É assim a vida em TERRAMAR, onde dragões e feiticeiras se juntam e contam histórias em que tudo pode acontecer.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Fausto: "Velas e navios sobre as águas"
Fausto publicou há 28 anos, o melhor album de música portuguesa de sempre, "Por este rio acima". Alguns anos depois, juntou-lhe "Crónicas de uma terra ardente".
Finalmente este ano terminou a trilogia, publicando este album incrível, "Em busca das montanhas azuis".
Um retrato da grande epopeia dos Descobrimentos, que orgulha qualquer um de nós.
Retirei esta música do album.
Apreciem-na
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
HOJE
As horas dobram-se com lentidão desesperante.
A noite não desabotoa o casaco escuro que habitualmente veste. Nem nenhuma madrugada se vem cravar no sítio habitual.
Apenas eu e a noite teimamos nesta insónia devastadora, que pagaremos mais cedo ou mais tarde.
Revejo o último livro que me ofereceram, "a bicicleta que tinha bigodes", do meu amigo Ondjaki.
Esteve no Porto, juntamente com outro amigo, Luandino Vieira e eu não pude estar com eles.
Onde estarão agora?
Não sei porquê, mas esta devia ser mais uma noite vulgar, de serviço nos Cuidados Intensivos. Mas não é!
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
segunda-feira, janeiro 16, 2012
GELO
terça-feira, janeiro 03, 2012
MUNDO
Mundo de afectos e desafectos, ainda que raros, correndo em desfilada.
Estendem-se almas, tentando captar um raio de sol que seja, enquanto andorinhas tecem músicas nos fios de metal.
O mais importante contudo é sobreviver.
Instintos básicos dirá quem sabe. Não importa quanto caminho para fazer, debaixo de tanta nuvem escorrendo dos céus.
Estendem-se almas, tentando captar um raio de sol que seja, enquanto andorinhas tecem músicas nos fios de metal.
O mais importante contudo é sobreviver.
Instintos básicos dirá quem sabe. Não importa quanto caminho para fazer, debaixo de tanta nuvem escorrendo dos céus.
sexta-feira, dezembro 30, 2011
CDC
A CDC ANGOLA
Pioneira da dança contemporânea em Angola onde é a única com estatuto profissional, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola fundada em 1991 pela coreógrafa angolana Ana Clara Guerra Marques, marca a ruptura estética e formal da dança neste país africano, ao propor a abertura para novos conceitos de espectáculo num terreno conservador quase exclusivamente marcado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas.
A utilização de espaços cénicos não convencionais, bem como a iniciação do público angolano ao Teatro-Dança, entre outras sugestões para a diversificação e renovação das linguagens da dança em Angola, não tem sido tarefa fácil, apesar das suas novas propostas estéticas despertarem cada vez mais a curiosidade e o interesse do público.
Há também a destacar o trabalho realizado em colaboração com importantes nomes da literatura (Manuel Rui, Carlos Ferreira, Pepetela, F. Ningi), das artes plásticas (António Ole, Jorge Gumbe, Mário Tendinha, Masongi Afonso) e do audiovisual angolano (Geração 80, Rui Tavares), bem como o trabalho experimental resultante da investigação e da reflexão sobre a estatuária e as danças tradicionais e populares de algumas regiões de Angola.
A crítica social é uma das opções desta companhia que tem partilhado o seu trabalho com os países africanos, europeus e asiáticos que já visitou.
Depois de uma longa interrupção, a CDC reaparece, em 2008, com um novo elenco de bailarinos por si formados e a trabalhar em regime de exclusividade.
A Dança Inclusiva, pela integração de elementos portadores de deficiências físicas, foi o mais recente desafio da Companhia de Dança Contemporânea de Angola que se vem impondo pelo investimento intelectual, pela originalidade das suas criações e pela qualidade técnica e artística com que vai conquistando o reconhecimento da sociedade.
(Enviado por Pwo)
Pioneira da dança contemporânea em Angola onde é a única com estatuto profissional, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola fundada em 1991 pela coreógrafa angolana Ana Clara Guerra Marques, marca a ruptura estética e formal da dança neste país africano, ao propor a abertura para novos conceitos de espectáculo num terreno conservador quase exclusivamente marcado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas.
A utilização de espaços cénicos não convencionais, bem como a iniciação do público angolano ao Teatro-Dança, entre outras sugestões para a diversificação e renovação das linguagens da dança em Angola, não tem sido tarefa fácil, apesar das suas novas propostas estéticas despertarem cada vez mais a curiosidade e o interesse do público.
Há também a destacar o trabalho realizado em colaboração com importantes nomes da literatura (Manuel Rui, Carlos Ferreira, Pepetela, F. Ningi), das artes plásticas (António Ole, Jorge Gumbe, Mário Tendinha, Masongi Afonso) e do audiovisual angolano (Geração 80, Rui Tavares), bem como o trabalho experimental resultante da investigação e da reflexão sobre a estatuária e as danças tradicionais e populares de algumas regiões de Angola.
A crítica social é uma das opções desta companhia que tem partilhado o seu trabalho com os países africanos, europeus e asiáticos que já visitou.
Depois de uma longa interrupção, a CDC reaparece, em 2008, com um novo elenco de bailarinos por si formados e a trabalhar em regime de exclusividade.
A Dança Inclusiva, pela integração de elementos portadores de deficiências físicas, foi o mais recente desafio da Companhia de Dança Contemporânea de Angola que se vem impondo pelo investimento intelectual, pela originalidade das suas criações e pela qualidade técnica e artística com que vai conquistando o reconhecimento da sociedade.
(Enviado por Pwo)
segunda-feira, dezembro 26, 2011
NATAL
Estamos em plena crise, mais para uns que para outros.
O desemprego é assustador, o novo ano que se avizinha não parece trazer bons augúrios para ninguém. Haverá certamente festejos na passagem de ano, com muita luz e cor.
Continuaremos a ter estes governantes ridículos, completamente subjugados a forças que não dominam, mas às quais querem pertencer.
Mas, a esperança resiste. Nesta época tão dura, o povo português contribuiu com mais 30% de ofertas para o Banco Alimentar em relação ao ano passado.
Desejo para 2012: que este país tão pobre, não continue a incentivar a saída daquilo que tem de melhor, os seus quadros jovens. Se isso continuar a acontecer, demoraremos uma eternidade a regressar a qualquer normalidade.
O desemprego é assustador, o novo ano que se avizinha não parece trazer bons augúrios para ninguém. Haverá certamente festejos na passagem de ano, com muita luz e cor.
Continuaremos a ter estes governantes ridículos, completamente subjugados a forças que não dominam, mas às quais querem pertencer.
Mas, a esperança resiste. Nesta época tão dura, o povo português contribuiu com mais 30% de ofertas para o Banco Alimentar em relação ao ano passado.
Desejo para 2012: que este país tão pobre, não continue a incentivar a saída daquilo que tem de melhor, os seus quadros jovens. Se isso continuar a acontecer, demoraremos uma eternidade a regressar a qualquer normalidade.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
EUSÉBIO
Eusébio, é uma das pessoas que eu admiro. Um dos melhores jogadores de futebol de sempre.
Foi internado com uma pneumonia.
Ninguém tem dúvidas, que sempre terá tratamento diferenciado e que todo o Portugal torce por ele.
Está melhor, felizmente.
Segundo o boletim médico, em declaração pública do director do hospital, ele até já pediu o prato que quer comer amanhã: bacalhau.
Pressuroso o dito director, apressou-se a dizer que o hospital está a fazer esforços no sentido de lhe satisfazer os desejos.
Mas era preciso dizer isso públicamente com aquele ar servil?
Que refeição de Natal estará reservada, para os restantes doentes?
Como se sentirão eles, ao ouvir tais dislates?
Foi internado com uma pneumonia.
Ninguém tem dúvidas, que sempre terá tratamento diferenciado e que todo o Portugal torce por ele.
