É assim a vida em TERRAMAR, onde dragões e feiticeiras se juntam e contam histórias em que tudo pode acontecer.
quarta-feira, abril 29, 2009
GRIPE
terça-feira, abril 28, 2009
COISAS DE ABRIL II
águas mil.
25 de Abril,
cravos mil vezes mil.
Se então alguém me falasse
em malmequeres
só de bem-querer,
não seria utopia.
Eu teria acreditado;
subscreveria,
com alegria,
em euforia.
Dia memorável.
Vivi-o em Coimbra,
pela rádio,
pela televisão.
Emoção.
Exaltação!
Mas...
anos volvidos
manto de desilusão:
cravos emurchecidos,
esmagados;
sonhos postergados,
espezinhados,
por uns malvados,
sem contemplação.
Que desilusão!
Não mais amanhãs que cantam;
antes desencantam.
Hipocrisia.
Iniquidades.
Mal-feitorias.
Aleivosia.
Podridão.
Dizem que a esperança
é a última a morrer.
Será?
Oxalá!
Maria de Lurdes
sábado, abril 25, 2009
COISAS DE ABRIL
Em declaração pública, manifestaram-se violentamente contra a progressão na carreira de Otelo Saraiva de Carvalho.
Abril, dá-lhes o direito de dizer todas as aleivosias que entenderem, sem que nenhum mal lhes advenha disso.
Como já disse, a História é cruel. Otelo faz parte da história de Portugal, sempre fará. Será sempre um dos capitães de Abril. Cometeu erros no percurso e pagou por eles.
Mas na essência, lutou para que em liberdade, até diatribes do género fossem possíveis.
Deveriam estar-lhe agradecidos, mas a ideologia fascizante que professam, não os deixa ver nem adiante, nem para trás.
Nos compêndios de história, actuais e futuros, o nome de Otelo estará sempre, junto com todos os companheiros que nos ajudaram a libertar da tirania fascista.
Paulo Portas, ficará enterrado no anonimato perpétuo.
E, é isso que ele nunca conseguirá compreender.
GED
sexta-feira, abril 24, 2009
ABRIL E EU
Acredito em almas gémeas, em transmissões de pensamento, e coisas congéneres. Por isso, hoje pasmei quando vi o post no blog do Manel. Tinha pensado, que hoje quando chegasse a casa, faria um texto do género. E, digo do género porque ao ler o dele, achei que era excelente, que estou totalmente de acordo, ou quase, o que é raro, e que jamais conseguiria fazer nada tão bem feito.
Depois destas premissas aqui vai.
Em 1974, estava longe de estar amadurecido para estas questões, mesmo tendo em conta que vivi toda a crise académica activamente e do lado certo da barricada.
O 25 de Abril, não me apanhou de surpresa, já o pressentia nas conversas que tinhamos. Depois, foram vários anos de muita luta, de alegria contagiante, em que a palavra de ordem, era de que tudo era possível. No entanto ao contrário do Manel, continuo a manter aquilo que ele chama de romantismo.
Consigo olhar para trás e fundamentalmente olhar para a frente e sentir que tudo valeu a pena e que tudo valerá a pena sempre. Continuo com a firme convicção de que estarei sempre pronto para intervir e para voltar a ser ingénuamente feliz se for caso disso. Olhando em redor, não há nada que não repetisse. O tempo que passei em Angola, em plena revolução, foram dos mais felizes e simultâneamente dos mais duros da minha vida.
Faço minhas as palavras de um Capitão de Abril: aqueles anos já ninguém mos pode tirar!
Tudo isto, é apenas um intervalo que vai passar certamente. Posso olhar com um olhar maduro e crítico para tudo o que se passa, mas continuo a sentir que isto é efémero e que um dia tudo voltará a ser possível.
A História é cruel, no sentido em que o que aconteceu já não pode ser modificado. Os países do nosso país, estão aí, dando passos, muitos errados, mas caminhando para o futuro deles e também o nosso.
Podia ter sido melhor?
Absolutamente.
Provávelmente, a única diferença que me separa do Manel, é que eu sou um optimista. Tento tirar da vida aquilo que ela tem de melhor para me oferecer. O Manel é um eterno pessimista, sempre vendo o lado pior das coisas. Mas que é um dos meus grandes amigos e a minha alma gémea, lá isso é.
Ainda que renegue o "Che", ou tudo o que aconteceu e tem vindo a acontecer em Cuba.
Não mudei uma linha ao meu pensamento político de base. Muitas coisas, discordei violentamente. Deste lado da barricada, cometeram-se também erros tremendos. No entanto, a amizade, a solidariedade, a luta contra a marginalidade, a correcção dos enormes desvios sociais, a igualdade de oportunidades, continuam incólumes na base do meu pensamento.
Continuo a pensar que malmequeres, só de bem-querer, ainda que a Maria de Lurdes pense nisso como uma utopia.
25 de Abril, sempre.
quinta-feira, abril 23, 2009
HAIKAI SEVEN
Um raio de luz
Esta terra que te vê
Projectado lá
Para o Henrique
Um raio de luz
Aconteceu em Abril
Reflectido lá
Para todos
Águas de Abril
Correndo para o mar
Passando por lá
Fernando Marta
terça-feira, abril 21, 2009
TANKA
Saudades tamanhas
Até um dia...
Estendem suas mãos
Surgem novas estrelas
Anabela Simões
segunda-feira, abril 20, 2009
HAIKAIS
E, sempre a um nível muito alto.
Desculpa lá Fernando, mas vão para a página da frente.
Amanhã terás que aturar a Maria de Lurdes, a dizer-te e com razão, que tens talento para dar e... vender. E, eu estou totalmente de acordo. A propósito, alguém viu o Manuel "Sampas"?
