segunda-feira, dezembro 24, 2012

BOAS FESTAS



FELIZ NATAL PARA TODOS.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

ENVELHECER

Há dias li num livro uma frase genial: "envelhecer não é para maricas".
Nada mais verdade. Ser infeliz é um acto de pura cobardia. Procurar no passado remoto os pilares dessa infelicidade, é uma completa inutilidade. Envelhecer é um acto de enorme coragem e na verdade essa palavra já foi abolida pela OMS.
Nos tempos que correm só envelhece quem quer. Apenas se fica com mais idade, e essa nem sempre é encarada da melhor maneira. Se calhar porque se tentam corrigir coisas que não têm correcção possível. Ainda assim, há profissionais que vivem disso.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

CDC



COMUNICADO DE IMPRENSA

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola vem por este meio comunicar o cancelamento da sua Temporada de 2012, com início previsto para o dia 1 de Dezembro, por motivos alheios à sua vontade.
As razões desta tomada de medidas, a dois dias da estreia, prendem-se com o facto de ter sido detectada uma fenda grave numa das paredes principais do único teatro existente em Luanda, o Nacional Cine-Teatro (Chá de Caxinde), a qual, segundo a equipa de engenheiros que se deslocaram ao local, poderá ruir, originando o desabamento do tecto.
Não tendo a quem recorrer e sem prever qualquer tipo de indemnização, a CDC Angola sente-se, no entanto, no dever de pedir a compreensão do público e de agradecer aos patrocinadores e parceiros a sensibilidade, a confiança e o apoio demonstrados, comprometendo-se a honrar o seu compromisso tão logo haja condições técnicas para que o trabalho possa ser apresentado, com dignidade artística e o indispensável rigor profissional, o que se espera para o primeiro trimestre de 2013.
Constituindo um momento de profunda consternação e desmotivação marcado por irreparáveis prejuízos materiais e danos morais, para todo o colectivo, a direcção da CDC Angola exorta os seus bailarinos, técnicos e produtor a manter a nobreza e a assumir com coragem mais um revés do qual, apesar de lesados, todos sairão mais fortes.
Dando prosseguimento à sua programação e lamentando que a estreia mundial da peça “Paisagens Propícias” não aconteça em Angola, a Companhia de Dança Contemporânea informa que a irá estrear no estrangeiro, em Janeiro de 2013.
Gabinete de Divulgação e Imagem da CDC Angola, em Luanda, aos 29 de Novembro de 2012

quarta-feira, novembro 21, 2012

SOLIDÃO


Todos os dias  passo por ele
Sentado na balaustrada que separa o passeio
Ensimesmado, forjando silêncios
Ar tranquilo, vestido regularmente
Mas sempre parado, olhar distante e vagabundo
Nunca o vi pedir nada
Nunca o vi falar com ninguém
De vez em quando pendura sacos na mão
De comida penso eu
E à noite desaparece sei lá para onde
Ponho-me a imaginar no que pensa
É negro, africano genuíno, magro
Imagino que sonha com calores tropicais
Com os sabores há muito perdidos
E sinto pena, muita pena mesmo
Se calhar sem razão, sou eu que sonho por ele
Mas continuo a sentir pena
E continuo a imaginar que aquele andar desajeitado
E a alma tão enclausurada
São sinais da ausência de si mesmo
Da ausência de um país acolhedor, quente
Do meu país, e do dele também.

GED


terça-feira, agosto 28, 2012

MARGARIDA

E a Margarida não pára de crescer. Sigo atentamente este despertar e não vejo a hora de lhe dizer que estamos todos juntos para o melhor e para o pior.
Mas, este pequenino coração foi fabricado no Sul tropical. Há-de ser resistente, doce, e muito, muito angolano.

GOLF

Um modo de estar na vida. Desporto altamente técnico e obssessivo. A luta permanente connosco, na ansia de melhorar cada vez mais. E este é o momento chave.
"Back-swing" com o braço esquerdo bem esticado, as mãos rodadas no sentido vertical, as pernas ligeiramente flectidas. Este é o momento de não retorno, os olhos fixos na pequena bola branca, cabeça completamente limpa de tudo o que nos distrai no dia a dia. Depois é apenas a rotação harmoniosa e  a descida em velocidade pura.
Resta, se tudo correu bem, fixar o voo fantástico e vê-la aterrar no sítio certo, centenas de metros adiante.
Um prazer. A vida devia ser assim também.

domingo, junho 17, 2012

PARA HERÓIS!

Esta semana fui e vim a Dusseldorf. Sem histórias, que a cidade não tem nada de invulgar.
Como sempre aproveitei a viagem de ida e volta para ler. Desta vez, A máquina de fazer espanhóis de Valter Hugo Mãe, um livro extraordinário sobre um tema infelizmente actual na nossa sociedade.
Mas, na verdade o que retive nesta altura em que toda a gente fala de amor e quer explicar o amor, foi uma frase inacreditável que aparece.
"O amor é para heróis"
Tudo dito numa simples frase. E é verdade, absolutamente verdade. Sem cedências, nem caminhos sinuosos.
Com valentia e determinação. Sem pesar prós e contras.

sexta-feira, junho 08, 2012

UMA VIDA

Um poema, uma vida
Tanta tempestade, desalinho, tristeza.
Mas sempre cresceram girassóis nas trincheiras.

GED


quarta-feira, junho 06, 2012

NOTICIAS DA PWO.