Está melhor, felizmente.
Segundo o boletim médico, em declaração pública do director do hospital, ele até já pediu o prato que quer comer amanhã: bacalhau.
Pressuroso o dito director, apressou-se a dizer que o hospital está a fazer esforços no sentido de lhe satisfazer os desejos.
Mas era preciso dizer isso públicamente com aquele ar servil?
Que refeição de Natal estará reservada, para os restantes doentes?
Como se sentirão eles, ao ouvir tais dislates?
quinta-feira, dezembro 22, 2011
NATAL
A todos os que por aqui passam, amigos, menos amigos, visitantes apenas, desconhecidos, a todos um feliz Natal.
Fiquem com um dos mais belos poemas da lingua espanhola, uma das línguas mais bonitas do mundo.
Todo pasa y todo queda pero lo nuestro es pasar
pasar haciendo camino, camino sobre la mar
nunca perseguí la gloria y dejar en la memoria
de los hombres mi canción.
Yo amo los mundos sutiles ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse, de sol y gran arbolar
bajo el cielo Azul temblar, súbitamente y quebrarse
nunca perseguí la gloria.
Caminante son tus huellas del camino y nada más
caminante no hay camino, se hace camino al andar
al andar se hace el camino y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar
caminante no hay camino sino estelas en la mar.
Hace algún tiempo en ese lugar
donde los bosques se visten de espinos
se oyó una voz de un poeta gritar
caminante no hay camino se hace camino al andar
golpe a golpe, verso a verso.
Murió el poeta lejos del hogar
le cubre el polvo de un país vecino
al alejarse le vieron llorar
caminante no hay camino se hace camino al andar
golpe a golpe, verso a verso.
Cuando el jilguero no puede cantar
cuando el poeta es un peregrino
cuando de nada nos sirve rezar.
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
golpe a golpe,
verso a verso
Fiquem com um dos mais belos poemas da lingua espanhola, uma das línguas mais bonitas do mundo.
Todo pasa y todo queda pero lo nuestro es pasar
pasar haciendo camino, camino sobre la mar
nunca perseguí la gloria y dejar en la memoria
de los hombres mi canción.
Yo amo los mundos sutiles ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse, de sol y gran arbolar
bajo el cielo Azul temblar, súbitamente y quebrarse
nunca perseguí la gloria.
Caminante son tus huellas del camino y nada más
caminante no hay camino, se hace camino al andar
al andar se hace el camino y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar
caminante no hay camino sino estelas en la mar.
Hace algún tiempo en ese lugar
donde los bosques se visten de espinos
se oyó una voz de un poeta gritar
caminante no hay camino se hace camino al andar
golpe a golpe, verso a verso.
Murió el poeta lejos del hogar
le cubre el polvo de un país vecino
al alejarse le vieron llorar
caminante no hay camino se hace camino al andar
golpe a golpe, verso a verso.
Cuando el jilguero no puede cantar
cuando el poeta es un peregrino
cuando de nada nos sirve rezar.
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
golpe a golpe,
verso a verso
CESÁRIA
Agora que Cesária morreu, corre por aí em alguns blogs que os portugueses não a trataram como devia e que era melhor acolhida noutros países. Provávelmente dizem essas coisas por desconhecimento. Cesária era bastante apreciada em Portugal, talvez não tivesse o estatuto de diva da "world music", mas era bem tratada.
Ninguém como o povo português conhece Cabo Verde. E para nós Cesária não era uma diva, era apenas mais uma extraordinária cantora das ilhas de fogo. Pena que o resto do mundo não conheça Lura, ou Cimentera, ou Ildo Lobo, ou os Tubarões, ou Dany Silva, ou Tito paris, ou, ou, para apenas citar alguns de repente.
Perceberiam de imediato o que eu quero dizer.
Cesária era bem tratada pelos portugueses.
segunda-feira, dezembro 19, 2011
CÓRDOVA
Este fim de semana estive em Córdova, visitando velhos amigos e trabalhando com eles, por pura diversão, no Hospital Reina Sofia. Foi óptimo. Fez-me bem. Fez-me recordar os tempos que aí passei treinando coisas novas. Ainda assim, aproveitei e treinei outras técnicas que quero iniciar em Janeiro. Ano novo, vida nova, como se diz por aqui.
E Córdova é um sítio onde sempre regresso, sabendo que vou ficar feliz. É uma cidade encantadora de gente simpática e que nos acolhe com imensa naturalidade. E ainda por cima, joguei golf. Algo me dizia que não devia tirar o meu saco do carro.
Agora estou de volta, muito mais leve e sereno. Até lá voltar.
E Córdova é um sítio onde sempre regresso, sabendo que vou ficar feliz. É uma cidade encantadora de gente simpática e que nos acolhe com imensa naturalidade. E ainda por cima, joguei golf. Algo me dizia que não devia tirar o meu saco do carro.
Agora estou de volta, muito mais leve e sereno. Até lá voltar.
sexta-feira, dezembro 09, 2011
segunda-feira, dezembro 05, 2011
RIOS
domingo, dezembro 04, 2011
BLOGS!
A blogosfera é um espaço de cultura, lazer, divertimento, impensável há alguns anos atrás. Através dela, pode-se conseguir quase tudo, inclusivamente bons amigos, e aumentar exponencialmente o saber.
Há os blogs individuais que reflectem a opinião, o saber e mesmo a personalidade de quem o utiliza como ferramenta. Têm a vantagem de que só lê quem quer. Pode até acontecer que ninguém o leia, mas creio que isso importa muito pouco aos donos deles.
Depois há os blogs colectivos.
Quando alguém assume criar um blog e torná-lo colectivo, ainda que seja administrador, o blog deixa em termos prácticos de lhe pertencer e a sua única função é torná-lo equilibrado e evitar alguns mal entendidos que sempre surgem.
Há uns anos atrás tive o privilégio de escrever num blog colectivo, que envolvia gente dos cinco continentes. Foi uma época tão importante, que esse blog foi objecto de um "case study" e fez parte de uma tese de doutoramento.
Foi um período fabuloso, mas a má administração acabou com esse blog, num curto espaço de tempo. Nessa altura recebi telefonemas de gente insatisfeita como eu, dos EUA, do Brasil e até da Austrália. Foi impossível salvar o blog, porque os administradores recusaram-se a ver o que se passava.
Mas salvou-se alguma coisa. Ainda hoje fiquei com amigos com os quais contacto regularmente, nos quatro cantos deste mundo.
Neste momento, num outro blog muito importante, estou eu e estará muita gente a passar por uma situação idêntica, mas tenho fé que os administradores que são gente sensata, se apercebam do mal estar e corrijam rápidamente o que está mal.
GED
Há os blogs individuais que reflectem a opinião, o saber e mesmo a personalidade de quem o utiliza como ferramenta. Têm a vantagem de que só lê quem quer. Pode até acontecer que ninguém o leia, mas creio que isso importa muito pouco aos donos deles.
Depois há os blogs colectivos.
Quando alguém assume criar um blog e torná-lo colectivo, ainda que seja administrador, o blog deixa em termos prácticos de lhe pertencer e a sua única função é torná-lo equilibrado e evitar alguns mal entendidos que sempre surgem.
Há uns anos atrás tive o privilégio de escrever num blog colectivo, que envolvia gente dos cinco continentes. Foi uma época tão importante, que esse blog foi objecto de um "case study" e fez parte de uma tese de doutoramento.
Foi um período fabuloso, mas a má administração acabou com esse blog, num curto espaço de tempo. Nessa altura recebi telefonemas de gente insatisfeita como eu, dos EUA, do Brasil e até da Austrália. Foi impossível salvar o blog, porque os administradores recusaram-se a ver o que se passava.
Mas salvou-se alguma coisa. Ainda hoje fiquei com amigos com os quais contacto regularmente, nos quatro cantos deste mundo.
