“O caçador que persegue um elefante não se detém para jogar pedras nos pássaros” (provérbio africano)
É assim a vida em TERRAMAR, onde dragões e feiticeiras se juntam e contam histórias em que tudo pode acontecer.
“O caçador que persegue um elefante não se detém para jogar pedras nos pássaros” (provérbio africano)
O mesmo acontece em relação ao conhecimento. Vida é conhecimento em constante evolução e eu tento acompanhar todos os dias, os novos conhecimentos que nos chegam.
Tudo isto para dizer que sendo ecologista, continuo sendo pragmático.
Sempre me confundiu que organizações ecologistas, como o Greenpeace por exemplo, baseiem as suas actuações em dados pré-estabelecidos e não os questionem. Estamos habituados a ouvir dizer que a libertação de Co2 provoca efeito de estufa e que a poluição humana é responsável por tudo quanto está a acontecer. Somos bombardeados todos os dias, com novas directrizes (carros eléctricos até 2035, diminuição acelerada da pegada carbónica), e quase nunca nos questionamos sobre a bondade destas directrizes.
No entanto, e já aqui o referi há muita discussão sobre libertação de CO2 e os carros eléctricos. A situação não é muito clara ainda, mas pessoalmente acho que vamos ganhar quase nada.
Por outro lado, como é possível falar em diminuir a pegada carbónica, e ao mesmo tempo permitir que os países comprem quotas de carbono? Alguma coisa vai mal neste nosso reino.
Finalmente, gente muito respeitada vem a público dizer que a contribuição do ser humano para a poluição representa menos de um por cento, que os dados sobre aquecimento global, degelos, furacões e alterações climáticas é apenas um ciclo igual a tantos outros na história da Terra.
Essas mesmas pessoas, não enjeitam os males da poluição principalmente urbana, e são fervorosos defensores de uma vida nova autosustentável, cuidando dos nossos recursos. Menos poluição, menos desbaratamento das nossas florestas, menos capturas maciças na pesca, meno aquacultura intensiva, menos criação intensiva de gados, menos contaminação dos lençóis freáticos, menos streaming, etc.
Parece-me ouvidas ambas as partes, que estes cientistas têm razão. Há um mundo oculto de negócios por trás destas alterações climáticas. Quanto a mim, continuo a ler aquilo que vale a pena ler, tentando escrutinar através deste nevoeiro que alguns querem que pareça denso.
Tal como nos combustíveis fósseis, é necessário considerar as emissões das máquinas utilizadas na extração e os veículos pesados utilizados nos transportes. Segundo dados do International Council on Clean Transportation, a produção da bateria e do restante veículo elétrico produz, em média, o dobro das emissões de CO2 quando comparada com a de um veículo a gasolina ou a diesel. Este poderia ser o fim da discussão, se não considerássemos a utilização dos veículos no dia-a-dia e as suas emissões de CO2.
Segundo um estudo da Federação Europeia de
Transportes e Ambiente, para carros vendidos em 2020, um carro carro elétrico
produz, em média, 90 gCO2e/km durante toda a sua vida útil. Este número
encontra-se muito abaixo da emissões de um carro com motor a gasóleo (234
gCO2e/km) e a gasolina (253 gCO2e/km). Estas emissões representam,
durante toda a vida útil do veículo, 20 toneladas para o carro elétrico, 53
toneladas para o carro a gasóleo e 57 toneladas para o carro a gasolina.
O que é que isto significa?
Com estes números, conseguimos constatar
que um carro elétrico, durante toda a sua vida útil, produz quase 3
vezes menos emissões de CO2 que um carro a combustão, seja ele a gasolina
ou a gasóleo. Com estes valores, calcula-se que os carros elétricos demorem
cerca de 2 anos a atingirem o mesmo número de emissões dos veículos a
combustão, recuperando assim a desvantagem inicial na sua produção, incluindo o
fabrico da bateria.
Os carros elétricos poluem mais no seu fim de vida?
