domingo, setembro 26, 2010

Hoje vou falar-vos de um tema delicado, que pela sua importância já transbordou fronteiras e causou algum mal estar transcontinental.
Venho falar-vos de um artrópode de seu nome Siphonaptera, cujo nome binomial é Tunga penetrans.
Este bichinho, para os menos avisados, que andam descalços pela vida, penetra na nossa pele, quase sempre nos pés e formam uma bolsa entre os dedos ou nos próprios, que provoca uma coceira tremenda.
Eu próprio já padeci deste mal várias vezes, e como habitual, foi a minha lavadeira que com muito jeito e uma agulha me ia tirando aqueles saquitos.
De uma forma mais cientifica, cito este artigo que podem consultar aqui, já que eu hoje estou generoso:

Bicho-de-pé é um inseto sifonáptero (Tunga penetrans) da família dos tungídeos, de presumida origem sul-americana; relativamente comum nas zonas rurais, a fêmea fecundada penetra na pele do homem ou de outros animais, causando forte coceira e ulceração que pode servir como porta para infecções de agentes patogênicos como o Clostridium tetani, causador do tétano.

Batata baroa, bicho, bichô, bicho-de-cachorro, bicho-de-porco, bicho boco.bicho-do-pé, bicho-do-porco, bitacaia, chique, chitacaia, dengoso, espinho-de-bananeira, esporão, jatecuba, matacanha (Angola e Moçambique), moranga, nígua (Portugal), olho-branco, olho-de-pinto, pique, piolho-de-faraó, pitxoca/pitxoka, pulga-da-areia, pulga-de-bicho, pulga-do-porco, pulga-penetrante, sico, taçura, taçuru, tatarné, tuçuru, tunga, tunguaçu, vitacaia, xiquexique, xíquia, zunga, zunge, zunja.

Esse inseto pertence à ordem das pulgas (Siphonaptera) e, como elas, não tem mais que um milímetro de comprimento. Ganhou seu nome popular por penetrar na pele humana, em especial entre os dedos do pé, onde ela é mais fina e tenra. Quem anda descalço em áreas infestadas - normalmente currais, chiqueiros e praia - é, portanto, sua vítima preferencial.

Na verdade, só a fêmea grávida invade o nosso organismo, para se nutrir de nosso sangue enquanto desenvolve os ovos. A coceira é causada por uma substância que o bicho-de-pé usa para furar a pele.

Para terminar e para encerrar de vez este assunto, de alguma gravidade e que tem trazido algum mal estar entre povos irmãos, termino dizendo que este bichinho é conhecido de todos nós como BITACAIA.

Beijos e abraços e carinhos sem ter fim.
GED

De Hilda Hilst

Não me procures ali
onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me dentro das grandes águas.
Nas praças,
num fogo coração,
entre cavalos, cães,
nos arrozais no arroio,
ou junto aos pássaros
ou espelhada num outro  alguém,
subindo um duro caminho.

Pedra, semente, sal, passos da vida.
Procura-me ali.
Viva.

sexta-feira, setembro 24, 2010

HÁ FADOS NO PÓ

Últimamente, têm passado emails à minha frente com o título "Há fados no Pó".
Isto podia ser o títluo de um filme canalha, brega (porque eu sei que uma brasileira vai passar por aqui, então traduzo), mas não é.
É apenas um encontro habitual dos meus amigos no fim de semana de 7 de Novembro.
Encontro esse que eu aliás, olho com enorme desconfiança, por dois motivos.
O primeiro é que quando fomos pedir alojamento na casa do Zé Lobo ( todos os 30), ele mandou-me a um sítio menos recomendável.
Disse-me literalmente:
-Oh Henrique vai pró...
Quando na verdade eu acho, que com um mês de antecedência, ele podia fazer umas obrazitas em casa, para mais dois ou três quartos, para os amigos.
O segundo motivo tem a ver com as intenções do Fernando Marta. Diz ele que leva umas garrafas de Douro, para começar logo a emborcar e que depois se verá. Como eu faço intenções de levar aquele whisky marado, está-se mesmo a ver, que meia hora depois, eu e ele arrumamos os músicos a um canto e vamos nós cantar à desgarrada.
Vai ser um espectáculo verdadeiramente deprimente.
Haja Deus
Abraços
GED

segunda-feira, setembro 20, 2010

FRIENDS


Cduxa and my friend Manuel Sampaio, finally with a good look.

FRIENDS


Fernando Marta Neves and myself.

De A Varanda do Frangipani

" Hoje eu sei: África rouba-nos o ser. E nos vaza de maneira inversa: enchendo-nos de alma." Mia Couto.

quinta-feira, setembro 16, 2010

quarta-feira, setembro 15, 2010

ONU - MULHERES

Michelle Bachelet foi ontem escolhida pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para chefiar a nova agência da ONU para as mulheres - a UN Women (ONU Mulheres). Bachelet, de 59 anos, que até Março tinha a seu cargo os destinos do Chile - de que foi uma das mais populares presidentes - , terá na hierarquia da organização o grau de secretária-geral adjunta e estará sob a autoridade directa de Ban Ki-moon.

Criada no início de Julho, a nova estrutura tem como objectivo acelerar a melhoria da condição das mulheres e das jovens no mundo e irá aglutinar outros órgãos já existentes e que trabalhavam na área da defesa dos direitos da mulher.

Ao escolher Bachelet em detrimento de outras candidatas - entre elas a ministra moçambicana Alcina Abreu -, Ban louvou o "dinamismo" e a "capacidade fora de comum para criar consensos" da ex-presidente chilena. "Estou certo que sob a sua direcção forte, poderemos melhorar a vida de milhões de mulheres e jovens no mundo".

Esta é uma excelente notícia. Finalmente, abre-se uma perspectiva séria de combate às imensas desigualdades, a que as mulheres por todo o mundo estão sujeitas.

GED

terça-feira, setembro 07, 2010

segunda-feira, setembro 06, 2010

quarta-feira, setembro 01, 2010

TERRA DO NUNCA




Em casa no Natal, nunca compramos ramos de pinheiro. É talvez uma forma de nos opormos à predação habitual das árvores nessa época.
Há uns anos atrás compramos um pinheirinho, dentro de um vaso. Foi-se aguentando e ainda esteve connosco três natais. Depois começou a definhar.
Lembrei-me de levá-lo para a aldeia e plantei-o lá, sem grande esperança.
Hoje deixo a fotografia do meu pinheiro

GED

FESTA NA ALDEIA

terça-feira, agosto 31, 2010

Monólogo de Segismundo

Ai miserável de mim e infeliz!
Apurar, ó céus, pretendo,
já que me tratais assim,
que delito cometi
contra vós outros, nascendo;
que, se nasci, já entendo
qual delito hei cometido:
bastante causa há servido
vossa justiça e rigor,
pois que o delito maior
do homem é ter nascido.

E só quisera saber,
para apurar males meus
deixando de parte, ó céus,
o delito de nascer,
em que vos pude ofender
por me castigardes mais?
Não nasceram os demais?
Pois se eles também nasceram,
que privilégios tiveram
como eu não gozei jamais?

Nasce a ave, e com as graças
que lhe dão beleza suma,
apenas é flor de pluma,
ou ramalhete com asas,
quando as etéreas plagas
corta com velocidade,
negando-se à piedade
do ninho que deixa em calma:
só eu, que tenho mais alma,
tenho menos liberdade?

Nasce a fera, e com a pele
que desenham manchas belas,
apenas signo é de estrelas
graças ao douto pincel,
quando atrevida e cruel,
a humana necessidade
lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto,
tenho menos liberdade?

Nasce o peixe, e não respira,
aborto de ovas e lamas,
e apenas baixel de escamas
por sobre as ondas se mira,
quando a toda a parte gira,
num medir da imensidade
co'a tanta capacidade
que lhe dá o centro frio:
só eu, com mais alvedrio,
tenho menos liberdade?

Nasce o arroio, uma cobra
que entre as flores se desata,
e apenas, serpe de prata,
por entre as flores se desdobra,
já, cantor, celebra a obrada natura em piedade
que lhe dá a majestade
do campo aberto à descida:
só eu que tenho mais vida,
tenho menos liberdade?