Neste momento, num outro blog muito importante, estou eu e estará muita gente a passar por uma situação idêntica, mas tenho fé que os administradores que são gente sensata, se apercebam do mal estar e corrijam rápidamente o que está mal.
GED
sexta-feira, dezembro 02, 2011
DEZEMBRO DE NOVO!
Mês mágico. Pelo menos de onde eu venho era.
Mês de inventar palavras novas, usar a magia.
"Amorar" por exemplo. Não sei se já foi inventada, mas eu inventei-a também.
"Dançarinhando", coisa que eu faço muitas vezes.
"Futugir", coisa que eu nunca farei.
Experimentem inventar. Faz-nos sentir bem.
Fiquem abensonhados ( esta não é minha).
Mês de inventar palavras novas, usar a magia.
"Amorar" por exemplo. Não sei se já foi inventada, mas eu inventei-a também.
"Dançarinhando", coisa que eu faço muitas vezes.
"Futugir", coisa que eu nunca farei.
Experimentem inventar. Faz-nos sentir bem.
Fiquem abensonhados ( esta não é minha).
DEZEMBRO
Aí está ele, esse mês de tantas e desencontradas emoções. O mês do Natal.
Pessoalmente, acredito no Pai Natal, sempre acreditei.
De onde eu venho, acreditamos em dragões, em elfos, em duendes, em feiticeiros e... no Pai Natal.
Independentemente de amarguras, ou de frustrações, ou de desastres ciclópicos, eu acredito no Pai Natal.
E, de verdade, tenho pena daqueles que não acreditam. Não sabem o que perdem.
A vida sem magia, é apenas um "copy"/ "paste", de uma enorme, incomensurável tristeza.
Pessoalmente, acredito no Pai Natal, sempre acreditei.
De onde eu venho, acreditamos em dragões, em elfos, em duendes, em feiticeiros e... no Pai Natal.
Independentemente de amarguras, ou de frustrações, ou de desastres ciclópicos, eu acredito no Pai Natal.
E, de verdade, tenho pena daqueles que não acreditam. Não sabem o que perdem.
A vida sem magia, é apenas um "copy"/ "paste", de uma enorme, incomensurável tristeza.
quarta-feira, novembro 30, 2011
terça-feira, novembro 29, 2011
Yiruma - Kiss The Rain (Full Version)
KISS THE RAIN
Lembro-me que chovia no meu passado
Grossas gotas, mornas, acolhedoras
Cada uma me lambuzando a face e os lábios
Em suaves beijos de amor primeiro
Lembro-me de imaginar ser tudo possível
Mirando-as a engrossar a correnteza
Vendo-as partir nos rumos de outras vidas
Com a certeza de que regressariam de novo
Imaginava que me trariam notícias de lá
Lembro-me de as ver chegar em cada ano
As mesmas chuvas que eu tinha beijado
Incessantemente prisioneiras entre a nuvem e o charco
Brilhando em tons de azul sob o sol tropical
Lembro-me que chovia no meu passado
E eu imaginava que tudo era possível.
Lembro-me que chovia no meu passado. Grossas gotas, mornas, acolhedoras, cada uma me lambuzando a face e os lábios, em suaves beijos de amor primeiro. Cristais líquidos escorrendo no pano da tarde. A terra vermelha fumegava cios. Lembro-me de imaginar ser tudo possível, mirando-as a engrossar a correnteza, vendo-as partir nos rumos de outras vidas com a certeza de que regressariam de novo. Imaginava que me trariam notícias de lá.
Lembro-me de as ver chegar em cada ano, as mesmas chuvas que eu tinha beijado, gotejando beirais, incessantemente prisioneiras entre a nuvem e o charco, brilhando em tons de azul e vermelho sob o intenso sol tropical.
Lembro-me que chovia no meu passado, e eu ainda imaginava que tudo era possível.
segunda-feira, novembro 28, 2011
VIDA
Latejam-me as veias
Por onde circulam palavras de impaciência
Em cadências loucas de ritmos distantes
Vincando rugas mágicas na pele da alma
Oceanos de luz invadem-me em golfadas
Noites e dias explodindo perto de mim
Mil sóis vagabundos penetram-me o corpo
E tremo sozinho febres de tanto esperar
Ainda assim, latejam-me as veias
No ritmo de tantas inquietas solidões
Arrisco-me nas profundezas do grande mar
Apalpando às cegas cada onda que passa
Procura incessante de outras solidões iguais
Ateio labaredas nos céus de cor violeta
Voo entre elas no dorso dos mais velhos dragões
E convoco todos os feiticeiros disponíveis
Latejam-me demasiado as veias
De imaginar tanta vida para palmilhar ainda
E tanto desencontro no caminho em frente
Por onde circulam palavras de impaciência
Em cadências loucas de ritmos distantes
Vincando rugas mágicas na pele da alma
Oceanos de luz invadem-me em golfadas
Noites e dias explodindo perto de mim
Mil sóis vagabundos penetram-me o corpo
E tremo sozinho febres de tanto esperar
Ainda assim, latejam-me as veias
No ritmo de tantas inquietas solidões
Arrisco-me nas profundezas do grande mar
Apalpando às cegas cada onda que passa
Procura incessante de outras solidões iguais
Ateio labaredas nos céus de cor violeta
Voo entre elas no dorso dos mais velhos dragões
E convoco todos os feiticeiros disponíveis
Latejam-me demasiado as veias
De imaginar tanta vida para palmilhar ainda
E tanto desencontro no caminho em frente
TALVEZ
Talvez
A vida não seja apenas estilhaços
E não seja tão duro crescer
Dançando sempre num baile de cicatrizes
Talvez
Haja um tempo de sorrir à morte
Fitar a fera de olhos confiantes
E dizer-lhe sereno que não venceu a batalha
Talvez
Os crepúsculos anunciem o orvalho das manhãs
As fogueiras sejam realmente dragões
Contando histórias na lingua velha
Talvez
Haja amores que sejam eternos
E que todos os rios circulem nas veias
Flutuando alucinações e desejos contidos.
Talvez
Haja um tempo de sussurros cristalinos
Com libelinhas dourando sob o sol.
A vida não seja apenas estilhaços
E não seja tão duro crescer
Dançando sempre num baile de cicatrizes
Talvez
Haja um tempo de sorrir à morte
Fitar a fera de olhos confiantes
E dizer-lhe sereno que não venceu a batalha
Talvez
Os crepúsculos anunciem o orvalho das manhãs
As fogueiras sejam realmente dragões
Contando histórias na lingua velha
Talvez
Haja amores que sejam eternos
E que todos os rios circulem nas veias
Flutuando alucinações e desejos contidos.
Talvez
Haja um tempo de sussurros cristalinos
Com libelinhas dourando sob o sol.
sábado, novembro 26, 2011
DE ONDE EU VENHO
De onde eu venho
Não há talvez nem indecisões
Nenhum rio é de sim e não
E todos, todos nascem no mar
Terra é terra, fogo é fogo
E nenhuma água jamais o dissipará
De onde eu venho
Libelinhas azuis vagueiam no crepúsculo
E pirilampos acendem as noites
Enquanto girassóis se ausentam de danças
Em redor de cada fogueira ateada
Cada homem empenha sua palavra firme
Fundida no fogo dos seus ancestrais
De onde eu venho
Há memórias de bemquerer
Salpicando as espumas do grande mar
As mulheres podem vestir cetins negros
Porque nenhuma dança será recusada
E nenhum amor, nunca vacilará
De onde eu venho
Serpenteiam brilhantes as veias da terra
Num rumor liquido e sagrado
Amparando amores prometidos e cumpridos
Enquanto majestoso bagres deslizam serenos
Nos rios de todas as memórias
De onde eu venho
Cada homem é a sua palavra.
