectuais, nos telejornais e mesmo em conversas de alguns governantes.
Estou a falar de "carjacking", "homejacking", motojacking", e mais alguns "jackings" que não vale a pena referir.
Posso estar a ser ignorante, estou a sê-lo com certeza pois o meu inglês é um pouco limitado, mas creio que estão a falar de roubos de carros, de casas de motas.
Se é isso então por que é que estão a dizê-lo em inglês?
Soa melhor?
Dá o ar de que somos menos ignorantes como povo?
O roubo e o atropelo dos cidadãos, ficam com um ar mais limpo?
Fica bem nas festas da sociedade?
Este fenómeno do branqueamento e abrilhantamento das situações já não é novo. Aquela ideia abstrusa de chamar os bois pelos nomes parece ser caduca.
Senão vejamos.
Antigamente nos colégios, liceus, hospitais, repartições, empresas, etc, havia empregados de limpeza e, verdadeiramente era isso que faziam. Se alguém limpa alguma coisa, por que raio é que não é um empregado de limpeza?
Envergonhados de serem empregados (!!!), passaram a chamar-se auxiliares de acção.
Verdadeiramente o meu merceeiro é também um auxiliar de acção polivalente.
Ajuda-me a mim e a muitos outros profissionais a sermos mais eficazes nas respectivas áreas.
O que mais iremos branquear nesta estúpida viagem de algumas cabeças, que acham que avançamos alguma coisa só por mudar os nomes?
E o nosso orgulho como povo?
E aquela treta de que a minha pátria é a minha lingua?
E onde é que ficamos naquela outra treta dos CPLP, se já nem a lingua portuguesa queremos?
Os angolanos alteram a lingua portuguesa, mas na maior parte das vezes enriquecem-na. Porque a alteram em português. Se não nos orgulharmos da nossa lingua, então o que é que fica?
Há verdadeiramente em Portugal um "languagejacking" e ninguém se preocupa em prender, ou pelo menos identificar os culpados.

GED

segunda-feira, setembro 08, 2008

M. P....

Eu não queria escrever isto, mas obrigaram-me.
O meu M venceu as eleições nas 18 provincias de Angola.
Já fiz a festa e celebrei com os amigos.
A luta continua.
Aquele abraço

GED

domingo, setembro 07, 2008

ASAS

Irremediavelmente, elevo-me em voos
Como qualquer ave, aliás
Cresceram-me asas durante a noite
Definitivamente
Renego o destino da pedra
Permanentemente presa ao chão
Ausência de sonhos de ver mais longe
Voo acima das cordilheiras
Sem pressas, planando no calor
Desafio sapos e salamandras
Rastejando vidas inquietas, limitadas
Distancio-me
Viajo para onde o mar encontra a terra
Se conseguir tocar no horizonte
Estarei perto do fim da minha viagem

GED

sexta-feira, agosto 01, 2008

AGOSTO

E como estamos em tempo de descanso e divertimento, deixo-vos este "puzzle" par montarem.
Um abraço

GED





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PARA TODOS OS AMIGOS



No último livro que comprei do Mia Couto, vinha um postal dentro para mandar a um amigo.
Achei pouco e, assim aqui vai para todos vocês.

LIMPEZA ÉTNICA




O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.

"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

Há alguns dias atrás tinha-me referido a este tema. Não resisto a colocar aqui este texto de um dos nossos jornalistas mais sérios. Afinal, não estou sózinho no "politicamente incorrecto". Ainda bem!

GED

quarta-feira, julho 30, 2008

UNITED COLORS

No outro dia, foi-me apresentado um casal, durante uma amena reunião de amigos.
Ela branca e ele negro.
Aproveitei logo para perguntar: onde é que nasceu?
Já me estava a ver a falar do que mais gosto, da minha terra, de Angola.
Disse-me: nasci nos Açores.
Disse-lhe eu: porra, isto está tudo de pernas para o ar. Eu sou branco e sou angolano, você é negro e nasceu nos Açores.

Faz sentido, continuar a haver basbaques que sejam racistas?

GED

segunda-feira, julho 28, 2008

O PODER

O poder, o grande poder, dizem que corrompe.
Provávelmente sim. A tentação de o utilizar em benefício prório é demasiado grande para a maioria dos seres humanos. No entanto, o grande poder também dá homens como Senghor ou Mandela, Bolivar ou Guevara (eu já sei...).
Há no entanto outro tipo de poder. Pequenino, suburbano, de bairro, local, de condomínio ou da organização das festas da aldeia. E aqui é sempre a mesma coisa. Quem o detem não tem habitualmente capacidade de liderança. Chegou lá não interessa saber como.
Mas no final esse poder é quase sempre deselegante, mesquinho, boçal. Aproveitado muitas vezes para resolver diferendos antigos, não se cuidando de perceber que este poder, é quase sempre curto, provisório.
Rápidamente o caçador passa a presa.
Esta verdade simples, parece não ter seguidores, já que o mesmo erro se comete vezes sem conta e sempre da mesma forma.
É como se esta gente já nascesse com um qualquer gene deformado.
GED

