quinta-feira, abril 01, 2021

MALÁRIA

 Artemísia: A nova esperança para a erradicação da malária?

Um arbusto vindo da China está a dar que falar na comunidade médica, dividida quanto à forma de combater a malária. A artemísia poderá ter um papel-chave como um medicamento natural e mais acessível contra a doença.

Em 2015, cerca de 429 mil pessoas morreram com malária num total de 212 milhões de casos registados em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora todos estejam de acordo quanto à necessidade de erradicar a malária, a comunidade médica está dividida sobre como é que isto deve ser feito.

Um arbusto vindo da China está a agitar as águas. Já utilizada na base de tratamentos contra a malária, a planta Artemisia Annua também se revela eficaz quando as suas folhas são usadas para fazer chá.

Uma rede internacional de cientistas e médicos ligados à associação francesa "La Maison de l'Artemisia" ("A Casa da Artemísia") tenta há alguns anos divulgar a planta como um remédio natural, mais acessível do que produtos farmacêuticos, no combate à malária.

 Um chá anti-malária

Cada saco de chá produzido pela organização não-governamental francesa contém 1,7 gramas de Artemisia Annua, suficientes para fazer uma chávena. 

"Quando tomas três chávenas por dia para curar a malária, estás a tomar 5,1 gramas, pouco mais de 5, o que é bom. É melhor tomar a mais do que a menos", diz Pierre Van Damme, um engenheiro agrícola belga que trabalha para "A Casa da Artemísia" em Dakar, no Senegal.

As vantagens são muitas, diz: "Com a artemísia, temos a certeza de que, dois dias depois, a febre baixou. Quatro dias depois, já não há mais sinais de malária. Sete dias depois, os parasitas que se alojaram no fígado desapareceram por completo." Apesar de os testes rápidos de diagnóstico de malária estarem disponíveis há vários anos, o tratamento desadequado ainda é comum em África.

Pessoas que não têm malária tomam medicamentos antimaláricos sem necessidade - por exemplo, quando têm sintomas semelhantes aos da doença, como a febre. Há vários anos que o tratamento da malária em África se baseia em medicamentos como a cloroquina e a sulfadoxina, combinadas com a pirimetamina e o quinino. Mas, devido ao uso em excesso, desenvolveu-se uma resistência a alguns destes medicamentos, e foi preciso encontrar novos tratamentos. Atualmente, recomenda-se a utilização de terapias combinadas com base em artemisinina no combate à malária - tratamentos que não são baratos.

A artemisinina vem da artemísia, e um número crescente de cientistas, profissionais de saúde e investigadores como Van Damme acreditam que usar a folha inteira da artemísia - e não apenas um extracto - poderia ter um papel-chave na erradicação da malária. "Recomendamos o uso da planta inteira, porque está provado que a planta como um todo, com as suas 200 substâncias ativas que trabalham em sinergia, combate todos os parasitas encontrados no sangue, entre eles a malária", explica Pierre Van Damme.

 Dúvidas persistem

Há vários anos que as empresas farmacêuticas usam a artemisinina para produzir medicação antimalárica. Em 2015, um investigador chinês venceu o prémio Nobel da medicina pela redescoberta dos benefícios da planta, que há anos é usada na medicina tradicional chinesa. No entanto, a OMS alerta para a utilização exclusiva da planta apenas como um medicamento natural.

 

Desde 2000, a taxa de mortalidade por malária diminuiu 60% em todo o mundo, segundo a OMS. No Senegal, há menos de 300 mil pacientes de malária atualmente, comparando com 700 mil, há dez anos. Alioune Gueye, do Programa Nacional de Controlo da Malária, diz que isto se deve à política nacional de distribuição gratuita de medicamentos e redes mosquiteiras.

"Se hoje em dia o Senegal está à beira da pré-eliminação da doença, é porque as ferramentas que usamos há 15 ou 20 anos são claramente eficazes", afirma. Quanto ao uso da artemísia no tratamento da malária, o médico ainda tem algumas dúvidas: "É uma planta que tem virtudes, mas trata-se de saúde pública e, no Senegal, temos uma população de 14 milhões de pessoas. Os riscos são significativos, por isso temos de garantir a segurança destes produtos antes de os distribuirmos à escala nacional".

 Artemísia já cresce em África

Artemisia Annua não cresce naturalmente em África, mas a sua "prima", a Artemisia Afra, sim. No entanto, a variante africana tem outras substâncias ativas. "A Casa da Artemísia", que já está presente em 31 países africanos, usa as folhas inteiras das duas plantas nos seus sacos de chá, e planta as duas variantes em Tivaouane, a norte de Dakar. 

Karim Sankaré é agrónomo e, juntamente com dois colegas, toma conta do terreno de quatro hectares, onde são plantadas cerca de 8 mil plantas, no total: "As propriedades medicinais estão principalmente nas folhas. As sementes são colhidas para termos plantas na próxima época", explica. As plantas crescem rapidamente, diz Karim. Quando atingem 1,20 metros de altura, são colhidas. A folha de artemísia seca já curou pessoas com malária, segundo um estudo levado a cabo no Congo e nos Estados Unidos, em 2017. Após beberem o chá, 18 pessoas que sofriam de malária grave foram curadas, depois de os medicamentos comuns terem falhado. Desde então, o gabinete da OMS em Brazzaville decidiu estudar as possibilidades desta planta chinesa e da variante africana que cresce no continente.