GED
Não há talvez nem indecisões
Nenhum rio é de sim e não
E todos, todos nascem no mar
Terra é terra, fogo é fogo
E nenhuma água jamais o dissipará
De onde eu venho
Libelinhas azuis vagueiam no crepúsculo
E pirilampos acendem as noites
Enquanto girassóis se ausentam de danças
Em redor de cada fogueira ateada
Cada homem empenha sua palavra firme
Fundida no fogo dos seus ancestrais
De onde eu venho
Há memórias de bemquerer
Salpicando as espumas do grande mar
As mulheres podem vestir cetins negros
Porque nenhuma dança será recusada
E nenhum amor, nunca vacilará
De onde eu venho
Serpenteiam brilhantes as veias da terra
Num rumor liquido e sagrado
Amparando amores prometidos e cumpridos
Enquanto majestoso bagres deslizam serenos
Nos rios de todas as memórias
De onde eu venho
Cada homem é a sua palavra.
GED
sexta-feira, novembro 25, 2011
ÁFRICA

Hoje inexplicávelmente, acordei e passei o dia com o cheiro de África entranhado em mim, como um perfume.
Por isso andei feliz o dia inteiro, embora a saudade me batesse constantemente, mais que o habitual.
Este amor é permanente, sem quebras, e ao contrário de tantos outros é para a vida inteira.
Está na hora de regressar e sentir de novo na pele, o calor abrasador daquele sol amigo. De passear sem destino naquelas anharas sem fim.
Cumprimentar gibóias e girafas e zebras. Alucinar com a dança dos girassóis.
É, está na hora de regressar a este amor firme que me consome diáriamente.
quinta-feira, novembro 24, 2011
PLAYING FOR CHANGE
Para quem não conhece, aconselho vivamente a visita a www.playingforchange.com.
Visitem, ouçam, vasculhem o site com todo o cuidado, que não se vão arrepender.
Uma cadeia de televisão norte americana, propôs-se encontrar cantores e músicos de rua, fora de todos os circuitos comerciais e pô-los a tocar em simultâneo, cada um em seu país. O movimento cresceu e hoje é magnífico.
Aproveitem.
Visitem, ouçam, vasculhem o site com todo o cuidado, que não se vão arrepender.
Uma cadeia de televisão norte americana, propôs-se encontrar cantores e músicos de rua, fora de todos os circuitos comerciais e pô-los a tocar em simultâneo, cada um em seu país. O movimento cresceu e hoje é magnífico.
Aproveitem.
sábado, novembro 19, 2011
VIDA
Hoje sinto-me profundamente feliz. Salvei uma vida.
À minha frente, morreu súbitamente uma pessoa. Consegui mantê-lo vivo, durante dez minutos até chegar a Emergência Médica.
Hoje, sinto-me feliz. Finalmente mereci o meu pedaço de pão.
À minha frente, morreu súbitamente uma pessoa. Consegui mantê-lo vivo, durante dez minutos até chegar a Emergência Médica.
Hoje, sinto-me feliz. Finalmente mereci o meu pedaço de pão.
quinta-feira, novembro 17, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
I'M GOING TO...
Perdoem-me aqueles raros amigos que aqui vêm.
Vou dar-me a mim próprio um período de repouso e de reflexão.
Estou cansado, verdadeiramente cansado de escrever.
Sem chama e sem vontade de voar.
Apenas um tempo.
Depois, talvez regresse de novo.
Abraços
Vou dar-me a mim próprio um período de repouso e de reflexão.
Estou cansado, verdadeiramente cansado de escrever.
Sem chama e sem vontade de voar.
Apenas um tempo.
Depois, talvez regresse de novo.
Abraços
RETEP NAP

No outro dia alguém me perguntou, se era possível viver sem chama, sem fantasia, sem voar!
É possível viver sem as duas pernas, sem os dois braços, sem as duas pernas e os dois braços, sem olhos, sem uma série de coisas. É quase possível viver sem quase tudo.
Viver sem chama é apenas mais uma forma de mutilação. É possível, mas isso é vida?
Há quantidades enormes de intelectuais dizendo barbaridades do género: as recordações, todas elas ajudam a povoar a solidão. Eu que não sou intelectual, acho que as recordações apenas ajudam a intensificar a solidão.
domingo, novembro 13, 2011
QUEM NÃO SE LEMBRA?

PAI
Anoitece
E o céu encobriu-se de mil estrelas
Lá muito longe, entre Rigel e Altair
Encontro aquela que sempre procuro
Nova, com a luz de milhões de velas
Acendeu-se, quando decidiste partir
E brilha intensamente no céu escuro
Anoitece
E quando olho fixamente essa estrela
Sinto que ficou tanto, tanto por dizer
Que nem sei bem por onde começar
Sei que tenho de preencher esta tela
Com cores que te possam dar prazer
Que possam mostrar-te o sol e o luar
Anoitece
Penso em tudo aquilo que me deste
Pitágoras e o milagre da hipotenusa
Arquimedes mergulhando no banho
Sandokan, Cyrano, o principe Oreste
Neruda, Leonardo e a sua bela musa
Chopin, Galileu, África sem tamanho.
Anoitece
Sei que a natureza tem horror ao vazio
Sei que a gravidade nos impede de voar
E que varia na razão inversa da distância
Sei que temos sempre a vida por um fio
Sei que deste tudo o que tinhas para dar
Sei tudo isto que aprendi desde a infância
Anoitece
Deste-me tudo sem pedir nada em troca
Apenas pelo puro prazer de me ver crescer
Ensinaste-me que o sonho comanda a vida
Ensinaste-me a ver que não há fio sem roca
Ainda assim, sinto que ficou tanto por dizer
Tanto, que sinto permanentemente esta ferida
Anoitece
Aproveito para te dizer o que me vai na alma
Que deveria ter dito antes e já não pode ser
A verdade é que só há pouco tempo percebi
Como a luz do teu mundo era doce e calma
E só agora ganhei coragem para te dizer
Que gosto muito, muito, muito de ti.
MOMENTOS
Há momentos em que as palavras queimam
E escrever é uma montanha intransponível
Custa usá-las, porque fogem e magoam
Dançam as próprias danças, não as nossas
E o amor, já não é mais coisa de bemquerer
Há momentos em que as palavras doem
Silenciando todos os gestos ensaiados
Afectos ardem nas fogueiras lentas da noite
E os lobos e girassóis permanecem quietos
Ainda que a lua cheia se arraste nos céus
Há momentos em que as palavras ferem
E as gotas da chuva são apenas punhais
Ferindo incessantemente a alma já dilacerada
Impossível sonhar com dias de cor azul
E nenhuma noite se crava mais nas madrugadas.
Há momentos em que as palavras enlouquecem
E passeiam desordenadas nas nossas veias
Rios em turbilhão correndo ao contrário
Foz e nascente misturadas num caos alucinado
Nenhum abraço terno para inventar um chão
Os ventos imóveis já não vestem poeiras
E o sol deixa de caber no concavo das mãos
Há momentos em que o poema não é mais possível
E escrever é uma montanha intransponível
Custa usá-las, porque fogem e magoam
Dançam as próprias danças, não as nossas
E o amor, já não é mais coisa de bemquerer
Há momentos em que as palavras doem
Silenciando todos os gestos ensaiados
Afectos ardem nas fogueiras lentas da noite
E os lobos e girassóis permanecem quietos
Ainda que a lua cheia se arraste nos céus
Há momentos em que as palavras ferem
E as gotas da chuva são apenas punhais
Ferindo incessantemente a alma já dilacerada
Impossível sonhar com dias de cor azul
E nenhuma noite se crava mais nas madrugadas.
Há momentos em que as palavras enlouquecem
E passeiam desordenadas nas nossas veias
Rios em turbilhão correndo ao contrário
Foz e nascente misturadas num caos alucinado
Nenhum abraço terno para inventar um chão
Os ventos imóveis já não vestem poeiras
E o sol deixa de caber no concavo das mãos
Há momentos em que o poema não é mais possível
sábado, novembro 12, 2011
CHAMAS
Pintado, com as lembranças das imensas queimadas da minha terra. Quando as chanas se incendiavam por dezenas de quilómetros e eu pensava que tudo estava perdido naquela terra calcinada. Depois, pouco tempo depois a floresta explodia em todos os tons de verde e a selva regressava com todos os seus habitantes
sexta-feira, novembro 11, 2011
ROSA DE ATACAMA
Ser pai, é profissão a tempo inteiro, 24 horas por dia, durante toda a vida. E não é remunerada.
