É assim a vida em TERRAMAR, onde dragões e feiticeiras se juntam e contam histórias em que tudo pode acontecer.
quarta-feira, outubro 21, 2009
SARAMAGO
Uma figura impar da nossa cultura e que ficará para sempre nos nossos livros de História, junto com outros grandes portugueses.
Gostar do que ele escreve já é outra coisa. Como em tudo na vida, há quem goste e quem não goste.
Nada de errado até aqui!
Eu pessoalmente gosto muito. Anos antes de ele ser premiado, li o Memorial do Convento e, nessa altura achei e disse-o, que era entre outras coisas, um dos mais belos romances de amor jamais escritos.
O que não é admissível e devia ser alvo de reparo, é que um qualquer vulgar português, ainda que com responsabilidades políticas, ouse dizer publicamente, que acha que o escritor, devia mudar de nacionalidade.
Este pequenote, vai ficar na história, apenas recente, como um grande idiota, capaz de baboseiras deste género.
Um abraço
GED
sábado, outubro 17, 2009
MÚSICA
Tudo o que temos de fazer
É saber ouvi-la
Sons de Bach flutuam no silêncio
Do outro lado da vidraça
Há ritmo e cor e música
Basta saber ouvi-la
Nos carros que passam
No coaxar de rãs
No andar felino de um gato
No som das estrelas
Basta saber ouvi-la
No ritmo diário dos girassóis
Na dança dos canaviais
No silêncio dos imbondeiros
Tudo o que temos de fazer
É saber ouvi-la
No mosquito que nos atordoa
Nas crianças rindo à nossa volta
No batuque, longe na noite
No transpirar ofegante das nuvens
Desfazendo-se em líquidos
Basta saber ouvi-la
No respirar de gente dormindo
No incessante ondular dos rios
Nos acordes de um violão
Algures, rompendo silêncios nocturnos
Na dança silenciosa dos amantes
Basta saber ouvi-la.
GED
quarta-feira, outubro 14, 2009
O TAMANHO DAS ESTRELAS
Que flutuam no azul profundo?
Muitas, a maior parte, são pequeninas
Retenho-as no concavo da mão
Outras, poucas, são imensas
Apenas me cabem na alma
Memórias de ternura e acalanto
Acompanham o meu caminho
Algumas não as vejo para lá do horizonte
Estão lá, pressinto-as
Brilhando em céus antigos
Ensaiando rumos meridiões
Aquecem-me o coração, aceleram o meu pulsar
Todas, todas, me cabem na íris
O tamanho varia cá dentro.
GED
quinta-feira, outubro 08, 2009
ENCONTRO 2009

Caros Amigos.
Não, não queremos nem vamos parar.
Vamos uma vez mais estar juntos e aqui vai de novo o nosso convite, que esperamos sinceramente o aceitem. Contamos convosco, dando a todos os vossos amigos Cubalenses o prazer de partilharem da vossa amizade em mais este momento que se aproxima rapidamente.
É já no próximo dia 24 de Outubro de 2009.
A participação de todos é determinante para podermos ter um encontro inesquecível. Enviem as vossas inscrições o mais breve possível, pois o tempo escasseia, e necessitamos de fazer as ultimas confirmações com o Hotel da Quinta da Lagoa em Mira.
Apenas para aguçar o apetite, apresentamos-vos a banda que irá dar som e cor á noite da grande “farra”.
Mas, não ficamos por aqui. As surpresas vão continuar a ser Surpresas! Até lá.
Um grande abraço Cubalense
quarta-feira, setembro 30, 2009
SOSSEGO
quarta-feira, setembro 16, 2009
SARAS
GED
REALMOÇO
Tudo a andar.
Sábado nas Docas, junto ao rio entre as 13.3o e as 14H.
Reconfirmem por favor, para aqui ou para o meu TM.
Até lá.
Um abraço
GED
quarta-feira, setembro 09, 2009
ALMOÇO
terça-feira, setembro 08, 2009
CRISE, QUAL CRISE?
E para quê? Para, entre muitas inutilidades, promessas falsas e intoxicação mental, engordar algumas contas bancárias (empresas de comunicação e peritos em gestão de imagem incluídos) e sobretudo dar livre curso ao mau gosto na "decoração" de ruas, estradas e rotundas com os hediondos, caros e gigantescos cartazes partidários, com caras de personagens que estamos fartos de conhecer, e veiculando mensagens da mais fina retórica "esclarecedora", do género "Faro é Faro" (esta é autêntica, faz parte de um cartaz). Lapidar!
- 91 milhões, pagos por todos nós! Mais de 500.000 desempregados num país quase terceiro mundista! Não há adjectivos suficientemente expressivos para qualificar tal verba e todo o circo montado. E ninguém reage nem se revolta. Recordo-me que, há alguns anos, o governo marroquino pretendeu aumentar o preço da carne. A população revoltou-se de tal forma que o preço da carne se manteve.
Deixo cair os braços, de desalento. Mas antes disso, envio um grande abraço a todos os amigos.
Maria de Lurdes
segunda-feira, agosto 31, 2009
ALMOÇO
Dava-me jeito 19 de Setembro em Coimbra.
Grande abraço e digam de vossa justiça.
Henrique
quinta-feira, julho 30, 2009
FÉRIAS
Chegou o tempo de migrar para o sul, o sol, o sal.
Deixo-vos esta prenda.
Vale a pena ouvir, mas com auscultadores em stéreo e sentaditos de olhos fechados.
Vão por mim.
Um abraço
GE
http://www.youtube.com/watch?v=IUDTlvagjJA
segunda-feira, julho 27, 2009
20 ANOS
Caros Amigos,
Mais um ano, mais um encontro!
Não será, temos a certeza, mais um...
Este ano comemoraremos o 20º “Encontro destes Encontros”....
Como não queremos deixar passar a data em branco, tudo faremos para vos proporcionar mais um fim-de-semana com todos, sem esquecermos todos aqueles que já contribuíram em tempo e trabalho para este evento.
Assim, esperamos que este ano seja mais um contributo para não deixar esmorecer esta iniciativa que serve, afinal, para relembrar tempos idos e ou mais recentes e todos aquele que, de uma forma ou de outra, sempre povoaram as nossa emoções.
Contamos convosco a 24 de Outubro de 09 no Hotel Quinta da Lagoa, em Mira.
Agradecemos que nos confirmem o mais breve possível as vossas inscrições, sendo a data limite 30 de Setembro, para os contactos abaixo:
Em anexo remetemos a respectivamente a folha de inscrição e programa de actividades
Um abraço Cubalense
Mimi, Lobo e Sousa
José Lobo Pires - Telm. – 91 9410968
Jose.lobo.pires@gmail.com
Mimi Peixoto - Telm. – 96 5876468
mcppeixoto@gmail.com
Manuel Sousa- Telm. – 96 0315802
mfsousa1@hotmail.com
As confirmações por CTT deverão ser dirigidas a:
José Lobo Pires
Rua Alexandre O’ Neill, n.º 11, 1º Esq.
