Isenção jornalistica é isto. Assim, sim. Não vá o leitor não perceber, ou não saber ler, vai de pôr uma cruz em cima. Finito. Quem confundir isto com russofobia primária, está a ser maldoso
É assim a vida em TERRAMAR, onde dragões e feiticeiras se juntam e contam histórias em que tudo pode acontecer.
quarta-feira, julho 15, 2026
sexta-feira, julho 10, 2026
DOUTORES E AFINS
Com tantos doutores, não sabem que não se esscreve SUSPENÇÃO? A forma correcta é SUXPENSÃO? Também não, é definitivamente SUSPENSÃO.
quinta-feira, junho 18, 2026
SELECÇÃO
Um povo inteiro em festa. Desta vez é que vamos ser campeões do mundo. Os nossos rapazes estão entre as estrelas do futebol mundial, vão em avião só para eles, levam treinadores massagistas, psicólogos, médicos, cozinheiros, vão ficar nos melhores hotéis. A gente paga e não se importa, porque agora é que "vai dar Portugal". E ainda por cima, ficaram num grupo bom, com equipas que não vão dar problemas, isto são favas contadas.
E depois, aconteceu a RDC.
E depois entramos a jogar um jogo, que mais parecia um treino desinteressante. Apático, sem soluções, de talento zero e principalmente sem qualquer vontade de estar ali, sem garra, como habitualmente.
Os jogadores do Congo, fizeram um jogo enorme e só não ganharam por puro azar.
No final, as velhas frases do costume, gastas de tanto serem usadas. Correu mal, vamos ter de reflectir nos erros, analisá-los. Agora é levantar a cabeça e pensar no próximo jogo.
Pode ser que aconteçam milagres, mas o meu conselho é que não pensem no próximo jogo, pensem já na marcação da viagem de regresso.
Pensem que os portugueses, tal como os outros povos todos, se fartam de trabalhar, auferem numa vida menos do que vocês ganham num ano, e são despedidos se não cumprirem nos seus locais de trabalho.
quarta-feira, junho 17, 2026
A LINGUA
A minha pátria é a minha lingua. Isto já foi dito à exaustão, mas aparentemente não encontrou caminho.
Tanto se tem falado a favor e contra o acordo ortográfico e na pureza da lingua, que seria de esperar que cada um tivesse um orgulho enorme na sua lingua bem falada.
O português, a minha lingua aparentemente tem defeitos e lacunas. Em todos os sítios desde o mais recondito, até às grandes cidades, nos media essas lacunas são plasmadas diáriamente, não pela lingua mas por quem a fala. Incapazes, e também por um enorme pedantismo aparecem em português vernáculo palavras como ghosting, bullying, disclaimer, tunning, cold blob, carjacking, and so on.
Pode parecer muito culto a quem as profere, mas a pobreza vem do facto de não saberem suficiente de português, para poderem falar...português.
sexta-feira, junho 05, 2026
REFAZER A HISTÓRIA
A administração Trump também
tomou medidas contra avisos sobre alterações climáticas, um fator que afeta
monumentos colocados em paisagens naturais.
No Monumento Nacional Fort
Sumter, na Carolina do Sul, foi removida por completo uma placa que incluía
detalhes sobre os impactos iminentes das alterações climáticas, incluindo
informação sobre como "a subida do nível do mar poderá inundar a maior parte
das muralhas do forte e alagar o histórico campo de parada".
Os esforços da administração
Trump têm gerado críticas de alguns legisladores e grupos de defesa, incluindo
o processo apresentado em fevereiro por uma coligação de conservacionistas e
ativistas que cita as remoções da placa de Doane e de outras sinalizações. A
ação acusa a administração de "montar uma campanha sustentada para apagar
a história e minar a ciência". O caso em Massachusetts continua pendente.
Na sequência da ordem executiva de Trump, o Departamento do Interior ordenou uma revisão de conteúdos como exposições, filmes, panfletos
e placas nos parques nacionais.,. Se um item fosse considerado
"inconsistente" com a ordem executiva de Trump, poderia ser removido
ou substituído.