Uma tarefa ciclópica quando se pensa nisso. Tratar da saúde dos filhos, e fundamentalmente ensinar-lhes tudo, literalmente tudo, esperando que oiçam, aprendam e gostem.
Todos os momentos são bons para isso. Se está a comer uma maçã, porque não falar da gravidade e de Newton. Se não que tomar banho, dizer-lhes que o banho foi óptimo para Arquimedes. Se acharem que a luz é rápida, dizer-lhe que Einstein também achava isso e que a célebre fórmula das t-shirts, não é nada ligado ao esoterismo.
Se estivermos a ouvir música, ensinar-lhes a gostar de Chopin, ou de Sérgio Godinho, ou de Chico Buarque.
Ensinar-lhes que a leitura compulsiva do pai, é uma forma de atingir o mundo e o conhecimento.
Tudo isto, misturado com grandes doses de ternura e dizendo pelo meio que a melhor coisa do mundo é ser solidário. E na oportunidade falar-lhes do Che.
E ainda assim fica tanto por ensinar. A esperança é que as armas que lhes fornecemos, os ajudem a descobrir novos caminhos, que possam por sua vez transmitir aos filhos.
É, ser pai é uma tarefa ciclópica, mas é bom vê-los crescer sadios e de cabeça limpa.
Uma tarefa ciclópica quando se pensa nisso. Tratar da saúde dos filhos, e fundamentalmente ensinar-lhes tudo, literalmente tudo, esperando que oiçam, aprendam e gostem.
Todos os momentos são bons para isso. Se está a comer uma maçã, porque não falar da gravidade e de Newton. Se não que tomar banho, dizer-lhes que o banho foi óptimo para Arquimedes. Se acharem que a luz é rápida, dizer-lhe que Einstein também achava isso e que a célebre fórmula das t-shirts, não é nada ligado ao esoterismo.
Se estivermos a ouvir música, ensinar-lhes a gostar de Chopin, ou de Sérgio Godinho, ou de Chico Buarque.
Ensinar-lhes que a leitura compulsiva do pai, é uma forma de atingir o mundo e o conhecimento.
Tudo isto, misturado com grandes doses de ternura e dizendo pelo meio que a melhor coisa do mundo é ser solidário. E na oportunidade falar-lhes do Che.
E ainda assim fica tanto por ensinar. A esperança é que as armas que lhes fornecemos, os ajudem a descobrir novos caminhos, que possam por sua vez transmitir aos filhos.
É, ser pai é uma tarefa ciclópica, mas é bom vê-los crescer sadios e de cabeça limpa.
11.11.11
Às 11 horas de hoje alguém me disse que parasse porque era um momento único na vida, irrepetível.
Parei, claro.
Mas na verdade não são todos os momentos, momentos únicos e irrepetíveis?
Pelas melhores e piores razões, mas são.
GED
Parei, claro.
Mas na verdade não são todos os momentos, momentos únicos e irrepetíveis?
Pelas melhores e piores razões, mas são.
GED
sábado, novembro 05, 2011
segunda-feira, outubro 31, 2011
ÁFRICA MINHA
África vincou-me a alma. Um vinco profundo daqueles que a gente não se livra em nenhum dia da vida.
Nesse vinco indelével, estão todas as savanas douradas com nuvens correndo baixas rente ao chão. E as chuvas torrenciais, permanentemente prisioneiras entre as nuvens e os charcos. E o sol abrasador, endurecendo a pele para outros futuros.
E o mar, na sua enorme mansidão azul, traçando alinhavos na areia, na certeza de que traçou outros em areias tão semelhantes às minhas.
Dentro de mim, sempre esta matriz essencial que me move e me faz dirigir sempre na mesma direcção. Poesia, prosa, ou apenas um olhar pela vida, sempre pela janela desse grande sul, tão grande que não tem explicação.
Sempre a mesma imagem: girassóis, milhões deles nas suas danças lentas, enquanto tambores se ouvem ao longe.
E tchingandjes ensaiando danças mágicas em rituais que só os iniciados conhecem.
E o cacimbo, ah o cacimbo. Não é explicável, é apenas cacimbo escondendo parcialmente as florestas entre os seus farrapos no húmido ar da manhã, numa altura em que os pássaros ainda se aquietam nas ramagens.
E o silêncio total e absoluto como em nenhuma outra parte do mundo. Um silêncio acolhedor, quente, recheado de mil mistérios.
É, sempre mas sempre, dentro de mim faz sul.
Nesse vinco indelével, estão todas as savanas douradas com nuvens correndo baixas rente ao chão. E as chuvas torrenciais, permanentemente prisioneiras entre as nuvens e os charcos. E o sol abrasador, endurecendo a pele para outros futuros.
E o mar, na sua enorme mansidão azul, traçando alinhavos na areia, na certeza de que traçou outros em areias tão semelhantes às minhas.
Dentro de mim, sempre esta matriz essencial que me move e me faz dirigir sempre na mesma direcção. Poesia, prosa, ou apenas um olhar pela vida, sempre pela janela desse grande sul, tão grande que não tem explicação.
Sempre a mesma imagem: girassóis, milhões deles nas suas danças lentas, enquanto tambores se ouvem ao longe.
E tchingandjes ensaiando danças mágicas em rituais que só os iniciados conhecem.
E o cacimbo, ah o cacimbo. Não é explicável, é apenas cacimbo escondendo parcialmente as florestas entre os seus farrapos no húmido ar da manhã, numa altura em que os pássaros ainda se aquietam nas ramagens.
E o silêncio total e absoluto como em nenhuma outra parte do mundo. Um silêncio acolhedor, quente, recheado de mil mistérios.
É, sempre mas sempre, dentro de mim faz sul.
domingo, outubro 30, 2011
EM BRANCO!
Sentamo-nos com uma folha de papel em branco à nossa frente. E começa a difícil tarefa de preenchê-la.
Uns optam por escrever, outros por desenhar, outros por ambas as coisas. É um processo penoso, porque na maior parte das vezes, a ideia inicial esvai-se à medida que vamos fazendo alguma coisa. A folha tem vida própria.
Então, aos poucos, penosamente lá vamos fazendo aquilo a que nos propusemos.
E tudo começa a tomar forma, ainda que se apague, risque, faça de novo e se recomece vezes sem conta.
No fim, independentemente do valor do que lá está, sentimos que demos um contributo ao mundo.
Porque o que lá está é nosso, irrepetível e é fruto apenas da nossa vontade.
Uns optam por escrever, outros por desenhar, outros por ambas as coisas. É um processo penoso, porque na maior parte das vezes, a ideia inicial esvai-se à medida que vamos fazendo alguma coisa. A folha tem vida própria.
Então, aos poucos, penosamente lá vamos fazendo aquilo a que nos propusemos.
E tudo começa a tomar forma, ainda que se apague, risque, faça de novo e se recomece vezes sem conta.
No fim, independentemente do valor do que lá está, sentimos que demos um contributo ao mundo.
Porque o que lá está é nosso, irrepetível e é fruto apenas da nossa vontade.
quarta-feira, outubro 26, 2011
ÁGUAS
Há tanto para ver a transparência da terra. Basta querer.
Olhar cacimbos translúcidos e ver através, a explosão de cores prestes a romper.
Ver elefantes se movendo em liberdade, fazendo do planeta a sua casa, desenhando sombras no pó que se levanta.
Presenciar o nascimento de um bébé, anunciando aos ventos a história de um amor.
Ver girassóis apenas preocupados em dançar, num borrão imenso nas planícies.