 Uma planta em vez de agulhas

A irmã Marie Emilie Diouf, parteira de formação, dirige o centro católico de saúde em Popenguine, uma aldeia nos arredores de Dakar. Começou a prescrever artemísia para tratar a malária há três anos, depois de uma formação sobre plantas medicinais. As plantas revelaram-se mais eficazes do que as terapias combinadas baseadas em artemisinina. "Apercebi-me de que, com todos os pacientes que tratei, não usei quinino ou terapias combinadas. Usei artemísia e não precisei de fazer nenhuma infusão", conta. O quinino é geralmente utilizado quando há suspeitas de resistência à cloroquina, um medicamento usado para tratar ou prevenir a malária, e é administrado por infusão intra-venosa, durante quatro horas. Mas alguns pacientes não queriam ser picados com agulhas, e, noutras ocasiões, o centro de saúde estava sobrelotado. Os pacientes iam ter com a irmã Emilie para fazer perguntas sobre a planta e a irmã acabou por perceber que estava a usar apenas artemísia para os tratar, apesar de ter medicamentos disponíveis: "Acabei por devolver as terapias combinadas que, suponho, são derivadas da artemísia. Para mim, é melhor usar a planta inteira", afirma.

 Um impulso para a erradicação?

Ciente de que as pessoas preferem muitas vezes um tratamento natural ou tradicional, o médico Alioune Gueye diz que o Programa Nacional de Controlo da Malária dá algumas instruções aos curandeiros tradicionais sobre a melhor forma de tratamento. "Tentamos ter uma colaboração franca com os curandeiros, para que, se estiverem assoberbados ou não tiverem as ferramentas necessárias, reencaminhem os pacientes para as unidades de saúde apropriadas", explica. O Senegal está a trabalhar para erradicar a malária até 2030. Muito graças aos significativos apoios do Fundo Global - uma parceria entre governos, sociedade civil e o setor privado. Em janeiro, o Senegal recebeu 32 milhões para o combate à malária nos próximos dois anos. Ainda que os medicamentos estejam disponíveis de forma gratuita no país, aceder aos tratamentos pode levar algum tempo nas localidades mais remotas, ou se os centros de saúde estiverem sobrelotados.A vantagem da artemísia é que pode ser plantada em qualquer lado e as suas folhas secas podem ser usadas como um medicamento natural eficaz.

Com mais investigações a decorrer, os resultados positivos revelados até agora sugerem que a milenar erva chinesa pode impulsionar a erradicação da malária no Senegal. Noutros país afetados pela doença, como o Congo, o Benim e o Burkina Faso, algumas comunidades já estão a optar pelos medicamentos naturais, como a artemísia.

 

quarta-feira, março 31, 2021

JORNALISTAS E ESCRIBAS A SOLDO

Confesso que nunca entendi, como é que de uma profissão nobre, que deveria ser isenta na publicação das notícias, se chegou a este ponto.

Exige-se de qualquer outra profissão, a decência, a competência, e o amor à verdade, como não exigi-lo do jornalismo? Além do mais, vivem vangloriando-se disso, querendo assumir-se como os grilos falantes da humanidade. Quem os ouvir, pensará que está em presença de uma alma impoluta apostada apenas na verdade.

Quando se escava apenas um bocado, percebe-se que para além de um número muito reduzido de excelentes profissionais, o jornalismo tem na sua esmagadora maioria uma quantidade de gentinha a soldo dos mais inconfessos interesses, pessoais ou de uma qualquer corporação que lhe paga para que difunda tudo o que for necessário e encomendado. É assim, que se tentam derrubam países, que se prendem inocentes, que se culpa quem quer que seja. E, quando desmascarados, limitam-se a dizer que não podem revelar as fontes e que desculpem qualquer “coisinha”. E se quiserem a democracia dá-vos sempre o direito de fazer queixa. Mas porque é que alguém de bom senso há-de fazer queixa? Apetece dizer que  fica mais barato, dar umas pauladas em qualquer um desses escribas e depois ele que faça queixa se quiser.

Escribas a soldo, sem moral, sem balizas nem limites para a sua desonestidade. Verdadeiros ratos de esgoto, permanentemente atolados. O caldo para que as coisas piorem está criado. Do lado de cá há uma imensa massa humana que roça a iliteracia ( um dia destes havemos de falar de iliteracia, porque muita gente acha que é apenas não saber ler nem escrever), infelizmente atravessando todo o espectro social, moldável a qualquer opinião do momento e a quem as redes sociais deram uma visibilidade, que lhes faz crer que são indispensáveis para o presente e futuro deste planeta. E estes escribas aproveitam à exaustão.

Eu encontro-me no grupo que acha que vale a pena retorquir e mostrar que são errados, desonestos, e que vale a pena ouvir a verdade dos factos indiscutíveis, e fazer-lhes cair a lei em cima. Porque é possível chegar lá, dá trabalho mas é possível e quanto mais desmascararmos essa escória, menos vão restando.

Habituei-me a nunca formar opinião sem primeiro ter a certeza de que não estou a ler uma “fake new”. E deixem-me dizer que na verdade é fácil chegar lá na maior parte das vezes.

Na semana passada um amigo enviou-me, preocupado porque se ia vacinar, um texto que grassava nas redes sociais, e perguntava-me se afinal se vacinava ou não. Um tal Vanden Bossche afirmava que a vacina ia acabar com a espécie humana. Apresentava-se como virólogo e criador de vacinas, cooperador de Bill Gates. Limitei-me a procurar o que havia sobre este senhor, mas a comunidade médica mundial já estava em cima do assunto. Além de não ter nunca publicado nada de relevante, esse senhor era…veterinário.

Claro que aconselhei o meu amigo a ficar sossegado e combinei irmos juntos vacinar-nos, coisa que já fizemos.