quarta-feira, julho 23, 2008

OPINIÕES

No Diário de Coimbra de ontem, a propósito da futura inauguração dos transplantes pulmonares em Coimbra, vinham as opiniões que podem consultar na imagem que aqui deixo.
Sei, já o disse à exaustão, que estamos no tempo do políticamente correcto, do oportunismo, do carreirismo e de outros "ismos", que não têm nada a ver com outros mais antigos "ismos".
De uma assentada, aproveita-se o momento e dá-se a facadita em quem já faz este tipo de terapêutica em Portugal.
Eu, se fosse ministro, não gostaria nada de ver o meu nome associado a tais dislates.

GED

quarta-feira, julho 16, 2008

POLITÍCAMENTE INCORRECTO

Eu sei, eu sei!
Os amigos dirão que finalmente vejo a luz. Os que não gostam de mim assim tanto, dirão que finalmente estou a mudar de perfil político. Sempre soubemos que um dia ele mudaria, dirão.
A propósito de quê, isto?
A propósito, de eu não mudar nunca, de ser honesto nas minhas análises e de fundamentalmente ser políticamente incorrecto. Por isso não dependo de ninguém para o meu posto de trabalho e de vida. Apenas tenho que o merecer todos os dias.
Vamos lá então ao que importa.
Ao contrário de todos (?) os jornalistas, a maioria dos políticos e de todos os presidentes de camaras, eu olho para os ciganos sem me pôr de cócoras cada vez que eles vão reinvindicar algo de forma agressiva e em grupo.
Estamos a falar de um grupo profundamente racista, já que qualquer tentativa para os incorporar na sociedade falha. Não se misturam e vivem permanentemente à margem da lei e dos usos e costumes. Porque cargas de água há-de a sociedade arcar com a marginalidade deles?
Porque havemos nós de lhes dar bairros de habitação social, se eles podem muito bem trabalhar e não o fazem?
São colectivamente inteligentes: não pagam impostos, vivem marginalmente o que significa que não pagam casa água e luz. Utilizam os bens públicos em beneficio próprio e sempre que necessitam de algo, reinvindicam mais que a população em geral.
São inteligentes: encostam os políticos à parede, sabendo que os mesmos se vão deixar encostar.
Usam os meios de comunicação, conforme lhes dá mais jeito.
Acabo, como comecei.
Eu sou políticamente incorrecto e estou-me nas tintas para os ciganos, como estou para qualquer marginal. Se não estão bem mudem-se. Deixem de incomodar quem trabalha. Quanto aos políticos políticamente correcto, não voto neles. Sei que não vale de nada, mas dá-me gozo.
Pelo menos nesta questão estou de acordo com o Marquês de Pombal.
GED

sexta-feira, julho 04, 2008

O VÓMITO

Espectáculo diário na TVI, que dá pelo nome de Telejornal à hora de jantar.
Hoje liderado por Manuela M. Guedes, com o seu inenarrável comentador Vasco P. Valente.
A última intervenção deste senhor, versou sobre a libertação de Ingrid Betancourt, as FRAC (palavras dele), a Colombia, os camponeses, etc.
Do que se conseguiu perceber, deu para ver, que o senhor não percebe patavina do que está a dizer.
Maldita entidade reguladora, que nunca está quando é preciso!

GED

segunda-feira, junho 23, 2008

ZIMBABWE

A história de África está cheia de acontecimentos destes.
Convenhamos que não é inédito o que se está a passar no Zimbabwe. Claro, que em muitas outras latitudes, o cenário é o mesmo e provávelmente pelas mesmas razões.
Candidatos a ditadores e, ditadores consumados há-os por todo o lado. Localmente todos conhecemos os "ditadorzinhos" que nos cercam. Parece um mal inerente ao ser humano.
Mas não é.
É apenas fruto da ignorância do povo e da cobardia desses mesmos ditadores, incapazes de controlar o destino do seu país e o seu próprio destino. Aposto que o ditador Mugabe vai ter um triste fim.
Vale nesta altura, relembrar a diferença.
Homens como Senghor ou Mandela, recordam-nos que a verdadeira força reside no facto de a sabermos partilhar com equidade.


GED

sábado, junho 14, 2008

AMIGOS DE ALEX


As saudades já eram demais, todos sentimos isso.
O Jaime, decidiu um almoço. Não falhamos.
Com amigos assim não pode haver falhas.
O próximo fica por minha conta.