Em chegando a esta paixão
um vulcão, um Etna feito,
quisera arrancar do peito
pedaços do coração.
Que lei, justiça, ou razão,
nega aos homens - ó céu grave!
privilégio tão suave,
exceção tão principal,
que Deus a deu a um cristal,
ao peixe, à fera, e a uma ave?"

(LA VIDA ES SUEÑO, Ato I, Cena I) de Pedro Calderón de la Barca

segunda-feira, agosto 30, 2010

domingo, agosto 29, 2010

SAPATOS


Já que FMN tem um fetiche por sapatos e quer também uma de corpo inteiro, aqui vai.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Colégio Eça de Queirós

Colégio Eça de Queirós- clica aqui

Henrique,
Uma homenagem aos teus pais.
Abraço
Ruca

terça-feira, agosto 24, 2010

PORQUE É QUE EU GOSTO DE GOLF?

O golf na Europa é menos elitista (seja lá o que for que isso significa) , e mais democrático (seja lá o que for que isso significa também).
Comecei por pura curiosidade. Com o tempo, percebi que é o melhor desporto do mundo.
Em primeiro lugar, porque é jogado ao ar livre, sistemáticamente em lugares muito bonitos.
Depois percebi que não há adversários. O meu único adversário sou eu próprio, o que nem sempre é fácil.
Depois é um jogo de grande estratégia. Finalmente, não é possível jogar sem ter a cabeça completamente lavada.
Do ponto de vista técnico é altamente exigente e uma aprendizagem contínua ao longo de muitos anos.
Gosto de golf por tudo isto e, além do mais porque me permite diáriamente testar os meus limites.
Um abraço
GED

O MELHOR JOGO DO MUNDO


segunda-feira, agosto 23, 2010

Água em Pó

De Tatiana Druck:

que sede é essa
de si mesma
que nunca passa
que sede de mais
que entorpece
tonteia e afoga
pseudo-hidrata
afaga, esquece e mata
que sede é essa que engole e se engasga
bebe e não sacia
que gole é esse
que nunca desce?

segunda-feira, agosto 09, 2010

Húngaros

"Quando dois seres iguais se encontram, considera-se uma felicidade, um dom do destino. Mas encontros desse tipo, infelizmente, são raros, como se a natureza fizesse de tudo, usando a força e a astúcia, para impedir que se formasse tal harmonia - talvez porque precise, para recriar o mundo e renovar a vida, da tensão que cresce entre indivíduos que, mesmo vivendo segundo ritmos e pendores discrepantes, se perseguem eternamente."
Sándor Márai

domingo, agosto 01, 2010

Na arte de ler

Na clínica da arte de ler, nem sempre o que tem melhor visão lê melhor. Ricardo Piglia

sexta-feira, julho 23, 2010

PORTUGAL NO SEU MELHOR

Há muito tempo que não me sentia tão fascinado.
É bom viver em Portugal. É muito bom viver em Portugal.

O bispo auxiliar de Lisboa, disse numa entrevista que era hora dos católicos deixarem as palavras e passarem à acção. Dada a dimensão da crise, os políticos deveriam doar 20% do ordenado para um fundo social, óbviamente orientado pela igreja.
Ri-me com muito prazer.
A igreja nunca gastou um centimo da sua imensa riqueza para fundos sociais.
Por outro lado, aguardo com ansiedade pelos políticos que vão (?) doar parte do seu ordenado.
Hilariante, no mínimo.
Do meu ponto de vista, devia ir tudo preso, por atentado ao próprio povo português, que não tem de aturar estas maluquices.
Aguardo os próximos capítulos, com ansiedade, mas ainda há quem se admire, que de vez em quando alguém desesperado perca a cabeça.

GED

quarta-feira, julho 21, 2010

domingo, julho 18, 2010

terça-feira, julho 13, 2010

TRIBUTO




Tributo ao grupo de homens e mulheres de grande coragem, que enfrentaram de peito aberto os Adamastores!

Um punhado de valorosos navegadores
Da muito brava raça lusitana
Atreveram-se a enfrentar Adamastores
Tarefa que alguns consideraram insana

Partiram temerosos de não regressar
Antecipando rápidos e quedas mortais
Deram tudo o que tinham para dar
E ainda tiveram que dar muito mais

Foram tempestades e chuvas torrenciais
As naus galgando ondas enormes
tripulantes gritando credos e ais
Na visão de mostrengos disformes

Finalmente, vieram tempos de bonança
O porto seguro surgiu na margem
Na tripulação renasceu a esperança
De sobreviver a esta terrível viagem

Do comandante vieram ordens de atracar
Secar as roupas e esquecer agruras
Á espera de todos um grande manjar
E a ansiedade de novas aventuras

Henrique

segunda-feira, julho 12, 2010

Descer o Mondego, Eu?

Descer o Mondego sim
Foi na verdade uma alegria
Não falo só por mim,
Também pela companhia,
Essa sim, maravilhosa.
De amigos, alguns recentes,
Mas que coisa bem gostosa,
Como os dos tempos distantes.

Afinal que vamos fazer?
Atreveu-se alguém perguntar
Não sei, mas…está bem de ver,
Alguns vão é nadar…

Excelente organização?
Mais que isso, ou antes, impar!
Algo de inexcedível.
Que deliciosa confusão…
Julguei o Henrique pensar…
Será que é mesmo hoje, ou não?
Ele incapaz de falhar
Ou meter na contra-mão…
Ainda penso no alerta
Que ele me enviou
Mas, às tantas, pela certa,
O “Enter” não carregou.
Melhor que isto, é impossível!

E que dia bem passado
Da cabeça aos pés molhado
Com o corpo bem dorido
E de vermelho pintado
Chegou também ao pescoço
O lindo tom encarnado
Estou aqui que nem posso
Feliz e acalmado
Atreve-te e marcar outra
A ver se me faço rogado!


FMartaNeves
12/07/2010

DESCER O MONDEGO

DESCER O MONDEGO


Grupo fantástico e exigente,
Cenário de arrepiar a razão,
A balsa maleável e resistente,
E em perfeita contra-mão
Uma organização que foi excelente.

Corpos maduros com espírito
De crianças dizendo que sim
À esplêndida natureza num grito
Enraizado no passado afim.

Pagaias nas mãos e toca a descer,
Em grupo, coisa boa e tão rara
Na modernidade (que faz crescer
O espaço sem tempo) qual cítara
Sem cordas mas com som de enternecer.

Mergulhos e risadas francas
Sob um manto verde de promessas
Verosímeis, as velhas ancas
Rodopiando com as possíveis pressas
E revelando a altivez das palancas.

Deixemo-nos de lamentos acabados,
A amizade abraça os defeitos,
Espaço/Tempo bem conquistados
E digam lá se não há causas com efeitos.

sexta-feira, julho 09, 2010

Em busca do tempo perdido

" Se quando eu lia um livro, meus pais me permitissem visitar as regiões nele descritas, julgaria ter dado um passo inestimável na conquista da verdade. Pois, se temos sempre a sensação de estar cercados pela própria alma, não quer dizer que ela nos cinja como os muros de uma prisão imóvel; antes somos como que arrastados com ela em pérpetuo impulso para ultrapassá-la, para atingir o exterior, com uma espécie de desânimo, ouvindo sempre, em torno de nós, essa idêntica sonoridade, que não é o eco de fora, mas o ressoar de uma vibração interna."

No Caminho de Swan. Marcel Proust.

quinta-feira, julho 08, 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

DAPANDULA

Com um ruído de fechar asas
Pousou sereno no beiral da casa
Absolutamente negro
Temperado em forjas de luz
Olhos de fogo fixos em mim
Planou sobre o meu rio
Observou atento, gestos e decisões
Voou para o meu braço
Cravando mansamente as garras
Num tempo de encantamento
Redondo, cristalino, ficamos imóveis
Uma gota de sangue explodiu no chão
Duas asas negras
Elevaram voos, acima do horizonte
Nos rumos de outro beiral.