No âmbito da Conferência Internacional “A Educação
Patrimonial e sua  Gestão - desafios, estratégias e experiências”, a Companhia de Dança Contemporânea de
Angola, apresenta:
TRAVESSIA 
Um espectáculo que nos leva a uma viagem dentro de nós mesmos
e da multiplicidade de “mundos” e de situações em que nos encontramos.
Trata-se de uma travessia através desses ambientes que vamos
percorrendo durante as diferentes fases da vida. Neste percurso
estão os cruzamentos culturais. As memórias. Os diálogos estéticos.
Um percurso entre a vida, a morte, o amor, a amizade e a loucura.
Caminhos de contrastes, de hipocrisia e de simplicidade. 

Direcção Artística: Ana Clara Guerra Marques

segunda-feira, maio 28, 2012

CORAÇÃO DO SUL

Alguma coisa de muito importante vem acontecendo. A minha neta, acho eu, tem talvez a coisa mais importante que algum dia terá. Já tem coração. Pequenino, mas batendo ao compasso dos ventos do sul.
Este mesmo coração, que se tudo correr bem e vai correr, nós, a tribo toda, está disponível para ensinar que nele cabem todos, mas mesmo todos os amigos.
Ela não é só a minha neta. É a neta de nós todos, aliás como todos os outros.
E um dia ela vai compreender isso.

terça-feira, maio 22, 2012

ACORDO ORTOGRÁFICO


Este assunto não é pacífico, nunca foi. E se pensarmos na imensidão de portugueses que estão violentamente contra, e se pensarmos que Angola e Moçambique não ratificaram o acordo, e se pensarmos...
Na verdade, pessoalmente sempre defendi a liberdade da lingua portuguesa evoluir nos diversos países, das mais variadas formas, e sempre defendi que se podiam incorporar umas nas outras naquilo que vão produzindo de melhor.
Este acordo é uma prisão e um ultraje a todos nós que falam a lingua portuguesa nos quatro cantos do mundo. Nenhum brasileiro, português, moçambicano, guineense, S. Tomense, caboverdiano, timorense, deveria sentir-se orgulhoso desta desfaçatez.
Pior do que isso. Ter de ouvir um Presidente da República proferir dislates a propósito disso, é o espinafre em cima do bolo.
Na verdade, na sua recente visita a Timor, declarou públicamente que embora os discursos oficiais fossem segundo o acordo ortográfico, como cidadão continuava a usar o português pré acordo.
A minha pátria é também a minha lingua, e eu não quero de todo emigrar para um país do qual não gosto.

domingo, maio 20, 2012

TRIBO

A minha neta está a caminho. Mais uma para fazer deste planeta, um sítio melhor para viver. Dizem os nossos mais velhos, que não chegam os pais para a criar, é necessário toda a tribo. E eu tenho uma tribo enorme, da qual fazem parte todos os meus amigos.
Todos juntos, esperamos ansiosamente poder ajudar.

PARIS

Estive de novo em Paris. Faz um ano estava lá, e estarei lá de novo no próximo ano. Às vezes com boas memórias , outras nem por isso, mas Paris tem essa coisa estranha de nos lavar a alma. Desta vez Paris estava linda e eu senti-me bem, como há muito tempo não sentia. É esta coisa dos circulos que se fecham e dão início a novos circulos. É isso, deve ser isso. Algures na viagem li o último livro de Sepulveda e do seu amado Sul. Não é o meu Sul, mas como o entendo.

segunda-feira, maio 07, 2012

360

Para quem tem iphone este programa é fantástico. Chama.se 360 e permite tirar fotos  panoramicas e com 360 graus. Divirtam.se

quinta-feira, maio 03, 2012

CONVERSAS REAIS

Por hábito, escrevo conversas imaginárias, cada vez menos confesso, mas esta é real e recente.
Estava há dias com alguns amigos e alguns conhecidos, falando de tudo, e eu manifestei a minha alegria por ter bilhetes para ver o Bruce Springsteen e a Estreet Band.
Um dos conhecidos disse não perceber porque é que eu gostava desse tipo de música.
Ele próprio só gostava de música clássica e em particular de Beethoven.
Calmamente respondi que apreciava mais Rock and Roll, mas que dentro da música clássica também tinha os meus preferidos, sendo o mais dilecto o Ludwig Van.
Pois é disse ele, infelizmente esse não conheço.

quarta-feira, maio 02, 2012

sábado, abril 28, 2012

quinta-feira, abril 26, 2012

ESCONDERIJOS

Escrever, para além do mais é uma forma de fuga.
Escrever, torcer as palavras, desfigurar ideias, criar outras novas, blá, blá, blá.
Na verdade escrever é um esconderijo, de nós próprios e dos outros.
Escrevemos para nos desculparmos das faltas latentes, da descoragem de não ser, dos caminhos que não trilhamos, de tudo o que não fizemos, das miragens que deixamos escorrer entre os dedos.
Irrecuperáveis.
E escrevemos para esconjurar os espíritos.
E o esconderijo é perfeito, porque ainda por cima há gente vivendo a dizer que temos talento.
Ora bolas.

quarta-feira, abril 18, 2012

ESBOÇOS

ESBOÇOS

SILÊNCIOS III

Os silêncios cercam-nos como matilhas. Basta saber ouvi-los.
E é nos silêncios, que encontramos tantas vezes o caminho de regresso. Num concerto, num estádio, num simples passeio no parque, em plena guerra, de repente o silêncio instala-se e funciona como um farol de mil navios. Depois, bem depois, basta pegar na alma, alisá-la e regressar.