 

  

sexta-feira, março 26, 2021

SEMENTES RARAS

Um precipício de palavras jorrando em cascata. Desfazendo-se mais abaixo sem nenhum som. Saídas de nenhuma boca, apenas flutuando nos rios da memória de cada um. Muitas delas inúteis, perderam o significado ao longo desta viagem. Outras, marcando pilares nos caminhos percorridos e naqueles adiante. Muitas vozes silenciosas foram esquecidas. Algumas, apenas algumas, ressoam insistentemente na espuma de todos os dias. Quanto mais se anda nesta vereda, mais as palavras ganham sentido, melhor são escolhidas.

E dessas, muito poucas, raras, são sementes na construção dos alicerces da vida.

QUANTO DE NÓS?

 

Quanto de nós é chuva escorrendo nas vidraças

Quanto de nós são estradas solitárias

Percorrendo caminhos de ir e vir, mais de ir

Mais de palmilhar sonhos que realidades

Quanto de nós fica na cama ao acordar

No ponto em que a terra acaba e o mar começa

Onde os tempos e as marés se dobram

Quanto de nós se sente na respiração difícil

No cimo das cordilheiras que se atravessam adiante

E na ansiedade da descida para a planície

Quanto de nós existe na alegria indescritível

De viver como se nada mais importasse

Como se a chuva e o sabor da manga e as ondas

Apenas fossem uma extensão de nós

Quanto de nós existe na noite vagabunda

Brilhando com todo esse luzeiro de estrelas

Ou na cidadela de um navio sem rumo

Ou no serpentear indolente de um grande rio

Quanto de nós é a vida inteira, completa

Optimista, serena, alegre, no dorso de um arco- iris

quinta-feira, março 25, 2021

sexta-feira, março 19, 2021

VACINAÇÃO

É absolutamente vital, que as campanhas de vacinação corram bem.

É vital para a saúde, para a economia e para um regresso à normalidade.

E não haverá desculpas nem agora, nem no futuro. Haverá dirigentes que pela sua "performance", em algum momento irão encontrar-se com a justiça. O que aconteceu e continua a acontecer, pode configurar em alguns locais, uma forma de genocídio. 

A incúria, as vacinações mal geridas, com a desculpa de que até se ocupa um bom lugar no "ranking" mundial, não chegam para encobrir as verdadeiras mazelas de quem governa. Basta olhar para o Brasil.

Como justificar no futuro, o que aconteceu lá?

Como é que foi possível chegar alguém ao poder, que representa o pior da espécie humana?

Como cidadão deste planeta, estou completamente solidário com o movimento "forabolsonaro".

Depois os brasileiros que o julguem e que aprendam a lição.

quarta-feira, março 10, 2021

HAIKAI

Pedras e rochas

Lodos primevos distantes

De um tempo endurecido 

CAMADA DE VERNIZ

 Não vale a pena, perder tempo com as redes sociais e os seus devaneios momentâneos. Rápidamente passam de um devaneio para outro ao sabor das correntes do momento. É até possível pôr toda essa gente a favor de ideias retrogradas. Basta uma boa argumentação.

Racismo e xenofobia sempre haverá, não tenhamos ilusões. E não é uma coisa de brancos e negros. muitas matizes se encontram pelo meio e nem sempre a cor desempenha papel central. Claro que se deve lutar contra isso, mas do meu ponto de vista, não deste modo tão errado.

Este tipo de coisas não nasce connosco, adquire-se, desde logo em casa dos pais. Depois na escola. Portanto, é aí que as atenções devem estar centradas. Na educação de valores que sejam justos e correctos. Na paciência que é necessário ter, porque este fenómeno não se erradica do dia para a noite.

Fundamentalmente, na necessidade de racionalizar recursos e de colocar as instituições nos trilhos. Não basta ter um Alto Comissariado para os Direitos Humanos, se quem está à frente é incapaz de pensar antes de falar, se tiver lá sido colocado por influências políticas, ou se lá foi colocado pelo género e não pela competência. 

Fala-se à exaustão na quota que as mulheres têm de ter nos mercados de trabalho, o que quanto a mim é uma forma de racismo. As mulheres e os homens devem ser colocados pela sua competência e não mais do que isso. Mas, o que nós vemos são todos os fazedores de opinião a dizer o contrário, sejam de que género forem.

Já vamos no século XXI, mas o que nos distingue da idade das trevas, é apenas uma ligeira camada de verniz no comportamento, que rápidamente estala à menor dificuldade.

RECIPROCIDADE

 O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos alertou esta terça-feira que a decisão dos suíços de proibirem o uso do véu integral (burca) "levará a uma maior marginalização e exclusão da vida pública" das muçulmanas no país. "A Suíça juntou-se a uma minoria de países nos quais a lei discrimina ativamente as mulheres muçulmanas e isso é profundamente lamentável", sublinhou Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado, numa conferência de imprensa.

Pessoalmente, não professo nem destilo qualquer forma de xenofobia, defendo árduamente a movimentação dos povos e não me interessa a sua cor, credo, ou religião. Também defendo que os países de acolhimento, tratem os seus usos e costumes de forma justa e cordial.

Actualmente, há uma disfuncionalidade global, no que diz respeito a estes valores. De repente toda a gente, repito toda a gente é anti-racista e anti-xenófoba. Liderados a nível mundial pelas grandes empresas de opinião, nomeadamente os profissionais de Direitos Humanos, Nações Unidas, etc.

Nunca ninguém me explicou a outra face da moeda, se calhar porque não interessa ou não há coragem. Uma mulher ocidental, que vá trabalhar para um país islamico sofre horrores na pele, porque tem que obrigatóriamente obedecer às leis desses países, nomeadamente no que toca a vestuário. Quem já viajou, sabe que as agências de viagens distribuem panfletos com recomendações sobre tudo isso.

Há critérios de reciprocidade que não estão a ser cumpridos.

Portanto, até ao dia em que as mulheres ocidentais se possam sentir livres num qualquer país islâmico, eu sou frontalmente contra o uso de burca, e acho que a Suiça esteve bem em fazê-lo.