Uma exposição assinalava o assassinato do abolicionista Elijah Parish
Lovejoy. "Este documento afirma que uma ‘multidão assassina’ matou um
abolicionista. Isto denigre os assassinos?", questiona o comentário.
Sugere reformular a inscrição para: "O editor abolicionista Elijah Lovejoy
é assassinado pelas suas opiniões."
A Casa Branca defendeu as
remoções. Num comunicado, a porta-voz Taylor Rogers disse à CNN que Trump
"está a honrar o extraordinário património do nosso país e a restaurar um
sentimento de orgulho nacional".
"O
presidente pôs fim à caracterização divisiva e imprecisa da história da nossa
nação promovida pela esquerda radical, que se infiltrou nos nossos parques
nacionais e museus, e está a restaurar a verdade e a sanidade", afirmou.
Mas o
rumo da história muda, observa Rodgers, membro da Nação Blackfeet: os que estão
atualmente no poder não estarão lá para sempre, "e haverá um tempo e um
lugar da nossa escolha para corrigir isto".
Há uma altura em que tudo é possível, e a loucura atinge níveis alarmantes e perigosos. Refazer a história, branqueá-la, inventar tudo de novo, para parecermos um povo e uma raça celestiais, é um crime contra a humanidade.
Anda por aí muita gente a tentar fazer isso. O Eça é racista, o Tintin também, então vamos fazer uma queima dos livros, para que as novas gerações comecem a pensar que o ser humano é perfeito. Os livros do Mark Twain devem ser abolidos.
As guerras nunca existiram, nunca ninguém pousou na lua, os navegadores portugueses eram todos bons e cheios de boas intenções, o extermínio da nação india nunca aconteceu e é apenas notícia de gente desinformada, as cruzadas e a santa inquisição, são fábulas para assustar os mais pequenos, o holocausto foi uma mentira. A escravatura foi uma invenção maldosa.
Temos todos de voltar a estudar, ou de preferência a lutar.
segunda-feira, junho 01, 2026
quarta-feira, abril 29, 2026
UMA CONTA NO COLAR DO TEMPO
O passado é apenas uma conta no colar do tempo
E apesar disso continuamos perplexos
As estrelas são buracos no pano da noite
E nós somos criaturas de poeira em permanente pânico
Quando a escuridão amanhece azul
Vemos que o barco do futuro espera por nós
Alguns embarcam, outros ficam alheados
No torpor de um sonho permanentemente adiado
terça-feira, abril 28, 2026
CÍRCULOS
O meu circulo
Outro círculo, todos os circulos
Entrechocando, misturando-se
Tocando-se de forma indelével
Afastando-se
Novas histórias
Novos amores e desamores
Outros mares, terra, luz
Homens e mulheres
De Tróia e Atenas
Indecisas, decididas
Outros rios, outros povos
Ideias, crenças, religiões
A minha pátria africana,
Cheiros, cores, aromas
Outras pátrias
São muitos círculos
Misturando-se, dissolvendo-se
Afastando-se
Ventos trazem sussurros
De vozes, modos diferentes
Outras culturas e visões
Hoje sou de livre vontade
Filho legítimo
Desta espantosa mestiçagem
Decidi, desde sempre
Colher frutos
Em todas as árvores
Plantadas no meu caminho.
Lobito, 28.04.2026
quarta-feira, março 25, 2026
MOMENTOS
ARUNDHATI ROY
Nestes dias nebulosos, que teimam em nos cercar, os noticiários de todas as cadeias televisivas, tentam formatar quem assiste e fazer uma lavagem cerebral colectiva.
Não se fala noutra coisa senão nas operações "Miado de gato" e "Fúria pífia", numa clara cruzada para instalar seja lá o que for em outros países. Claro, não vamos deixar-nos enganar, mas como ignorar os milhares de mortos, tão cruelmente indiferentes para esta gentinha.
No entanto, fui surpreendido com a notícia do novo romance de Arundhati Roy.
Nas declarações iniciais da autora, de uma forma absolutamente cristalina, resumiu toda a minha maneira de pensar ao longo da vida:
" Sei que estamos aqui hoje para falar sobre o livro Mother Mary Comes To Me. Mas como podemos terminar o dia sem falar acerca daquelas belas cidades - Teerão, Isfahan e Beirute - que estão em chamas?