ESBOÇOS



sábado, abril 14, 2012

SILÊNCIOS II

Do outro lado das palavras existem silêncios ainda sem nome.
No avesso do avesso, apenas o ruído de asas soltando risos, nos rumos do sul.

Atravessando nuvens apenas liquidas, sem qualquer encanto.

E no entanto as palavras ganham contornos inesperados.

Em cada movimento, em cada respiração o coração acelera e a alma dispara.




Puff Daddy/Faith Evans/112 - I'll Be Missing You

sexta-feira, abril 13, 2012

SILÊNCIOS I

Cada vez mais aprecio silêncios. De todos os tons.

Em cada um há um ruído peculiar, que merece ser longamente escutado.

Ouvir o ruído do bater do coração no meio da noite, na altura em que a pele se desdobra e o corpo parece ocupar o azul infinito.

Mas o silêncio maior, que me envolve como uma manta velha que guardo e não quero jogar fora, acontece em intervenções de grande risco.

Aí, tudo deixa de existir, e apenas um enorme silêncio transbordante, me isola do mundo exterior. Não há espaço para amores e desamores, ódios e querelas, as cores desaparecem e tudo tudo fica desfocado.

Apenas eu existo.

E por mais que isso seja o meu dia a dia, no fim fica sempre uma tristeza enorme por ter de abandonar o meu casulo e regressar à vida real.






MOLESKINE

A minha filha ofereceu-me uma agenda Moleskine.
Todo o artista tem de ter uma, disse ela. Fiquei boquiaberto.
Embora ela pense que sim, que eu sou um artista, eu não faço o género de pobre menino rico, que não consegue ser feliz se não for artista ou intelectual, ou se viajar muito.
Contento-me em perseguir o que a vida tem de melhor, e isso só em viagens interiores nem sempre bem sucedidas.
Mas, como este post é para ela, quero dizer-lhe que fiquei muito feliz com a oferta e dar-lhe um conselho.
Artista é aquele que consegue navegar na vida, aproveitando os ventos de feição e ainda que o barco corra o risco de naufragar, vale a pena continuar a navegar. É certo que se perdem companheiros e companheiras de viagem no caminho, mas esse é o preço que todos temos de pagar.
E desistir, não é palavra que possa constar no dicionário interior.
Beijo

quarta-feira, abril 11, 2012

SILÊNCIOS

Agonizam em silêncios desbocados de fim de tarde.
Inventam peles de deitar fora.
Disfarçam vidas, como se fosse possível pendurá-las num qualquer varal, debaixo do glorioso sol de cada manhã.
Desabotoam a alma lentamente, um botão de cada vez, e afinal a grande escuridão adiante permanece imóvel.
Um segredo. Basta apenas viver.

GED

domingo, abril 08, 2012

SUN TZU

Nunca inicies uma guerra, sobretudo se não a podes ganhar. Além do mais, a paz é um bem perecível e valioso.

Mas, se o teu inimigo te obrigar a isso, convoca os teus melhores exércitos, chama os teus melhores generais e, toma decisões sensatas.

Sobretudo ataca-o onde ele não espera.

As tuas probabilidades de êxito aumentam substancialmente.


GED

segunda-feira, março 26, 2012

CHARCOS

Um dia, um ano, uma vida.
Uma eternidade de silêncios desbotados, comprometento os tons de azul.

Desmedida usura de palavras sem som, sem sentido, sem nada.

Apenas o vazio que fica nas nódoas de uma escrita arrogantemente efémera.

Charco onde se atolam quotidianos minúsculos, de improváveis tecelões de futuros.

quarta-feira, março 14, 2012

VENTOS?


O vento ruge vindo de sul, sempre de sul, virando as folhas do meu bloco, impedindo a escrita.
Mesmo as palavras já escritas, são arrastadas por este vento meridião, ficando nas folhas apenas vestígios. Quem ler não vai entender.
Quem ler, pensará apenas que o poeta é louco varrido. Como pode o vento arrastar palavras agarradas nas folhas?
E no entanto, o bloco é imaginário, as palavras também.
O vento esse é bem real, turbulento, circula-me nas veias com uma ferocidade cada vez maior.
E deixa tudo arrasado por onde passa.
Um dia vai-me arrastar também. Rumo ao sul claro.

domingo, março 11, 2012

A BICICLETA QUE TINHA BIGODES

Ondjaki é sempre surpreendente. E para nós angolanos, que já fomos meninos e que já andamos pelas mesmas ruas dessa pátria tão amada, cada livro dele leva-nos de volta.
Este novo tem um prefácio de pessoas que eu conheço pessoalmente. O tio Rui, escreveu um livro mágico, "Quem me dera ser onda".

- Tio Rui, posso falar dos restos de letras que a tia Alice tira do teu bigode à noite?
- Podes.
- Não vão querer vir na nossa rua roubar a caixa de letras?
- Não. Ninguém vai acreditar.