GED

quarta-feira, junho 30, 2010

MANHÃS DE CACIMBO

Bateis de nostalgia
São difíceis de ancorar, principalmente no espaço
Entre o querer e o fugir
Na escolha quotidiana da palavra certa
A sul só sobram cumplicidades
Brilhando nas doces manhãs de cacimbo.

GED

ANTÓNIO GEDEÃO

Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956

ANTÓNIO GEDEÃO

Um grande poeta português.

Mãezinha
A terra de meu pai era pequena e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.
28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos...
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas nestas considerações.)
Das outras, 10 por cento, eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.
Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.
Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maior sossego,
às horas em que entrava e saía do emprego.
Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.
A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.

António Gedeão

Mais ou menos assim

Com a devida licença poética e contando com o bom humor do insuperável Drummond, lá vai:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J.Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história porque não tinha Internet.

segunda-feira, junho 28, 2010

sexta-feira, junho 25, 2010

PASSOS

Ouço passos na noite
Alguém que chega cadenciando
Andares já pressentidos
Reinventando cores de bem querer
Há luz por todo o lado
Tanta luz ferindo os meus olhos
Explodindo em mil tons de azul
Ouço passos na noite
Irreverentes
Dançando destinos novos
Alisando terrenos agrestes
Convocando energias desconhecidas
Caminham na berma do amanhecer
E eu invento cheiros de jasmim no ar.

GED

Cenas da Vida - Infância

Cena 1: uma menina, de mais ou menos oito anos e magrinha, segura-se em uma barra de ferro e balança o corpo de lá para cá, imaginando ser uma trapezista.

Cena 2: estatelada no chão, a menina soluça.

Cena 3: no quarto dos pais, deitada sobre a cama, a menina está em silêncio, mas seu corpo treme, para desespero da mãe, que chora.

Cena 4: chega, finalmente, o pai, médico, que sem olhar para a menina e dizer uma única palavra, paf, bate no rosto da mãe, não na menina.

Cena 5: a menina apaga.

Cena 6: nauseada, a menina acorda em um quarto de hospital, no lugar da camisola, veste um colete de gesso; a mãe, com um cigarro aceso, continua a conversar com as amigas.

Cena 7: em casa, o gesso coça e esfola; a menina pede a deus que, por favor, a ajude, e pede uma vez mais no dia seguinte e no outro, por duas semanas.

Cena 8: sentada à mesa, a família almoça; o pai, distraído, diz à mãe, hoje, essa menina tem de ir ao hospital às duas horas para trocar o colete; a mãe, prontamente, diz não posso; nesse horário, tem o sono da beleza; ao que ele responde ter o do sagrado trabalho.

Cena 9: outra vez aos soluços, anda, só, pela rua, a menina de mais ou menos oito anos e magrinha; na portaria do hospital, basta falar de quem é filha.

Cena 10: na sala pequena e bege, um homem sangra sobre a cruz pregada na parede e, da veneziana semi-aberta, escapa um facho de luz. A menina, sentada sobre uma mesa, olha ora para um ora para outro, enquanto ouve a voz calma da enfermeira dizer: cuidado, doutor, que ela deve estar em carne viva.

quarta-feira, junho 23, 2010

MÃOS

É de mãos que eu falo
Dedilhando cuidadosamente os sons
De corpos e almas
De mãos serenas, traçando contornos
Para além do vazio e da solidão
Criando ilhas em oceanos violetas
De mãos firmes desventrando amores
Apontando firmemente os caminhos futuros
De mãos entrelaçando outras mãos
Em gestos de ternura incontida.
De mãos incapazes de rasgar cartas
Concavas, segurando a areia dos penhascos
Voando exuberantes sobre as ondas
De mãos feiticeiras tecendo sem fim
Penélopes traçando os seus próprios rumos
De mãos acariciando serenas, o dorso dos rios
Desvendando labirintos e enseadas
Até que finalmente tudo seja mar
É de mãos que eu falo.

GED

terça-feira, junho 22, 2010

Circulação

Dedilha-me com cuidado. Deixa-me ampliar o contorno do mapa que constrói e navega além do meu vazio. Tumultua o fluxo para que o oceano se reconfigure em ilha, e o horizonte escape de dentro feito um amor desventrado.

sexta-feira, junho 18, 2010

SARAMAGO

Saramago partiu.
Nada mais natural, como ele próprio diria.
Para nós, partiu mais do que o nosso Nobel.
Partiu aquele que escreveu o mais belo romance de amor em lingua portuguesa.
Partiu uma voz repetidamente solidária com os mais desfavorecidos.
A Pátria portuguesa está de luto.

GED

quarta-feira, junho 16, 2010

QUE PAÍS?

A Bélgica é um país que me diz muito.
A minha avó era belga e estive lá muitas vezes, por vezes por longos períodos. A minha avó era orgulhosamente flamenga, coisa que eu sempre questionei. Para me fazer entender na zona flamenga, fazia-o melhor em inglês, porque se falasse francês ou não me respondiam, ou respondiam com má cara.
Incompreensivel mas verdadeiro.
Agora, questiona-se a viabilidade da Bélgica como país.
A nossa querida Europa unida é isto: estilhaços de Jugoslávia, de Checoslováquia, provávelmente da Bélgica e numerosos movimentos mini nacionalistas em tudo quanto é sítio.
Vai ser um local bom para viver no futuro!

GED

HERÓIS DO MAR

A entrevista de Ronaldo, foi devastadora do ponto de vista cultural. A arrogância levada ao extremo, por alguém que devia ter um assessor de imagem e que deveria ter o cuidado de não dizer parvoíces.
E, depois foi o que se viu.
Os amantes de futebol como eu, gostam de ver bons jogos, principalmente quando dizem que estão a representar o nosso país. Haja ao menos dignidade.
A atenção que os "media" dão aos nossos "heróis do mar", é do mais bacoco que se possa imaginar e, é triste que tenhamos que assistir a tudo isto que nos entra pela casa dentro.
O maior espectáculo do mundo, com estes actores, torna-se confrangedor.

GED

segunda-feira, junho 07, 2010

Um bicho de sete cabeças

Um bicho de sete cabeças se esconde na minha. Um bicho de olho na tocaia alimenta minhas paranóias enquanto as devora com prazer. Um bicho de sete cabeças gira meus instintos e sacode minhas certezas. Aguça minha fúria pedindo a ela por ternura. O bicho não se enamora da Hidra nem de seu Hércules mutilador. O bicho move o sangue, aniquila invasores. O bicho tem sete cabeças. Não tem sete vidas. Por certo, não há de ter também sete corações.

segunda-feira, maio 31, 2010

ENCONTRO

Os amigos pedem e não há como recusar. Um abraço.


21º Encontro dos Antigos Alunos do Cubal


Caros Amigos...

Eis-nos de novo!
Tal como prometido aqui estamos para vos dar mais algumas informações
sobre o nosso encontro.
Vamos uma vez mais, estar juntos e aqui vai o nosso convite que estamos
certos vão aceitar.
Acreditem que todos fazemos uma enorme falta, pois só assim conseguiremos manter vivo este espaço de partilha e amizade. Quanto a nós, organização, uma vez mais, tudo faremos para tornar este 21º Encontro em mais um momento para todos inesquecível.
Todos juntos, os Cubalenses, iremos por certo desfrutar momentos que nos fazem regressar a um tempo longínquo mas de grande importância.
Ajude-nos na tarefa de sermos cada vez mais, motivando aqueles que lhe estão próximos para estarem connosco no próximo fim-de-semana de 18/19 de Setembro de 2010.

Quanto ao local, uma vez mais o Hotel da Quinta da Lagoa em Mira, que bem conhecemos e que nos tem retribuído com a maior simpatia e disponibilidade.

No que respeita ao evento, o 21º Encontro, junto enviamos o programa e respectivo preçário, podendo desde já adiantar que a nossa noite será abrilhantada pelos já nossos conhecidos e amigos do Trio Áfrika, que nos habituou a grandes noite de “farra”.