2745-896 Tercena
sábado, julho 25, 2009
ANTÓNIO CARLOS SIMÕES
Mais que um membro da minha equipe, era um bom amigo. Trabalhamos juntos nos últimos 25 anos. Tivemos muitas aventuras, muitas bem sucedidas, a maioria, e outras muito poucas, nem por isso. Tanto nos bons como nos maus momentos estava lá.
Nestas alturas é de bom tom dizer bem de quem parte, mas neste caso particular não tenho que fazer nenhum esforço.
O meu amigo era mesmo uma boa alma.
A partir de hoje, sempre que à noite olharem para cima, verão mais uma candeia acesa no tecto do céu.
GED
quinta-feira, julho 23, 2009
PARA A SARA
Embriago-me
No som das andorinhas tecendo voos
Velozes, alucinados
Sob o sol, no azul do céu
Rumo a sul
Aos beirais da minha casa.
Embalo-me nestes Setembros
De asas negras
Raios de luz riscando a noite
E o grande mar oceano
Na pressa de chegar.
Coimbra, Julho de 2009
GED
PROPOSTA
Deviamos fazer um almoço, todos nós que escrevemos neste blog.
Além do mais há gente que não se conhece fisicamente.
Vamos lá combinar datas.
Fico à espera.
Um abraço
GED
terça-feira, julho 21, 2009
CONVERSA DESFIADA
"Não anda a escrever muito no blog sobre Angola, está a falhar meu irmão :p . já para não falar da poesia que não escreve hà 2 meses!"
É verdade. Vou falar mais o quê da minha terra? De como eu gosto dela toda a gente já sabe. Das saudades imensas? Também toda a gente já sabe.Da lingua? Dessa sim , quando já a minha nora me trata por meu camba. A lingua portuguesa é uma lingua mestiça e tem sido nessa mestiçagem da lusofonia que se tem tornado mais rica, mais colorida. Que se danem os puristas.
A propósito desta riqueza, hoje vinha a ouvir como habitualmente a TSF. Dizia um fulano, que a gripe associada à crise, iria trazer fortes quedas no mercado das agências de viagens. Por isso estavam já a apostar no mercado "incoming", mais que nos projectos "outgoing". E tinham até inventado os "weekends gift".
Apenas me apraz dizer, com a nossa riquissima lingua: "this is a merdouing way of comunication".
Abraços
GED
quinta-feira, julho 16, 2009
POR ESTE RIO ACIMA....
Gosta de nos extorquir dinheiro aos milhões, debita regularmente ameaças independentistas, e com mais regularidade ainda, diz patetices.
No primeiro caso, nunca foi explicado aos portugueses, de forma clara, como são gastos os nossos dinheiros.
Às ameaças independentistas, eu pessoalmente digo que sim. Fiquem lá com a Madeira e deixem de nos aborrecer.
Quanto às patetices, nunca pertenci ao grupo de portugueses que as acham divertidas. Irritam-me profundamente e só num estado democráticamente aleijado, elas podem persistir.
Agora a coisa ficou mais séria. Já não se trata de uma patetice pura e dura. Afirmar aos quatro ventos, que na próxima revisão constitucional se vai pedir que o partido comunista passe de novo à clandestinidade, já não é patetice. É um insulto a todos nós e deveria ser tratado como tal. Acresce o facto inquietante, de que o partido do dito snr., acha que não é tempo de se pronunciar sobre a matéria, quando o que se pedia num país civilizado era um imediato e rotundo não.
Não tarda nada, vão pedir a proibição de todos os blogs, que não estejam de acordo com a idiotice reinante. E, não é caso inédito.
Um abraço
segunda-feira, julho 06, 2009
A VIDA É BELA.!
Então, esta mega crise que assola o planeta, deveria por obrigação redobrada obedecer às mesmas regras.
Uma crise que se preze, deve trazer consigo pelo menos uma multidão de famintos, de gente, muita gente no limiar da miséria, pedintes aos milhares, um ou outro suicida entre os ricaços a quem a vida correu mal.
Mas já não há crises como deve ser.
Hoje o estádio do Real de Madrid, vai ter cerca de 70.000 pessoas (?), para verem chegar o Cristiano Ronaldo.
Entradas pagas claro, e não tão baratas como isso.
É o Zé povinho que vai?
Claro que é, mas nesse zé povinho hão-de estar milhares de pessoas muito bem instaladas na vida, a aproveitar o momento para se encostarem mais um bocadito ao poder.
Crise?
Qual crise?
Um abraço
GED
sexta-feira, julho 03, 2009
PALAVRAS...
Portugal. Freeport, Casa Pia, BPP, SLN, etc, etc. Denúncia. Uma prisão. Blá, blá, blá.
Um abraço
GED
terça-feira, junho 30, 2009
POR ESTE RIO ACIMA
Começam a aparecer, com frases como "espírito de missão", vou devolver a "personaliddade à cidade", "está na hora da mudança", blá, blá, blá.
Falo dos candidatos a autarcas. Olhando um pouco mais ao pormenor, constatamos que são os mesmos. Ou são recandidatos, ou estiveram em bons lugares aguardando o regresso, mas são sempre os mesmos. Aqueles que já mostraram à exaustão, que não sabem fazer nada na vida, senão ser maus autarcas.
Não partilho da ideia de que se não os posso matar, tenho que me juntar a eles. Verdadeiramente essa ideia só em si é abjecta.
Estou numa encruzilhada em que pela primeira vez me vejo a apelar à abstenção, na melhor das hipóteses.
Moro em Coimbra, cidade imobilizada desde que me lembro. Aqui não se passa nada.
Continuo aguardando teimosamente, que surja um independente, que não concorra por nenhum partido e que me apresente um programa pobre mas escorreito.
Aguardo que alguém me diga, algumas destas coisas:
- Coimbra, não tem uma sala de espectáculos digna desse nome. Temos que nos deslocar à F. da Foz para ver qualquer coisa. Bora lá, construir uma, sem atropelos de orçamento, sem roubos, limpa, honesta.
- Coimbra, não tem indústria. Coimbra tem uma Universidade caduca, fechada sobre si mesma, imobilista. Bora lá, fazer um esforço para atraír indústria e ligá-la à Universidade, numa parceria salutar para todos.
- Coimbra é um monte de betão desgovernado, ao sabor de interesses mais que subterrâneos. Bora lá, criar um grupo de conselheiros impolutos, independentes, sem partido, que sirvam de motor, para casas realmente verdes, para formas de energia alternativa, para criação de áreas de lazer, para conforto de todos os cidadãos.
- finalmente, bora lá dar un chuto, nestes mentecaptos todos que teimam em nos azucrinar a paciência nestas alturas.
Quando houver um candidato assim eu voto...e colaboro.
Abraços
GED
domingo, junho 28, 2009
"LÁ VAMOS CANTANDO E RINDO..."