Como foi anteriormente referido, outra das
questões que se prende com a poluição dos veículos elétricos é o destino
da bateria no fim de
vida do veículo. A sua reciclagem vai significar gastos e, assim, reduzir a
diferença existente entre as emissões destes veículos com os de combustão. No
entanto, há alternativas que poderão vir prevenir estas emissões e dar uma
outra vida às baterias.
Reutilização das baterias de lítio
As baterias que já não sejam eficientes num
veículo elétrico poderão vir a ter, em média, mais 10 anos de vida após saírem
do automóvel. Estas serão transformadas em baterias estacionárias, contribuindo
para uma gestão mais eficaz das redes elétricas. Isto traduz-se no carregamento segundo
a disponibilidade do melhor preço, o chamado smart charging, e também no
fornecimento de eletricidade à rede elétrica, invertendo o processo. Isto são
hipóteses que ainda estão a ser estudadas, existindo um projeto piloto em Porto
Santo, mas que poderão vir a tornar-se numa realidade num futuro muito próximo.
Os carros elétricos
poluem mais: o mito desfeito
Com estes dados disponíveis analisados,
conseguimos perceber que, apesar de os carros elétricos produzirem mais
emissões de CO2 durante o seu fabrico, essa poluição inicial é rapidamente
compensada pelo baixo número de emissões na sua utilização. Assim, apesar
de ainda haver a crença de que os carros elétricos poluem mais que
os veículos de combustão, esta crença está longe de ser verdade.
Os veículos elétricos continuam
a ser a opção mais viável para quem procura uma solução mais ecologicamente
sustentável para as suas deslocações.
NOTA: Este é um artigo que circula e que tem origem num importante fabricante de carros a nível mundial. Há muitos outros, que podem ser consultados.
Os números das emissões são-nos dados à exaustão para os carros, mas as emissões para o fabrico das baterias são vagamente o dobro!!!
Imaginemos a venda anual de milhões de carros, correndo atrás do prejuízo de 2 anos para se poderem comparar aos combustíveis fosseis. E à permanente construção de milhões de baterias, que um dia hão-de comparar-se aos combustíveis actuais.
Dizem-nos também que a reutilização das baterias, é uma hipotese que ainda está a ser estudada. Mas, ainda que sejam reutilizadas, chegará o dia em que terão de ser recicladas, o que faz aumentar de novo e de forma significativa, as emissões de CO2.
Este artigo, entre muitos outros diz-nos muito mais do que isso. Diz-nos por exemplo que a UE, e os restantes países, ou não fizeram o trabalho de casa, ou embarcaram alegremente nesta palhaçada. E quanto às ONG´s e organismos afins? Faz-nos levantar suspeições. Quando se resolve esmiuçar este assunto, verifica-se que nada é pacífico. A Alemanha é disso exemplo, com grande debate de opiniões pró e contra.
Finalmente, isto afecta uma grande parte da população do planeta. Não deveria ter sido ouvida, posta ao corrente com clareza? Isto é assunto para ser debatido apenas nos corredores do "poder"?
Acontece que a parlamentar é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, que serviu como ministro das Finanças durante todo o período de Adolf Hitler no poder. De resto, o homem entrou antes do ditador, e saiu já depois de este ter morrido. O encontro entre Beatrix von Storch e Jair Bolsonaro foi uma "oportunidade para a AfD conquistar aliados", nomeadamente "políticos conservadores, partidos e líderes de opinião".
Em uma conversa de uma hora, pude discutir com o presidente a situação das nossas duas nações. Fiquei profundamente impressionada com a compreensão do presidente pelos problemas da Europa e pelos desafios políticos do nosso tempo", acrescentou, vincando a luta do presidente brasileiro contra o crime.
Este encontro faz sentido, na ótica da deputada, para combater a "esquerda internacional", que se une através de movimentos como Fridays for Future, Black Lives Matter, LGBTQI ou Antifa, referiu a alemã.
Inexorávelmente também, a esmagadora maioria, incluindo fascistas, reaccionários, atrasados mentais e outros semelhantes, não deixarão nenhuma marca que dure mais de quinze dias.