Sobrinho
Claro que podes que ainda a rua já é a mesma outra de nome mudado e tudo, não se pode mais jogar futebol, nem ouvir pássaros, nem sapos, é só o engarrafamento dos jipaços, parecem estilhaços das sirenes do cimento bem armado de mãos nos bolsos dos calos dos sapatos. Podes, com palavras pode-se mesmo traduzir a voz do silêncio. Com bigodes e a fazer de guiador de uma bicicleta que desce para cima sem travões. Podes, sim senhor, falar dos restos de letras que, felizmente andamos a semear. Katé!
Tio Manuel também Rui.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Fausto: "Velas e navios sobre as águas"



Fausto publicou há 28 anos, o melhor album de música portuguesa de sempre, "Por este rio acima". Alguns anos depois, juntou-lhe "Crónicas de uma terra ardente".
Finalmente este ano terminou a trilogia, publicando este album incrível, "Em busca das montanhas azuis".
Um retrato da grande epopeia dos Descobrimentos, que orgulha qualquer um de nós.
Retirei esta música do album.
Apreciem-na

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

HOJE

As horas dobram-se com lentidão desesperante.
A noite não desabotoa o casaco escuro que habitualmente veste. Nem nenhuma madrugada se vem cravar no sítio habitual.
Apenas eu e a noite teimamos nesta insónia devastadora, que pagaremos mais cedo ou mais tarde.
Revejo o último livro que me ofereceram, "a bicicleta que tinha bigodes", do meu amigo Ondjaki.
Esteve no Porto, juntamente com outro amigo, Luandino Vieira e eu não pude estar com eles.
Onde estarão agora?
Não sei porquê, mas esta devia ser mais uma noite vulgar, de serviço nos Cuidados Intensivos. Mas não é!

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Perdoem-me o orgulho!
GED

segunda-feira, janeiro 16, 2012

GELO

Há nuvens aprisionadas nos gelos deste e doutros invernos.
Nuvens de palavras e cor e sons, apenas esperando por primaveras que tardam em chegar.

Afinal, nuvens são água em estado de liberdade pura.






GED

terça-feira, janeiro 03, 2012

MUNDO

Mundo de afectos e desafectos, ainda que raros, correndo em desfilada.
Estendem-se almas, tentando captar um raio de sol que seja, enquanto andorinhas tecem músicas nos fios de metal.
O mais importante contudo é sobreviver.
Instintos básicos dirá quem sabe. Não importa quanto caminho para fazer, debaixo de tanta nuvem escorrendo dos céus.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

CDC

A CDC ANGOLA
Pioneira da dança contemporânea em Angola onde é a única com estatuto profissional, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola fundada em 1991 pela coreógrafa angolana Ana Clara Guerra Marques, marca a ruptura estética e formal da dança neste país africano, ao propor a abertura para novos conceitos de espectáculo num terreno conservador quase exclusivamente marcado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas.
A utilização de espaços cénicos não convencionais, bem como a iniciação do público angolano ao Teatro-Dança, entre outras sugestões para a diversificação e renovação das linguagens da dança em Angola, não tem sido tarefa fácil, apesar das suas novas propostas estéticas despertarem cada vez mais a curiosidade e o interesse do público.
Há também a destacar o trabalho realizado em colaboração com importantes nomes da literatura (Manuel Rui, Carlos Ferreira, Pepetela, F. Ningi), das artes plásticas (António Ole, Jorge Gumbe, Mário Tendinha, Masongi Afonso) e do audiovisual angolano (Geração 80, Rui Tavares), bem como o trabalho experimental resultante da investigação e da reflexão sobre a estatuária e as danças tradicionais e populares de algumas regiões de Angola.
A crítica social é uma das opções desta companhia que tem partilhado o seu trabalho com os países africanos, europeus e asiáticos que já visitou.
Depois de uma longa interrupção, a CDC reaparece, em 2008, com um novo elenco de bailarinos por si formados e a trabalhar em regime de exclusividade.
A Dança Inclusiva, pela integração de elementos portadores de deficiências físicas, foi o mais recente desafio da Companhia de Dança Contemporânea de Angola que se vem impondo pelo investimento intelectual, pela originalidade das suas criações e pela qualidade técnica e artística com que vai conquistando o reconhecimento da sociedade.

(Enviado por Pwo)

segunda-feira, dezembro 26, 2011

NATAL

Estamos em plena crise, mais para uns que para outros.
O desemprego é assustador, o novo ano que se avizinha não parece trazer bons augúrios para ninguém. Haverá certamente festejos na passagem de ano, com muita luz e cor.
Continuaremos a ter estes governantes ridículos, completamente subjugados a forças que não dominam, mas às quais querem pertencer.
Mas, a esperança resiste. Nesta época tão dura, o povo português contribuiu com mais 30% de ofertas para o Banco Alimentar em relação ao ano passado.
Desejo para 2012: que este país tão pobre, não continue a incentivar a saída daquilo que tem de melhor, os seus quadros jovens. Se isso continuar a acontecer, demoraremos uma eternidade a regressar a qualquer normalidade.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

EUSÉBIO

Eusébio, é uma das pessoas que eu admiro. Um dos melhores jogadores de futebol de sempre.
Foi internado com uma pneumonia.
Ninguém tem dúvidas, que sempre terá tratamento diferenciado e que todo o Portugal torce por ele.
Está melhor, felizmente.
Segundo o boletim médico, em declaração pública do director do hospital, ele até já pediu o prato que quer comer amanhã: bacalhau.
Pressuroso o dito director, apressou-se a dizer que o hospital está a fazer esforços no sentido de lhe satisfazer os desejos.
Mas era preciso dizer isso públicamente com aquele ar servil?
Que refeição de Natal estará reservada, para os restantes doentes?
Como se sentirão eles, ao ouvir tais dislates?