No tempo da Roma imperial, o gestor nomeado para a Peninsula Ibérica, ao fim de algum tempo pediu para ser substituido. A comparar com os gestores de hoje, o homem devia mesmo estar desesperado. Dizia ele, que neste cantinho, que depois se veio a tornar o nosso "querido Portugal", havia um povo estranho, que não se governava nem deixava governar.
Mudou alguma coisa, todo este tempo depois?
Em absoluto não!
Ninguém quer saber de nada, nem o povo, nem os governantes, estes apenas preocupados em servir os interesses próprios e os de quem está no mesmo barco com eles. A saúde, a justiça (lembram-se da Casa Pia, Fátima Felgueiras, Universidade Moderna e por aí adiante? E os bancos e gestores e administradores e outros doutores semelhantes, que conduzem o nosso país à podridão em que se encontra?), a educação ( a saga que tem sido a avaliação de professores, que afinal foi adiada, tendo-se começado para contento de todos a nivelar por baixo), a construção, as grandes e vãs obras públicas (TGV e aeroporto que governo e oposição usam a seu belprazer, com total desprezo pelos nossos dinheiros; quantos milhões já foram gastos em estudos e contra estudos?), o relacionamento com outros povos ( não foi possível até ao momento um relacionamento capaz com nenhuma das nossas ex-colónias, e seguramente por mais culpa nossa que deles), as grandes causas, nada funciona.
O projecto de país deveria ser mudado, mas não vale a pena pensar em alternativas de governo. Só a ideia é penosa. A gente capaz não está nos partidos. Tenta sobreviver com dignidade e coragem
Apenas o futebol, acende a chama da grande maioria dos portugueses e mesmo esse sabemos nós como vai.
Imaginem, que de repente ninguém mais pagaria as suas dívidas, ao Estado, aos bancos, aos credores, etc. Nada aconteceria, claro. Da forma como a justiça funciona, estariamos todos mortos, antes de qualquer decisão.
Num país normal, estariam criadas as condições de mudança, pela violência se fosse preciso, aliás não seria caso inédito.
Mas, com esta massa crítica não vai ser possível mudar nada.
E, continuaremos todos os dias, a levantar-nos para mais um dia de pesadelo.
É este país de faz de conta que vamos deixar aos nossos filhos, se ainda for país, quando for a vez deles de tomarem conta dos seus destinos.
Um abraço
sábado, junho 13, 2009
CIVILIZATION AT CROSSROADS
Um abraço
GED
segunda-feira, junho 08, 2009
UPRISING

Ninguém deveria poder dormir.
No entanto, este problema é bem mais vasto. O problema da fome no mundo é em si mesmo uma vergonha para todos nós, ou pelo menos para alguns de nós. Não tenho ilusões. A procura de uma sociedade mais justa, perdeu-se algures na voragem desta globalização, que ao invés de nos juntar a todos, nos tem afastado cada vez mais. São frequentes as imagens de desperdícios, de alimentos deitados fora, apenas para se manterem os preços. E, quem o faz, tem consciência absoluta do que se passa, o que torna este crime contra a humanidade ainda mais ignóbil. Não é preciso escolher África para exemplificar. Pode-se encontrar o mesmo problema em qualquer continente. O hiperconsumismo tem destas coisas, a par com imagens terríveis de fome que poderia ser fácilmente aliviada se os povos decidissem tomar os destinos nas próprias mãos.
Já não se pede uma sociedade mais justa. Apenas se pede que se pare para reflectir.
Sinto-me, sentimo-nos todos acho eu, um pouco perdidos no meio disto e não sabemos como sair.
Vive-se tranquilamente em democracia, como se esta fosse o resultado final e não o meio do caminho para um sistema melhor, mais igualitário, menos injusto. E, há por aí muita gente que não se coibe de dizer em tom jocoso, que a democracia é dos sistemas injustos, o mais justo. E ficam muito felizes por poderem dizer estas anedotas.
Poderá eventualmente ser, mas tenho a certeza que não é o fim do caminho. Os partidos políticos pensam o contrário, mas é fácil imaginar um mundo novo sem partidos. Ainda voltarei a este tema.
Desperto lentamente desta abulia que me tem consumido. Os meus companheiros, parece também foram atacados pelo virus. Nem todos. A Mª de Lurdes, deixou aqui um retrato fiel do país cinzento em que nos tornamos. Apenas discordo levemente no que diz respeito ao futebol. É o maior espectáculo do mundo, embora alguns teimem em estragá-lo.
sexta-feira, maio 29, 2009
Da influência de uma letra na abulia de um povo
O fado tradicional é poesia, mas enroupada naquela vil tristeza que o poeta cantou, no fatalismo e resignação atávicos, que nos impedem de desenvolver as nossas inegáveis qualidades e potencialidades, as quais em geral nos granjeiam o respeito dos estrangeiros, quando as exercemos lá fora. O fado de Coimbra é excepção (não estou a ser sectária, visto ser natural de Lisboa), que canta amores e saudade (a propósito, o mito de que a palavra saudade só existe em português é desmentido, por exemplo, pela palavra alemã Sehnsucht, que até é mais expressiva). O carácter pungente do fado revela um fatalismo inibidor, uma disposição anímica de conformismo, uma atitude submissa, de aceitação passiva das ignomínias que nos caem em cima. Nem para fazer valer os direitos mais básicos (educação, justiça, saúde, emprego, maior apoio à infância e aos idosos, etc.), a que alguns chamam privilégios, nos fazem sair deste estado comatoso.
Quanto a Fátima, para além do que já se disse sobre a IC, repugna-me o suborno da divindade implícito no pagamento de promessas, aplacando-a através de sofrimento e de oferendas. Não pretendo com isto desdenhar da fé dos crentes, que nos deve merecer respeito, pelo lenitivo e consolo que representa. Voltando à IC, aí estão eles de novo a pedir desculpa pelos crimes nefandos perpetrados sobre 14.000 crianças em instituições religiosas na Irlanda, mas (coisa inqualificável!) exigindo o anonimato dos criminosos. Então condena-se quem pratica um aborto, ainda que por razões de saúde ou humanitárias, mas deixa-se livre do merecido castigo quem teria mais obrigação de uma conduta irrepreensível?
O futebol poderia ser um desporto belo, compreendendo-se alguns excessos, por entusiasmo, e até alguma trapaça (ai de mim, que digo eu?) para dar “cor” ao jogo. Pelo contrário, inúmeros factores fazem do futebol um antro sulfuroso, onde a beleza de um jogo bem jogado assume uma importância secundária. Custa-me engolir a alienação das massas ululantes, a boçalidade e a marginalidade de algumas claques, a corrupção que alegadamente grassa entre alguns dirigentes e a arbitragem, a impunidade dos negociatadores dos clubes, o unfair play das “estrelas” dos relvados. A mística do futebol tresanda, quanto a mim, a qualquer coisa de fétido.