Apesar da azia, da estupidez e da falta de ideias, a direita reaccionária, fascista, neo nazi, está num frenesim pela morte de Otelo.
O que eles também sabem mas não conseguem expressar, é que Otelo nunca será esquecido nas páginas da História, por mais que rasguem compendios e vociferem nas redes sociais.
O que eles também compreendem, mas não ousam dizer, é que a liberdade de que usufruem hoje, e que lhes dá o direito momentaneo de dizer todas as diatribes, se deve aos Capitães de Abril.
O que eles sabem, mas não têm coragem de dizer, é que Otelo, Salgueiro Maia e mais alguns poucos, se foram das leis da morte libertando. Esses fascistas abjectos, reaccionários, neo nazis, vão a caminho do oblívio e nada poderão fazer para o evitar
"Diante das informações sobre o elevado número de casos e desfechos clínicos desfavoráveis da covid-19 em território português, e na qualidade de cidadã portuguesa e de Secretária Nacional do Ministério da Saúde [do Brasil], coloco-me à disposição para contribuir com compartilhamento da nossa experiência em atendimento precoce no combate à doença", escreveu a médica.
Mayra Pinheiro está a ser investigada no Brasil por recomendar o uso destas substâncias sem eficácia comprovada contra o vírus SARS-Cov-2 e é suspeita de ter ignorado informações sobre a crise de oxigénio que levou dezenas de pacientes à morte em Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas.
Num depoimento à CPI da pandemia em maio passado, Mayra Pinheiro assegurou que "centenas" de estudos científicos atestam a eficácia da cloroquina para reduzir a virulência da covid-19 sem nomear estes trabalhos e defendeu que este e outros medicamentos foram 'criminalizados' por opiniões políticas dos cientistas.
A governante também argumentou no depoimento à CPI da pandemia que os estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras instituições globais sobre a cloroquina, que não comprovaram sua eficácia, "têm uma qualidade metodológica questionável" e, portanto, afirmou que as autoridades brasileiras não têm a "obrigação" de assumi-los como válidos.
SEM COMENTÁRIOS. GENTE BURRA NÃO MERECE.
O Deus das estrelas sabe
o meu nome
Sabe dos caminhos, das
distâncias e dos sons ausentes
Emprenho a vida, de
palavras e amigos
E no fim respiro
exausto e adormeço nos teus dedos
Que dizer das aves
enraizadas nas palavras
No ensaio de voos que me
despenteiam os cabelos
E me acordam em tantas
madrugadas
Quando o ar me atravessa
como uma lamina de gelo
E o rio que há em mim,
desperta devagar
Tudo, porque o Deus das
estrelas sabe o meu nome
Pronto, estamos todos bem. As alterações climáticas vão desaparecer por obra e graça desta santa medida.
Ela é má? Claro que não. Mas não me enganem que eu não gosto.
E os desmatamentos? E a pesca exaustiva de todas as espécies? Já me esquecia, a União Europeia já deu autorização para consumo de gafanhotos na dieta alimentar.
E a produção brutal de carne bovina e de outros animais? E a consequente contaminação dos lencóis freáticos? E o facto da floresta amazónica começar a ter um comportamento estranho?
E a produção maciça de pescado em jaulas marinhas? E as praias da costa chilena que apresentam níveis de poluição brutais à conta disso?
Pode sempre dizer-se que isso fica muito longe. A verdade é que fica no quarto ao lado, nesta pequena casa única vagabundeando no espaço. E a queima constante de combustível fóssil nas grandes empresas mundiais?
E as reciclagens? Já alguém pensou que reciclar se calhar polui mais, do que não o fazer?
E o gozo que dá saber que as espécies se vão extinguindo a uma velocidade alucinante?
E o "streaming"? Já alguém elucidou o que aconteceu durante esta pandemia?
Apenas uma pequena amostra do que nos andam a enganar, infelizmente quem faz isto também se está a enganar.
Mas, que em 2035 já não há circulação com combustívei fosseis na UE, isso é verdade. Se nessa altura ainda houver UE.