Grande abraço.
Henrique
Aconteceu cá
Desabrochar em Abril
Dar fruto por lá
Calor de Abril
Esta terra que te viu
Crescendo por lá
SAUDADE
Não mais do que ontem ou do que amanhã.
Mas hoje por força das circunstâncias, é mais doloroso, custa mais.
A saudade cola-se com mais força.
Acredito que voa feliz nos ventos diferentes.
Mas, faz-me uma falta terrível. Falta uma parte de mim.
GED
ANIVERSÁRIO
sábado, abril 11, 2009
REGRESSO
Ao longo desta semana, aproveitei para pôr a leitura em dia. Ao fim de cada tarde, depois de ter esquiado, sentava-me na sala de estar do hotel e ia lendo o que levei. À minha frente, tinha uma grande vidraça que me mostrava a Serra Nevada coberta de neve. Um espectáculo magnífico!
Anteontem, estava a ler um livro recomendado pelo Hamilton: Desmedida (crónicas do Brasil) do Ruy Duarte de Carvalho. Já o tinha há bastante tempo, mas só agora consegui começar a lê-lo. Já sabia que era denso e tenho-me entretido com coisas mais leves.
De repente tudo fez sentido. Tinha a serra à minha frente, ouvia no ipod trechos do Out of África e lia um livro que versa as relações antigas entre o Brasil, Portugal e Angola.
E de repente, o meu mundo fez sentido. Deixei de ver a Serra Nevada. À minha frente estavam anharas sem fim. E, vi zebras correndo desenfreadamente em direcção às montanhas distantes.
Deixo-vos aqui o trecho do livro que estava a ler na altura. Aconselho-vos a comprá-lo se se interessam por estes temas. Dele já li outro livro magnífico: Vou lá visitar pastores.
A África, para homens de cultura ocidental do tempo de Burton, é uma reserva de horrores e de insalubridades, um continente maldito, teatro do horror absoluto e de uma estupenda selvajaria originária... E é a pátria do sangue poluído, amaldiçoado e negro, dos descendentes de Cam, filho de Noé. Se embriagou Noé, e adormeceu, descomposto dentro de sua tenda. E seu filho Cam o viu assim e falou disso, a rir, a Sem e a Japhet, seus irmãos mais velhos. Os quais se muniram então de um pano e entraram na tenda às arrecuas, para cobrir sem ofendê-la, a nudez do pai. Depois de acordar e de vir a saber como se tinha comportado Cam, seu filho benjamim, Noé amaldiçoou-lhe a descendência: será servidora e escura. É a partir daqui, parece, que as interpretações talmúdicas e as tradições judaicas associam a cor negra à servidão imposta à descendência de Cam. ... E a partir daqui viraria ensaio... Desde o século dezoito que a identificação dos filhos de Cam aos povos negros se tinha tornado uma espécie de evidência capaz de justificar a escravidão e a evangelização ao mesmo tempo. Mas, reconsidera-se ao longo do século dezanove, a exegese da bíblia ao mesmo tempo que começam a ter lugar as especulações e as observações dos exploradores que visitam África. Ao monogenismo bíblico substitui-se um poligenismo científico que exclui os povos negros da linhagem noémica e favorece o embranquecimento de Cam. Os três filhos de Noé passam a representar três ramos da raça branca. Os povos negros escapariam assim às origens iniciais. Alarga-se o fosso entre brancos e negros. Para a expansão ocidental é impossível admitir uma qualquer civilização negra e é reconsiderada uma ascendência asiática para os egipcios.... É instaurada uma distinção fundamental entre populações africanas absolutamente negroides e não inteiramente negroides...
E por aí adiante. Acreditem ou não, só muito mais tarde a igreja (sempre a igreja), lançou um decreto papal, afirmando que os indios do Brasil afinal eram seres humanos!
Fiquem bem.
Um abraço
GED
quarta-feira, abril 01, 2009
FÉRIAS
Durante dez dias, mandarei às urtigas, os jornais, as notícias, a igreja, os dislates que vão correndo pelos noticiários, a Casa Pia e similares, a crise (?). Apenas levarei comigo os amigos (as) e os skis. Para os pobres mortais que não vão ter este privilégio, fica aquele abraço e a certeza de que voltaremos a encontrar-nos em breve.
No entretanto, vão-se divertindo como puderem.
NOTA: enviaram-me um email fantástico. Uma estação de televisão, resolveu, percorrer mundo e contactar cantores de rua. Fez um programa com eles tocando em simultâneo, cada um nos seus países. O resultado é absolutamente fantástico.
Fica o "site", como a minha despedida: CANTORES DE RUA
GED
quinta-feira, março 26, 2009
O PESO DE ALGUMAS PALAVRAS
Vejam esta em http://diariodaafrica.blogspot.com/2009/03/oracao-de-sapiencia.html
quarta-feira, março 25, 2009
PAPA?
Basta lembrar, quantos pedidos de desculpa tiveram que fazer nos últimos tempos.
Nem Leonardo escapou.
No século XXI, seria de esperar que tivessem aprendido a respeitar, pelo menos os ideais do seu Criador. São 2100 anos caramba!!
Nada disso.
Esta visita a Angola, mostrou a verdadeira face desta igreja, retrograda e incapaz.
Em dois dias fez mais pela SIDA, do que a própria SIDA tem feito.
Deviam ser feitas as contas a quanta gente vai morrer, se acreditar no que lhes foi dito.
E, quando daqui a algum tempo, vierem pedir desculpa por esse erro, claramente lhes devia ser dito, que fossem para o diabo que os carregue.
GED
sexta-feira, março 20, 2009
HAIKAI
Trovoada e relâmpagos no céu
Terra natal.