O que se passa no futebol parece espelhar o que se passa no país em geral. E nós em tranquila letargia. Não vale a pena recordar os inúmeros casos escandalosos a decorrerem neste momento no país e que nos envergonham. O curioso é que é tudo “legal”, toda a gente está de consciência tranquila (será que têm alguma consciência?) Apetece emigrar para lá do sol posto, não ler mais jornais, fechar os olhos e os ouvidos a toda a informação veiculada pelos media, abdicando do direito à indignação. Que fraqueza é esta que nos tolhe, a nós que já fomos grandes, dividimos o mundo em dois em Tordesilhas, deixámos vestígios em muitas e distantes paragens, imprimimos uma marca cultural em povos espalhados pelo mundo, a incomensurável coragem revelada aquando dos descobrimentos não foi, seguramente, fogacho ocasional. Ainda recentemente, a tenacidade e determinação dos nossos imigrantes são indicadores de que a alma lusa não é débil, tem muita força. Somos um povo excepcional, que até fez uma revolução sem sangue. Então porquê o estado letárgico em que nos afundamos? Quando lançaremos mão dessa força de vontade de outrora, agora que temos três belas oportunidades?
Tolhe pesado grilhão: escuridão.
Garra desesperada, determinada, rasga trevas: clarão.
Trabalho. Motivação.
Assimetrias: mais não!
Maria de Lurdes
sexta-feira, maio 22, 2009
TERRAMOTO
Já em intervenções anteriores, tenho expressado a minha náusea, devido aos noticiários de sexta-feira, comandados pela nossa inefável MMG e, com a ajuda daquele senhor que não se percebe bem o que diz.
Hoje o Bastonário da Ordem dos Advogados, cilindrou a dita senhora.
Politicamente incorrecto?
Claro, totalmente.
Mas que soube bem, a mim e a mais uns milhares de portugueses, soube.
Vai haver consequências?
Espero fervorosamente que sim. Os sistemas reguladores da Comunicação Social, não vão poder continuar a fingir que nada se passa.
Viva o politicamente incorrecto.
Hasta la victoria.
GED
quarta-feira, maio 20, 2009
NOITES
Por entre os dedos das minhas mãos
Consigo reter algumas estrelas solitárias
Luz para os meus passos
Um de cada vez, por entre silêncios
Marcando areias ainda quentes
Cadência pausada, feliz
No rumo do dia que amanhece.
GED
terça-feira, maio 19, 2009
segunda-feira, maio 18, 2009
PAÍS CINZENTO
Mas viajar permanentemente no "políticamente correcto" cansa. Deve cansar o próprio ou os próprios e cansa seguramente, quem tem que ouvir isto diáriamente, vindo de "grilitos sussurrantes", em todos os canais de televisão.
Dir-me-ão, que feche o aparelho e pronto. Nada disso. Se o fizer, entram-me em casa de qualquer outro modo. São piores do que sarna.
Os preservativos e a escola. Ora aí está uma novidade, pouco agradável para muçulmanos e cristãos. Já os judeus estão de acordo. Ainda cheguei a pensar que iriamos resolver o problema da faixa de Gaza e arredores, mas nem nisto estão de acordo.
Quanto à igreja mantem-se igual a si prória. Intemporalmente imóvel.
Cristãos e muçulmanos estão juntos neste caso. Sexo público só depois do casamento. As "porcarias e outras devassidões", são permitidas, mas só no aconchego do anonimato.
Chegou-se ao ponto de haver quem negue o holocausto. À igreja já pouco lhe falta para vir negar a existência de Sida e outros males sexualmente transmissíveis. A gravidez indesejada também está resolvida. Sei de fonte segura que a igreja, vai abrir mão de toda a sua vasta riqueza, para apoiar todas as jovens grávidas, em todo o mundo, que engravidaram pelos mais diversos motivos, menos pelo certo.
GED
sexta-feira, maio 08, 2009
CIRCO
Não me ri.
Fiquei apenas roxo de indignação e de tristeza.
Indignação, porque vejo o meu dinheiro a esvair-se em coisas vãs.
Tristeza por saber aquilo que cá dentro já sabia.
Estamos a ser governados por gente totalmente incapaz. Quem chega a este ponto e, estou a falar, não de pessoas singulares, mas de partidos, mostra à exaustão que não tem causas, nem balizas, nem objectivos, nem nada.
Tanta coisa por resolver, de importância para todos nós e, os gringos vão ao circo.
Eu dou uma sugestão, já que é também com o meu dinheiro que são régiamente pagos: acabem lá com os animais no circo e já agora no zoológico e, com os canários nas gaiolas. Acabem com isso tudo e depois com as jaulas e os circos vazios, metam lá essa gente para nosso gozo pessoal.
domingo, maio 03, 2009
ABRIL E MAIO
ABRIL E MAIO
Respirei Abril
Recriando o que não ri
E pressenti o perfil.
Chorarei por Maio,
Sou chão, no doce perdão
Situo-me e não saio.
A chuva continua
E solta a pura (qual seta)
Esperança da Lua.
As comemorações
E as flores são dois amores
E têm recordações.
Pedaços dos meses
Férteis, curtos e agradáveis
Ao esquecê-los mil vezes.
Um abraço.
NOTA: meu querido amigo. Pensei que te tinhas ido embora, sem mais aquelas. Finalmente regressaste a esta tertúlia, que por sinal anda animada. Vai passando por aqui. Tenho ido ao teu blog...mas népias. um grande poeta de férias?
Grande abraço
Henrique
quarta-feira, abril 29, 2009
GRIPE
terça-feira, abril 28, 2009
COISAS DE ABRIL II
águas mil.
25 de Abril,
cravos mil vezes mil.
Se então alguém me falasse
em malmequeres
só de bem-querer,
não seria utopia.
Eu teria acreditado;
subscreveria,
com alegria,
em euforia.
Dia memorável.
Vivi-o em Coimbra,
pela rádio,
pela televisão.
Emoção.
Exaltação!
Mas...
anos volvidos
manto de desilusão:
cravos emurchecidos,
esmagados;
sonhos postergados,
espezinhados,
por uns malvados,
sem contemplação.
Que desilusão!
Não mais amanhãs que cantam;
antes desencantam.
Hipocrisia.
Iniquidades.
Mal-feitorias.
Aleivosia.
Podridão.
Dizem que a esperança
é a última a morrer.
Será?
Oxalá!
Maria de Lurdes
sábado, abril 25, 2009
COISAS DE ABRIL
Em declaração pública, manifestaram-se violentamente contra a progressão na carreira de Otelo Saraiva de Carvalho.
Abril, dá-lhes o direito de dizer todas as aleivosias que entenderem, sem que nenhum mal lhes advenha disso.
Como já disse, a História é cruel. Otelo faz parte da história de Portugal, sempre fará. Será sempre um dos capitães de Abril. Cometeu erros no percurso e pagou por eles.
Mas na essência, lutou para que em liberdade, até diatribes do género fossem possíveis.
Deveriam estar-lhe agradecidos, mas a ideologia fascizante que professam, não os deixa ver nem adiante, nem para trás.