E podem chamar-me xenófobo que eu não me importo.

quarta-feira, março 03, 2021

MORTE

Nestes dias, tem-se falado insistentemente de morte. A pandemia tem ceifado muita gente.

Por defeito de profissão, talvez, desde muito cedo me habituei a encarar a morte de uma forma muito natural, sem grande sofrimento, já que de uma maneira ou doutra acontecerá a todos nós.

Aquilo que me traz verdadeiramente sofrimento, permanente, doloroso, sem remédio, é a ausência.

Saber que nunca mais poderei partilhar a companhia, trocar ideias, ou simplesmente estar, mexe no mais fundo de mim.

Saber que a ausência é definitiva, seja de alguém próximo, família, estranhos que sempre foram importantes para mim, que janais poderei ouvir coisas novas de Jobim, que Gabriel Garcia Marquez nunca mais me surpreenderá, que nunca mais poderei trocar conversa, carinho, ou brincadeiras com o meu irmão, que jamais ouvirei as vozes dos meus pais, isso sim traz-me sofrimento permanente e uma enorme sensação de impotência.

terça-feira, fevereiro 23, 2021

NACIONALIDADES

Aparentemente quem nasce num determinado país tem essa nacionalidade. Pelo menos é o que dizem todas as constituições.

Mas, nas voltas da vida e nos dias actuais, o planeta tornou-se mais pequeno e toda a gente vive em todos os lugares. A nacionalidade no seu sentido mais profundo deixou de ser uma marca geográfica, tornando-se em muitos casos uma questão de amor. Muita gente opta por determinada nacionalidade, por conveniência, porque casou, porque teve filhos,  por  um  número  quase   infinito de razões, mas deveria haver nacionalidades por amor.  O meu país, a minha casa, é onde eu me sinto bem, feliz, realizado. É onde a minha alma sente que está no sítio correcto, onde se identifica com o que a rodeia, tem  uma ligação telúrica profunda à terra. O meu país é aquele que vincou a minha maneira de ser, que me obrigou a ser o que sou hoje, e que sem margem para dúvidas me fez regressar definitivamente. 

quinta-feira, novembro 26, 2020

LIVROS II

Que também valem a pena:

LIVRO DOS RIOS - LUANDINO VIEIRA

VOU LÁ VISITAR PASTORES - RUY DUARTE DE CARVALHO

PAIOL DE POLÉN - JOAQUIM PESSOA 

sexta-feira, outubro 30, 2020

CAMINHAR ENTRE RIOS

 Eu apenas queria que você soubesse

Que todas as perdas são irreparáveis

Algumas não cicatrizam, ficam doendo

Mas quando não mata, torna-nos resilientes

Não sou de esquecer uma parte de mim amputada

Mas sigo em frente palmilhando o meu caminho

Certo de que o mundo me surpreenderá

Uma e outra vez , como sempre aconteceu

Afinal a vida é isso mesmo

Caminhar entre rios e nuvens com um sorriso

Sempre com o meu imbondeiro debaixo do braço

Errando vezes sem conta, acertando às vezes

Eu apenas queria que você soubesse

Que as pegadas que deixamos nos caminhos

Continuam lá.

 



sexta-feira, junho 12, 2020

ICONOCLASTAS

ICONOCLASTAS

Está a acontecer.
Um pouco por todo o lado, há gente a destruir estátuas em nome da descolonização e do racismo.
Ontem em Lisboa vandalizaram a estátua do Padre António Vieira.
Sinto muita raiva e ao mesmo tempo pena. Dentro das coisas que eu menos aprecio, vêm na linha da frente a burrice  e a ignorância, porque é disso que se trata. Em termos políticos essa gentalha vale zero.
Mas, aqui vai o meu conselho a esses idiotas.
Atirem-se também a Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Diogo Cão e já agora à estátua do grande Eusébio.
Se ainda não estiverem satisfeitos, destruam a Lucy in the Sky (quanto a essa estou sossegado porque esses burros nem sabem quem é).
E porque não destruir o indício mais velho do Homo Sapiens?
Como dizia o meu pai, só o facto de invocar que não somos racistas já nos torna racistas. E esta escória mostra todo o seu racismo latente.
Cresçam como pessoas, lavem as mãos, mantenham o distanciamento social e fiquem em casa.

quarta-feira, junho 03, 2020


As fascinantes descobertas sobre a teoria da evolução feitas por ...
ERAN LAS CINCO EN PUNTO DE LA TARDE

Há uma parede cá dentro que me impede e me proteje.
Como um velho navio fantasma, há muito ancorado nos fundos silenciosos.
O barro de que sou feito, veio das estrelas e vibra no latejar de cada manhã.
Como se fosse a última.
Como se em algum momento inevitável Penélope deixasse de tecer o fio da vida.
Ocorre-me um poema de Lorca: “eran las cinco en punto de la tarde. Ya luchan la paloma e el leopardo”.
No meu mundo, o leopardo nunca vencerá. Nem a pomba.

quarta-feira, maio 27, 2020

A Pena e a Espada – Terapia – fio que Penélope tecia?

TECELÃ

Tecer o tempo.
Apenas Penélope o pode fazer. Fiando cada segundo em nós perfeitos, desfazendo de vez em quando, até que o tempo se complete num alicerce indestrutível.
Enquanto houver tempo. Enquanto a eternidade não se instala fora do tempo.

quarta-feira, maio 06, 2020

How is interstellar dust formed? | The Lighthouse


UM QUARTO LONGE DO MUNDO

Dois futuros e um quarto longe do mundo. Um futuro passado e outro impossível.
Sobra o quarto pendurado num varal já gasto pelo tempo. Dentro uma rosa, que era mesmo de Atacama, e Penélope tecendo sem descanso, os fios da sua própria vida. Uma enorme cobra azul, do lado de fora, vigiava o mundo em redor. E um corvo negro de olhar brilhante pousado no beiral.