Sentir o vento quente nos acariciando a face, e o silêncio em redor pousando sereno nas copas das árvores.
Basta querer, sem precisar de turvar as águas limpidas do rio que passa.
De qualquer modo, como eu te entendo Mia.
Olhar cacimbos translúcidos e ver através, a explosão de cores prestes a romper.
Ver elefantes se movendo em liberdade, fazendo do planeta a sua casa, desenhando sombras no pó que se levanta.
Presenciar o nascimento de um bébé, anunciando aos ventos a história de um amor.
Ver girassóis apenas preocupados em dançar, num borrão imenso nas planícies.
Sentir o vento quente nos acariciando a face, e o silêncio em redor pousando sereno nas copas das árvores.
Basta querer, sem precisar de turvar as águas limpidas do rio que passa.
De qualquer modo, como eu te entendo Mia.
terça-feira, outubro 25, 2011
segunda-feira, outubro 24, 2011
FERNÃO CAPELO GAIVOTA
A ideia, embora a tenha mais ou menos percebido, nunca foi clara para mim.
Até recentemente.
Voar é um acto de liberdade. Qualquer ave anseia por voar alto, o voo maior, o voo de uma vida. Nem sempre é possível, porque uma infinidade de coisas pode correr mal.
Pode nunca ser possível saír do bando e voar sózinho esse voo que vale uma vida.
Então, temos que voar nos ventos diferentes, nos ventos dos amigos, da poesia, da música, aprender a dançar com as palavras.
Não é a suprema felicidade, mas pode-se sobreviver com isso.
SNIPERS
Esta noite passei-a em claro, trabalhando. Quando vinha para casa ouvindo o rádio do carro, ouvi a notícia.
O Secretário de Estado das Comunidades ia renunciar ao subsídio de alojamento. Os nossos políticos recebem subsídio de alojamento se residirem fora de Lisboa. De acordo, é uma maçada ter de se deslocar para governar. Embora ele tenha alojamento próprio em Lisboa, deu como referência a sua casa de origem em Braga!!! Por isso admiro os professores que não têm subsídio de deslocamento e ainda assim vivem felizes, conhecendo o país enquanto trabalham.
Eu prefiro um bom ditador. Desenganem-se, não os apoio, mas são políticos honestos, não estão ali para enganar ninguém, mandam, roubam, matam, mas assumem-se com esse rótulo. Claro está que acabam todos da mesma maneira, mas isso é outra história.
Agora, esta "escumalha democrática", que se esconde, aninha, serpenteia entre as nuances das leis e que ainda por cima se mostra indignada quando descoberta, é bem menos honesta que qualquer ditador escorreito.
E, no nosso país a justiça é inoperante. Mais, se observarmos os últimos vinte anos, verificamos que nas nossas prisões estão os ladrões menores, aqueles que ninguém conhece. Os outros, os ladrões "importantes", esses nenhum foi preso até agora. Convido-vos a fazer esse exercício de memória.
Eu digo muitas vezes que resolvia estes problemas, precisava apenas de quatro pessoas. Tinham é que ser bons...
O Secretário de Estado das Comunidades ia renunciar ao subsídio de alojamento. Os nossos políticos recebem subsídio de alojamento se residirem fora de Lisboa. De acordo, é uma maçada ter de se deslocar para governar. Embora ele tenha alojamento próprio em Lisboa, deu como referência a sua casa de origem em Braga!!! Por isso admiro os professores que não têm subsídio de deslocamento e ainda assim vivem felizes, conhecendo o país enquanto trabalham.
Eu prefiro um bom ditador. Desenganem-se, não os apoio, mas são políticos honestos, não estão ali para enganar ninguém, mandam, roubam, matam, mas assumem-se com esse rótulo. Claro está que acabam todos da mesma maneira, mas isso é outra história.
Agora, esta "escumalha democrática", que se esconde, aninha, serpenteia entre as nuances das leis e que ainda por cima se mostra indignada quando descoberta, é bem menos honesta que qualquer ditador escorreito.
E, no nosso país a justiça é inoperante. Mais, se observarmos os últimos vinte anos, verificamos que nas nossas prisões estão os ladrões menores, aqueles que ninguém conhece. Os outros, os ladrões "importantes", esses nenhum foi preso até agora. Convido-vos a fazer esse exercício de memória.
Eu digo muitas vezes que resolvia estes problemas, precisava apenas de quatro pessoas. Tinham é que ser bons...
domingo, outubro 23, 2011
CAMINHOS
E de repente, ele encontrou-se à beira de um precipício.
Sem saída, com todos os lobos da memória vindo no seu encalço.
Que fazer, pensou ele?
A morte sem glória ou a resistência tenaz?
Escolheu o segundo caminho. Apenas ficar junto ao precipício, e esperar que a alcateia, num gesto inesperado se afaste.
Sem saída, com todos os lobos da memória vindo no seu encalço.
Que fazer, pensou ele?
A morte sem glória ou a resistência tenaz?
Escolheu o segundo caminho. Apenas ficar junto ao precipício, e esperar que a alcateia, num gesto inesperado se afaste.
FASES
É oficial. O frio está aí.
A minha matriz africana começa a dar sinais de desconforto.
Mas nem tudo é mau, se se souber aproveitar o que a vida nos dá.
Chegou a época dos encontros regulares com os amigos, que afinal são o que nos suporta na vida.
E chegou a época alta do golf.
É que este é um desporto que às vezes até se joga com tempo bom!
A minha matriz africana começa a dar sinais de desconforto.
Mas nem tudo é mau, se se souber aproveitar o que a vida nos dá.
Chegou a época dos encontros regulares com os amigos, que afinal são o que nos suporta na vida.
E chegou a época alta do golf.
É que este é um desporto que às vezes até se joga com tempo bom!
sábado, outubro 22, 2011
quinta-feira, outubro 20, 2011
INSENSATEZ
De repente, as palavras misturam-se de forma indesejada. Por incompetência ou insensatez, deixamos que elas nos golpeiem e abram rasgos de difícil encerramento. Apetece fazer como Penélope, desfazer tudo e começar de novo, de modo que as nuvens sejam nuvens e que chão firme tenha exactamente esse significado.Mas, domar um bando de palavras em voos alucinados, requer antes do mais ser mestre na arte de voar e na engenharia de ser ave, e nem sempre se consegue lucidez para fazer isso.A gente pode sempre imaginar um bando de pássaros em voo, mas quantas aves fugiram ao nosso controle?
quarta-feira, outubro 19, 2011
LIBERDADE
Pode-se ser livre em qualquer circunstância. Não há machado que corte a raíz ao pensamento. Pode-se criar o que se quiser, escrever sobre as nuvens, dançar com as palavras, fazer gotejar palavras dos beirais aflorando nevoeiros, pode-se descer as avenidas dançando ao som de um bolero imaginário.Pode-se até inventar um verbo novo e fazer dele o campo de batalha de uma vida inteira.
Pode-se pisar terra firme, ainda que tudo o resto em volta sejam pantanos de areias movediças.
Pode-se ser livre, ainda que enclausurado na mais bárbara das prisões.
Mas para que isso aconteça, temos que ter todas as contas saldadas connosco próprios. Não se pode ser livre, devendo coisas à vida.
terça-feira, outubro 18, 2011
segunda-feira, outubro 10, 2011
TECELÃ
Tece palavras, como se Penélope nunca tivesse existido.
Rios de palavras, escorrem da ponta dos dedos, e percorrem caminhos inusitados até ao grande mar. Palavras que são foz e nascente, tudo se misturando em nuvens de violentos tons azuis, viajando livres nos céus. Em bandos de poemas ou de prosa cintilante.
Tece palavras no ritmo dos tambores africanos, palavras que dançam e fazem levantar a poeira assente nos sagrados solos.
Palavras que são tchinganges, feitiços, maravilhas desencarceradas do mais fundo das prisões onde estavam aguardando um destino.