A Anabela apaixonou-se por esta forma de poesia.
Presenteou-me (nos) com este, lindíssimo.
GED
OPINIÕES II
Primeiro, quero mostrar todo o meu orgulho por ter amigos assim. Daqueles com quem a gente pode discordar, sem beliscar a amizade profunda que nos liga.
Depois, quero discordar concordando.
Claro, que sou fã de Borges. Claro que sou fã da boa literatura europeia, mas fico por aqui.
Falando dos escritores de expressão lusófona, apenas me cabe dizer, que não retratam de todo apenas a literatura regional. O que mais me encanta neles, e aí começa a discórdia, é o seu lado onírico, mágico, imaginativo, jovem, sem fronteiras. Que os coloca ao lado de um Sepulveda por exemplo.
Comparar Mozart com Tom Jobim ou com os Beatles? Absolutamente.
Dentro do tempo julgado conveniente, estarão no mesmo estatuto.
Daqui por 500 anos, todos se lembrarão de Mozart, mas também se lembrarão de Jobim e dos Beatles, como se lembrarão de todas as obras intemporais.
Como se lembrarão de Eça de Saramago, de Luandino.
Embrulha...mas desta vez um enorme abraço de amizade.
GED
quinta-feira, março 19, 2009
SEM MARGENS
Transbordando alucinações
Pirilampos indecisos
Boiando na noite
Silêncio das pedras ainda quentes
Vapores, flutuando madrugadas.
Lágrimas de chuva
Na pele nua
Olhos azuis brilhando desejos
Em cada estrela do céu
Ritmo frenético do louvadeus
Sismando passos firmes
Encharco-me de tardes
Malmequeres só de bem querer
Rios deslizando bagres
De cor púrpura
Virgens parindo ternuras
Pairam no ar borboletas azuis
Chão estremecido de calores
Loucos cultivando sonhos
Olhares distantes da demência
Raios de luar
Cravados no chão adiante
Crianças felizes abraçando confortos
Sem margens.
GED
quarta-feira, março 18, 2009
BLOG
segunda-feira, março 16, 2009
OPINIÕES
A um deles perguntei-lhe o que tinha achado. Vale aqui dizer, que estamos profundamente em desacordo em muitas coisas... como é hábito entre grandes amigos.
Do alto do seu urbanismo profundamente europeu, respondeu-me que achou bonito, mas ainda muito imaturo, quando comparado com os grandes e vetustos ( o adjectivo é meu) escritores europeus.
Claro, não posso estar mais em desacordo. Comprei o último livro do Ondjaki, sobre poesia.
Não resisto a deixar-lhe aqui, um pequeno fragmento.
Tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
Certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento.
Não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
Era de difícil manejo - mas funcionava.
Grande abraço
GED
quarta-feira, março 04, 2009
ANGOLA
segunda-feira, março 02, 2009
DIETAS E OUTRAS LOUCURAS
terça-feira, fevereiro 24, 2009
SAUDADE
Saudade
Saudade tamanha que sinto
Saudade donde não estou
Já com saudade não minto
Com saudade eu me vou
Com saudade quem não vem
Saudade também se tem
Também saudade de alguém
Saudade do que não vem
E saudade quem não tem
Saudade daqueles que vão
Saudade dos outros que não
Com a saudade cravada
Bem funda no coração
FMartaNeves
24 Fev 2009
sábado, fevereiro 21, 2009
SAUDADE
Só a palavra é estranha. Bem portuguesa dizem todos. Homesickness é a melhor aproximação que conheço.
Tão estranha e perigosa, que amigos meus, como a Anabela, tendem a rejeitá-la, sem o conseguirem como se viu.
Saudades de casa, do meu país. Não me tira o sono, mas permanece latejando sem que muitas vezes dê por isso.
É doentio?
Claro que não. Doentio é deixar-se envolver por saudades que não têm a ver com saudade.
O que sinto falta mesmo, é do calor, da espuma traçando alinhavos na areia, da água quente do grande mar, do espaço sem fim, dos silêncios absolutos, do céu cravejado de luzes. E esta saudade alimenta-me.
As outras "saudades", não estão na minha maneira de ser.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
SAUDADE
Existem amigos que estão perto, outros longe, outros no pensamento e outros no coração.
Aceitei este convite muito honrada, feito por um amigo de longa data e que para mim tem quase todas estas componentes, excepto a de estar longe.
O meu grande problema é o engenho e a arte...
Pensei um pouco e resolvi escrever sobre "Saudade", sem nostalgias mas sim com alegrias e boas recordações.
Costumo dizer que não sou saudosista e que gosto de viver o presente o melhor possível , sonhando por vezes com o futuro e recordando o passado sem tristezas.
Passaram tantos anos em que nos afastámos a memória começa a trair-nos.
Já vos tinha encontrado (através de um amigo comum cubalense) e tinha-vos perdido.
Reencontrei-vos neste mundo virtual e com toda a felicidade vou-vos seguindo (ainda com muita timidez), não muito própria da minha maneira de ser africana.
Pergunto-me o que me levou a procurar tudo o que está relacionado com o Cubal e convosco, e que todos os dias me leva a saber notícias vossas.
E descobri: é SAUDADE, palavra que normalmente rejeito.
Obrigada Henrique por tudo o que nos tens dado.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
O TEMPO QUE SONHO E SINTO /DO CACIMBO DISTANTE
Finais de Junho
Dia lindo, de sol.
Claridade sem igual
...Lindo dia...
Há muito não via
Fresco, sem frio.
Ventinho de ar seco
Respiro fundo,
Neste lado do mundo
...Longe do Cubal...
Ai que saudade...