A publicação semanal, lida no mundo todo por um público considerado de "alto nível", começa citando o ditado popular "Deus é brasileiro", título de um filme de Cacá Diegues, para dizer na sequência que "hoje em dia os brasileiros devem se perguntar se, como divindade do filme, Deus saíu de férias". A economia é um desastre, as finanças públicas estão sob pressão e a política está completamente podre. O crime de rua está aumentando. Sete cidades brasileiras estão entre as 20 mais violentas do mundo.
No artigo intitulado "Jair Bolsonaro, a mais recente ameaça da América Latina", a revista pondera que as eleições nacionais de Outubro, dão ao Brasil a chance de começar de novo. Porém destaca também a "autoflagelação e corrupção da elite" que toma conta do país.
Haverá sempre gente que
se acha mais importante, e que pensa que pode fintar a lei. Claro, que pode
fintá-la, mas não fintará de certeza a natureza. Dividir a sociedade em ricos,
pobres e remediados só agrava o problema. Os ricos querem ser mais ricos, os
remediados querem subir de escalão e os pobres querem ser algo mais. E, de
facto a solução parece simples. Usar os recursos desta nossa casa em benefício
de todos.
Quanto mais escalamos o
problema maior ele se torna. Se imaginarmos o fim da corrida aos armamentos, os
mercados mundiais deixando de se guerrear entre si, povos estendendo os seus
benefícios a outros povos, compartilhar para além das
fronteiras artificiais, talvez fosse possível enfrentarmos o cataclismo que se
avizinha.
Como é que de repente
surgiram os veículos movidos a energia alternativa? Porquê neste momento? De
repente descobriu-se esta tecnologia? É claro que não. Enquanto puderam foram
usando combustíveis fosseis, sabendo do mal que estavam a causar, apesar de
terem esta alternativa na gaveta. Apenas o lucro fácil das multinacionais,
usando e abusando deste capitalismo global e selvagem. E com a conivência dos
governos.
Poderia repetir-me até à
exaustão em exemplos do que estamos a fazer ao planeta.
Todos, literalmente todos
somos culpados.
Sou um profundo descrente
da espécie humana. Tenho um sentimento enraizado de que não vamos conseguir.
Nem as novas gerações. E se por um qualquer acaso, no fim de tudo ainda
sobrarem algumas pessoas, é fatal que a história se repita.
O ADN humano, a nossa
matriz é provavelmente alienígena.
Respiro devagar, nem o silêncio se desabotoa
Nem sequer percorre as
palavras e os sons ausentes
Respiro muito para além
disso, do óbvio e mundano
Posso caminhar sem
bússolas, as pernas respondem
Ignoro distâncias e
tempos, percebo o caos interior
Fotografias coloridas a
preto e branco, sucedem-se
Com os meus dedos de
afecto afago os seus cabelos
Como se uma solidão
repentina respirasse ao meu lado
Sinto-me sem peso, sem
mágoas, apenas flutuando
Respirando muito para
além do sufoco das multidões
A estatística tem as suas curvas e contracurvas.
Quanto a livros como estamos? A média de leitura, é um indicador preciso do estado de desenvolvimento de um povo.
O meu pai dizia que quando a média de galinhas consumidas por ano, era de duas por habitante, os ricos comiam quatro e os pobres zero. Ele, professor, dava-nos um óptimo exemplo de calcular médias, tendo cuidado com os resultados apresentados.
Agora consigo perceber a quantidade incomensurável de idiotices e asneiras que pululam diáriamente nas redes sociais.
A sociedade no geral sofre de elevados níveis de iliteracia crónica, e não se vislumbra que vá melhorar.
Esperar para ver. Essas contas estão feitas e a média mundial parece ser de 10. Pelo que se pode observar como informação credível, os portugueses lêm em média 1 a 3 livros por ano. No Brasil a média é de 1.3. Nos EUA é de 2 a 4.