E de noite continuam lá, brilhando intensamente aos milhões, no azul profundo do meu céu do sul.
Rios de palavras, escorrem da ponta dos dedos, e percorrem caminhos inusitados até ao grande mar. Palavras que são foz e nascente, tudo se misturando em nuvens de violentos tons azuis, viajando livres nos céus. Em bandos de poemas ou de prosa cintilante.
Tece palavras no ritmo dos tambores africanos, palavras que dançam e fazem levantar a poeira assente nos sagrados solos.
Palavras que são tchinganges, feitiços, maravilhas desencarceradas do mais fundo das prisões onde estavam aguardando um destino.
E de noite continuam lá, brilhando intensamente aos milhões, no azul profundo do meu céu do sul.
sexta-feira, outubro 07, 2011
quinta-feira, outubro 06, 2011
quarta-feira, outubro 05, 2011
terça-feira, outubro 04, 2011
CIDADES
Caminho na cidade de rostos vazios
Dos beirais gotejam palavras sem sentido
Cruzo avenidas de silêncios e gentes
Sem rumos nem destinos anunciados
Os céus escondem-se em farrapos de poluição
Há muito que as árvores secaram seivas
E todos os pássaros voaram para azuis distantes
Edifícios vazios arranham as alturas cinzentas
E já nenhum poeta constrói sonhos
Já ninguém constrói absolutamente nada
Ninguém mais habita a casa da palavra
Dos beirais gotejam palavras sem sentido
Cruzo avenidas de silêncios e gentes
Sem rumos nem destinos anunciados
Os céus escondem-se em farrapos de poluição
Há muito que as árvores secaram seivas
E todos os pássaros voaram para azuis distantes
Edifícios vazios arranham as alturas cinzentas
E já nenhum poeta constrói sonhos
Já ninguém constrói absolutamente nada
Ninguém mais habita a casa da palavra
sábado, outubro 01, 2011
PARABÉNS AMIGA!
A Directora da CDC Angola, Ana Clara Guerra Marques, foi ontem distinguida> com o Diploma de Honra da UNAC (União Nacional dos Artistas e Compositores) na categoria de "Pilar da Dança" em Angola.
Esta categoria é atribuída a "artistas surgidos antes da década de 80, cujas obras ou actos influenciaram as gerações posteriores, contribuindo para a preservação e desenvolvimento da cultura nacional." Desta associação, da qual é membro desde a sua criação, Ana Clara recebeu já o "Prémio Identidade" em 1995.
Esta categoria é atribuída a "artistas surgidos antes da década de 80, cujas obras ou actos influenciaram as gerações posteriores, contribuindo para a preservação e desenvolvimento da cultura nacional." Desta associação, da qual é membro desde a sua criação, Ana Clara recebeu já o "Prémio Identidade" em 1995.
quinta-feira, setembro 29, 2011
RIOS II
A cabeça respira enredos que pendura debaixo do sol.
Escreve um livro de palavras, feita Penélope, em teares há muito abandonados.
Colhe palavras abandonadas e faz delas o lar, de muros e pedras ainda por inventar e mastiga primaveras de um inverno que findou.
Esta mulher ri-se dos destinos e enfrenta a vida apenas com meia cara.
Sei lá, diria ela de todas as chuvas de Setembro, rindo-se da minha loucura.
Apenas me encantam os rios, diria, todos, mesmo aqueles que não lhes visitei, que apenas me contaste.
Mas eu confio.
Escreve um livro de palavras, feita Penélope, em teares há muito abandonados.
Colhe palavras abandonadas e faz delas o lar, de muros e pedras ainda por inventar e mastiga primaveras de um inverno que findou.
Esta mulher ri-se dos destinos e enfrenta a vida apenas com meia cara.
Sei lá, diria ela de todas as chuvas de Setembro, rindo-se da minha loucura.
Apenas me encantam os rios, diria, todos, mesmo aqueles que não lhes visitei, que apenas me contaste.
Mas eu confio.
RIOS
De palavras inconfidentes, transbordam os rios, todos os rios que correm no céu.
Rios que lavam quem os acolhe, e na queda vertiginosa das águas, flutua no ar um pó de estrelas. Suaves estrelas candentes poisam nos seus cabelos e o mar transforma-se em leito.
Eu não sei dançar as palavras, nem envolver-me nos sons do quotidiano, mas ela existe nos bailes da minha vida.
Tropeço no ritmo de africanos tambores, enquanto feiticeiros murmuram encantamentos.
Em volta a floresta respira sofregamente nuvens de desassossego e nós caminhamos juntos.
Rios que lavam quem os acolhe, e na queda vertiginosa das águas, flutua no ar um pó de estrelas. Suaves estrelas candentes poisam nos seus cabelos e o mar transforma-se em leito.
Eu não sei dançar as palavras, nem envolver-me nos sons do quotidiano, mas ela existe nos bailes da minha vida.
Tropeço no ritmo de africanos tambores, enquanto feiticeiros murmuram encantamentos.
Em volta a floresta respira sofregamente nuvens de desassossego e nós caminhamos juntos.
quarta-feira, setembro 28, 2011
INTERNET
A internet, a rede, é com toda a certeza o maior instrumento de conhecimento jamais inventado pela espécie humana. Nela, os conhecimentos podem ser ampliados ao infinito e pesquisar tudo o que se quiser.
Mas é mais do que isso.
Aproxima as pessoas. Hoje ninguém mais escreve cartas. O amigo, o conhecido, a namorada, o amor de uma vida, estão ao alcance da mão, independentemente do ponto do globo em que se encontrem. E tudo se passa numa fracção de segundo. E já nem sequer é preciso um computador clássico. Qualquer vulgar telemovel, é um computador em miniatura.
Na verdade, a solidão da distância pode ser minimizada e quase desaparecer.
Hoje é possível dizer que qualquer um de nós tem a possibilidade de nunca estar sózinho. Basta querer e acreditar.
Mas é mais do que isso.
Aproxima as pessoas. Hoje ninguém mais escreve cartas. O amigo, o conhecido, a namorada, o amor de uma vida, estão ao alcance da mão, independentemente do ponto do globo em que se encontrem. E tudo se passa numa fracção de segundo. E já nem sequer é preciso um computador clássico. Qualquer vulgar telemovel, é um computador em miniatura.
Na verdade, a solidão da distância pode ser minimizada e quase desaparecer.
Hoje é possível dizer que qualquer um de nós tem a possibilidade de nunca estar sózinho. Basta querer e acreditar.
sábado, setembro 24, 2011
POIS É!!!
"O que é teu é teu, sociedade não é riqueza"
Agora para a troca: PASANDALA PANDA K’UTIMA WOVE, K’UTIMA UKWENE KUPITILACA!
(esta é fácil, tem pistas e é preciso lembrar!)
Agora para a troca: PASANDALA PANDA K’UTIMA WOVE, K’UTIMA UKWENE KUPITILACA!
(esta é fácil, tem pistas e é preciso lembrar!)
sexta-feira, setembro 23, 2011
quarta-feira, setembro 21, 2011
EINSTEIN
Há muito tempo atrás, nos tempos do Kaparandanda, sonhei que tinha encontrado Einstein, e que estavamos conversando calmamente, à sombra de dois cafés fumegantes.
Falei-lhe da vida, dos meus sonhos, desassossegos, desilusões e de todas as grandes questões que me preocupavam.
No meu sonho falei durante horas, e estranhei ver Einstein sempre calado e sorrindo.
Falei-lhe de amores e desamores, das injustiças do mundo, de tanta gente explodindo de fome, falei até não poder mais.
Nessa altura, ele ficou muito sério e disse-me.
-Não te preocupes, não tens de verdade que te preocupar com nada.
-É que sabes, na verdade tudo é relativo.
Falei-lhe da vida, dos meus sonhos, desassossegos, desilusões e de todas as grandes questões que me preocupavam.