E, de repente
Um arrepio
Mas não de frio
Sinto-me ausente
Algo distante...
Entrando no Estio...
Um calafrio!
De tanta ausência?
Tanta distância...
...É a saudade...
Há qualquer coisa no ar...
Que me faz lembrar...
Vou aproveitar.
Aproveitar o momento,
Fechar os olhos
Sentir o vento
Sonhar...
...E voar...
E viver!
Viver e esquecer
Viver com este ar
Viver a sonhar
Neste local
Do meu Portugal
...tão distante...
Adiante!
Mas esquecer...
Acreditem, não minto,
Isto que eu sinto...
Sinto a ausência
Sinto a distância
Sinto um vazio...
Sinto-me flutuar...
Se pudesse voar...
...Naquele céu planar...
É tanta a saudade...
É mesmo verdade
Que sinto este tempo
Este tempo de Estio
Nem quente nem frio
Que sinto este tempo
O Tempo do Cacimbo...
Com um nó na garganta
O tempo que sinto...
Sinto, mas afinal...
...Não no Cubal...
Sinto-me perdido
Algo ferido...
Aquela terra distante
Sempre presente
A África ausente
Na África Austral
Que vontade tanta
De estar...
De voar...
De sonhar...
De respirar...
...No Cubal.
Valongo/Porto, 12-Fev-2009 (Um daqueles dias “parecendo verão...quase”, depois de uns intermináveis dias de chuva…, da tal, de faz de conta. Inverno cá, Estio lá. Lá com chuva, muita e forte chuva, daquela, da outra e muito sol... Cá, ouvindo os Guns N Roses- Live and let die - de Paul McCartney- uma daquelas músicas…).
FMartaNeves
NOTA: como se pode ver, pelos dois "posts", de dois amigos, o blog só pode mesmo, ficar mais rico.
Um abraço
GED
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
PLANETA REDONDO
Hoje vim a saber por portas e janelas escondidas, que alguém no Lobito, se dá ao trabalho de ler o meu blog. Chama-se Arnaldo, não o conheço, mas vou conhecer de certeza. Anda nos mesmos circulos que eu e os amigos são comuns. É mais um para acrescentar a essa pequena lista.
Como é que soube?
Isso é outra história para contar num futuro próximo de viva voz.
Pena é que não deixe comentários.
Um abraço
Henrique
domingo, fevereiro 01, 2009
GLORIOSO
Ontem, no jogo foi perceptível o entusiasmo do público quando Mantorras entrou. Esta empatia, tem a ver com tudo o que não é habitual. A entrega total e a humildade com que o nosso angolano sempre se apresenta, ao contrário de tantas outras "estrelas" que conhecemos.
O posicionamento na área, a rotação perfeita tirando do caminho o defesa e depois o remate certeiro, limpo, para as malhas.
Mantorras e o seu percurso, fazem-me lembrar uma frase dita, creio que por Sofia de Melo Breyner: Nunca choraremos bastante ao ver o gesto criador ser impedido!
Ontem também vi a notícia de Eusébio prestando homenagem a Lev Yachine, visivelmente comovido.
Todos os amantes do futebol se lembrarão do famoso golo que Eusébio marcou. Todos nos lembramos também, do abraço fraterno e do pedido de desculpas que se seguiu. Mais do que o melhor guarda-redes do mundo, para Eusébio tratava-se de um idolo merecedor de todo o respeito.
Cada vez o futebol tem menos disto. Desta grandeza que faz com que eu e muitos milhões continuemos a achar que é o melhor desporto do mundo.
GED
segunda-feira, janeiro 26, 2009
PLANETA TERRA
Esses quatro, por força, dezasseis.
Sessenta e quatro a estes contareis
em só três gerações que expomos nós ( ... ).
Se um homem dá tanto cabedal,
dos descendentes seus, que farão mil?
Uma província?
Todo o Portugal? (*)
Por esta conta, amigo, ou nobre ou vil,
sempre és parente do Marquês de Tal,
e também do porteiro Afonso Gil."
(*) No caso das nossas famílias: "o planeta Terra?
Alguém por piada, mandou-me este email, há alguns meses.
Não liguei muito, mas a verdade é que de vez em quando estas palavras me vinham à cabeça!
Se contarmos com as infindáveis gerações e respectivas permutas, acabamos por ser todos família. Palestinianos, israelitas, afegãos, americanos, chineses, russos, africanos e por aí adiante.
O conhecimento absoluto do genoma humano irá dizer-nos isso.
terça-feira, janeiro 20, 2009
RETRATAÇÃO
O meu querido amigo.
Anda, vem lá para aqui,
Vem ter connosco, comigo.
Que se passa? Diz! Amigo.
O que se passa contigo?
Sei agora o motivo…
Estavas a ensaiar o voo,
P'ra voar de vez um dia.
Estavas tu a ensaiar…
Voar…nunca mais voltar.
E a gente, não sabia…
Fernando Marta
Nota: este belíssimo poema, que me toca tão profundamente, foi-me enviado por um amigo de longa data, dos tempos do Kaparandanda. Agradeço-lhe.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
MUKANDA
De tanto que já viram
Ainda me servem os sapatos
Com que reinvento o chão
Um dia deixarei de dançar
As danças há muito aprendidas
Mas não hoje
Atrevo-me em novos passos
No eterno baile da vida
O meu rumo é sempre sul
O primeiro chão que pisei
Onde estão os meus imbondeiros
Areias douradas e o mar azul
Desembrulho os meus sonhos
Neste tempo longo de esperar
Revejo tantos quartos vazios
Na casa da minha vida
Um dia deixarei de dançar
Em cima da linha do horizonte
Mas não hoje
Tempo de kissanges e batuques
De saltar e levantar poeira
Arrastar amigos nesta vertigem
Aprender mais uma vez a viver
Sem anunciar preconceitos
Apenas a minha caixa de madeira
Cheia de todos os meus sonhos
Um dia deixarei de dançar
Esta eterna valsa entre continentes
Mas não hoje
GED
quarta-feira, janeiro 07, 2009
CONVITE
A apresentação estará a cargo da escritora angolana Ana Paula Tavares.
terça-feira, janeiro 06, 2009
FAIXA DE GAZA
Não gosto particularmente mais dos árabes que dos judeus. Ambos têm uma história que não me atrai para nenhum dos lados.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
BOAS FESTAS
Para esses especialmente e, para todos os outros que aqui passam, deixo os votos de um bom Natal.