Observação: Para iniciar o convívio bem mais cedo, convidamos-vos a inscrever-se para o almoço de sábado, onde, para além de um óptimo menu poderão estar bem perto dos vossos amigos.

PROGRAMA
Dia 18 de Setembro
11:00 – 13:30 – Recepção e Concentração no Hotel Quinta da Lagoa
13:30 – 15:00 - Almoço
15:00 – 18:30 – Actividades diversas
20:30 – 22:30 – Jantar
22:30 – 05:00 – Animação e Baile
Dia 19 de Setembro
09:00 - 11:00 - Despertar e pequeno-almoço

Ementas
Almoço 18 de Setembro
Couvert
Sopa
Prato de peixe
(Bacalhau à Lagareiro)
Buffet de sobremesas com fruta e doces
Vinho tinto e branco, águas minerais e refrigerantes
Café e digestivos
Jantar e Ceia de 18 de Setembro
Sopa
Prato de Peixe e Prato de Carne
Buffet de sobremesas com fruta e doces
Vinho tinto e branco, águas minerais e refrigerantes
Café e digestivos
Ceia
(Caldo verde, Bolinhos de Bacalhau, Rissóis, Croquetes, Presunto, Queijo Rabaçal, etc.)


PREÇÁRIO

Quarto Individual------------------------------------------- € 42
Quarto Duplo ----------------------------------------------- € 47
Cama Extra ------------------------------------------------- € 16
Almoço-------------------------------------------------------- € 20
Jantar, Ceia e Cocktail de Recepção --------------- € 36
(crianças com menos de 6 anos não pagam e dos 6 aos 12 anos pagam 50%).
Quota--------------------------------------------------------- € 7,5
As inscrições e os respectivos pagamentos (por cheque), devem ser feitas impreterivelmente até ao dia 5 de Setembro de 2010, para o seguinte endereço:
Jose Lobo Pires – Rua Alexandre O’Neill, Nº11 – 1ºEsq, 2745 – 896 Tercena

Para quaisquer outros esclarecimentos é favor contactar a comissão organizadora através dos seguintes contactos:

Mimi Peixoto --- Tlm 96 5 876 468 - mcppeixoto@gmail.com
Manuel Faria de Sousa – Tlm 96 0 315 802 - mfsousa1@hotmail.com
Jose Lobo Pires – Tlm 91 9 410 968 - jose.lobo.pires@gmail.com


Um grande abraço e até lá
Saudações Cubalenses

quarta-feira, maio 26, 2010

E ESTA, HEM?

De repente, os hospitais portugueses ( e outras empresas estatais ), desataram a declarar pelo seus porta-vozes, que iriam tomar uma série de medidas, que não pondo em causa a qualidade dos serviços de saúde, nem os beliscando sequer iriam poupar uma quantidade de milhôes de euros anuais.
Seriam óbviamente, direccionadas para uma gestão mais eficaz, blá, blá, blá.
A seguir vem um enorme coro de louvação por tão patrióticas atitudes neste momento de crise.
Mas, afinal o que é isto?
Porque é que ninguém faz a pergunta correcta?
Se afinal, é possível através de gestões mais cuidadas, com maior atenção aos desperdícios ( e ao roubo?), porque é que isso não foi já feito?
Quem é que nos tem andado a enganar e a gastar indevidamente o nosso dinheiro.
Afinal a quem é que os gestores, (que aparentemente são muito mais importantes num hospital, que o pessoal da saúde), têm que prestar contas?
Um dia iremos saber!

GED

ELA E ELE

Rasgam-se fendas no tecido do tempo
Cidades flutuantes brilham no escuro
No incessanto balanço dos mares e marés
As noites afundam-se no horizonte
Vapores liquidos estremecem o ar quente
Ela, bailarina ensaia passos de dança
Daqueles que já não se usam mais
Vestido de cetim azul pairando no ar
Os olhos dele enchem-se de pirilampos
Brilhando desejos de querer ousar
Sorriem-se
Em ondas de espuma e ventos mansos
E ela, e ele
São rios de muito encanto e alucinações
Descendo montanhas abruptas e planícies
Até serem apenas foz.

GED

domingo, maio 16, 2010

Garimpo

Olha-me. Percebe a pá que ofereço? Em cada tecla uma enxadada. As palavras loucas de fome e de raiva de quem as controla. Nada preenchendo as lacunas do esperado. Os pensamentos perdidos no preto plástico, no tec tec de uma digitação tão rápida quanto capenga. Frases e mais frases por uma pessoa desconhecida, pelo ser que me desmente, porque me desminto tonta feito um carrossel de cavalos brancos, que me coiceiam e já não mais me espantam, nem a minha vida secreta, secreta até de mim, de minhas ambições sem entrega, acidentes à margem do meu idioma, da essência que me azucrina e, indiferente, me coloca em uma condição de estranhamento, de sublocatária da minha estrutura, estrutura de pouca maldade, de acentuado desconforto, irritada com as imitações do mundo, com a mímica macaca dessa espécie de geografia delicada, que acredita em um mundo além sem nunca ter dado um passo para fora do cercado implacável que a enraiza aqui.

segunda-feira, maio 03, 2010

Datilografando

Está tarde, ela sabe. E, além de tarde, faz frio. Nada glacial. Mas os pés pedem por meias. Ela não gosta de usar meias. Prefere luvas, de lã, para não ter de dar tapas de pelica. O ideal seriam as de boxe, combinariam com o capuz do roupão que pega emprestado do marido sem ele saber. Mas com o roupão o jogo é rápido, usa só para sair do banho e chegar no armário em busca de um abrigo, apeluciado de preferência, macio e quente feito um bichinho de criança, feito um corpo que quase respira, como aqueles que tinha sobre a penteadeira de seu quarto de menina, caixinha de música perdida em uma grande casa gelada, aquecida à lenha, a livros e a uma pequena máquina de escrever.

domingo, maio 02, 2010

Poesia de Paulo Leminski

Amor, então
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

--------------------------
 
meus amigos
quando me dão a mão
sempre deixam
outra coisa
presença
olhar
lembrança
calor
meu amigos
quando me dão
deixam na minha
a sua mão.

segunda-feira, abril 26, 2010

Poeminho para um começo

Porque um começo nunca é fácil e eu não sou uma zonguinha, vou começar tomando emprestado a voz alheia, a voz de um poeta aqui do meu sul para agradecer o convite feito pelo GED. Obrigada :)
Então, segue abaixo o Poeminho do contra, de Mário Quintana.


"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

Um abraço a todos.
Helena Terra

segunda-feira, abril 12, 2010

Celebra Sempre

Hoje, o Henrique celebra a sua chegada a este fantástico planeta (que ficou mais rico com a presença dele), e se há algo que merece é celebrá-lo sempre com galhardia e pujança que tão bem tem demonstrado. Tem um dia muito grande exactamente à tua medida. Um abraço apertado.

domingo, abril 04, 2010

O PAÍS DO ARCO-IRIS

Morreu Eugene Terre-Blanche, assassinado sabe-se lá por quem. Defendia a supremacia branca!!! Agora prometem vingança e a comunidade negra está em sobressalto.
É tempo, para mim que não sou racista, de pedir ajuda à engenharia genética. Resolver de uma vez por todas esta patetice das cores.
Porque não criar um "esperanto" racial?
Criar um homem novo, meio colorido, mestiço, com tons de amarelo, olhos em bico, cabelos de judeu ortodoxo e com uns laivos de tendência de bombista suicida. Provávelmente não resolveria totalmente o problema, já que existiriam uns mais mestiços que outros, com mais alguns caracóis, olhos mais ou menos em bico, mas melhoraria alguma coisa.
Haja paciência

GED

sexta-feira, abril 02, 2010

POR ESTE RIO ACIMA

Povo de patriotas é aquilo que nós somos, sempre prontos a empunhar as bandeiras da liberdade e a lutar por causas nobres e justas.
É assim que nos comportamos perante a adversidade, por isso nos conhecem por esse mundo de deus, como um povo de guerreiros e marinheiros.
Hoje idas as glórias de outrora, o que é que nos resta para além de gestores mal comportados?
Resta-nos uma centelha de esperança, quando vemos o glorioso a dar uma lição de futebol ao Liverpool.
Espectáculo maravilhoso, com dois secos nas malhas. Nada ainda está resolvido, mas valeu a pena.

