A primeira vez que vi na televisão, o senhor que é o chefe da autarquia do Porto, achei-o sinistro. O tempo vem dar-me razão.
Após uma carga violenta sobre a população acampada, veio dizer que tal não era permitido pela Constituição, que se tratava de perigosos extremistas de esquerda, blá, bla, blá.
A conversa do costume, balizada também pelo Primeiro chamando os manifestantes de egoístas, e pelo Ministro da AI, que vociferou a frase seguinte: ai de quem provocar o caos.
Não sei onde andava esta gente no 25 de Abril, mas lembro-me que no dia 26 de Abril, não havia em Portugal nenhum fascista, apenas gente de esquerda. E nós vimos o que aconteceu. Figuras conhecidas, militantes activos do MRPP, terminaram os seus dias de esquerdalhos na extrema direita.
Não aprenderam a lição. Esqueceram o Maio de 68 e a crise académica de 1969. Na altura também nos apelidaram de perigosos esquerdistas, comunistas e muito mais. Na altura também tentaram reprimir violentamente a massa estudantil, sem sucesso, e a Academia não mais parou até 1974. Nunca ouviram falar, do Burkina Faso, Mali e Niger. Nunca irão perceber o que se está a passar.
Continuam com a mesma retórica velha, serodia, dos tempos bafientos do salazarismo.
E, no entanto já nessa altura Zeca Afonso, figura maior da resistência coimbrã e nacional escrevia "a morte saíu à rua num dia assim".
Claro, que nunca ouviram falar em desobediência civil. Claro, que jamais perceberão, que quando um povo sai à rua, os seus dias estão contados.
Resta a esperança e a certeza de que a procissão ainda agora saíu do adro. Esperemos pelo que aí vem.
Sem comentários:
Enviar um comentário