Corpos nus, olhando-se em desacato até o dia raiar e mais além, acreditando que todos os caminhos eram para percorrer. A caligrafia dos corpos, escrita num poema há muito submerso.  A promessa do olhar foi-se desvanecendo na lógica improvável de um futuro impossível. E no entanto…

O futuro que há-de vir, ficou sem futuro, apenas com passado.  Percorrido  na solidão de um amor incondicional, intemporal, único e permanente, só possível num quarto longe do mundo.

quarta-feira, setembro 09, 2015

PARAÍSO

Acordar, fazer o pequeno almoço e o sumo de laranja. 
Sentar-me na varanda e desfrutar desta vista.
Apetece-me dizer, para quê tirar férias, se me sinto sempre em férias?
Ainda que trabalhe duramente.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

MADIBA

Madiba partiu. Nunca mais o veremos percorrendo as ruas do seu país.
A nação arco-iris está de luto, todos nós estamos.
Feliz viagem meu amigo

terça-feira, outubro 29, 2013

TOTALMENTE DE ACORDO.

 Carta de um português em Angola aos politicos portugueses

O entendimento inclusivo dos povos da lusofonia é necessário. Quero interpretar as palavras do Chefe de Estado Angolano como uma chamada de atenção ao Governo Português e à miserável gestão das relações externas. Hoje senti-me filho de um País que me abandonou. Que me forçou a abandonar a família, que me disse que eu não tinha mais espaço na sociedade e que me deixasse de lamechices e que partisse para fora. Sem distinção de lugar ou de ocupação. Fizeram-me sentir que o melhor para mim e para os meus filhos e mulher seria mandar um pai e marido para milhares de quilómetros de distância porque essa seria também uma solução de ajuda ao próprio Estado. E assim segui. Rumo a Angola, onde me tenho dedicado a respeitar este povo independentemente das diferenças que nos separam e onde tenho trabalhado passando um testemunho da minha experiência e conhecimento no ensino superior. Lido sem hipocrisias com as dificuldades porque todos passamos. Todas sem excepção e não vivo lamentando a ausência do abraço da minha mulher e dos meus filhos. 

Hoje sinto-me na obrigação de interpretar e enquadrar devidamente o discurso do Chefe de Estado Angolano. Que garantias de seriedade, respeito e idoneidade podem advir do arco do poder Português. À esquerda e à direita os discursos misturaram questões e neste processo de guerrilha verbalística tendente única e exclusivamente a obter assento na cadeira do poder cometeram erros gravíssimos que colocam neste momento em causa a vivência e subsistência de quase 200.000 cidadãos portugueses que aqui vivem. Os tais a quem Miguel Relvas convidou para saírem….Não perderei o meu tempo e verbo a comentar escória, mas estava ali anunciado o pensamento de um governo pelo seu número dois. Veio Machete, o tal que não tinha ou afinal tinha acções do BPN e que cumula cargos em diversas instituições privadas portuguesas agora ligadas ao Galilei (grupo ecónomico criado com activos ds SLN). As suas desastradas declarações, porque desastradas e provindas de um velho decrépito deveriam ter sido desvalorizadas. Mas não. Em bloco os partidos da oposição apelaram à sua demissão colocando em causa indirectamente as relações com Angola. Hoje foi escutá-los desculparem-se e tentarem disfarçar o indisfarçável. 
Acredito na democracia e no modelo democrático. Não acredito em nenhum político português. E hoje que sou cidadão do mundo, um imigrante, dir-me-ão os nababos que estão de barriga cheia, que tenho bom remédio: que me deixe de lamechices e que me mude se estiver mal. Não o farei se não for absolutamente necessário. Acredito em Angola e na determinação deste povo em querer um Pais melhor e enquanto aqui estiver trabalharei com esse objectivo. É aqui que trabalho e que procuro construir o futuro a que tenho direito para a minha família. Sim. Tenho direito a um futuro e hoje quero apenas acreditar que o que foi dito pelo Chefe de Estado Angolano, o foi com o pragmatismo que o caracteriza e porque a incompetência do Governo Português o mereceu.
Hoje tive vergonha de ser Português. As declarações que foram proferidas devem envergonhar-nos a todos sem excepção pois afectam a nossa dignidade e sobretudo põem em causa a nossa qualidade de convidados de um País que nos acolheu e aceitou. E os responsáveis não somos nós que aqui estamos. Foram bem identificados. E ao que parece enfiaram a carapuça….
Estas declarações foram proferidas pelo Chefe de Estado Angolano, mas facilmente poderão ser replicadas pelo Moçambicano, Inglês, Luxemburguês, enfim por qualquer Pais com onde residam Portugueses e com quem o governo português tenha “interesses comuns”.
Pedro Passos Coelho esqueceu a sua condição de assalariado do Povo. Demitiu-se do processo de sufrágio que o designou e assumiu integralmente o Programa de Ajustamento herdado do Governo Sócrates, tornando-se num funcionário administrativo da Troika. Exigia-se que a pouca manobrabilidade que porventura dispõe no plano interno lhe conferisse a visão de procurar e tornar consistentes as relações comerciais externas com os Países da Lusofonia. 
Demonstrou-se um incapaz, um inútil a quem estamos amarrados por ausência de alternativa.
Em vez de notas à imprensa a mostrar-se surpreendido (mais um coitadinho lamechas..) que nos respeite a todos enquanto comunidade e reconquiste o que estragou. Para isso lhe pagamos. Se não é capaz que saia e emigre…sem lamechices também!
Boa noite!


