Há cerca de 3 anos, quando ia a entrar em casa, deparei com alguém que dormia no chão do hall. Não me pareceu alcoólico nem drogado, e segui o meu caminho deixando-o em paz.
No dia seguinte tinha
desparecido. À noite quando regressei lá estava ele a dormir. Aspecto andrajoso
e com corpo de fome. Voltei a entrar. No dia seguinte a mesma coisa. No
terceiro dia, fui comprar um colchão daqueles dobráveis. Quando entrei,
acordei-o, dei-lhe um colchão, um cobertor e uma almofada. Entramos, a minha
mulher fez o jantar e foi-lhe oferecer de comer, que ele aceitou imediatamente.
Entretanto foi ficando,
lavava o meu carro e o dos vizinhos e oferecia-se para pequenos serviços. Tem
uma deficiência na fala, o que torna a comunicação difícil, mas também isso foi
sendo ultrapassado.
Actualmente, damos-lhe
uma semanada, roupa, e alimentação completa. Nunca pediu nada, nunca lhe
solicitamos que faça nada. Ele encarrega-se dos pequenos serviços, leva o cão a
passear e fica bastante aborrecido, quando nós tentamos fazer essas pequenas
coisas. Durante o dia faz a sua vida pela cidade. É de uma dignidade a toda a
prova. Semanas atrás, fomos passar o fim de semana fora e eu dei-lhe a mesada e
mais algum dinheiro para se poder alimentar. Quando chegamos no domingo, veio
devolver-me o dinheiro restante que não tinha gasto.
Adora pirão com peixe e
como isso não faz parte da nossa alimentação regular, de vez em quando pede que
se faça isso para ele. Tem vezes em que vai connosco de fim de semana. Não vai
sempre porque nem sempre quer ir.
Estamos em fase de mudar
de casa, e finalmente o Pedro poderá ter o seu próprio quarto, se assim o
entender.
Nenhum de nós quer que
ele se vá embora, e espero que ele queira ficar. Não sei de onde é, se tem
família aqui ou se é do interior. Seja como for, agora faz parte da nossa
enquanto quiser. Nós queremos que seja para sempre.
Lobito 19.05.2021
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