Alguém, em qualquer canto anda a ler muito, pelos outros todos. E óbviamente nos países citados a esmagadora maioria lê nada. Podem até dizer-me que os livros estão caros, o que é verdade. Mas, quem quiser ler de verdade, tem ao seu dispor bibliotecas por tudo quanto é lado. E os livros emprestam-se, divulgam-se e por vezes retornam ao dono.
Percebo agora a quantidade de idiotices e pensamentos inúteis que pululam nas redes sociais. Percebo também que aquilo que vai levar à extinção da espécie humana, não são as alterações climáticas, nem um qualquer cataclismo cósmico. Será apenas a burrice, a ignorância derivadas desta tremenda e global iliteracia.
Ninguém ouve a sombra carregada de pele
Ninguém reconhece
insónias gravadas em carvão
Nem a palidez dos
silêncios incapazes de ruídos
Já restam muitos poucos
beijos
De tantos que andavam por
aí sem destino
Inúteis na beira de
tantos caminhos desconhecidos
Palavras silenciosas, irrepetíveis, nascendo do nada
Já não há quem dance
boleros no meio da estrada
Os vestidos de cetim azul
já não rodopiam ao luar
Talvez num canto
escondido alguém cante as águas de março
Talvez alguém se decida a
plantar beijos nas terras férteis
E os espalhe nas
encruzilhadas dos caminhos de cada um
Estranhamente, multidões incontáveis fazem de tudo para que isso não aconteça.
Em vez de se preocuparem com o grande desígnio das coisas, vivem enredados em pequenos problemas, em sofismas que inventaram no passado, e qual pescadinha de rabo na boca, voltam fielmente a esses pequenos temas de um modo diário.
O passado é isso mesmo. Já passou, bem ou mal, e é preciso coragem e discerrnimento para aproveitar dele as coisas boas que aconteceram. O passado é a nossa fonte de ensinamentos. Com essa experiência, podemos ir corrigindo tudo aquilo que correu menos bem. È a nossa pegada quando olhamos para trás. Viver congelado naquilo que poderia ter sido, é apenas mais uma forma de auto flagelação e de falta de coragem para seguir em frente.
Para quem por aqui passa, apenas um conselho. Não deixem para amanhã. Comprem esse livro e verão que valeu a pena.
No meu país
Há mulheres preparando
meninos
Seiva da vida na busca
dos seus futuros
Costurando
incessantemente o sonho
E as estrelas soltando-se
das fogueiras
No meu país
Há muitas crianças
brincando de roda
Um dia vão segurar a
bandeira que subiu
Que os pais a duras penas
ergueram
Nesta nossa terra
vermelha que nos pariu
No meu país
Dobram-se cacimbos nas
savanas a leste
Piam pássaros, ainda
sonolentos
Na casa do meio,
meninas anunciam a manhã
Não há distancias, caminha-se com os ventos
No meu país
Cheira a tacula vermelha
em todos os cabelos
O caminhar das mulheres
tem ritmo de dança
Há poetas, carpinteiros,
zungueiras e pastores
Batalhando, porque quem
porfia sempre alcança
No meu país
Há panos coloridos,
mangas, animais selvagens
Sabores, cheiros , sons,
terra vermelha, silêncio
Cacimbos e tambores
batucando mensagens
E rios de transportar a
esperança de todos nós
Enfrentar sozinho a rocha
cega e surda
Ser selvagem sempre que a
corrente é forte
Ou ter a sensibilidade da
savana em flor
E o cheiro da tacula em todos os cabelos
Não há nada a esconder
Poder dar a cada coisa o
nome correcto
Renegar todas as palavras
sem sentido
Qualquer bolero é de
verdade um bolero
Mesmo que estejamos mais
sós que nunca
Ainda assim, só assim
É possível colocar pedras nos alicerces do mundo
Quase metade da
população mundial corre risco de contrair a doença especialmente em países de
baixa renda; em 2017, foram notificados 219 milhões de casos no mundo; malária
mata uma criança a cada dois minutos.
Há cerca de 3 anos, quando ia a entrar em casa, deparei com alguém que dormia no chão do hall. Não me pareceu alcoólico nem drogado, e segui o meu caminho deixando-o em paz.