Nuno Tomás (um portugues em Angola)

sexta-feira, agosto 30, 2013

FÉRIAS

Ainda não tive férias.
Meio mundo foi a banhos e eu fiquei trabalhando duramente.
O cansaço é extremo, mas como sempre, o pote de ouro está no fim do arco-íris.
Como recompensa, este ano volto à minha terra, e isso afasta o cansaço e qualquer amargura. A minha pele tem saudades do sol de fim de tarde, das águas mornas, da cerveja tomada na mais amena cavaqueira. coisas prosaicas dirão as pessoas que se sentem importantes.
Coisas vitais digo eu, simples mas com o sabor do maravilhoso. O ponto alto serão as pescarias em que o que menos interessa é o peixe. apenas tanto mar, o nosso mar rodeando-nos até perder de vista.
Danem-se os livros que nunca terei oportunidade de ler, dane-se o cansaço e tudo o mais que me entristece.
Outubro é um mês de verdadeiros amigos, tão ansiosos como eu por este reencontro.
E estes amigos, não traem, limitam-se a aquecer a alma sem perguntas nem necessidade de respostas.
Como eu gosto deles!

sexta-feira, agosto 02, 2013

segunda-feira, junho 17, 2013

COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA - AULAS ABERTAS

COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA
 
AULAS ABERTAS

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola informa que no dia 19 de Junho - 4ª Feira próxima – inaugurará o programa "Aulas Abertas" ao público, as quais terão lugar no 2º Andar do Edifício da Academia de Música de Luanda (prédio da Embaixada da Alemanha), na marginal.


Durante cerca de uma hora e quinze minutos, os interessados poderão assistir a uma aula de técnica dos bailarinos da CDC Angola, tomando contacto com a exigente e rigorosa rotina de trabalho de um bailarino profissional, fomentando o respeito por esta profissão, cuja essência é ainda mal conhecida em Angola.
Estas aulas, que terão lugar todas as semanas, sempre à 4ª Feira e com início às 14.30 H, realizam um dos objectivos desta companhia de dança que consiste em incrementar a sensibilidade e a educação artística da sociedade, através projectos pedagógicos e artísticos, contribuindo para a educação do gosto do público, incentivando-o à apreciação estética e ampliando os seus conhecimentos culturais.
Tratando-se de uma companhia de dança inclusiva (com bailarinos com e sem deficiência física), desejamos igualmente participar na sensibilização da sociedade no sentido do respeito pela diferença.
A CDC Angola informa que, por respeito às normas de conduta que vigoram para as aulas de dança, a entrada de público será interdita a partir das 14.15H e que os presentes só se deverão retirar no fim da sessão que terá a duração de 1H e 15 minutos. Informa ainda que é proibido fotografar e filmar.
Visto tratar-se de uma prática regular, as aulas não terão qualquer alteração ou produção artística, mantendo a estrutura e ritmo - com paragens, correcções e repetições - próprios de um treino técnico diário.

 

quinta-feira, junho 13, 2013

COMPLICAÇÕES!


Habitualmente a comunidade médica reune-se para falar dos seus exitos.

Mas na verdade quem trabalha em áreas sensíveis, fatalmente tem complicações pelo caminho. Então porque não enfrentá-las e dsicuti-las?
Todos juntos, certamente aprendemos como resolver as coisas da melhor maneira. A experiência colectiva acumulada, deve ser partilhada.
Por isso, resolvi criar este primeiro curso no nosso país, com a anuência do serviço onde trabalho. E querem saber?
Quem participou, gostou e pede que se continue por este caminho.
Todos saímos mais ricos.

EVOLUÇÃO

Mover objetos com a mente já não é ficção


A utilização da mente para deslocar objectos está cada vez mais próxima de sair dos filmes de ficção científica e tornar-se uma realidade.
Uma equipa de cientistas da University of Minnesota, EUA, conseguiu movimentar um modelo de helicóptero, fazendo-o subir, descer, virar e fazê-lo passar por um aro, através do pensamento. A proeza que foi reportada na revista "Journal of Neural Engineering”, foi conseguida através de interface cérebro-computador (ICC), uma tecnologia que permite a comunicação directa entre o indivíduo e o computador. O desenvolvimento desta técnica, que tem sofrido grandes avanços nos últimos 10 anos, permite ao utilizador comunicar com o mundo exterior e manipular objetos através da modulação do pensamento.
A tecnologia, que se encontra a ser desenvolvida por Bin He, do College of Science and Engineering da University of Minnesota, e equipa, poderá um dia vir a prestar suporte a pessoas com doenças neuro-degenerativas que tenham perdido a capacidade motora e da fala, que poderão ver recuperadas algumas funcionalidades através do controlo de dispositivos electrónicos e mecânicos. Para além disso, esta tecnologia é não invasiva, ao contrário de outras, já que não requer qualquer implante no cérebro. As ondas cerebrais (electroencefalografia, EEG) são captadas por eléctrodos inseridos num capacete EEG, de 64 eléctrodos, que é colocado no couro cabeludo. Os eléctrodos enviam os sinais de actividade eléctrica (ou ausência da mesma) para um computador, que por sua vez processa esses dados e os converte numa ordem electrónica. O controlo do modelo de helicóptero (ou robot) através do pensamento foi possível através do estabelecimento de uma interface entre o computador e os controlos WiFi no helicóptero. Após processar os sinais EEG do cérebro, o computador envia uma ordem para o helicóptero por WiFi.
Um dos investigadores neste estudo, Karl LeFleur é de opinião que “o potencial da ICC é muito abrangente. Em seguida queremos aplicar a tecnologia do robot voador para ajudar pacientes com deficiência a interagirem com o mundo. Isto poderá mesmo ajudar pacientes com problemas como AVC ou doença de Alzheimer.  Estamos agora a estudar pacientes que sofreram AVC para ver se conseguimos restabelecer circuitos cerebrais e reparar áreas danificadas”.