Nos compêndios de história, actuais e futuros, o nome de Otelo estará sempre, junto com todos os companheiros que nos ajudaram a libertar da tirania fascista.
Paulo Portas, ficará enterrado no anonimato perpétuo.
E, é isso que ele nunca conseguirá compreender.
GED
sexta-feira, abril 24, 2009
ABRIL E EU
Acredito em almas gémeas, em transmissões de pensamento, e coisas congéneres. Por isso, hoje pasmei quando vi o post no blog do Manel. Tinha pensado, que hoje quando chegasse a casa, faria um texto do género. E, digo do género porque ao ler o dele, achei que era excelente, que estou totalmente de acordo, ou quase, o que é raro, e que jamais conseguiria fazer nada tão bem feito.
Depois destas premissas aqui vai.
Em 1974, estava longe de estar amadurecido para estas questões, mesmo tendo em conta que vivi toda a crise académica activamente e do lado certo da barricada.
O 25 de Abril, não me apanhou de surpresa, já o pressentia nas conversas que tinhamos. Depois, foram vários anos de muita luta, de alegria contagiante, em que a palavra de ordem, era de que tudo era possível. No entanto ao contrário do Manel, continuo a manter aquilo que ele chama de romantismo.
Consigo olhar para trás e fundamentalmente olhar para a frente e sentir que tudo valeu a pena e que tudo valerá a pena sempre. Continuo com a firme convicção de que estarei sempre pronto para intervir e para voltar a ser ingénuamente feliz se for caso disso. Olhando em redor, não há nada que não repetisse. O tempo que passei em Angola, em plena revolução, foram dos mais felizes e simultâneamente dos mais duros da minha vida.
Faço minhas as palavras de um Capitão de Abril: aqueles anos já ninguém mos pode tirar!
Tudo isto, é apenas um intervalo que vai passar certamente. Posso olhar com um olhar maduro e crítico para tudo o que se passa, mas continuo a sentir que isto é efémero e que um dia tudo voltará a ser possível.
A História é cruel, no sentido em que o que aconteceu já não pode ser modificado. Os países do nosso país, estão aí, dando passos, muitos errados, mas caminhando para o futuro deles e também o nosso.
Podia ter sido melhor?
Absolutamente.
Provávelmente, a única diferença que me separa do Manel, é que eu sou um optimista. Tento tirar da vida aquilo que ela tem de melhor para me oferecer. O Manel é um eterno pessimista, sempre vendo o lado pior das coisas. Mas que é um dos meus grandes amigos e a minha alma gémea, lá isso é.
Ainda que renegue o "Che", ou tudo o que aconteceu e tem vindo a acontecer em Cuba.
Não mudei uma linha ao meu pensamento político de base. Muitas coisas, discordei violentamente. Deste lado da barricada, cometeram-se também erros tremendos. No entanto, a amizade, a solidariedade, a luta contra a marginalidade, a correcção dos enormes desvios sociais, a igualdade de oportunidades, continuam incólumes na base do meu pensamento.
Continuo a pensar que malmequeres, só de bem-querer, ainda que a Maria de Lurdes pense nisso como uma utopia.
25 de Abril, sempre.
quinta-feira, abril 23, 2009
HAIKAI SEVEN
Um raio de luz
Esta terra que te vê
Projectado lá
Para o Henrique
Um raio de luz
Aconteceu em Abril
Reflectido lá
Para todos
Águas de Abril
Correndo para o mar
Passando por lá
Fernando Marta
terça-feira, abril 21, 2009
TANKA
Saudades tamanhas
Até um dia...
Estendem suas mãos
Surgem novas estrelas
Anabela Simões
segunda-feira, abril 20, 2009
HAIKAIS
E, sempre a um nível muito alto.
Desculpa lá Fernando, mas vão para a página da frente.
Amanhã terás que aturar a Maria de Lurdes, a dizer-te e com razão, que tens talento para dar e... vender. E, eu estou totalmente de acordo. A propósito, alguém viu o Manuel "Sampas"?
Grande abraço.
Henrique
Aconteceu cá
Desabrochar em Abril
Dar fruto por lá
Calor de Abril
Esta terra que te viu
Crescendo por lá
SAUDADE
Não mais do que ontem ou do que amanhã.
Mas hoje por força das circunstâncias, é mais doloroso, custa mais.
A saudade cola-se com mais força.
Acredito que voa feliz nos ventos diferentes.
Mas, faz-me uma falta terrível. Falta uma parte de mim.
GED
ANIVERSÁRIO
sábado, abril 11, 2009
REGRESSO
Ao longo desta semana, aproveitei para pôr a leitura em dia. Ao fim de cada tarde, depois de ter esquiado, sentava-me na sala de estar do hotel e ia lendo o que levei. À minha frente, tinha uma grande vidraça que me mostrava a Serra Nevada coberta de neve. Um espectáculo magnífico!
Anteontem, estava a ler um livro recomendado pelo Hamilton: Desmedida (crónicas do Brasil) do Ruy Duarte de Carvalho. Já o tinha há bastante tempo, mas só agora consegui começar a lê-lo. Já sabia que era denso e tenho-me entretido com coisas mais leves.
De repente tudo fez sentido. Tinha a serra à minha frente, ouvia no ipod trechos do Out of África e lia um livro que versa as relações antigas entre o Brasil, Portugal e Angola.
E de repente, o meu mundo fez sentido. Deixei de ver a Serra Nevada. À minha frente estavam anharas sem fim. E, vi zebras correndo desenfreadamente em direcção às montanhas distantes.
Deixo-vos aqui o trecho do livro que estava a ler na altura. Aconselho-vos a comprá-lo se se interessam por estes temas. Dele já li outro livro magnífico: Vou lá visitar pastores.
A África, para homens de cultura ocidental do tempo de Burton, é uma reserva de horrores e de insalubridades, um continente maldito, teatro do horror absoluto e de uma estupenda selvajaria originária... E é a pátria do sangue poluído, amaldiçoado e negro, dos descendentes de Cam, filho de Noé. Se embriagou Noé, e adormeceu, descomposto dentro de sua tenda. E seu filho Cam o viu assim e falou disso, a rir, a Sem e a Japhet, seus irmãos mais velhos. Os quais se muniram então de um pano e entraram na tenda às arrecuas, para cobrir sem ofendê-la, a nudez do pai. Depois de acordar e de vir a saber como se tinha comportado Cam, seu filho benjamim, Noé amaldiçoou-lhe a descendência: será servidora e escura. É a partir daqui, parece, que as interpretações talmúdicas e as tradições judaicas associam a cor negra à servidão imposta à descendência de Cam. ... E a partir daqui viraria ensaio... Desde o século dezoito que a identificação dos filhos de Cam aos povos negros se tinha tornado uma espécie de evidência capaz de justificar a escravidão e a evangelização ao mesmo tempo. Mas, reconsidera-se ao longo do século dezanove, a exegese da bíblia ao mesmo tempo que começam a ter lugar as especulações e as observações dos exploradores que visitam África. Ao monogenismo bíblico substitui-se um poligenismo científico que exclui os povos negros da linhagem noémica e favorece o embranquecimento de Cam. Os três filhos de Noé passam a representar três ramos da raça branca. Os povos negros escapariam assim às origens iniciais. Alarga-se o fosso entre brancos e negros. Para a expansão ocidental é impossível admitir uma qualquer civilização negra e é reconsiderada uma ascendência asiática para os egipcios.... É instaurada uma distinção fundamental entre populações africanas absolutamente negroides e não inteiramente negroides...