O Ano Novo, esse será o que cada um quiser.
Por mim, quero continuar a ser feliz, e quero que todos o sejam.
Um abraço
Henrique
THE MOST EXPENSIVE CITIES IN THE WORLD
Some of the most expensive locations in the world for expatriates are in Africa with Luanda (Angola), and Libreville (Gabon) featuring in the top 10. Maseru, Lesotho, remains the cheapest location in the survey and is one of 7 African locations in the bottom 10 globally including Durban (236) and Gaborone (Botswana) (235) where the weakness of the Rand and Pula, respectively, have contributed to low cost of living.
For expatriates, particularly those paying with US dollars, Angola’s capital Luanda is the most expensive city in the world. The cost of living for those hankering after imported food rather than local produce is higher in this African metropolis than in Tokyo, Paris or London. ECA International, which carried out the research, explained that its cost of living survey compared a basket of 128 consumer goods and services commonly purchased by expatriates in over 370 locations worldwide. “Certain items and brands typically purchased by expatriates, can be very expensive in a location such as Luanda where they are not readily available locally.”
Methodology
The research for ECA’s 2008 survey was conducted in March 2008 and is based on a basket of goods and services most commonly purchased by western expatriates. The basket does NOT include items such as accommodation, utility costs, school fees or motoring costs. ECA International is the world’s largest association for human resources (HR) professionals. It was set up in 1971 and includes among its partners companies such as Deutsche Bank, Robert Bosch, Fujitsu Services, Heineken, Philips und Rolls-Royce. The organisation provides remuneration advice and data for internationally operating companies.
http://www.citymayors.com
http://www.citymayors.com/statistics/expensive-cities-intro.html#Anchor-Research-47857
segunda-feira, novembro 24, 2008
DE ONDE EU VENHO...
Fazem-no com um enorme carinho, claro está, mas eu não penso assim.
Corre-me nas veias sangue fenício por parte do meu pai, e sangue de todas as tribos que ocuparam o norte de França por parte da minha mãe.
Esse é o meu património genético.
Depois, por força de circunstâncias, os meus pais ofereceram-me a maior prenda de todas as que recebi até hoje. Deram-me uma Pátria.
E, é isso que eu sou apenas. Um angolano. Sem margem para dúvidas.
GED
domingo, novembro 09, 2008
OBAMA
Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.
É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença. É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.
Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia. Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América. Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.
O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta. Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama. Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.
E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites. Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.
Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir. Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.
Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.
Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.
Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.
Esta vitória é vossa.
E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.
Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.
Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.
Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.
Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.
Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.
Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.
Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.
Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.
Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.
Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.
Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.
São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.
E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.
E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.
Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.
É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.
Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.
Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.
Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.
Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.
Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.
Sim, podemos.
América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.
segunda-feira, novembro 03, 2008
MAGALHÃES
segunda-feira, outubro 27, 2008
FIM DE SEMANA
O Glorioso ganhou, o Porto perdeu e o Sporting empatou.
Estou feliz, mas não tanto como devia.
O Benfica jogou mal, os mercenários da equipe mostraram mais uma vez não ter raça. Mentalmente são muito fracos e qualquer pequeno abanão os desiquilibra.
São as nossas "estrelas".
As mesmas que vão representar não sei bem o quê na selecção luso-brasileira.
quinta-feira, outubro 09, 2008
PRÉMIO NOBEL
Respondi-lhe que sim, mas que desconhecia por completo o senhor.
Se fosse padre tinha-me excomungado naquele momento.
Na altura apeteceu-me dizer-lhe alguma coisa. No entanto preferi o silêncio e distanciei-me.
Apetecia-me perguntar, que sabia ele de Jorge Luis Borges, ou de Sepulveda ou de Ondjaki, ou de Ana Paula Tavares, ou de Herberto Helder ou... se sabia que escritor tinha recusado recentemente o prémio Camões.
Apetecia-me vê-lo a estrebuchar na sua ignorância de uma cultura balofa.
Só não o fiz porque achei que era muita humilhação e porque sei que costuma ler o meu blog.
Um abraço
GED
segunda-feira, setembro 29, 2008
segunda-feira, setembro 22, 2008
BRANQUEAMENTO
Estou a falar de "carjacking", "homejacking", motojacking", e mais alguns "jackings" que não vale a pena referir.
Posso estar a ser ignorante, estou a sê-lo com certeza pois o meu inglês é um pouco limitado, mas creio que estão a falar de roubos de carros, de casas de motas.
Se é isso então por que é que estão a dizê-lo em inglês?
Soa melhor?
Dá o ar de que somos menos ignorantes como povo?
Este fenómeno do branqueamento e abrilhantamento das situações já não é novo. Aquela ideia abstrusa de chamar os bois pelos nomes parece ser caduca.
Senão vejamos.
Antigamente nos colégios, liceus, hospitais, repartições, empresas, etc, havia empregados de limpeza e, verdadeiramente era isso que faziam. Se alguém limpa alguma coisa, por que raio é que não é um empregado de limpeza?