No meu sonho falei durante horas, e estranhei ver Einstein sempre calado e sorrindo.
Falei-lhe de amores e desamores, das injustiças do mundo, de tanta gente explodindo de fome, falei até não poder mais.
Nessa altura, ele ficou muito sério e disse-me.
-Não te preocupes, não tens de verdade que te preocupar com nada.
-É que sabes, na verdade tudo é relativo.
REGRESSO
Estou de novo aqui.
Regressei de muito longe. Quase diria que regressei do fundo, dos fundos.
Escrevi bastante enquanto estive fora. Pequenas coisas, ou grandes, depende do ponto de vista. E pergunto-me muitas vezes a mim próprio porque escrevo. Que azáfama é esta que me obriga a escrever muitas vezes coisas sem sentido. Sei lá, pergunta difícil esta que faço tantas vezes dentro de mim.
Muitas vezes apenas para partilhar dores e preocupações por este planeta e suas gentes. Outras para comentar factos, que não me apetece que fiquem só para mim. Outras ainda, por pura loucura, por vontade de praticar o absurdo da vida e aí surgem conversas imaginárias que às vezes não são tão loucas como isso.
Outras ainda, aventuro-me no mundo da poesia e há gente que diz que gosta e que é boa, o que embora sendo pouco verdade, me faz feliz.
Mas na verdade, na esmagadora maioria das vezes não é isso que acontece e, escrevo apenas porque sim, de verdade porque sim.
Abraços
Regressei de muito longe. Quase diria que regressei do fundo, dos fundos.
Escrevi bastante enquanto estive fora. Pequenas coisas, ou grandes, depende do ponto de vista. E pergunto-me muitas vezes a mim próprio porque escrevo. Que azáfama é esta que me obriga a escrever muitas vezes coisas sem sentido. Sei lá, pergunta difícil esta que faço tantas vezes dentro de mim.
Muitas vezes apenas para partilhar dores e preocupações por este planeta e suas gentes. Outras para comentar factos, que não me apetece que fiquem só para mim. Outras ainda, por pura loucura, por vontade de praticar o absurdo da vida e aí surgem conversas imaginárias que às vezes não são tão loucas como isso.
Outras ainda, aventuro-me no mundo da poesia e há gente que diz que gosta e que é boa, o que embora sendo pouco verdade, me faz feliz.
Mas na verdade, na esmagadora maioria das vezes não é isso que acontece e, escrevo apenas porque sim, de verdade porque sim.
Abraços
sábado, setembro 10, 2011
VIAGEM
A partir de quarta-feira vou estar fora do país durante uma semana.
Quando voltar aviso.
Até lá.
Quando voltar aviso.
Até lá.
sexta-feira, setembro 09, 2011
TALVEZ
Talvez a vida não seja o que parece.
Talvez a gente não respire de verdade, pelo tronco das árvores.
Talvez os girassóis não dancem.
Talvez não existam poetas.
Talvez descer as avenidas dançando, seja apenas a nossa imaginação.
Talvez o amor não exista.
Talvez tudo não passe de um enorme e destruidor Matrix.
Talvez a gente finja que vive.
Talvez a gente finja que morre.
Talvez a gente apenas finja que sonha entre ambas as coisas.
Talvez.
Talvez a gente não respire de verdade, pelo tronco das árvores.
Talvez os girassóis não dancem.
Talvez não existam poetas.
Talvez descer as avenidas dançando, seja apenas a nossa imaginação.
Talvez o amor não exista.
Talvez tudo não passe de um enorme e destruidor Matrix.
Talvez a gente finja que vive.
Talvez a gente finja que morre.
Talvez a gente apenas finja que sonha entre ambas as coisas.
Talvez.
quarta-feira, setembro 07, 2011
VELHOS
Hoje, por todo o mundo ou quase, os nossos velhos estão sendo maltratados, empurrados para a periferia da vida.
Quando já não servem, depositam-se nos lares, a maior parte deles sem condições e faz-se por esquecê-los. Quando morrem, umas lágrimas e pronto assunto encerrado.
Mas alguém já parou para pensar?
Quantos rios correm nas rugas das faces deles?
Quanto chão já palmilharam neste mundo sem Deus?
Que amores e desamores se escondem por trás do olhar baço?
Acreditaram como nós, em feitiços e magia e girassóis azuis e sonharam?
Quando se pensa em tudo isso, a vontade vacila e as lágrimas embaciam os nossos próprios olhos.
É que quando morre um velho, é como se ardesse uma biblioteca inteira.
Quando já não servem, depositam-se nos lares, a maior parte deles sem condições e faz-se por esquecê-los. Quando morrem, umas lágrimas e pronto assunto encerrado.
Mas alguém já parou para pensar?
Quantos rios correm nas rugas das faces deles?
Quanto chão já palmilharam neste mundo sem Deus?
Que amores e desamores se escondem por trás do olhar baço?
Acreditaram como nós, em feitiços e magia e girassóis azuis e sonharam?
Quando se pensa em tudo isso, a vontade vacila e as lágrimas embaciam os nossos próprios olhos.
É que quando morre um velho, é como se ardesse uma biblioteca inteira.
O MUNDO PULA E AVANÇA
Arrumei a casa. Mudei alguma mobília. No essencial, pintei-a de cores novas e abri novas portas e janelas. Mandei vir gente para me ajudar.O resultado está aí. Os amigos, vocês todos aí desse lado, que nem visitas são porque fazem parte da mobília, digam-me o que acham.
De vez em quando é preciso arejar as pratas e poli-las. Só assim se mantêm com ar de novas.
Por outro lado, nesta coisa de mudanças há sempre alguma coisa que se parte. Se algum de vocês foi prejudicado por esta mudança, porque já tive informação que alguns amigos não conseguem entrar, avisem-me.
Os que aqui andamos somos todos ou quase todos tropicais, e quem não é passa a ser.
Portanto esta será sempre uma casa de cacimbos, feiticeiros, tchingandjes.
Aqui o mar será sempre o da Praia Morena e da Baía Azul.
E, quando falarmos de tempestades, será de calemas e de chuva bravia.
Cada um de nós possui o segredo de passear nas anharas e falar com os leões e zebras que por lá andam. E todos temos a obrigação de partilhar esta riqueza comum com todos os outros, que nos visitam.
Abraços a todos.
quinta-feira, agosto 25, 2011
POEMA DE BOA NOITE

Dorme meu amor
E deixa que os sonhos te invadam
Deixa que te levem às savanas poeirentas
E que África te cadencie a respiração
Como sempre faz comigo
Dorme meu amor
Nesse sono sereno de sobressaltos
E retoma esses cacimbos esfarrapados
Pendurados em todas as árvores da floresta
Prontos a levantar voo no momento de acordares
Dorme meu amor
Deixa que os ventos soprem lá fora
Anunciando chuvas torrenciais e regeneradoras
Abre o coração ao cheiro, ao cio da terra
E permite que ele te expluda no peito
Dorme meu amor
Embrulha-te bem no cobertor da noite
Iluminada de estrelas cadentes só para ti
Voa com todas as nuvens dos céus do sul
Até que a madrugada te molhe os cabelos
Dorme bem meu amor
E deixa que os sonhos te invadam
Deixa que te levem às savanas poeirentas
E que África te cadencie a respiração
Como sempre faz comigo
Dorme meu amor
Nesse sono sereno de sobressaltos
E retoma esses cacimbos esfarrapados
Pendurados em todas as árvores da floresta
Prontos a levantar voo no momento de acordares
Dorme meu amor
Deixa que os ventos soprem lá fora
Anunciando chuvas torrenciais e regeneradoras
Abre o coração ao cheiro, ao cio da terra
E permite que ele te expluda no peito
Dorme meu amor
Embrulha-te bem no cobertor da noite
Iluminada de estrelas cadentes só para ti
Voa com todas as nuvens dos céus do sul
Até que a madrugada te molhe os cabelos
Dorme bem meu amor
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