GED

segunda-feira, março 29, 2010

POR ESTE RIO ACIMA

Povo de patriotas é aquilo que nós somos, sempre prontos a empunhar as bandeiras da liberdade e a lutar por causas nobres e justas.
É assim que nos comportamos perante a adversidade, por isso nos conhecem por esse mundo de deus, como um povo de guerreiros e marinheiros.
É evidente que há também alguns gestores que querem pôr o Estado em tribunal por não poderem este ano receber os prémios por aquilo que não fizeram.
Para eles nos tempos da marinharia, haveria certamente a tábua, a passagem sumária pelo gume das espadas ou o enforcamento na gávea mais alta das naus.
Hoje, idas que são as glórias de outrora, vamos andar a assistir a este destempero, diáriamente na televisão.

GED

segunda-feira, março 22, 2010

BENFICA

Ontem, em mais uma jornada gloriosa, o Benfica derrotou sem margem para dúvidas o seu arqui inimigo.
Curiosamente o treinador dos azuis, achou que o jogo tinha sido muito equilibrado.
Foi, foi.
Três secos, sem resposta. vai buscar!!
O que ressaltou também de positivo, foi a forma como o capitão dos azuis se comporta em campo.
Uma elegancia e um exemplo.

GED

domingo, março 14, 2010

COMO É POSSÍVEL?

Este fim de semana (13 de março), dois governos africanos vão tentar efraquecer a proibição mundial do comércio de marfim -- essa decisão pode acabar com toda a população de elefantes e colocar estes animais mais próximos da extinção.

A Tanzania e a Zâmbia estão fazendo lobby junto à ONU para conseguirem exceções à proibição. Se isto acontecer, os traficantes de marfim verão que a proteção mundial está enfraquecida e que a temporada de caça está aberta. Outros países africanos são contra o fim desta lei e estão propondo uma extensão dela por mais 20 anos.

Há mais de 20 anos, a Convenção do Comércio a Espécies em Extinção (CITES) estabeleceu uma proibição mundial ao comércio de marfim. A caça ilegal para fins comerciais foi abolida e os preços do marfim subiram. O pouco policiamento e a vontade de reverter esta lei por países como a Tanzania e a Zâmbia, fizeram com que o comércio ilegal desse material se tornasse lucrativo .

Mesmo com a proibição mundial, mais de 30.000 elefantes são mortos todo ano e seus dentes arrancados com machados e motoserras por caçadores ilegais. Caso a Tanzania e a Zâmbia consigam reverter esta lei, a situação vai ficar ainda pior.


quarta-feira, março 03, 2010

CARNAVAL


Mais um brinde maravulhoso da Sofia. Desfrutem. Um dia havemos de a ver ao vivo.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

MADEIRA

Muito se tem falado nos últimos dias do que infelizmente aconteceu na Madeira e, nem sempre de forma correcta, a meu ver.
Tem sido políticamente correcto demonstrar toda a nossa "solidariedade" ao povo madeirense. Até o nosso PR já disse por mais de uma vez nos noticiários, que os portugueses estão solidários.
Poderá eventualmente estar a falar por ele, não por mim.
Claro que estou verdadeiramente solidário, com o que lhes aconteceu, em termos de dor e de vidas perdidas. Apenas isso.
Quanto ao resto não tenho que estar solidário, pois isso implicaria um acto de boa vontade apenas, tal como fizemos há bem pouco tempo em relação ao povo haitiano.
Tenho sim que estar empenhado em que todos nós e o nosso governo tratemos rápidamente de restabelecer a normalidade de parte integrante do território, seja ele a Madeira ou o Alentejo, ou a Beira ou Lisboa. Aqui não tem que haver solidariedades. Isso estará bom para os franceses, ingleses e americanos e..., que só nos ajudam porque estão solidários.
O senhor Alberto já nos habituou ao longo dos anos a todas as diatribes.
Jogar com o número de mortes, que não são 42 e sim 39, porque já foram contabilizadas não sei onde e se aparecerem mais alguns, logo se arranjará qualquer outra justificação pacóvia, é que não lembra a ninguém.
Além do mais, pedir para se ser contido na divulgação, porque isso põe em risco o turismo, faz-me chegar a uma triste conclusão: ou o senhor Alberto não marchou em direcção ao século XXI, ou na Madeira ainda não há NET.
GED

quarta-feira, janeiro 20, 2010

GRIPE II


Gripe A:
Uma reflexão e uma proposta

Ao ler este texto de Teresa Forcades i Vila, monja beneditina do Convento de Montserrat em Barcelona, médica especialista em Medicina Interna e doutorada em Saúde Pública, ninguém pode deixar de se interrogar sobre a capacidade dos seus governantes e autoridades de Saúde Pública do seu país – particularmente Primeiro-Ministro, Ministro da Saúde e Director-Geral de Saúde – sobre a sua honestidade e o seu grau dependência em relação aos grandes laboratórios internacionais.

Teresa Forcades i Vila* - 11.10.09

Dados científicos

Os dois primeiros casos conhecidos da nova gripe (vírus A/H1N1, estirpe S-OIV) diagnosticaram-se na Califórnia (EUA) no dia 17 de Abril de 2009 [1].

A nova gripe não é nova por ser do tipo A, nem tampouco por ser do subtipo H1N1: a epidemia de gripe de 1918 foi do tipo A/H1N1 e desde 1977 os vírus A/H1N1 fazem parte da época da gripe anual [2]; a única coisa que é nova é a estirpe S-OIV [3] [4].

Cerca de 33% das pessoas maiores de 60 anos parecem ter imunidade a este tipo de vírus da nova gripe [5].

Desde o seu início até 15 de Setembro de 2009, morreram com esta gripe 137 pessoas na Europa e 3.559 em todo o mundo [6]; há que ter em atenção que anualmente morrem na Europa entre 40.000 e 220.000 pessoas devido à gripe [7].

Como já disseram publicamente reconhecidos profissionais de saúde – entre eles o Dr. Bernard Debré (membro do Conselho Nacional de Ética em França) e o Dr. Juan José Rodriguez Sendin (presidente da Associação de Colégios Médicos do Estado espanhol) –, os dados desta temporada, pela qual já passaram os países do hemisfério Sul, demonstram que a taxa de mortalidade e de complicações da nova gripe é inferior à da gripe anual [8].

Irregularidades que têm de ser explicadas

Em finais de Janeiro de 2009, a filial austríaca da empresa farmacêutica norte-americana Baxter distribuiu a 16 de laboratórios da Áustria, Alemanha, República Checa e Eslovénia, 72 kg de material para preparar vacinas contra o vírus da gripe da anual; as vacinas tinham de ser administradas à população destes países durante os meses de Fevereiro e Março; antes que qualquer destas vacinas fosse administrada, um técnico de laboratório da empresa BioTest da República Checa decidiu, por sua conta, experimentar as vacinas em furões, que são os animais que desde 1918 são utilizados para estudar as vacinas para a gripe; todos os furões vacinados morreram.

Investigou-se então em que consistia exactamente o material enviado pela casa Baxter e descobriu-se que continha vírus vivos da gripe das aves (vírus A/H5N1) combinados com vírus vivos da gripe anual (vírus A/H3N2). Se esta contaminação não tivesse sido descoberta a tempo, a pandemia que sem base real as autoridades sanitárias globais (OMS) e nacionais estão a anunciar, seria agora uma espantosa realidade; esta combinação de vírus vivos pode ser particularmente letal porque combina um vírus vivo com cerca de 60% de mortalidade mas pouco contagioso (o vírus da gripe das aves) com um outro que tem uma mortalidade muito baixa mas com uma grande capacidade de contágio (o vírus da gripe sazonal) [9].