The Corrs: So this is Christmas, War is over (Wembley Arena, London, 12....

quinta-feira, dezembro 22, 2011

NATAL

A todos os que por aqui passam, amigos, menos amigos, visitantes apenas, desconhecidos, a todos um feliz Natal.
Fiquem com um dos mais belos poemas da lingua espanhola, uma das línguas mais bonitas do mundo.

Todo pasa y todo queda pero lo nuestro es pasar
pasar haciendo camino, camino sobre la mar
nunca perseguí la gloria y dejar en la memoria
de los hombres mi canción.
Yo amo los mundos sutiles ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse, de sol y gran arbolar
bajo el cielo Azul temblar, súbitamente y quebrarse
nunca perseguí la gloria.
Caminante son tus huellas del camino y nada más
caminante no hay camino, se hace camino al andar
al andar se hace el camino y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar
caminante no hay camino sino estelas en la mar.
Hace algún tiempo en ese lugar
donde los bosques se visten de espinos
se oyó una voz de un poeta gritar
caminante no hay camino se hace camino al andar
golpe a golpe, verso a verso.
Murió el poeta lejos del hogar
le cubre el polvo de un país vecino
al alejarse le vieron llorar
caminante no hay camino se hace camino al andar
golpe a golpe, verso a verso.
Cuando el jilguero no puede cantar
cuando el poeta es un peregrino
cuando de nada nos sirve rezar.
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
golpe a golpe,
verso a verso

CESÁRIA

Agora que Cesária morreu, corre por aí em alguns blogs que os portugueses não a trataram como devia e que era melhor acolhida noutros países. Provávelmente dizem essas coisas por desconhecimento. Cesária era bastante apreciada em Portugal, talvez não tivesse o estatuto de diva da "world music", mas era bem tratada.


Ninguém como o povo português conhece Cabo Verde. E para nós Cesária não era uma diva, era apenas mais uma extraordinária cantora das ilhas de fogo. Pena que o resto do mundo não conheça Lura, ou Cimentera, ou Ildo Lobo, ou os Tubarões, ou Dany Silva, ou Tito paris, ou, ou, para apenas citar alguns de repente.


Perceberiam de imediato o que eu quero dizer.


Cesária era bem tratada pelos portugueses.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

CÓRDOVA

Este fim de semana estive em Córdova, visitando velhos amigos e trabalhando com eles, por pura diversão, no Hospital Reina Sofia. Foi óptimo. Fez-me bem. Fez-me recordar os tempos que aí passei treinando coisas novas. Ainda assim, aproveitei e treinei outras técnicas que quero iniciar em Janeiro. Ano novo, vida nova, como se diz por aqui.
E Córdova é um sítio onde sempre regresso, sabendo que vou ficar feliz. É uma cidade encantadora de gente simpática e que nos acolhe com imensa naturalidade. E ainda por cima, joguei golf. Algo me dizia que não devia tirar o meu saco do carro.
Agora estou de volta, muito mais leve e sereno. Até lá voltar.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

CAMINHO

Camiñante, no hay camiño adelante.
El camiño se hace camiñando.

NAUFRÁGIO

Num naufrágio, há quase sempre sobreviventes. Sobram sempre pedaços flutuantes, que podem significar a diferença.
E se houver coragem e força para nos agarrarmos a eles, pode ser que se consiga sobreviver.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

RIOS

A primeira vez que vi o meu rio, encantei-me.
Na segunda vez naveguei nele, admirando toda a sua extensão.
Na terceira vez, apaixonei-me irremediávelmente.
Hoje circula-me nas veias, num turbilhão incessante.

domingo, dezembro 04, 2011

BLOGS!

A blogosfera é um espaço de cultura, lazer, divertimento, impensável há alguns anos atrás. Através dela, pode-se conseguir quase tudo, inclusivamente bons amigos, e aumentar exponencialmente o saber.
Há os blogs individuais que reflectem a opinião, o saber e mesmo a personalidade de quem o utiliza como ferramenta. Têm a vantagem de que só lê quem quer. Pode até acontecer que ninguém o leia, mas creio que isso importa muito pouco aos donos deles.
Depois há os blogs colectivos.
Quando alguém assume criar um blog e torná-lo colectivo, ainda que seja administrador, o blog deixa em termos prácticos de lhe pertencer e a sua única função é torná-lo equilibrado e evitar alguns mal entendidos que sempre surgem.
Há uns anos atrás tive o privilégio de escrever num blog colectivo, que envolvia gente dos cinco continentes. Foi uma época tão importante, que esse blog foi objecto de um "case study" e fez parte de uma tese de doutoramento.
Foi um período fabuloso, mas a má administração acabou com esse blog, num curto espaço de tempo. Nessa altura recebi telefonemas de gente insatisfeita como eu, dos EUA, do Brasil e até da Austrália. Foi impossível salvar o blog, porque os administradores recusaram-se a ver o que se passava.
Mas salvou-se alguma coisa. Ainda hoje fiquei com amigos com os quais contacto regularmente, nos quatro cantos deste mundo.
Neste momento, num outro blog muito importante, estou eu e estará muita gente a passar por uma situação idêntica, mas tenho fé que os administradores que são gente sensata, se apercebam do mal estar e corrijam rápidamente o que está mal.