ESPANTOSA VIAGEM

COMO É QUE ELES PODIAM SABER ?

LAWRENCE_ANTHONY
Lawrence Anthony, uma lenda viva na África do Sul, autor de 3 livros, entre eles o best-seller O Encantador de Elefantes, valentemente resgatou inúmeros animais selvagens e reabilitou elefantes por todo o planeta após serem vitimados por atrocidades humanas, entre elas o corajoso resgate dos animais do Zoológico de Bagdá durante a invasão dos Estados Unidos em 2003.

No dia 7 de março de 2012 Lawrence Anthony faleceu.
LAWRENCE_ANTHONY_ELEFANTES
Deixou saudades e é sempre lembrado por sua esposa, dois filhos, dois netos e numerosos elefantes.
Dois dias após seu falecimento os elefantes selvagens apareceram em sua casa guiados por duas grandes matriarcas.
Outras manadas selvagens apareceram em bandos para dizer adeus a seu amado amigo-homem.
Um total de 31 elefantes havia caminhado pacientemente por mais de 12 milhas para chegar à sua residência sul-africana.

Ao testemunhar este espetáculo, os humanos obviamente ficaram abismados não apenas por causa da suprema inteligência e timing perfeito com que esses elefantes pressentiram o falecimento de Lawrence, mas também devido às profundas lembranças e emoções que os amados animais relembraram numa forma tão organizada.
Caminhando lentamente - durante dias - marchando pelo caminho numa fila solene desde seu habitat até a sua casa.
Assim, como os elefantes da reserva, pastando a milhas de distância em partes distantes do parque poderiam saber da morte de Anthony ? "Um homem bom morreu de repente" diz a Rabina Leila Gal Berner, Ph.D., "e vindo de muito, muito longe duas manadas de elefantes, sentindo que eles haviam perdido um amado amigo humano, se moveram numa solene procissão fúnebre para visitar a família enlutada na residência do falecido."
"Se alguma vez houve uma ocasião em que pudemos realmente sentir a maravilhosa intercomunicação de todos os seres, foi quando refletimos sobre os elefantes de Thula Thula. O coração de um homem para de bater e os corações de centenas de elefantes se entristecem. O coração tão generoso e dedicado deste homem ofereceu a cura a esses elefantes e agora eles vem prestar sua carinhosa homenagem a seu amigo."
A esposa de Lawrence, Françoise, estava particularmente comovida, sabendo que os elefantes não haviam vindo a sua casa antes desta data por bem mais de três anos ! Mas sabiam perfeitamente aonde estavam indo ! Os elefantes obviamente queriam apresentar suas sentidas condolências, em honra a seu amigo que havia salvado suas vidas e tamanho era o seu respeito que ficaram por dois dias e duas noites sem comer absolutamente nada.
E assim, uma manhã, eles partiram para a sua longa viagem de volta.

segunda-feira, abril 22, 2013

RAFA NO SEU MELHOR


DIA DA TERRA

Em 2013, o tema do Dia da Terra que se celebra hoje, 22 de abril, é “O Rosto das Alterações Climáticas”, sendo dados a conhecer exemplos deste fenómeno global por todo o mundo, bem como o que está a ser feito para o combater.
O Dia da Terra foi celebrado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1970, por iniciativa do senador Gaylord Nelson. O governante pretendia, através da mobilização social, introduzir os problemas ambientais na agenda política, sendo o evento identificado como a origem do movimento ambientalista moderno.
Em 1990, Denis Hayes, responsável pela coordenação do primeiro Dia da Terra nos EUA, tornou o evento mundial, tendo em 1993 sido fundada a Earth Day Network (EDN), uma rede internacional de suporte às iniciativas cívicas de celebração do Dia da Terra. Atualmente, esta organização coordena as atividades comemorativas do Dia da Terra em 192 países onde, através de mais de 22.000 parceiros, mobiliza mais de mil milhões de pessoas.
Em 2013, ano em que o Dia da Terra volta a ter como tema as Alterações Climáticas, a EDN convida à submissão, através do seu website, de imagens que evidenciem como se estão a fazer sentir as Alterações Climáticas em diferentes partes do globo e de iniciativas em curso para mitigar o fenómeno.
Mostrando como o degelo no Ártico está a diminuir o habitat do urso-polar e as cheias e ciclones afetam a disponibilidade de água potável no Bangladesh e, simultaneamente como alguns empreendedores estão criar uma economia verde e milhões de pessoas adotam um estilo de vida sustentável, a EDN pretende demonstrar aos líderes políticos a necessidade de agir e o caminho a seguir.

quarta-feira, abril 17, 2013

CDC ANGOLA LUTA POR SISTEMA DE ENSINO ARTÍSTICO EM DANÇA




Contando com duas décadas de história e muito trabalho, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola foi fundada pela sua actual directora Ana Clara Guerra Marques. Criada com o propósito de divulgar a dança contemporânea dentro e fora de Angola, a companhia tem apresentado de forma regular espectáculos. No entanto, Ana Clara Marques lamenta a inexistência de espaços, meios e equipamentos adequados, em Angola, para a apresentação dos seus trabalhos. Os apoios financeiros são também parcos. A qualidade do trabalho da CDC Angola é reconhecida além-fronteiras e as solicitações para actuar no estrangeiro continuam a surgir.