No dia seguinte tinha
desparecido. À noite quando regressei lá estava ele a dormir. Aspecto andrajoso
e com corpo de fome. Voltei a entrar. No dia seguinte a mesma coisa. No
terceiro dia, fui comprar um colchão daqueles dobráveis. Quando entrei,
acordei-o, dei-lhe um colchão, um cobertor e uma almofada. Entramos, a minha
mulher fez o jantar e foi-lhe oferecer de comer, que ele aceitou imediatamente.
Entretanto foi ficando,
lavava o meu carro e o dos vizinhos e oferecia-se para pequenos serviços. Tem
uma deficiência na fala, o que torna a comunicação difícil, mas também isso foi
sendo ultrapassado.
Actualmente, damos-lhe
uma semanada, roupa, e alimentação completa. Nunca pediu nada, nunca lhe
solicitamos que faça nada. Ele encarrega-se dos pequenos serviços, leva o cão a
passear e fica bastante aborrecido, quando nós tentamos fazer essas pequenas
coisas. Durante o dia faz a sua vida pela cidade. É de uma dignidade a toda a
prova. Semanas atrás, fomos passar o fim de semana fora e eu dei-lhe a mesada e
mais algum dinheiro para se poder alimentar. Quando chegamos no domingo, veio
devolver-me o dinheiro restante que não tinha gasto.
Adora pirão com peixe e
como isso não faz parte da nossa alimentação regular, de vez em quando pede que
se faça isso para ele. Tem vezes em que vai connosco de fim de semana. Não vai
sempre porque nem sempre quer ir.
Estamos em fase de mudar
de casa, e finalmente o Pedro poderá ter o seu próprio quarto, se assim o
entender.
Nenhum de nós quer que
ele se vá embora, e espero que ele queira ficar. Não sei de onde é, se tem
família aqui ou se é do interior. Seja como for, agora faz parte da nossa
enquanto quiser. Nós queremos que seja para sempre.
Lobito 19.05.2021
Caminhando furtiva nos
céus vazios
Sem a costura de estrelas
e sonhos
Verá que há pássaros
sem voo nos ninhos
Procurando o rasgo das
pedras ainda quentes
Não se dobre à seca de
água e ternuras
Onça pintada, dentro dos seus olhos fechados
Pode sonhar com o tempo que há-de vir
Porque virá.
19.05.2021
Finalmente e de um modo significativo, ainda que com disparidades enormes entre os países ditos ricos e os pobres, as vacinações estão aí.
Tem havido muita confusão, mas na verdade, esta vacina vai-nos imunizando para as variantes que conhecemos. Com o passar do tempo surgirão novas mutações, que tanto faz que sejam da India, do Nepal ou da republica Centro Africana. O vírus conviverá connosco tal como qualquer outro virus, e eventualmente haverá um calendário vacinal para quem quiser, ou para estirpes mais virulentas.
As vacinações progridem por fases, naturalmente. Qualquer que seja o local do globo, vacina-se na primeira fase o pessoal mais velho, doentes com co-morbilidades e os profissionais da linha da frente. No período seguinte vacina-se a população de idade intermédia. Po último vacinam-se os jovens. É completamente impossível vacinar tudo de uma vez, então estas medidas e prioridades estão absolutamente correctas.
Chamam-lhe "subsídio de atavio" e serve para comprar roupa, trajes protocolares etc.
A notícia saiu assim:
Aprovação no Parlamento de "subsídio de atavio" ou de "sessão" deixou muitos moçambicanos indignados. A principal crítica: Como é que isso foi possível tendo em conta que o debate sobre aumentos salariais está suspenso? A lista de subsídios aprovados na quarta-feira (05.05) é longa: um deles é o "subsídio de atavio" para os funcionários e agentes parlamentares expostos em ambientes solenes e protocolares a serem definidos pela comissão permanente da Assembleia da República. Outro é o de "sessão" no qual o funcionário parlamentar tem direito a uma senha de presença diária, ou seja, basta estar presente e já ganha dinheiro.