E por aí adiante. Acreditem ou não, só muito mais tarde a igreja (sempre a igreja), lançou um decreto papal, afirmando que os indios do Brasil afinal eram seres humanos!
Fiquem bem.
Um abraço
GED
quarta-feira, abril 01, 2009
FÉRIAS
Durante dez dias, mandarei às urtigas, os jornais, as notícias, a igreja, os dislates que vão correndo pelos noticiários, a Casa Pia e similares, a crise (?). Apenas levarei comigo os amigos (as) e os skis. Para os pobres mortais que não vão ter este privilégio, fica aquele abraço e a certeza de que voltaremos a encontrar-nos em breve.
No entretanto, vão-se divertindo como puderem.
NOTA: enviaram-me um email fantástico. Uma estação de televisão, resolveu, percorrer mundo e contactar cantores de rua. Fez um programa com eles tocando em simultâneo, cada um nos seus países. O resultado é absolutamente fantástico.
Fica o "site", como a minha despedida: CANTORES DE RUA
GED
quinta-feira, março 26, 2009
O PESO DE ALGUMAS PALAVRAS
Vejam esta em http://diariodaafrica.blogspot.com/2009/03/oracao-de-sapiencia.html
quarta-feira, março 25, 2009
PAPA?
Basta lembrar, quantos pedidos de desculpa tiveram que fazer nos últimos tempos.
Nem Leonardo escapou.
No século XXI, seria de esperar que tivessem aprendido a respeitar, pelo menos os ideais do seu Criador. São 2100 anos caramba!!
Nada disso.
Esta visita a Angola, mostrou a verdadeira face desta igreja, retrograda e incapaz.
Em dois dias fez mais pela SIDA, do que a própria SIDA tem feito.
Deviam ser feitas as contas a quanta gente vai morrer, se acreditar no que lhes foi dito.
E, quando daqui a algum tempo, vierem pedir desculpa por esse erro, claramente lhes devia ser dito, que fossem para o diabo que os carregue.
GED
sexta-feira, março 20, 2009
HAIKAI
Trovoada e relâmpagos no céu
Terra natal.
A Anabela apaixonou-se por esta forma de poesia.
Presenteou-me (nos) com este, lindíssimo.
GED
OPINIÕES II
Primeiro, quero mostrar todo o meu orgulho por ter amigos assim. Daqueles com quem a gente pode discordar, sem beliscar a amizade profunda que nos liga.
Depois, quero discordar concordando.
Claro, que sou fã de Borges. Claro que sou fã da boa literatura europeia, mas fico por aqui.
Falando dos escritores de expressão lusófona, apenas me cabe dizer, que não retratam de todo apenas a literatura regional. O que mais me encanta neles, e aí começa a discórdia, é o seu lado onírico, mágico, imaginativo, jovem, sem fronteiras. Que os coloca ao lado de um Sepulveda por exemplo.
Comparar Mozart com Tom Jobim ou com os Beatles? Absolutamente.
Dentro do tempo julgado conveniente, estarão no mesmo estatuto.
Daqui por 500 anos, todos se lembrarão de Mozart, mas também se lembrarão de Jobim e dos Beatles, como se lembrarão de todas as obras intemporais.
Como se lembrarão de Eça de Saramago, de Luandino.
Embrulha...mas desta vez um enorme abraço de amizade.
GED
quinta-feira, março 19, 2009
SEM MARGENS
Transbordando alucinações
Pirilampos indecisos
Boiando na noite
Silêncio das pedras ainda quentes
Vapores, flutuando madrugadas.
Lágrimas de chuva
Na pele nua
Olhos azuis brilhando desejos
Em cada estrela do céu
Ritmo frenético do louvadeus
Sismando passos firmes
Encharco-me de tardes
Malmequeres só de bem querer
Rios deslizando bagres
De cor púrpura
Virgens parindo ternuras
Pairam no ar borboletas azuis
Chão estremecido de calores
Loucos cultivando sonhos
Olhares distantes da demência
Raios de luar
Cravados no chão adiante
Crianças felizes abraçando confortos
Sem margens.
GED
quarta-feira, março 18, 2009
BLOG
segunda-feira, março 16, 2009
OPINIÕES
A um deles perguntei-lhe o que tinha achado. Vale aqui dizer, que estamos profundamente em desacordo em muitas coisas... como é hábito entre grandes amigos.
Do alto do seu urbanismo profundamente europeu, respondeu-me que achou bonito, mas ainda muito imaturo, quando comparado com os grandes e vetustos ( o adjectivo é meu) escritores europeus.
Claro, não posso estar mais em desacordo. Comprei o último livro do Ondjaki, sobre poesia.
Não resisto a deixar-lhe aqui, um pequeno fragmento.
Tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
Certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento.
Não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
Era de difícil manejo - mas funcionava.
Grande abraço
GED
quarta-feira, março 04, 2009
ANGOLA
segunda-feira, março 02, 2009
DIETAS E OUTRAS LOUCURAS
terça-feira, fevereiro 24, 2009
SAUDADE
Saudade
Saudade tamanha que sinto
Saudade donde não estou
Já com saudade não minto
Com saudade eu me vou
Com saudade quem não vem
Saudade também se tem
Também saudade de alguém
Saudade do que não vem
E saudade quem não tem
Saudade daqueles que vão
Saudade dos outros que não
Com a saudade cravada
Bem funda no coração
FMartaNeves
24 Fev 2009
sábado, fevereiro 21, 2009
SAUDADE
Só a palavra é estranha. Bem portuguesa dizem todos. Homesickness é a melhor aproximação que conheço.
Tão estranha e perigosa, que amigos meus, como a Anabela, tendem a rejeitá-la, sem o conseguirem como se viu.
Saudades de casa, do meu país. Não me tira o sono, mas permanece latejando sem que muitas vezes dê por isso.
É doentio?
Claro que não. Doentio é deixar-se envolver por saudades que não têm a ver com saudade.
O que sinto falta mesmo, é do calor, da espuma traçando alinhavos na areia, da água quente do grande mar, do espaço sem fim, dos silêncios absolutos, do céu cravejado de luzes. E esta saudade alimenta-me.
As outras "saudades", não estão na minha maneira de ser.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
SAUDADE
Existem amigos que estão perto, outros longe, outros no pensamento e outros no coração.