Envergonhados de serem empregados (!!!), passaram a chamar-se auxiliares de acção.
Verdadeiramente o meu merceeiro é também um auxiliar de acção polivalente.
Ajuda-me a mim e a muitos outros profissionais a sermos mais eficazes nas respectivas áreas.
O que mais iremos branquear nesta estúpida viagem de algumas cabeças, que acham que avançamos alguma coisa só por mudar os nomes?
GED
segunda-feira, setembro 08, 2008
M. P....
O meu M venceu as eleições nas 18 provincias de Angola.
Já fiz a festa e celebrei com os amigos.
A luta continua.
Aquele abraço
GED
domingo, setembro 07, 2008
ASAS
Como qualquer ave, aliás
Cresceram-me asas durante a noite
Definitivamente
Renego o destino da pedra
Permanentemente presa ao chão
Ausência de sonhos de ver mais longe
Voo acima das cordilheiras
Sem pressas, planando no calor
Desafio sapos e salamandras
Rastejando vidas inquietas, limitadas
Distancio-me
Viajo para onde o mar encontra a terra
Se conseguir tocar no horizonte
Estarei perto do fim da minha viagem
GED
sexta-feira, agosto 01, 2008
AGOSTO
LIMPEZA ÉTNICA

"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
Há alguns dias atrás tinha-me referido a este tema. Não resisto a colocar aqui este texto de um dos nossos jornalistas mais sérios. Afinal, não estou sózinho no "politicamente incorrecto". Ainda bem!
quarta-feira, julho 30, 2008
UNITED COLORS
Ela branca e ele negro.
Aproveitei logo para perguntar: onde é que nasceu?
Já me estava a ver a falar do que mais gosto, da minha terra, de Angola.
Disse-me: nasci nos Açores.
Disse-lhe eu: porra, isto está tudo de pernas para o ar. Eu sou branco e sou angolano, você é negro e nasceu nos Açores.
Faz sentido, continuar a haver basbaques que sejam racistas?
GED
segunda-feira, julho 28, 2008
O PODER
quarta-feira, julho 23, 2008
OPINIÕES
Sei, já o disse à exaustão, que estamos no tempo do políticamente correcto, do oportunismo, do carreirismo e de outros "ismos", que não têm nada a ver com outros mais antigos "ismos".
De uma assentada, aproveita-se o momento e dá-se a facadita em quem já faz este tipo de terapêutica em Portugal.
Eu, se fosse ministro, não gostaria nada de ver o meu nome associado a tais dislates.
GED
quarta-feira, julho 16, 2008
POLITÍCAMENTE INCORRECTO
sexta-feira, julho 04, 2008
O VÓMITO
Hoje liderado por Manuela M. Guedes, com o seu inenarrável comentador Vasco P. Valente.
A última intervenção deste senhor, versou sobre a libertação de Ingrid Betancourt, as FRAC (palavras dele), a Colombia, os camponeses, etc.
Do que se conseguiu perceber, deu para ver, que o senhor não percebe patavina do que está a dizer.
Maldita entidade reguladora, que nunca está quando é preciso!
GED
segunda-feira, junho 23, 2008
ZIMBABWE
Convenhamos que não é inédito o que se está a passar no Zimbabwe. Claro, que em muitas outras latitudes, o cenário é o mesmo e provávelmente pelas mesmas razões.
Candidatos a ditadores e, ditadores consumados há-os por todo o lado. Localmente todos conhecemos os "ditadorzinhos" que nos cercam. Parece um mal inerente ao ser humano.
Mas não é.
É apenas fruto da ignorância do povo e da cobardia desses mesmos ditadores, incapazes de controlar o destino do seu país e o seu próprio destino. Aposto que o ditador Mugabe vai ter um triste fim.
Vale nesta altura, relembrar a diferença.
Homens como Senghor ou Mandela, recordam-nos que a verdadeira força reside no facto de a sabermos partilhar com equidade.
GED
sábado, junho 14, 2008
quarta-feira, junho 11, 2008
CIDADANIA
quarta-feira, junho 04, 2008
REGRESSO
quinta-feira, maio 01, 2008
EDUARDO WHITE
Por Eduardo White.
Ilustríssima Senhora Vida
Distinta,
Quero um poço fundo para morrer. Um poço fundíssimo onde morto eu não me possa rever. Um poço escuro, Ilustríssima senhora, um poço que arda entre o silêncio e a escuridão, um poço que doa só de nos vermos na sua vertigem, um poço que abra as vísceras terrenas da solidão. Quero um poço fundo, um fundo poço para morrer e não outro poço que seja este em que me estou a perder. Longo, obtuso, fantasmagórico, com chamas que queimem, que subam aos olhos de quem me queira reaver.
Um poço por favor, é tudo o que estou a pedir-lhe, é tudo o que eu pretendo ter, um poço onde morra intranquilo como me condenou a viver. Porra que quero um poço, é tão difícil um poço onde a morte me possa merecer? Então dê-me, com urgência, com a veemência concreta de um ódio qualquer, mas que seja puro e mau e perverso e tenha lanças que me trespassem a barriga e me partam em absoluto a minha espinha dorsal.
Eu quero um fundo, um poço fundíssimo, um poço escuro para que possa morrer tão perfeito e completamente como nunca assim pude viver. Porra, um poço. E isso custa dar-me sem pedir-lhe deferimento? Custa tanto autorizar o que a faz rir? Senhora minha e Ilustríssima, um poço bem mais fundo que o seu, bem mais escuro, bem mais vertiginoso, bem mais lamacento que o corpo com que a ele me vou atirar. Um poço, Digníssima, onde morto eu não a oiça nem falar nem tão pouco doer-se de respirar. Um poço que seja talqualmente este fosso de onde lhe requeiro isto e onde a vida, depois que demitida, seja em si um sólido quisto.