Em consonância com o espirito de franqueza e indelicadeza da minha mãe Maria, gostaria de usar esta plataforma para dizer algo sobre o ataque não provocado e ilegal dos EUA e Israel ao Irão. É, naturalmente, uma continuação do genocídio em Gaza. São os mesmos velhos genocidas a usar o mesmo velho manual. Assassinando crianças, bombardeando hospitais, cidades. E depois fazendo-se de vítimas."
"Mas o Irão não é Gaza. O teatro desta nova guerra pode expandir-se e consumir o mundo inteiro. O mesmo país que bombardeou Hiroshima e Nagasaki, pode estar a preparar-se para bombardear uma das civilizações mais antigas do mundo.
Inequívocamente, estou do lado do Irão Quaisquer regimes que precisem de ser mudados, incluindo EUA e Israel e o nosso, precisam de ser mudados pelo povo, não por algum poder imperial, inchado, mentiroso, trapaceiro, ganacioso, que rouba recursos e lança bombas.
segunda-feira, março 09, 2026
COMENTADORES E OUTROS NECROFAGOS
É habitual, ouvir e ver a CNN. Do meu ponto de vista, é por lá que eu sei o que de verdade se passa no mundo. Claro que tenho outras fontes de informação, mas a CNN é a mais fidedigna.
Sem risco de me enganar, posso dizer que o que lá se passa, serve-me de guia para pensar exactamente ao contrário. De facto, a enorme maioria de todos aqueles pseudo jornalistas, sem coluna, bem como dos comentadores, especialistas, influencers, vendidos por um prato de lentilhas, serve-me para aferir o que é verdade ou não.
Exemplo recente: a senhora de turno, perguntou a um especialista comentador e militar(?), porque é que não havia quase nenhuma informação sobre esta guerra actual contra os persas.
A resposta foi breve e ufana: isso é fácil de responder. O Irão é um estado teocrático, terrorista, por isso toda a informação é sonegada. Quanto a Israel, fazem-no como estratégia de guerra, para confundir o inimigo.
Nenhum destes comentadores e jornalistas saberá a origem do que vou dizer a seguir, porque óbviamente que há gente boa nos dois ramos profissionais
MESMO NA NOITE MAIS TRISTE
EM TEMPOS DE SERVIDÃO
HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE
HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE DIZ NÃO
terça-feira, janeiro 20, 2026
NOBEL DA PAZ
quinta-feira, janeiro 15, 2026
ATÉ ONDE?
Luandino, um dos nossos escritores maiores, escreveu isto: nasci há 45 anos e nunca dei por estar a crescer.
Vivi, escrevi. Engrossei o rio de lágrimas e o sangue que me pariu. Depois lutei contra a corrente. Pelejei com as margens. Agora cheguei à foz, Com os meus companheiros, os fiéis da vida.
Diante de nós o mar, Aqui me despeço e entro o mar com eles. Até onde?
Estas frases lidas há muitos anos, marcaram-me para sempre. No momento em que as li, tive a certeza absoluta que tinha entendido a mensagem, mas que não estava totalmente de acordo com ela. Até que li Mia Couto: hoje eu sei. África rouba-nos o ser. E nos vaza de maneira inversa, enchendo-nos de alma.
Também eu cheguei à foz
Chegaram também os amigos, e a minha gente
Até onde não existe para mim
E jamais adentrarei o mar
A minha casa fica na esquina das areias douradas
E do grande mar oceano
Todas as manhãs os pássaros chilreiam na minha janela
Já não vou ao supermercado comprar mangas
Nem mamões, goiabas, bananas, loengos
Oriundas de destinos e gostos incertos
Apenas o grito das quitandeiras, sem intermediários
E o sabor real da minha infância
A vida escorre nesta cadência africana
Há muito esqueci os gelos do inverno
Agora, apenas este calor colado à pele
Como uma manta velha, confortável
Não há até onde no meu futuro
E jamais adentrarei o mar
Este é o meu lugar, e é aqui que fico
É aqui também que um dia, inevitávelmente morrerei
É aqui, só aqui que consigo sentir-me feliz