Aceitei este convite muito honrada, feito por um amigo de longa data e que para mim tem quase todas estas componentes, excepto a de estar longe.
O meu grande problema é o engenho e a arte...
Pensei um pouco e resolvi escrever sobre "Saudade", sem nostalgias mas sim com alegrias e boas recordações.
Costumo dizer que não sou saudosista e que gosto de viver o presente o melhor possível , sonhando por vezes com o futuro e recordando o passado sem tristezas.
Passaram tantos anos em que nos afastámos a memória começa a trair-nos.
Já vos tinha encontrado (através de um amigo comum cubalense) e tinha-vos perdido.
Reencontrei-vos neste mundo virtual e com toda a felicidade vou-vos seguindo (ainda com muita timidez), não muito própria da minha maneira de ser africana.
Pergunto-me o que me levou a procurar tudo o que está relacionado com o Cubal e convosco, e que todos os dias me leva a saber notícias vossas.
E descobri: é SAUDADE, palavra que normalmente rejeito.
Obrigada Henrique por tudo o que nos tens dado.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
O TEMPO QUE SONHO E SINTO /DO CACIMBO DISTANTE
Finais de Junho
Dia lindo, de sol.
Claridade sem igual
...Lindo dia...
Há muito não via
Fresco, sem frio.
Ventinho de ar seco
Respiro fundo,
Neste lado do mundo
...Longe do Cubal...
Ai que saudade...
E, de repente
Um arrepio
Mas não de frio
Sinto-me ausente
Algo distante...
Entrando no Estio...
Um calafrio!
De tanta ausência?
Tanta distância...
...É a saudade...
Há qualquer coisa no ar...
Que me faz lembrar...
Vou aproveitar.
Aproveitar o momento,
Fechar os olhos
Sentir o vento
Sonhar...
...E voar...
E viver!
Viver e esquecer
Viver com este ar
Viver a sonhar
Neste local
Do meu Portugal
...tão distante...
Adiante!
Mas esquecer...
Acreditem, não minto,
Isto que eu sinto...
Sinto a ausência
Sinto a distância
Sinto um vazio...
Sinto-me flutuar...
Se pudesse voar...
...Naquele céu planar...
É tanta a saudade...
É mesmo verdade
Que sinto este tempo
Este tempo de Estio
Nem quente nem frio
Que sinto este tempo
O Tempo do Cacimbo...
Com um nó na garganta
O tempo que sinto...
Sinto, mas afinal...
...Não no Cubal...
Sinto-me perdido
Algo ferido...
Aquela terra distante
Sempre presente
A África ausente
Na África Austral
Que vontade tanta
De estar...
De voar...
De sonhar...
De respirar...
...No Cubal.
Valongo/Porto, 12-Fev-2009 (Um daqueles dias “parecendo verão...quase”, depois de uns intermináveis dias de chuva…, da tal, de faz de conta. Inverno cá, Estio lá. Lá com chuva, muita e forte chuva, daquela, da outra e muito sol... Cá, ouvindo os Guns N Roses- Live and let die - de Paul McCartney- uma daquelas músicas…).
FMartaNeves
NOTA: como se pode ver, pelos dois "posts", de dois amigos, o blog só pode mesmo, ficar mais rico.
Um abraço
GED
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
PLANETA REDONDO
Hoje vim a saber por portas e janelas escondidas, que alguém no Lobito, se dá ao trabalho de ler o meu blog. Chama-se Arnaldo, não o conheço, mas vou conhecer de certeza. Anda nos mesmos circulos que eu e os amigos são comuns. É mais um para acrescentar a essa pequena lista.
Como é que soube?
Isso é outra história para contar num futuro próximo de viva voz.
Pena é que não deixe comentários.
Um abraço
Henrique
domingo, fevereiro 01, 2009
GLORIOSO
Ontem, no jogo foi perceptível o entusiasmo do público quando Mantorras entrou. Esta empatia, tem a ver com tudo o que não é habitual. A entrega total e a humildade com que o nosso angolano sempre se apresenta, ao contrário de tantas outras "estrelas" que conhecemos.
O posicionamento na área, a rotação perfeita tirando do caminho o defesa e depois o remate certeiro, limpo, para as malhas.
Mantorras e o seu percurso, fazem-me lembrar uma frase dita, creio que por Sofia de Melo Breyner: Nunca choraremos bastante ao ver o gesto criador ser impedido!
Ontem também vi a notícia de Eusébio prestando homenagem a Lev Yachine, visivelmente comovido.
Todos os amantes do futebol se lembrarão do famoso golo que Eusébio marcou. Todos nos lembramos também, do abraço fraterno e do pedido de desculpas que se seguiu. Mais do que o melhor guarda-redes do mundo, para Eusébio tratava-se de um idolo merecedor de todo o respeito.
Cada vez o futebol tem menos disto. Desta grandeza que faz com que eu e muitos milhões continuemos a achar que é o melhor desporto do mundo.
GED
segunda-feira, janeiro 26, 2009
PLANETA TERRA
Esses quatro, por força, dezasseis.
Sessenta e quatro a estes contareis
em só três gerações que expomos nós ( ... ).
Se um homem dá tanto cabedal,
dos descendentes seus, que farão mil?
Uma província?
Todo o Portugal? (*)
Por esta conta, amigo, ou nobre ou vil,
sempre és parente do Marquês de Tal,
e também do porteiro Afonso Gil."
(*) No caso das nossas famílias: "o planeta Terra?
Alguém por piada, mandou-me este email, há alguns meses.
Não liguei muito, mas a verdade é que de vez em quando estas palavras me vinham à cabeça!
Se contarmos com as infindáveis gerações e respectivas permutas, acabamos por ser todos família. Palestinianos, israelitas, afegãos, americanos, chineses, russos, africanos e por aí adiante.
O conhecimento absoluto do genoma humano irá dizer-nos isso.
terça-feira, janeiro 20, 2009
RETRATAÇÃO
O meu querido amigo.
Anda, vem lá para aqui,
Vem ter connosco, comigo.
Que se passa? Diz! Amigo.
O que se passa contigo?
Sei agora o motivo…
Estavas a ensaiar o voo,
P'ra voar de vez um dia.
Estavas tu a ensaiar…
Voar…nunca mais voltar.