GED

sexta-feira, dezembro 02, 2011

DEZEMBRO DE NOVO!

Mês mágico. Pelo menos de onde eu venho era.
Mês de inventar palavras novas, usar a magia.
"Amorar" por exemplo. Não sei se já foi inventada, mas eu inventei-a também.
"Dançarinhando", coisa que eu faço muitas vezes.
"Futugir", coisa que eu nunca farei.
Experimentem inventar. Faz-nos sentir bem.
Fiquem abensonhados ( esta não é minha).

DEZEMBRO

Aí está ele, esse mês de tantas e desencontradas emoções. O mês do Natal.
Pessoalmente, acredito no Pai Natal, sempre acreditei.
De onde eu venho, acreditamos em dragões, em elfos, em duendes, em feiticeiros e... no Pai Natal.
Independentemente de amarguras, ou de frustrações, ou de desastres ciclópicos, eu acredito no Pai Natal.
E, de verdade, tenho pena daqueles que não acreditam. Não sabem o que perdem.
A vida sem magia, é apenas um "copy"/ "paste", de uma enorme, incomensurável tristeza.

quarta-feira, novembro 30, 2011

terça-feira, novembro 29, 2011

MOVIMENTO

Yiruma - Kiss The Rain (Full Version)



KISS THE RAIN

Lembro-me que chovia no meu passado
Grossas gotas, mornas, acolhedoras
Cada uma me lambuzando a face e os lábios
Em suaves beijos de amor primeiro
Lembro-me de imaginar ser tudo possível
Mirando-as a engrossar a correnteza
Vendo-as partir nos rumos de outras vidas
Com a certeza de que regressariam de novo
Imaginava que me trariam notícias de lá
Lembro-me de as ver chegar em cada ano
As mesmas chuvas que eu tinha beijado
Incessantemente prisioneiras entre a nuvem e o charco
Brilhando em tons de azul sob o sol tropical
Lembro-me que chovia no meu passado
E eu imaginava que tudo era possível.


Lembro-me que chovia no meu passado. Grossas gotas, mornas, acolhedoras, cada uma me lambuzando a face e os lábios, em suaves beijos de amor primeiro. Cristais líquidos escorrendo no pano da tarde. A terra vermelha fumegava cios. Lembro-me de imaginar ser tudo possível, mirando-as a engrossar a correnteza, vendo-as partir nos rumos de outras vidas com a certeza de que regressariam de novo. Imaginava que me trariam notícias de lá.
Lembro-me de as ver chegar em cada ano, as mesmas chuvas que eu tinha beijado, gotejando beirais, incessantemente prisioneiras entre a nuvem e o charco, brilhando em tons de azul e vermelho sob o intenso sol tropical.
Lembro-me que chovia no meu passado, e eu ainda imaginava que tudo era possível.

segunda-feira, novembro 28, 2011

VIDA

Latejam-me as veias
Por onde circulam palavras de impaciência
Em cadências loucas de ritmos distantes
Vincando rugas mágicas na pele da alma
Oceanos de luz invadem-me em golfadas
Noites e dias explodindo perto de mim
Mil sóis vagabundos penetram-me o corpo
E tremo sozinho febres de tanto esperar
Ainda assim, latejam-me as veias
No ritmo de tantas inquietas solidões
Arrisco-me nas profundezas do grande mar
Apalpando às cegas cada onda que passa
Procura incessante de outras solidões iguais
Ateio labaredas nos céus de cor violeta
Voo entre elas no dorso dos mais velhos dragões
E convoco todos os feiticeiros disponíveis
Latejam-me demasiado as veias
De imaginar tanta vida para palmilhar ainda
E tanto desencontro no caminho em frente

TALVEZ

Talvez
A vida não seja apenas estilhaços
E não seja tão duro crescer
Dançando sempre num baile de cicatrizes
Talvez
Haja um tempo de sorrir à morte
Fitar a fera de olhos confiantes
E dizer-lhe sereno que não venceu a batalha
Talvez
Os crepúsculos anunciem o orvalho das manhãs
As fogueiras sejam realmente dragões
Contando histórias na lingua velha
Talvez
Haja amores que sejam eternos
E que todos os rios circulem nas veias
Flutuando alucinações e desejos contidos.
Talvez
Haja um tempo de sussurros cristalinos
Com libelinhas dourando sob o sol.

sábado, novembro 26, 2011

DE ONDE EU VENHO

De onde eu venho
Não há talvez nem indecisões
Nenhum rio é de sim e não
E todos, todos nascem no mar
Terra é terra, fogo é fogo
E nenhuma água jamais o dissipará
De onde eu venho
Libelinhas azuis vagueiam no crepúsculo
E pirilampos acendem as noites
Enquanto girassóis se ausentam de danças
Em redor de cada fogueira ateada
Cada homem empenha sua palavra firme
Fundida no fogo dos seus ancestrais
De onde eu venho
Há memórias de bemquerer
Salpicando as espumas do grande mar
As mulheres podem vestir cetins negros
Porque nenhuma dança será recusada
E nenhum amor, nunca vacilará
De onde eu venho
Serpenteiam brilhantes as veias da terra
Num rumor liquido e sagrado
Amparando amores prometidos e cumpridos
Enquanto majestoso bagres deslizam serenos
Nos rios de todas as memórias
De onde eu venho
Cada homem é a sua palavra.

GED

sexta-feira, novembro 25, 2011

GOLF É ISTO!