GED

quarta-feira, junho 11, 2008

CIDADANIA

Poucos povos em todo o planeta, usam plenamente os seus direitos e deveres de cidadania.
Os dedos de uma mão sobram para os enumerar. É de facto uma questão de educação e de avanço civilizacional, e como sabemos, a maior parte dos povos ainda está longe de atingir esse limiar.
Por isso, não é de estranhar todo este confronto em volta dos combustíveis, da sua falta, do seu preço, e claro está, na hora do desespero é este governo que não presta.
Como sempre é uma atitude imediatista, de reacção acéfala a um problema que começou há muito tempo.
Está toda a gente de acordo, que nada disto teria acontecido, se os EUA tivessem entrado Iraque adentro, limpado o sebo ao Sadam, colocado novos governantes e, toda a gente de lá se calasse. Claro que nada disso aconteceu, o petróleo não começou a jorrar como era esperado, o dólar foi-se indo abaixo das canetas, o orçamento previsto para a operação disparou dúzias de vezes e, estamos na situação actual.
Na altura, não vi um único camionista, médico, pedreiro, artista, dentista, metalúrgico, engenheiro, professor, político, etc, etc, manifestar-se sériamente contra.
Pois é, a cidadania tem destas coisas. É preciso trancar a casa antes que a arrombem. Só que dá trabalho, é preciso ter cultura e estar a par das coisas, nomeadamente da história, para não nos deixarmos enganar.
Afinal, ainda estamos todos vivos, os da geração do Vietnam.

quarta-feira, junho 04, 2008

REGRESSO

Há mais de um mês, que não escrevo nada!
E continuo neste marasmo de não me apetecer escrever. Provávelmente há várias causas para isso. O meu país vive numa modorra que não prenuncia nada de bom. O sol, que tanta falta me faz, este ano teima em esconder-se por trás de nuvens ameaçadoras, escuras e persistentes.
Mas, verdadeiramente tem-me feito bem este descanso.
Detenho-me nos blogues dos amigos, com tempo para os saborear. Organizo as fotografias de tempos idos, actuais e, imagino as futuras.
Volta e meia telefono-lhes para matar saudades.
Organizo cuidadosamente a minha próxima ida ao hemisfério sul. Vou entrar pelo Botswana, visitar o delta do Okavango e depois subir África acima até Luanda. Pelo caminho, um enorme punhado de sítios e paisagens que finalmente a minha mulher vai conhecer, vencidos os medos dos paludismos, mosquitos, crocodilos, leões, cobras, etc.
Sei que este interregno não vai durar muito. Mas, tem-me sabido bem.
Virá brevemente o tempo de pegar na velha caixa de madeira vazia e enchê-la de novas letras ( perdoa amiga, por usar palavras tuas).
GED

quinta-feira, maio 01, 2008

EDUARDO WHITE

Requerimento de um cidadão desiludido consigo mesmo.
Por Eduardo White.

Ilustríssima Senhora Vida

Distinta,

Quero um poço fundo para morrer. Um poço fundíssimo onde morto eu não me possa rever. Um poço escuro, Ilustríssima senhora, um poço que arda entre o silêncio e a escuridão, um poço que doa só de nos vermos na sua vertigem, um poço que abra as vísceras terrenas da solidão. Quero um poço fundo, um fundo poço para morrer e não outro poço que seja este em que me estou a perder. Longo, obtuso, fantasmagórico, com chamas que queimem, que subam aos olhos de quem me queira reaver.

Um poço por favor, é tudo o que estou a pedir-lhe, é tudo o que eu pretendo ter, um poço onde morra intranquilo como me condenou a viver. Porra que quero um poço, é tão difícil um poço onde a morte me possa merecer? Então dê-me, com urgência, com a veemência concreta de um ódio qualquer, mas que seja puro e mau e perverso e tenha lanças que me trespassem a barriga e me partam em absoluto a minha espinha dorsal.

Eu quero um fundo, um poço fundíssimo, um poço escuro para que possa morrer tão perfeito e completamente como nunca assim pude viver. Porra, um poço. E isso custa dar-me sem pedir-lhe deferimento? Custa tanto autorizar o que a faz rir? Senhora minha e Ilustríssima, um poço bem mais fundo que o seu, bem mais escuro, bem mais vertiginoso, bem mais lamacento que o corpo com que a ele me vou atirar. Um poço, Digníssima, onde morto eu não a oiça nem falar nem tão pouco doer-se de respirar. Um poço que seja talqualmente este fosso de onde lhe requeiro isto e onde a vida, depois que demitida, seja em si um sólido quisto.

Atenciosamente

Um baixíssimo cidadão

Eduardo White

(Para quem não conhece Eduardo White, faça o favor de pesquisar e de ler tudo o que está publicado. Poeta maior da língua portuguesa )

GED