É assim a vida em TERRAMAR, onde dragões e feiticeiras se juntam e contam histórias em que tudo pode acontecer.
quarta-feira, março 25, 2026
MOMENTOS
ARUNDHATI ROY
Nestes dias nebulosos, que teimam em nos cercar, os noticiários de todas as cadeias televisivas, tentam formatar quem assiste e fazer uma lavagem cerebral colectiva.
Não se fala noutra coisa senão nas operações "Miado de gato" e "Fúria pífia", numa clara cruzada para instalar seja lá o que for em outros países. Claro, não vamos deixar-nos enganar, mas como ignorar os milhares de mortos, tão cruelmente indiferentes para esta gentinha.
No entanto, fui surpreendido com a notícia do novo romance de Arundhati Roy.
Nas declarações iniciais da autora, de uma forma absolutamente cristalina, resumiu toda a minha maneira de pensar ao longo da vida:
" Sei que estamos aqui hoje para falar sobre o livro Mother Mary Comes To Me. Mas como podemos terminar o dia sem falar acerca daquelas belas cidades - Teerão, Isfahan e Beirute - que estão em chamas?
Em consonância com o espirito de franqueza e indelicadeza da minha mãe Maria, gostaria de usar esta plataforma para dizer algo sobre o ataque não provocado e ilegal dos EUA e Israel ao Irão. É, naturalmente, uma continuação do genocídio em Gaza. São os mesmos velhos genocidas a usar o mesmo velho manual. Assassinando crianças, bombardeando hospitais, cidades. E depois fazendo-se de vítimas."
"Mas o Irão não é Gaza. O teatro desta nova guerra pode expandir-se e consumir o mundo inteiro. O mesmo país que bombardeou Hiroshima e Nagasaki, pode estar a preparar-se para bombardear uma das civilizações mais antigas do mundo.
Inequívocamente, estou do lado do Irão Quaisquer regimes que precisem de ser mudados, incluindo EUA e Israel e o nosso, precisam de ser mudados pelo povo, não por algum poder imperial, inchado, mentiroso, trapaceiro, ganacioso, que rouba recursos e lança bombas.
segunda-feira, março 09, 2026
COMENTADORES E OUTROS NECROFAGOS
É habitual, ouvir e ver a CNN. Do meu ponto de vista, é por lá que eu sei o que de verdade se passa no mundo. Claro que tenho outras fontes de informação, mas a CNN é a mais fidedigna.
Sem risco de me enganar, posso dizer que o que lá se passa, serve-me de guia para pensar exactamente ao contrário. De facto, a enorme maioria de todos aqueles pseudo jornalistas, sem coluna, bem como dos comentadores, especialistas, influencers, vendidos por um prato de lentilhas, serve-me para aferir o que é verdade ou não.
Exemplo recente: a senhora de turno, perguntou a um especialista comentador e militar(?), porque é que não havia quase nenhuma informação sobre esta guerra actual contra os persas.
A resposta foi breve e ufana: isso é fácil de responder. O Irão é um estado teocrático, terrorista, por isso toda a informação é sonegada. Quanto a Israel, fazem-no como estratégia de guerra, para confundir o inimigo.
Nenhum destes comentadores e jornalistas saberá a origem do que vou dizer a seguir, porque óbviamente que há gente boa nos dois ramos profissionais
MESMO NA NOITE MAIS TRISTE
EM TEMPOS DE SERVIDÃO
HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE
HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE DIZ NÃO
terça-feira, janeiro 20, 2026
NOBEL DA PAZ
quinta-feira, janeiro 15, 2026
ATÉ ONDE?
Luandino, um dos nossos escritores maiores, escreveu isto: nasci há 45 anos e nunca dei por estar a crescer.
Vivi, escrevi. Engrossei o rio de lágrimas e o sangue que me pariu. Depois lutei contra a corrente. Pelejei com as margens. Agora cheguei à foz, Com os meus companheiros, os fiéis da vida.
Diante de nós o mar, Aqui me despeço e entro o mar com eles. Até onde?
Estas frases lidas há muitos anos, marcaram-me para sempre. No momento em que as li, tive a certeza absoluta que tinha entendido a mensagem, mas que não estava totalmente de acordo com ela. Até que li Mia Couto: hoje eu sei. África rouba-nos o ser. E nos vaza de maneira inversa, enchendo-nos de alma.
Também eu cheguei à foz
Chegaram também os amigos, e a minha gente
Até onde não existe para mim
E jamais adentrarei o mar
A minha casa fica na esquina das areias douradas
E do grande mar oceano
Todas as manhãs os pássaros chilreiam na minha janela
Já não vou ao supermercado comprar mangas
Nem mamões, goiabas, bananas, loengos
Oriundas de destinos e gostos incertos
Apenas o grito das quitandeiras, sem intermediários
E o sabor real da minha infância
A vida escorre nesta cadência africana
Há muito esqueci os gelos do inverno
Agora, apenas este calor colado à pele
Como uma manta velha, confortável
Não há até onde no meu futuro
E jamais adentrarei o mar
Este é o meu lugar, e é aqui que fico
É aqui também que um dia, inevitávelmente morrerei
É aqui, só aqui que consigo sentir-me feliz