O MELHOR DESPORTO DO MUNDO.

ÁFRICA


Hoje inexplicávelmente, acordei e passei o dia com o cheiro de África entranhado em mim, como um perfume.
Por isso andei feliz o dia inteiro, embora a saudade me batesse constantemente, mais que o habitual.
Este amor é permanente, sem quebras, e ao contrário de tantos outros é para a vida inteira.
Está na hora de regressar e sentir de novo na pele, o calor abrasador daquele sol amigo. De passear sem destino naquelas anharas sem fim.
Cumprimentar gibóias e girafas e zebras. Alucinar com a dança dos girassóis.
É, está na hora de regressar a este amor firme que me consome diáriamente.

quinta-feira, novembro 24, 2011

PLAYING FOR CHANGE

Para quem não conhece, aconselho vivamente a visita a www.playingforchange.com.
Visitem, ouçam, vasculhem o site com todo o cuidado, que não se vão arrepender.
Uma cadeia de televisão norte americana, propôs-se encontrar cantores e músicos de rua, fora de todos os circuitos comerciais e pô-los a tocar em simultâneo, cada um em seu país. O movimento cresceu e hoje é magnífico.
Aproveitem.

sábado, novembro 19, 2011

VIDA

Hoje sinto-me profundamente feliz. Salvei uma vida.
À minha frente, morreu súbitamente uma pessoa. Consegui mantê-lo vivo, durante dez minutos até chegar a Emergência Médica.
Hoje, sinto-me feliz. Finalmente mereci o meu pedaço de pão.

terça-feira, novembro 15, 2011

I'M GOING TO...

Perdoem-me aqueles raros amigos que aqui vêm.
Vou dar-me a mim próprio um período de repouso e de reflexão.
Estou cansado, verdadeiramente cansado de escrever.
Sem chama e sem vontade de voar.
Apenas um tempo.
Depois, talvez regresse de novo.
Abraços

RETEP NAP


No outro dia alguém me perguntou, se era possível viver sem chama, sem fantasia, sem voar!
É possível viver sem as duas pernas, sem os dois braços, sem as duas pernas e os dois braços, sem olhos, sem uma série de coisas. É quase possível viver sem quase tudo.
Viver sem chama é apenas mais uma forma de mutilação. É possível, mas isso é vida?
Há quantidades enormes de intelectuais dizendo barbaridades do género: as recordações, todas elas ajudam a povoar a solidão. Eu que não sou intelectual, acho que as recordações apenas ajudam a intensificar a solidão.

domingo, novembro 13, 2011

CÉU



ESTAVA DE SERVIÇO NO HOSPITAL, QUANDO ESSE CÉU APARECEU À MINHA FRENTE!!!

QUEM NÃO SE LEMBRA?



PAI

Anoitece
E o céu encobriu-se de mil estrelas
Lá muito longe, entre Rigel e Altair
Encontro aquela que sempre procuro
Nova, com a luz de milhões de velas
Acendeu-se, quando decidiste partir
E brilha intensamente no céu escuro
Anoitece
E quando olho fixamente essa estrela
Sinto que ficou tanto, tanto por dizer
Que nem sei bem por onde começar
Sei que tenho de preencher esta tela
Com cores que te possam dar prazer
Que possam mostrar-te o sol e o luar
Anoitece
Penso em tudo aquilo que me deste
Pitágoras e o milagre da hipotenusa
Arquimedes mergulhando no banho
Sandokan, Cyrano, o principe Oreste
Neruda, Leonardo e a sua bela musa
Chopin, Galileu, África sem tamanho.
Anoitece
Sei que a natureza tem horror ao vazio
Sei que a gravidade nos impede de voar
E que varia na razão inversa da distância
Sei que temos sempre a vida por um fio
Sei que deste tudo o que tinhas para dar
Sei tudo isto que aprendi desde a infância
Anoitece
Deste-me tudo sem pedir nada em troca
Apenas pelo puro prazer de me ver crescer
Ensinaste-me que o sonho comanda a vida
Ensinaste-me a ver que não há fio sem roca
Ainda assim, sinto que ficou tanto por dizer
Tanto, que sinto permanentemente esta ferida
Anoitece
Aproveito para te dizer o que me vai na alma
Que deveria ter dito antes e já não pode ser
A verdade é que só há pouco tempo percebi
Como a luz do teu mundo era doce e calma
E só agora ganhei coragem para te dizer
Que gosto muito, muito, muito de ti.

MOMENTOS

Há momentos em que as palavras queimam
E escrever é uma montanha intransponível
Custa usá-las, porque fogem e magoam
Dançam as próprias danças, não as nossas
E o amor, já não é mais coisa de bemquerer
Há momentos em que as palavras doem
Silenciando todos os gestos ensaiados
Afectos ardem nas fogueiras lentas da noite
E os lobos e girassóis permanecem quietos
Ainda que a lua cheia se arraste nos céus
Há momentos em que as palavras ferem
E as gotas da chuva são apenas punhais
Ferindo incessantemente a alma já dilacerada
Impossível sonhar com dias de cor azul
E nenhuma noite se crava mais nas madrugadas.
Há momentos em que as palavras enlouquecem
E passeiam desordenadas nas nossas veias
Rios em turbilhão correndo ao contrário
Foz e nascente misturadas num caos alucinado
Nenhum abraço terno para inventar um chão