Atenciosamente
Um baixíssimo cidadão
Eduardo White
(Para quem não conhece Eduardo White, faça o favor de pesquisar e de ler tudo o que está publicado. Poeta maior da língua portuguesa )
GED
terça-feira, abril 29, 2008
NOTÍCIAS DE ANGOLA
Coreógrafa defende reformulação do sistema de ensino no país
29/04/2008
A coreógrafa Ana Clara Guerra Marques defendeu sábado, em Luanda, a necessidade de se rever o sistema de ensino da modalidade artística da dança, com o intuito de a tirar da fase de estagnação em que se encontra actualmente e impulsionar a sua evolução e divulgação.
A propósito do estado actual da dança em Angola, a coreógrafa avança que, apesar de não estar na «estaca zero», se não se rever as metodologias de ensino das danças, tornando-o mais eficaz, haverá muitos problemas, tendo em conta a evolução que se vem registando a nível mundial. Não obstante «o grande esforço» feito pelos profissionais que leccionam na Escola Nacional de Dança, adianta, há muito caminho por andar, exigindo mudanças nos métodos de ensino empregues actualmente, por, no seu entender, já não irem de encontro com as inovações que se aplicam no mundo moderno das danças.
«Se queremos ver evoluções na dança, temos que mudar muita coisa no processo de ensinamento. Temos que nos adequar aos novos métodos modernos, fazendo com que os bailarinos e coreógrafos aprendam cada vez mais e façam cada vez mais coisas novas e boas para a dança», defendeu.
Reconhece existir muito por se fazer. «Não estamos na estaca zero, mas acho que se não se rever a forma de ensino das danças vamos ter muitos problemas. Há que preparar artistas, bailarinos, coreógrafos para mudar a imagem actual e isto só se conseguirá através de um ensino eficaz», disse.
Segundo a coreógrafa, o grande entrave à evolução e maior projecção da dança em Angola prende-se com o facto de se dar pouca atenção às danças tradicionais e populares, um facto que, no seu entender, faz com que se coloque de lado a cultura tradicional do país.
«Não podemos olhar simplesmente para as danças modernas, há que dar-se espaço e tempo ao tradicional, um elemento essencial para a afirmação dos angolanos, da identidade nacional. Temos potencialidades em todos os sentidos, nesta altura é apenas necessário que se dê maior atenção ao que temos dentro da nossa cultura», realça.
Sem formação não haverá pessoas para pensar e desta forma evoluir, fazendo e dando à dança a abrangência que ela precisa e que tem nos outros países, sustenta. «Já vão os tempos em que as pessoas que fizeram história na dança em Angola se preocupavam com a formação artística, procurando maior evolução, não só individual como também colectiva, fazendo com que a dança tivesse maior visibilidade no país e no estrangeiro», apontou.
«É muito importante o aspecto formativo, porque sem formação não temos profissionais, não temos pessoas para pensar e reflectir sobre os problemas da dança. É necessário que se aprenda outros itens para que se possa praticá-la sem problemas».
Considera que muitos grupos desapareceram ou estão em vias de desaparecer pelo facto de os seus responsáveis e integrantes não terem dado grande importância à vertente formativa. Angola possui uma Escola Nacional de Dança, instituição adstrita ao Instituto Nacional de Formação Artística do Ministério da Cultura.
Fonte: JA
sexta-feira, abril 25, 2008
PORTUGAL....NO SEU MELHOR
Ele que me desculpe mas não posso estar mais em desacordo. Apenas porque, já está dividido há muito tempo. Neste momento está em desagregação acelerada. Dificilmente um partido qualquer que ele seja resiste a Barroso, Santana, M. Mendes e L. F. Menezes.
O primeiro fugiu e está num sítio em que o controlam devidamente. O segundo foi o que se viu. O terceiro deve estar a ter imerecidas férias praticando bodyboard o seu desporto favorito. O último assim como veio foi.
Agora perfilam-se vários candidatos e um morto-vivo. E, já há muita gente a tomar posições para derreter o que falta.
É no mínimo falta de decoro, para com o povo português que não merecia isto. A cereja em cima do bolo é este regresso de S. Lopes. O homem de facto não se enxerga.
A verdade é que continuamos sem uma oposição capaz. Assim não há democracia que resista.
Termino dizendo que eu não sou do PSD, nem de lá perto.
sábado, abril 19, 2008
Pinturas rupestres da Tchitandalucúa - Benguela
estava pejado de lascas de sílex, de quatrtzo que identificamos ter sido obra humana.
Apesar dos círculos concêntricos serem comuns na arte rupestre de todo o mundo, parecendo estar relacionada com a visão do cosmos, já a do "cavaleiro", em Angola é inédita. sexta-feira, abril 18, 2008
CHEGA!
Tirei férias sabáticas do meu país e do meu clube.
O Benfica perdeu com os lagartos. Bateu no fundo.
E eu não acredito em coincidências. Só vejo à minha volta Luises Filipes. Se são Vieira ou Meneses pouco importa.
Estou de férias.