Em entrevista ao VerAngola, a bailarina e coreógrafa recorda a história da companhia, os trabalhos
realizados, as expectativas, os anseios e as dificuldades passadas para manter a dança contemporânea viva em Angola.
A Companhia de Dança Contemporânea de Angola é a única companhia profissional de dança no País. Quando surgiu e qual tem sido o seu percurso?
A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC Angola) surge na continuidade de um longo processo com início nos anos 80, enquanto eu era directora da Escola de Dança. A ideia era formar um grupo experimental, com os alunos mais adiantados da Escola para que o público, a sociedade, pudesse perceber quer os propósitos de uma escola de formação em dança, quer uma outra vertente da dança, a vertente artística. Todavia, todas as propostas que, insistentemente, enviei à consideração superior durante cerca de 10 anos foram negadas até ao ano de 1991. Nesta altura com a Irene Guerra Marques, como directora da Direcção Nacional de Formação Artística e Cultural, e com a Ana Maria de Oliveira, como Ministra da Cultura, o projecto foi, finalmente, aceite e fundámos o Conjunto Experimental de Dança (CED). Com o CED tivemos uma série de apresentações e introduzimos novas estéticas e novas formas de espectáculo como, por exemplo, a utilização de espaços não convencionais. Em 1993 foi aprovada, oficialmente, por despacho do Ministério da Cultura, a passagem de conjunto experimental para Companhia de Dança Contemporânea, com a qual desenvolvemos todo um trabalho pioneiro de sensibilização e desenvolvimento da dança enquanto linguagem artística.
Quem são os fundadores da CDC Angola?

Comigo, foram membros co-fundadores do CED (posteriormente CDC), em 1991, a Vanda Nascimento (professora da Escola e bailarina), o Waldemar Tadeu Bastos (aluno avançado da Escola e bailarino), o João Paulo Costa (aluno avançado da Escola e bailarino) e o Rui Tavares (fotógrafo da CDC Angola).
Com que objectivos foi criada a CDC Angola?

O principal objectivo era, e continua sendo, divulgar e promover a dança contemporânea em Angola através da experimentação e da criação de autor, à procura de diferentes linguagens e vocabulários para a dança angolana. A este, está sempre subjacente a intenção de despertar a sensibilidade da sociedade e de educar o gosto do público, incentivando as pessoas à apreciação estética e estimulando a sua opinião crítica, através de espectáculos, projectos pedagógicos, projectos artísticos de âmbito social, seminários, oficinas e aulas regulares dirigidos aos diversos tipos de público (profissionais ou amadores, adultos ou crianças).
A Dança Inclusiva foi entretanto, por nós, introduzida em Angola, sendo hoje um dos nossos focos importantes a demonstração da possibilidade de integração de indivíduos portadores de deficiências físicas e outras na qualidade de bailarinos.
Qual foi o primeiro espectáculo apresentado pela CDC Angola?

O primeiro espectáculo que a CDC, ainda CED, apresentou intitulava-se “A Propósito de Lweji”. Teve lugar no dia 27 de Dezembro de 1991, no Teatro Avenida que, entretanto, foi derrubado. Tratava-se uma peça que marcou também o encerramento da Escola de Dança por falta de condições de funcionamento. A sua principal inspiração foi o mito da fundação do império Lunda e a escultura cokwe. Mas a primeira peça original criada foi “Mea Culpa” na qual se discutiam alguns tabus relacionados com a Igreja.
Ao longo dos anos, que espectáculos apresentou já a CDC Angola?

Já vai sendo longa a lista de trabalhos originais criados pela Companhia, bem como as suas apresentações. Mais de uma centena de espectáculos foram já apresentados com trabalhos como “A Propósito de Lweji” (1991), “Corpusnágua” (1992), “Mea Culpa” (1992), “Solidão” (1992), “1 Morto e os Vivos” (1992), “5 Estátuas para Masongi” (1993), “Imagem e Movimento” (1993), “Palmas, Por Favor!” (1994), “Os Címbalos dos Mudos” (1994), “Uma Frase Qualquer” (1994), “Introversão Versus Extroversão” (1995), “Neste País - Se não fosse a guerra...éramos todos (a) normais e 4 para 5” (1996), “Uma Frase Qualquer...e Outras (Frases)” (1997), “Os Quadros do Verso Vetusto” (1999), “Oratura… dos Ogros… e do Fantástico” (2008), “Peças para uma Sombra iniciada e outros Rituais mais ou Menos” (2009), “O Homem que chorava sumo de Tomates” (2011) e “Paisagens Propícias” (2012 / 2013).


quinta-feira, abril 11, 2013

COMUNIDADE?

Ela espanhola e ele português.
Decidiram casar-se. Ela trabalha no nosso país, e ambos acharam que casar era uma coisa fácil. Dois cidadãos da comunidade europeia, não haveria de haver problemas.
Nada mais falso.
Começaram por ser chamados à polícia, para um duro interrogatório, não fosse tratar-se do caso de ser um casamento de conveniência, para aquisição de nacionalidade. Depois, uma infinidade de papéis pela frente, mas lá conseguiram o dito matrimónio.
 
Afinal a comunidade é uma miragem, mas isso já todos sabíamos.
Mas os vigaristas, todos os vigaristas daqui e os outros no parlamento europeu, insistem em dizer-nos que somos europeus, que devemos ter laranjas e preservativos e impostos e batatas e sei lá que mais, padronizados pelas medidas europeias. Que o preço das coisas têm de estar em linha com os outros países, bem nem tudo porque os ordenados não têm que estar em linha.
Experimentem comprar um carro no país ao lado e verão logo o que é a comunidade europeia.
Eu pessoalmente nunca acreditei nesta ideia bizarra de uma Europa para os europeus.

quinta-feira, março 21, 2013

EQUILIBRIO!


E, de repente o enorme pássaro de metal juntou nuvens, como quem junta fantasias e desejos. Momento meu, único. Na minha fantasia pensei que um dia poderia passar de uma nuvem a outra, sem me despenhar.