Os ventos imóveis já não vestem poeiras
E o sol deixa de caber no concavo das mãos
Há momentos em que o poema não é mais possível

sábado, novembro 12, 2011

CHAMAS



Pintado, com as lembranças das imensas queimadas da minha terra. Quando as chanas se incendiavam por dezenas de quilómetros e eu pensava que tudo estava perdido naquela terra calcinada. Depois, pouco tempo depois a floresta explodia em todos os tons de verde e a selva regressava com todos os seus habitantes

sexta-feira, novembro 11, 2011

ROSA DE ATACAMA

Ser pai, é profissão a tempo inteiro, 24 horas por dia, durante toda a vida. E não é remunerada.
Uma tarefa ciclópica quando se pensa nisso. Tratar da saúde dos filhos, e fundamentalmente ensinar-lhes tudo, literalmente tudo, esperando que oiçam, aprendam e gostem.
Todos os momentos são bons para isso. Se está a comer uma maçã, porque não falar da gravidade e de Newton. Se não que tomar banho, dizer-lhes que o banho foi óptimo para Arquimedes. Se acharem que a luz é rápida, dizer-lhe que Einstein também achava isso e que a célebre fórmula das t-shirts, não é nada ligado ao esoterismo.
Se estivermos a ouvir música, ensinar-lhes a gostar de Chopin, ou de Sérgio Godinho, ou de Chico Buarque.
Ensinar-lhes que a leitura compulsiva do pai, é uma forma de atingir o mundo e o conhecimento.
Tudo isto, misturado com grandes doses de ternura e dizendo pelo meio que a melhor coisa do mundo é ser solidário. E na oportunidade falar-lhes do Che.
E ainda assim fica tanto por ensinar. A esperança é que as armas que lhes fornecemos, os ajudem a descobrir novos caminhos, que possam por sua vez transmitir aos filhos.
É, ser pai é uma tarefa ciclópica, mas é bom vê-los crescer sadios e de cabeça limpa.

11.11.11

Às 11 horas de hoje alguém me disse que parasse porque era um momento único na vida, irrepetível.
Parei, claro.
Mas na verdade não são todos os momentos, momentos únicos e irrepetíveis?
Pelas melhores e piores razões, mas são.

GED

sábado, novembro 05, 2011

segunda-feira, outubro 31, 2011

ÁFRICA MINHA

África vincou-me a alma. Um vinco profundo daqueles que a gente não se livra em nenhum dia da vida.
Nesse vinco indelével, estão todas as savanas douradas com nuvens correndo baixas rente ao chão. E as chuvas torrenciais, permanentemente prisioneiras entre as nuvens e os charcos. E o sol abrasador, endurecendo a pele para outros futuros.
E o mar, na sua enorme mansidão azul, traçando alinhavos na areia, na certeza de que traçou outros em areias tão semelhantes às minhas.
Dentro de mim, sempre esta matriz essencial que me move e me faz dirigir sempre na mesma direcção. Poesia, prosa, ou apenas um olhar pela vida, sempre pela janela desse grande sul, tão grande que não tem explicação.
Sempre a mesma imagem: girassóis, milhões deles nas suas danças lentas, enquanto tambores se ouvem ao longe.
E tchingandjes ensaiando danças mágicas em rituais que só os iniciados conhecem.
E o cacimbo, ah o cacimbo. Não é explicável, é apenas cacimbo escondendo parcialmente as florestas entre os seus farrapos no húmido ar da manhã, numa altura em que os pássaros ainda se aquietam nas ramagens.
E o silêncio total e absoluto como em nenhuma outra parte do mundo. Um silêncio acolhedor, quente, recheado de mil mistérios.
É, sempre mas sempre, dentro de mim faz sul.

domingo, outubro 30, 2011

VOA!

ALUCINAÇÃO!

EM BRANCO!

Sentamo-nos com uma folha de papel em branco à nossa frente. E começa a difícil tarefa de preenchê-la.
Uns optam por escrever, outros por desenhar, outros por ambas as coisas. É um processo penoso, porque na maior parte das vezes, a ideia inicial esvai-se à medida que vamos fazendo alguma coisa. A folha tem vida própria.
Então, aos poucos, penosamente lá vamos fazendo aquilo a que nos propusemos.
E tudo começa a tomar forma, ainda que se apague, risque, faça de novo e se recomece vezes sem conta.
No fim, independentemente do valor do que lá está, sentimos que demos um contributo ao mundo.
Porque o que lá está é nosso, irrepetível e é fruto apenas da nossa vontade.

quarta-feira, outubro 26, 2011

ÁGUAS

Há tanto para ver a transparência da terra. Basta querer.
Olhar cacimbos translúcidos e ver através, a explosão de cores prestes a romper.
Ver elefantes se movendo em liberdade, fazendo do planeta a sua casa, desenhando sombras no pó que se levanta.
Presenciar o nascimento de um bébé, anunciando aos ventos a história de um amor.
Ver girassóis apenas preocupados em dançar, num borrão imenso nas planícies.
Sentir o vento quente nos acariciando a face, e o silêncio em redor pousando sereno nas copas das árvores.
Basta querer, sem precisar de turvar as águas limpidas do rio que passa.
De qualquer modo, como eu te entendo Mia.

terça-feira, outubro 25, 2011

O outro pé da sereia

"Eu turvo a água para olhar a transparência da terra."
De Mia Couto

segunda-feira, outubro 24, 2011