Um abraço
GED
segunda-feira, abril 14, 2008
A IDADE DO FERRO NA TERRA DO GED
As bibliotecas vivas ( os sekulos ) não sabem quantas gerações passaram desde que ali se instalaram ( os estudos mais refinados sobre a tradição oral, permitem chegar a cerca de 400 anos atrás ) pelo que a investigação sobre história local tenha que se rodear de uma série de técnicas para descodificar os sinais do tempo dados pela oralidade, posto que ele, o tempo, não tem o mesmo significado e duração, como entre nós. Por exemplo. quando falam "Ame onekulo sekulo Cahanla" ( eu sou neto do avô Cahanla ) não sabemos se o sujeito referido na frase é o seu avô, ou bisavô, tetravô, ou por aí fora... O tal Caála ou Cahanla pode ter morrido num período de tempo: 100, 200 ou 20 anos. Porém... todos eles dizem que o tal soba veio de outro sítio, sejam eles M'Gandas ou Bailundos ou Seles e se fixou com a sua gente ali.
Esta "amostra" de problemas metodológicos alongar-se-ia, o que não é o objectivo deste post.
Apenas quis dar uma ideia do que se nos depara quando pretendemos pesquisar qualquer facto, sem o recurso à arqueologia.

Localização das estações de Quitavava e Pumbala na carta militar
Regressando à origem da população nesta região, ( vejam na carta os lugares). O que os livros diziam ( há 30 e mais anos que não se publica nada de etnologia e arqueologia sobre esta região, penso eu, como dizem os angolanos "através" da guerra) os M'Gandas chegaram por altura do séc. XVII à região e que esta era ocupada pelos M'Dombes e pelos Vassekeles ( ou Mukankalas ).
Aqueles pressionados pelas invasões dos Jagas, segundo uns, pelos Portugueses comandados pelo governador Bento Banha Cardoso e os seus capitães do mato no início do séc. XVII (1611), fizeram deslocar os povos que habitavam o planalto da Quibala, da Cela para Sul, vindo a atravessar o rio Catumbela e instalando-se nas duas margens. Um grupo deslocou-se mais para o planalto abrigado da Ganda ( na minha opinião esta tese da pressão portuguesa, não parece ter muita ou nenhuma consistência porque não descobrimos nenhuma evidência cultural disso).
Os historiadores Childs, e Hauenstein por outro lado, evidenciam que dentro dos Ovimbundo, os M'Gandas e os Hanha chegaram ao Alto Catumbela, Babaera e por aí fora, no início do séc. XVII, vindos de nordeste, fixando-se os Hanha a sudoeste da Ganda ( Cubal da Hanha ) e os M'Ganda no local onde os conhecemos, embora nada nos digam se vieram do Leste ou do Norte.
Bem... não sabemos sem outros estudos, precisar a origem ( nem os próprios M'gandas sabem ) sem a arqueologia. Até lá é só: "diz-se que...". Ainda dentro deste estado de coisas, o pouco que a arqueologia nos pode dizer é o seguinte:

Foto: Serra do Hondio - Equipa de prospecção da UL - 1973. Foto Ana Sá Pinto
A região foi palco de grandes "macas" entre os clãs Ovimbundo (Huambos, Negolas de Caconda, Hanha, Balombos...) e entre estes e os Ganguelas, Jagas (os célebres Jagas de Caconda a Velha conhecidos dos portugueses) Nyanecas de Quilengues e da Huíla.
Porquê?... Essas guerras são provadas pela fortíssima necessidade de fortificar as povoações, ao ponto de permanecerem em zonas quase inacessíveis como a serra do Hondio (que eu tive, com os meus colegas, a oportunidade de visitar e verificar a complexidade das construções) e as cidadelas fortificadas da Quitavava (Pedreira) descoberta pelo Padre Rocha e a Pumbala (Pedra do Elefante). Essas construções e os objectos neles encontrados, provam um grau de tecnologia avançado idênticas às grandes construções da Zambia e Zimbabue.

Foto: A Quitavava ou Pedreira. Foto em www.cpires.com/alto_catumbela.html





Foto 2: Prospecção da UL em Julho de 1973. Vê-se em segundo plano os restos da muralha no rebordo do plateaux. Para terem uma ideia da altura, reparem na árvore em último plano no meio de um arimbo. Trata-se de um mutiate com cerca de 15 metros de altura. Foto de V.O. Jorge





A ocupação do planalto pelos portugueses, só foi possível na segunda metade do séc. XX quando a população passou a considerar vantajoso os negócios ou o emprego na construção do Caminho de Ferro de Benguela e na plantação de eucaliptos para alimentar as locomotivas, já na década de vinte.
Conclusão: Os M'Gandas tal qual os conhecemos, das duas uma: ou são efectivamente anteriores à fundação de Benguela e permaneceram no local até à sua ocidentalização e "pacificação" no início do sec. XX, ou vieram depois de outro povo lá ter estado, que falta averiguar, (seriam os M'Dombes) que entretanto teve que migrar dali. Uma coisa parece ter aceitação de todos: os Hanha pelo seu modo de vida (com mais gado e vivendo mais à volta dele) são os mais antigos na bacia do Bonga, do Cubal da Hanha, mas não devem estar relacionados com as construções amuralhadas. Os M'Ganda vieram depois e devem tê-los submetido, implantando a sua cultura tradicional, mais ligada à agricultura de massambala e menos ao gado e salvo prova em contrário, seriam os habitantes de tais fortificações.
A finalizar: Muito há a fazer para estudar a região e neste caso, só com uma equipa envolvendo várias disciplinas desde a arqueologia até à linguística, como dizia o nosso professor Vitor Jorge há 34 anos atrás. Até lá...só bocas.
Bibliografia: Jorge, Vitor O. "Estudos Arqueológicos na Região da Ganda, Museu de Arqueologia dos Cursos de Letras da UL. Sá da Bandeira (Lubango) 1974.
Jorge, Susana O. "Vasos Cerâmicos do Abrigo 1 da Ganda. Guimarâes, 1976
www.cpires.com/alto_catumbela.html
Um abraço e mais uma vez obrigado.