E a gente, não sabia…
Fernando Marta
Nota: este belíssimo poema, que me toca tão profundamente, foi-me enviado por um amigo de longa data, dos tempos do Kaparandanda. Agradeço-lhe.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
MUKANDA
De tanto que já viram
Ainda me servem os sapatos
Com que reinvento o chão
Um dia deixarei de dançar
As danças há muito aprendidas
Mas não hoje
Atrevo-me em novos passos
No eterno baile da vida
O meu rumo é sempre sul
O primeiro chão que pisei
Onde estão os meus imbondeiros
Areias douradas e o mar azul
Desembrulho os meus sonhos
Neste tempo longo de esperar
Revejo tantos quartos vazios
Na casa da minha vida
Um dia deixarei de dançar
Em cima da linha do horizonte
Mas não hoje
Tempo de kissanges e batuques
De saltar e levantar poeira
Arrastar amigos nesta vertigem
Aprender mais uma vez a viver
Sem anunciar preconceitos
Apenas a minha caixa de madeira
Cheia de todos os meus sonhos
Um dia deixarei de dançar
Esta eterna valsa entre continentes
Mas não hoje
GED
quarta-feira, janeiro 07, 2009
CONVITE
A apresentação estará a cargo da escritora angolana Ana Paula Tavares.
terça-feira, janeiro 06, 2009
FAIXA DE GAZA
Não gosto particularmente mais dos árabes que dos judeus. Ambos têm uma história que não me atrai para nenhum dos lados.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
BOAS FESTAS
Para esses especialmente e, para todos os outros que aqui passam, deixo os votos de um bom Natal.
O Ano Novo, esse será o que cada um quiser.
Por mim, quero continuar a ser feliz, e quero que todos o sejam.
Um abraço
Henrique
THE MOST EXPENSIVE CITIES IN THE WORLD
Some of the most expensive locations in the world for expatriates are in Africa with Luanda (Angola), and Libreville (Gabon) featuring in the top 10. Maseru, Lesotho, remains the cheapest location in the survey and is one of 7 African locations in the bottom 10 globally including Durban (236) and Gaborone (Botswana) (235) where the weakness of the Rand and Pula, respectively, have contributed to low cost of living.
For expatriates, particularly those paying with US dollars, Angola’s capital Luanda is the most expensive city in the world. The cost of living for those hankering after imported food rather than local produce is higher in this African metropolis than in Tokyo, Paris or London. ECA International, which carried out the research, explained that its cost of living survey compared a basket of 128 consumer goods and services commonly purchased by expatriates in over 370 locations worldwide. “Certain items and brands typically purchased by expatriates, can be very expensive in a location such as Luanda where they are not readily available locally.”
Methodology
The research for ECA’s 2008 survey was conducted in March 2008 and is based on a basket of goods and services most commonly purchased by western expatriates. The basket does NOT include items such as accommodation, utility costs, school fees or motoring costs. ECA International is the world’s largest association for human resources (HR) professionals. It was set up in 1971 and includes among its partners companies such as Deutsche Bank, Robert Bosch, Fujitsu Services, Heineken, Philips und Rolls-Royce. The organisation provides remuneration advice and data for internationally operating companies.
http://www.citymayors.com
http://www.citymayors.com/statistics/expensive-cities-intro.html#Anchor-Research-47857
segunda-feira, novembro 24, 2008
DE ONDE EU VENHO...
Fazem-no com um enorme carinho, claro está, mas eu não penso assim.
Corre-me nas veias sangue fenício por parte do meu pai, e sangue de todas as tribos que ocuparam o norte de França por parte da minha mãe.
Esse é o meu património genético.
Depois, por força de circunstâncias, os meus pais ofereceram-me a maior prenda de todas as que recebi até hoje. Deram-me uma Pátria.
E, é isso que eu sou apenas. Um angolano. Sem margem para dúvidas.
GED
domingo, novembro 09, 2008
OBAMA
Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.
É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença. É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.
Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia. Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América. Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.
O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta. Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama. Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.
E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites. Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.
Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir. Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.
Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.
Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.
Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.
Esta vitória é vossa.
E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.
Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.
Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.
Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.
Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.
Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.
Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.
Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.
Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.
Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.
Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.
Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.
São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.
E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.
E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.
Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.
É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.
Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.
Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.
Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.
Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.
Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.
Sim, podemos.
América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.
segunda-feira, novembro 03, 2008
MAGALHÃES
segunda-feira, outubro 27, 2008
FIM DE SEMANA
O Glorioso ganhou, o Porto perdeu e o Sporting empatou.
Estou feliz, mas não tanto como devia.
O Benfica jogou mal, os mercenários da equipe mostraram mais uma vez não ter raça. Mentalmente são muito fracos e qualquer pequeno abanão os desiquilibra.
São as nossas "estrelas".
As mesmas que vão representar não sei bem o quê na selecção luso-brasileira.
quinta-feira, outubro 09, 2008
PRÉMIO NOBEL
Respondi-lhe que sim, mas que desconhecia por completo o senhor.
Se fosse padre tinha-me excomungado naquele momento.
Na altura apeteceu-me dizer-lhe alguma coisa. No entanto preferi o silêncio e distanciei-me.
Apetecia-me perguntar, que sabia ele de Jorge Luis Borges, ou de Sepulveda ou de Ondjaki, ou de Ana Paula Tavares, ou de Herberto Helder ou... se sabia que escritor tinha recusado recentemente o prémio Camões.
Apetecia-me vê-lo a estrebuchar na sua ignorância de uma cultura balofa.
Só não o fiz porque achei que era muita humilhação e porque sei que costuma ler o meu blog.
Um abraço
GED
segunda-feira, setembro 29, 2008
segunda-feira, setembro 22, 2008
BRANQUEAMENTO
Estou a falar de "carjacking", "homejacking", motojacking", e mais alguns "jackings" que não vale a pena referir.
Posso estar a ser ignorante, estou a sê-lo com certeza pois o meu inglês é um pouco limitado, mas creio que estão a falar de roubos de carros, de casas de motas.
Se é isso então por que é que estão a dizê-lo em inglês?
Soa melhor?
Dá o ar de que somos menos ignorantes como povo?
Este fenómeno do branqueamento e abrilhantamento das situações já não é novo. Aquela ideia abstrusa de chamar os bois pelos nomes parece ser caduca.
Senão vejamos.
Antigamente nos colégios, liceus, hospitais, repartições, empresas, etc, havia empregados de limpeza e, verdadeiramente era isso que faziam. Se alguém limpa alguma coisa, por que raio é que não é um empregado de limpeza?
Envergonhados de serem empregados (!!!), passaram a chamar-se auxiliares de acção.
Verdadeiramente o meu merceeiro é também um auxiliar de acção polivalente.
Ajuda-me a mim e a muitos outros profissionais a sermos mais eficazes nas respectivas áreas.
O que mais iremos branquear nesta estúpida viagem de algumas cabeças, que acham que avançamos alguma coisa só por mudar os nomes?
GED
segunda-feira, setembro 08, 2008
M. P....
O meu M venceu as eleições nas 18 provincias de Angola.
Já fiz a festa e celebrei com os amigos.
A luta continua.
Aquele abraço
GED
domingo, setembro 07, 2008
ASAS
Como qualquer ave, aliás
Cresceram-me asas durante a noite
Definitivamente
Renego o destino da pedra
Permanentemente presa ao chão
Ausência de sonhos de ver mais longe
Voo acima das cordilheiras
Sem pressas, planando no calor
Desafio sapos e salamandras
Rastejando vidas inquietas, limitadas
Distancio-me
Viajo para onde o mar encontra a terra
Se conseguir tocar no horizonte
Estarei perto do fim da minha viagem
GED