Em 29 de Abril de 2009, quando apenas tinham passado 12 dias sobre a detecção dos dois primeiros casos da nova gripe, a Drª Margaret Chan, directora-geral da OMS, declarou que o nível de alerta por perigo de pandemia se encontrava na fase 5 e mandou que todos os governos dos Estados membros da OMS activassem planos de emergência e de alerta sanitária máxima; um mês mais tarde, 11 de Junho de 2009, a Drª Chan declarou que no mundo já tínhamos uma pandemia (fase 6) causada pelo vírus A/H1N1 S-OIV [10]. Como pode fazer tal declaração quando, de acordo com os dados científicos expostos acima, a nova gripe é uma realidade mais benigna que a gripe sazonal e, além disso, não é um vírus novo e ao qual parte da humanidade está imune?

Pôde declará-lo porque no mês de Maio a OMS tinha alterado a definição de pandemia: antes de Maio de 2009 para poder ser declarada uma pandemia era necessário que por causa de um agente infeccioso morresse uma proporção significativa da população. Esta exigência – que é a única que dá sentido à noção clínica de pandemia e às medidas políticas que lhe estão associadas – foi eliminada da definição adoptada no mês de Maio de 2009 [11], depois dos EUA se terem declarado em «estado de emergência sanitária nacional», quando em todo o país havia apenas 20 pessoas infectadas com a nova gripe, e nenhuma delas tinha morrido [12].

Consequências políticas da declaração de «pandemia»

No contexto de uma pandemia é possível declarar a vacinação obrigatória para determinados grupos de pessoas ou, inclusivamente, para o conjunto dos cidadãos [13].

O que é que pode acontecer a uma pessoa que decida não se vacinar? Enquanto a vacinação não for declarada obrigatória não lhe pode acontecer nada; mas se chegasse a declarar-se a vacinação obrigatória, o Estado tem a obrigação de fazer cumprir a lei impondo multa ou prisão (no estado de Massachussetts dos EUA a multa para estes caso pode chegar a 1.000 dólares por cada dia que passe sem o prevaricador se vacinar) [14].

Perante isto, há quem possa pensar: se me obrigam, vacino-me e já está, a vacina é mais ou menos como a sazonal, também não há para todos…

É preciso que se saiba que há três novidades que fazem com que a vacina da nova gripe seja diferente da vacina da gripe anual: a primeira é que a maioria dos laboratórios estão a desenhar a vacina de forma que uma só injecção não seja suficiente e sejam necessárias duas; a OMS recomenda também que não se deixe de administrar a da gripe sazonal; quem seguir estas recomendações da OMS expõe-se a ser infectado três vezes e isto é uma novidade que, teoricamente, multiplica por três os possíveis efeitos secundários, embora na realidade ninguém saiba que efeitos pode causar, pois nunca antes se fez assim. A segunda novidade é que alguns dos laboratórios responsáveis pela vacina decidiram adicionar-lhe coadjuvantes mais potentes que os utilizados até agora nas vacinas anuais. Os coadjuvantes são substâncias que se adicionam às vacinas para estimular o sistema imunitário. A vacina da nova gripe que está a ser fabricada pelo laboratório Glaxo-Smith-Kline, por exemplo, contém um coadjuvante, AS03, uma combinação que multiplica por dez a resposta imunitária. O problema é que ninguém pode assegurar que este estímulo artificial do sistema imunitário não provoque, passado algum tempo, doenças auto-imunitárias graves, como a paralisia crescente de Guillain-Barré [15]. E a terceira novidade que distingue a vacina para a nova gripe da vacina anual, é que as companhias farmacêuticas que a fabricam estão a exigir que os Estados assinem acordos que lhes garantam a impunidade no caso das vacinas terem mais efeitos secundários que os previstos (por exemplo prevê-se que a paralisia Guillain-Barré venha a afectar 10 pessoas por cada milhão de vacinados); os EUA já assinaram estes acordos que garantem, tanto às farmacêuticas como aos políticos, a retirada de responsabilidade pelos possíveis efeitos secundários da vacina [16].

Uma reflexão

Se o envio de material contaminado fabricado pela Baxter não tivesse sido casualmente descoberto em Janeiro passado, efectivamente, ter-se-ia dado a gravíssima pandemia potencialmente causadora da morte de milhões de pessoas que alguns andam a anunciar. É inexplicável a falta de ressonância política e mediática do que aconteceu em Fevereiro no laboratório checo. Ainda mais inexplicável o grau de irresponsabilidade demonstrado pela OMS, pelos governos, pelas agências de controlo e prevenção de doenças ao declarar uma pandemia e promover um nível de alerta sanitário máximo sem uma base real. É irresponsável e inexplicável até extremos inconcebíveis o bilionário investimento saído do erário público destinado ao fabrico milhões e milhões de doses de vacina contra uma pandemia inexistente, ao mesmo tempo que não há dinheiro suficiente para ajudar milhões de pessoas (mais de 5 milhões só nos EUA) que por causa da crise perderam o seu trabalho e a sua casa.

Enquanto não forem clarificados estes factos, o risco de este Inverno serem distribuídas vacinas contaminadas e o risco de poderem ser adoptadas medidas legais coercivas para forçar a vacinação, são riscos reais que em caso algum podem ser desvalorizados.

No caso da gripe continuar tão benigna como até agora, não faz qualquer sentido a exposição ao risco de receber uma vacina contaminada ou o de sofrer uma paralisia Guillain-Barré.

No caso de a gripe se agravar de forma inesperada, como já há meses anunciam sem qualquer base científica um número surpreendente de altos dirigentes – entre eles a Directora-Geral da OMS –, e repentinamente, começarem a morrer muito mais pessoas do que é habitual, ainda terá menos sentido deixar-se pressionar para ser vacinado, porque uma surpresa assim só poderá significar duas coisas:

1. Que o vírus da gripe A que agora circula sofreu uma mutação;
2. Que está em circulação outro (ou outros) vírus.

Em qualquer dos casos a vacina que se está a preparar agora não serviria para nada e, tendo em conta o que aconteceu em Janeiro passado com a Baxter, podia ser, inclusivamente, que servisse de veículo de transmissão da doença.

Uma proposta

A minha proposta é clara:

Além de manter a calma, tomar precauções sensatas para evitar o contágio e não se deixar vacinar, coisa que já propõem muitas pessoas com senso comum no nosso país [Espanha].

Apelo a que se active com carácter de urgência os mecanismos legais e de participação cidadã necessários para assegurar de forma rotunda que no nosso país não se poderá forçar ninguém a vacinar-se contra a sua vontade, e que os que decidirem livremente vacinar-se não serão privados do direito de exigir responsabilidades nem do direito de serem economicamente compensados (eles ou os seus familiares), no caso da vacina lhes causar uma doença grave ou a morte.

Notas:
[1] Zimmer SM, Burke, DS. Historical Perspective: Emergence of Influenza A (H1N1) viruses. NEJM, Julio 16, 2009. p. 279
[2] 'The reemergence was probably an accidental release from a laboratory source in the setting of waning population immunity to H1 and N1 antigens', Zimmer, Burke, op. cit., p. 282
[3] Zimmer, Bunker, op. cit., p. 279
[4] Doshi, Peter. Calibrated response to emerging infections. BMJ 2009;339:b3471
[5] US Centers for Disease Control and Prevention. Serum cross-reactive antibody response to a novel influenza A (H1N1) virus after vaccination with seasonal influenza vaccine. MMWR 2009; 58: 521-4.
[6] Dados oficiais do Centro Europeu para o controlo e prevenção de doenças (
www.ecdc.europa.eu).
[7] Dados oficiais do Centro Europeu para o controlo e prevenção de doenças (
www.ecdc.europa.eu)
[8] Cf. Le Journal du Dimanche (25 juliol '09): Debré: 'Cette grippe n'est pas dangereuse'; cf. La Razón (4 septiembre '09): Rodríguez Sendín: Cordura frente el alarmismo en la prevención de la gripe A
[9] Cf. Virus mix-up by lab could have resulted in pandemic. The Times of India, sección de ciencia, 6 marzo 2009.
[10]
http://www.who.int/mediacentre/news/statements/2009
[11] Cohen E. When a pandemic isn't a pandemic. CNN, 4 de mayo '09. http://edition.cnn.com/2009/HEALTH/05/04/swine.flu.pandemic/index.html
[12] Doshi Peter Calibrated response to emerging infections VMJ 2009;339:b3471
[13] Falkiner, Keith. Get the rushed flu jab or be jailed. Irish Star Sunday, 13 septiembre '09.
[14] Senate Bill n. 2028: An act relative to pandemic and disaster preparation and response in the commonwealth. 4 agosto '09. Cf. Moore, RT. Critics rage as state prepares for flu pandemic. 11 septiembre '09. WBUR Boston.
[15] Cf. Vaccination H1N1: méfiance des infirmières.
www.syndicat-infirmier.com/Vaccination-H1N1-mefiance-des.htlm
[16] Stobbe, Mark. Legal immunity set for swine flu vaccine makers. Associated Press, 17 Julio '09.