Mais ainda: os funcionários do Parlamento vão ter subsídio de alimentação, de transportes e de férias, entre outros, numa altura que o debate sobre o aumento salarial foi suspenso.
Ainda assim, foi amor ao primeiro encontro e, nunca mais deixei de pescar. É também uma paixão, assim como o golfe. Tem tudo o que me agrada, o mar e o silêncio. Sou apaixonado pelo silêncio. Apenas eu e o mar, e quando alguém me acompanha, já sabe que nunca haverá grandes conversas dentro do barco.
E não há dias de pesca maus. Ainda que não se pesque nada, o dia será sempre perfeito naquela imensidão liquida.
Mesmo não
professando qualquer religião, registo um pensamento anónimo que encerra tudo
sobre a pesca: Deus desconta nos nossos pecados, os dias passados a pescar.
A vida moldou-me, moldou-nos a todos.
Eu sou o resultado de tudo o que vivi ou viverei. Tudo o que de bom ou mau aconteceu, foi importante.
Todos os amores e desamores. Tudo o que foi certo e todos os erros. Todos os amigos, os que se mantêm e os que fui perdendo pelos mais diversos motivos. Todos os meus que já partiram e deixaram um vazio que jamais será preenchido.
Todos aqueles que foram entrando e saindo da minha roda da vida. De todas as cores e credos.
Tudo o que me foram ensinando, ainda que muitas vezes pela negativa. Desde coisas simples, até outras bem complicadas.
Todas as decisões, principalmente as mais penosas.
Todos aqueles que salvei, mas principalmente aqueles em que não fui capaz.
Meus filhos e netos crescendo do lado certo da vida.
Todos os que amo, amei ou amarei, mas também aqueles que saíram do combóio numa qualquer estação.
A vida moldou-me, mas no contexto geral não poderia ter pedido mais. Sinto-me feliz, sempre me senti assim.
O Director Geral da OMS voltou a lembrar que os países mais ricos receberam 83% do total de vacinas disponíveis e os mais pobres apenas os restantes 17% ( 11.05.2021 ).
Esta é apenas uma razão mais, para acreditar que o ser humano, além de não ser solidário, é inerentemente burro. Se a nível mundial não consegue perceber que o planeta não tem fronteiras e que o que afecta um afecta todos, jamais conseguirá perceber o que quer que seja.
Pessoalmente, acho que na espécie humana, talvez haja 1% que seja solidário e inteligente, e terá que ser essa gente a carregar às costas com os restantes 99%.
Ou não!
Há cerca de 78 mil anos uma criança da espécie Homo sapiens (a nossa) foi enterrada numa gruta no actual Quénia. Depois de tantos anos, partes do seu esqueleto foram encontradas e as análises levaram uma equipa internacional de cientistas a concluir que este é (por agora) o enterro mais antigo feito pelos humanos modernos em África.
Sei que daqui a quinhentos anos, continuará a ser reconhecido como uma das maiores obras jamais escritas. A Rolling Stone em 2012, considerou que era o melhor album de sempre. Estou completamente de acordo. O conjunto da sua obra torna-os únicos, e viver essa época foi uma coisa maravilhosa.
Tem vezes em que o mar se espanta
Se espuma, se irrita, recua e avança
Soa na minha porta numa ira incontida
Vagas de origens profundas, distantes
Verdes escuras na garupa dos ventos
Tem vezes que é azul, silencioso, doce
Numa calmaria de convite irrecusável
De mergulhos inesquecíveis no silêncio
Tem vezes que os mares se enchem de rios
Ou os rios se enchem de todos os mares
No vaivém das noites e dias vagabundos
No lugar, onde tempos e marés se dobram
Tem vezes que revela velhos naufrágios
De outras vezes esconde-os na eternidade
Longe dos olhares do universo em redor
Ou guarda memórias de tantos acalantos
Cúmplice de outras vidas que ficaram atrás
Tem vezes em que se enche de cidadelas
Luzes cruzando-se em rumos desconhecidos
Ou o breu de tantas noites desesperadas
Lobito, Abril de 2021