Texto publicado no sítio da Coordenadora Antiprivatização de Saúde Pública, Madrid, (
www.casmadrid.org), em Setembro de 2009.


* Teresa Forcades i Vila, monja beneditina do Mosteiro de San Benedito em Montserrat, Barcelona, é doutorada em Saúde Pública, especialista em Medicina Interna pela Universidade de Nova Iorque, autora entre outros livros de «Los crimines de las grandes compañias farmaceuticas».

quarta-feira, janeiro 13, 2010

GRIPE?

A velocidade a que as coisas acontecem, permite-nos ver em retrospectiva.
Numa altura, há pouco tempo atrás, manifestei reticências quanto à necessidade de me vacinar ou a alguém da minha família, contra a famosa gripe A.
Lembro-me que os grandes jornais portugueses e mundiais, os jornais e revistas de média tiragem, os jornais de vão de escada, as televisões "worldwide", desencadearam uma ofensiva digna da guerra das estrelas.
Ministros e afins em todos os países, andaram numa azáfama televisiva muito pouco habitual.
Nós os médicos, fomos apelidados de irresponsáveis e houve mesmo quem me dissesse que eu tinha a obrigação moral de me vacinar e que era um assassino em potência, por aconselhar os meus familiares a não o fazer.
Três meses depois, anda toda a gente a tentar vender o excedente de vacinas ao Burkina Fazo, e a dizer que afinal a pandemia já era. Quanto aos ministros e afins, desapareceram por completo.
E o Parlamento Europeu, prepara-se para abrir um inquérito ao que pode vir a ser a maior fraude do século.
Nesta azáfama geral, em que toda a gente se empenhou, mais uma vez com o nosso dinheiro, parece-me natural virem agora prestar contas.
Quanto é que nos custaram as vacinas? Quanto é que foi gasto em publicidade? Quanto é que foi gasto em desinfectantes, máscaras, toalhas de papel, absentismo, horas de espera nas famosas salas da gripe.
Em Portugal morreram segundo as últimas notícias, 83 pessoas devido a esta gripe.
Morrem muitas mais todos os anos entre o Natal e Ano Novo apesar das campanhas rodoviárias. Nunca vi ninguém preocupar-se com isso e na minha opinião, se fosse gasto o dinheiro que foi gasto agora com a gripe, os resultados seriam visiveis.
Se se vier a confirmar que se tratou de uma fraude e, apenas o facto de já se pensar que foi possível, já nos faz pensar, então os responsáveis e afins (como aquele senhor de barbas que diáriamente nos infernizou a vida com lições de saúde) terão que fazer o inevitável. Demitirem-se, sairem pela direita baixa e desaparecerem no horizonte, óbviamente depois de devidamente sancionados.
E os "media"?
Bom, pelo menos já ouvi numa televisão nacional, o comentário de que tinham estado reticentes e desconfiados desde o início e, se esperarmos alguns dias veremos esta gente na linha da frente de uma guerra, contra os que difundiram a ideia de que o fim do mundo era já ali ao virar da esquina.
Cambada de prostitutas, digo eu.
Um abraço
GED

quarta-feira, janeiro 06, 2010

BLOGS

Li no blog de uma amiga, sem possibilidades de comentar, que ia encerrar para balanço, rever os propósitos, os objectivos, etc, etc.
Poderia dizer-lhe, que a blogosfera fica mais pobre, mais feia e menos doce, o que é inteiramente verdade, mas não o vou fazer.
Vou-lhe antes dizer, o que é o meu blog.
Sem objectivos definidos, está aqui para me escutar, me equilibrar, me lembrar que tenho amigos, que afinal isto não é um percurso solitário.
É o meu permanente lado esquerdo da vida. A minha visão dos problemas. O meu alter ego.
Chama-se noite vertical, por motivos que não vou explicar, mas muito profundos para mim, mas se tivesse de dar-lhe outro nome seria "fiat lux".
É também aqui que as coisas escuras, perdem as sombras.

Um grande abraço
GED

sábado, dezembro 26, 2009

AQUECIMENTO GLOBAL

Muito se tem discutido este tema.
Uns opinam o desastre total e absoluto, enquanto outros dizem que tudo se trata de uma cabala e, que nada vai suceder.
No rescaldo do desastre de Copenhaga, apenas podemos ter a certeza de que estamos entregues a nós próprios como povo deste planeta. Afinal, não é só em Portugal que existem, incompetentes, ineptos e ainda pior, oportunistas sem qualquer espécie de apego a tudo o que é importante, para além deles próprios. Os bancos preparam-se para rápidamente tomar de assalto o mercado do carbono e seus derivados. Se não acreditam, esperem para ver.
Seja como for, a minha opinião pessoal diverge da grande maioria das pessoas, inclusivamente de todos os ditos "verdes".
Esta é uma área que diz respeito a todos e quer os países façam ou não o que devem fazer, cabe-nos a nós fazer a nossa parte.
Com ou sem aquecimento global, cabe-nos como gesto civilizado, poupar a água, utilizar formas de energia que conduzam à sua poupança, reciclar e ensinar a reciclar os materiais de uso doméstico, utilizar com moderação os dispositivos postos à nossa disposição e fundamentalmente ensinar as novas gerações a fazerem disso uso corrente.
Até os mais cépticos compreenderão que cada acção individual conta.
Quanto aos nossos governos, apenas cederão, quando a maioria da população mundial os forçar a isso e nunca antes.
O que se preparam para fazer e a "cimeira" de Copenhaga é disso exemplo, é ganhar todo o dinheiro possível à custa dos contribuintes e ainda por cima mascarado de grande trabalho em prol da sociedade.
Um abraço
GED

domingo, dezembro 20, 2009

Um Natal à medida de cada um

Para todos um Natal que muito desejam. O meu é mais ou menos este:

BESTAS


Acordo e que vejo: bestas
humanas acantonadas em cestas,
todas com nomes falsos.
Exijo pensar que são precalços
e umas dizem: natal, amor fraternal,
solidariedade e um outro banal
adjectivo que engana só de pensar
que são todos para açambarcar
o incauto que levianamente acredita.
Decididamente o mês de Dezembro levita
a intenção do rebanho arrependido
e as bestas, por detrás do escondido
rosto, regurgitam os próprios odores
que, após serem descontados nos arredores,
cobram durante o resto do ano um preço
descabido. Á se não adormeço
rapidamente desato à chapada
por tanta e desalmada cagada
denominada de bestialidade
com natalícia cronicidade.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

NATAL

O Natal sempre teve para mim um significado especial.
Os meus pais faziam questão de ser tradicionais e, nós sempre nos habituamos ao Natal como uma época de família. Tempo de algum recolhimento, mas também de muita alegria. Continuei assim e tanto os nossos filhos como netos foram habituados do mesmo modo.
Já sei, que é Natal todos os dias, blá, blá, blá.
Mas esta época continua a ser especial para mim, além do mais porque continuo a acreditar no Pai Natal.
Por isso mesmo, ainda que o meu amigo Kambuta venha questionar-me e na certeza de que na confusão da época, me vou esquecer de dar as boas festas a todos, quero aqui deixar votos de feliz Natal.
A todos os meus amigos, que sabem quem são e entre os quais se situam todos os que escrevem ou que por qualquer outro motivo aqui vêm.
A todos os que não são meus amigos, já que esta é uma época de paz e solidariedade.
A todos aqueles que nem sequer sabem o quanto sou amigo deles.
Finalmente, a algum potencial inimigo que desconheço, na esperança que compreenda que a inimizade não vale o esforço de a ter.
Para o Sá Pinto, um agradecimento especial pela notícia que aqui colocou. De Cubalense para Benguelense.
Grande abraço
GED

Cubal... MAIS PRÓXIMO.


jornaldeangola.sapo.ao/14/0/aberta_ponte_do_rio_cubal



Em jeito de saudações natalícias a todos os meus cambas da cidade vizinha, que estimo, extraí esta notícia assinada pela jornalista Yara Simão. . Publicada no Jornal de Angola de 16/12/2009.


“A ponte que sobre o rio Cubal da Hanha, com 130 metros de comprimento e 11 de largura, que liga Benguela ao litoral e outras províncias do país foi inaugurada ontem pelo ministro das Obras Públicas Higino Carneiro.

(...) "Armando da Cruz Neto, governador da província de Benguela, disse que a ponte do Cubal da Hanha vai permitir circular com mais facilidade e as populações têm, a partir de hoje, uma ligação ao litoral e outras províncias do interior. “Estamos todos de parabéns porque esta ponte vai contribuir para o desenvolvimento da província e para a circulação de bens e da população".
O governador anunciou que está em conclusão a estrada que liga a província de Benguela ao Huambo e a estrada marginal que liga ao Namibe, através do Dombe Grande e Lucira. Também está em vias de conclusão a estrada para a Huila por Catengue e Chongorói. “Daqui a mais algum tempo temos uma Benguela diferente a nível na rede viárias”, disse o governador.

(...) O administrador municipal do Cubal, Veríssimo Sapalo, disse que a nova ponte “é mais um valor para a região sul e centro do país”.

O administrador informou que o município tem 170 escolas das quais 50 estão em funcionamento e “as outras estão num processo de reabilitação”. A maior preocupação no sector da educação, disse, é reabilitar as escolas nas aldeias grandes, para que no próximo ano as crianças possam ingressar ao ensino.
“Temos ainda fora do ensino 30 mil crianças. Pretendemos aumentar o número de salas e de professores, porque o município não tem educadores suficientes”, disse Veríssimo Sapalo.
No que diz respeito ao sector de saúde, o administrador informou que o município conta com um hospital municipal e três privados. Nas sedes comunais existem também centros de saúde. “Temos muitos problemas de água, isso faz com que a malária seja uma doença frequente no município”.
Veríssimo Sapalo disse que tudo está a ser feito para que haja na província água e energia. “Conseguimos colocar o programa de águas na Secretaria de Estado de Água, já existe uma empresa a trabalhar na captação, tratamento e distribuição e a aumentar a capacidade de distribuição. Na energia temos um problema técnico porque os nossos geradores estão com deficiências”.
O município tem cerca de três mil habitantes, conta com três comunas e deste sempre viveu da agricultura. Tem 300 fazendas desde mas apenas 30 estão em funcionamento.(...)"


Bom Natal a todos e votos que possam experimentar a nova ponte em breve.

Jorge Sá Pinto

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Sexta-feira passada percebi mais um pouco, da razão de este país estar como está.
Cheguei a casa cerca das 18 horas e verifiquei que tinha a água cortada. Fui ao contador e estava realmente selado. Ao pé estava uma factura de 7 euros por pagar, datada de Setembro. Estranhei o facto já que o pagamento é feito através de conta bancária e não me passava pela cabeça, que o meu banco não tivesse pago os 7 euros.
Comuniquei com a entidade respectiva, que com a hostilidade habitual, me disse que era o procedimento standard.
Disse-me ainda que só teria água após o fim de semana e, que para a próxima não me esquecesse de pagar.
Claro que a conversa azedou e terminou comigo a afirmar-lhe que na meia hora seguinte, ele teria que engolir um "sapito" e que eu teria água reposta, o que veio a suceder, não interessa como.
Ser funcionário público em Portugal, parece ser diferente dos outros países. Sentem-se na maior parte das vezes, com um poder (pequenino),que realmente não possuem e demonstram uma falta de educação e bossalidade invejáveis.
Tenho pensado para comigo, que este é um exemplo diário, multiplicado por milhares ao longo deste nosso querido país.
Fortalece-se em mim uma ideia, que já tenho compartilhado ao longo dos tempos. Este país não tem viabilidade, pelo menos com estes habitantes.
É que lhes falta o mais importante: sensibilidade.
Grande abraço
GED

terça-feira, novembro 24, 2009

A CRISE DA MEIA IDADE

Caro amigo.
O encontro das Docas serviu para nos conhecermos todos um pouco melhor. Não é único e já estamos a laborar no sentido de ter encontros regulares, nos diversos pontos do país.
Afinal estamos cada vez mais sózinhos, as aves mais novas já deixaram o ninho e este facto tem que ser encarado como a grande oportunidade das nossas vidas.
Agora é hora de gozar, claro com um olho em cada lado. Um para gozar e rever velhos e queridos amigos e o outro para ir vigiando os pardalitos. Vão precisar sempre de nós.
Sei-o por experiência.
De repente, sem que eu o quisesse, vi-me na posição de lider do clã, com todos os problemas para resolver.
Aqueles a quem eu habitualmente pedia ajuda, decidiram de repente ir-se embora e deixar-me assim sem jeito.
Mas o jeito mesmo, é sobreviver e é disso que se trata.
Manter-te-emos informado do que for acontecendo, meu velho e querido amigo.
Grande abraço
Henrique

segunda-feira, novembro 23, 2009

ENCONTROS E DESENCONTROS

 Mas afinal, o que é que se passou?
Onde anda essa gente?
Para que serviu o encontro nas Docas?
Naturalmente, a ausência tem a ver com o início do novo ano lectivo que directa ou indirectamente mexe com as nossas vidas.
Para quem lecciona, um novo ano, novos alunos, pais e velhos problemas.
Para quem tem filhos, se pequenos, as preocupações não deixam de ser grandes:
- O novo ou novos professores, o deitar e levantar cedo, os velhos deveres ou os actuais trabalhos para casa…, enfim, uma série de preocupações e criação de novos ou retoma de velhos hábitos que, enquanto não o forem, causam transtornos e algum cansaço.
Para aqueles cujos filhos são mais “entradotes”, os problemas são outros:
- Terá escolhido bem o curso? Onde irá parar? Será que se vai dar bem longe de nós?
E, depois de colocados:
- Será que fica, ou ficam bem?
E o nosso trabalho? Bem, esse tem que ser encarado como algo de bom que nos aconteceu, porque senão…
E agora nós? Irra! Não é que estamos sozinhos? Só os dois e mais ninguém? Ninguém a interromper, a meter-se pelo meio…Afinal isso não deveria ser óptimo?
Há-de ser com certeza, mas, requer habituação! Enfim, algo mais para ocupar espaço nestas já pouco folgadas cabeças.
O raio dos dias passam a correr…os fins de semana…já são passado…haverá maneira de travar esta correria? De rentabilizar melhor os bocaditos de que dispomos para descanso e recarregar baterias?
Deve haver certamente!
Temos mas é de arranjar algo mais para ocupar a nossa atenção:
Ler uns bons livros, os blogues, escrever algo, e porque não nos Blogues, ouvir boa música e arranjar uns encontros com amigos, um jantar de vez em quando, a meio da semana ou no fim desta, de preferência sexta ou sábado, a título excepcional um almoço num ou noutro sábado, num sítio onde se possa realmente conviver e…sem horas, a não ser para o início!


Resumindo: Ainda estamos a acertar o ritmo que se impõe para este novo ano (lectivo), mas por favor não esqueçam que estamos quase a chegar ao Natal.
P.S. E as prometidas fotos?

Um abraço a todos

FMartaNeves